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Maneiras pelas quais os gestores aprendem a realizar as práxis de estratégia, referentes à gestão da qualidade, a partir de suas

2 Fundamentação Teórica

CICLO DE APRENDIZAGEM VIVENCIAL

4.1 Codistil do Nordeste LTDA

4.1.4 Maneiras pelas quais os gestores aprendem a realizar as práxis de estratégia, referentes à gestão da qualidade, a partir de suas

experiências

Depois de transcritas e analisadas as entrevistas, se chegou à conclusão que os participantes também aprendem por meio de suas experiências. Foi observado que os participantes da pesquisa na Codistil aprendem por meio de experiências profissionais em empresas de referência na sua área de

atuação e aprendem ao refletir sobre as experiências de disjunção vivenciadas nas organizações nas quais trabalham.

4.1.4.1 Por meio de experiências profissionais em empresas de referência na sua

área de atuação

Foi identificado que os gestores na Codistil aprenderam a realizar as práxis de estratégia por causa de suas experiências profissionais passadas em empresas de destaque no seu ramo de atuação. Isto contribuiu para a aprendizagem dos mesmos.

Os entrevistados informaram que as suas experiências profissionais anteriores, em empresas de referência, foram de extrema importância para o desempenho de suas atribuições atuais na organização referentes à prática da gestão da qualidade. Segundo Raimundo, as experiências profissionais anteriores à Codistil, em empresas metalúrgicas importantes, permitiram ao gestor ter uma visão prática do dia-a-dia de trabalho.

Eu trabalhei na Cosinor que é uma empresa siderúrgica, daí foi um espetáculo, logo quando eu me formei. Por ela ter mais de 1200 funcionários e por ser uma siderúrgica, ela tinha várias fábricas lá dentro. Então a gente tinha fundição, marcenaria, laminação, caldeiraria e usinagem, quer dizer... Isso pra mim foi a segunda universidade. Por ter tido a oportunidade como estagiário, por ter sido estagiário dentro de uma indústria desta, desse porte. Tive aí uma grande oportunidade de usar meus conhecimentos técnicos. Uma visão prática (RAIMUNDO).

Além disso, o gestor cita que importantes empresas metalúrgicas locais nas quais trabalhou contribuíram para a sua vasta experiência no setor: “teve a Cosinor que foi uma empresa siderúrgica, mas eu trabalhava na área metalúrgica. Trabalhei na Máquinas Piratininga que é o mesmo segmento – metalurgia, e depois aqui... 75% da minha experiência profissional foi dentro dessa área metalúrgica” (RAIMUNDO). Essas experiências profissionais anteriores à sua entrada na Codistil, em empresas de destaque no seu campo de atuação, foram válidas para o gestor formar uma maneira de trabalhar, ou seja, contribuíram para a forma como o mesmo executa suas atuais ações estratégicas.

Um exemplo disto diz respeito à elaboração de documentos – a segunda práxis de estratégia identificada pela pesquisa. O fato de ter trabalho em empresas importantes nas quais pôde desenvolver e obter mais conhecimentos técnicos foi muito importante para a segunda práxis de

estratégia visto que, como anteriormente informado, muitos dos documentos elaborados pelos gestores são instruções técnicas.

Raimundo também menciona que sua experiência adquirida em outras empresas foi essencial para a inserção da Codistil no setor do Petróleo e Gás. Na opinião do gestor, como esse é um setor muito diversificado (com ampla gama de produtos e equipamentos), principalmente por meio da indústria petroquímica, a empresa teve que diversificar algumas de suas ações com o respaldo de alguns gestores, incluindo ele próprio:

Hoje é a indústria petroquímica que prevalece, e é uma indústria petroquímica muito diversificada. Cada equipamento tem que fazer um estudo, que é diferente de a gente ter uma linha de produção. Aí o que é que acontece? O pessoal aqui não tinha essa experiência nesse mercado petroquímico, daí a minha experiência e de outras pessoas para ajudar a empresa na diversificação (RAIMUNDO).

O conhecimento que o gestor obteve ao trabalhar em empresas de referência, antes de entrar na Codistil, contribuiu para sua práxis atual de estratégia e para a organização como um todo. A própria elaboração de documentos mais específicos deste setor (como os procedimentos de fabricação de um equipamento) foi apreendida pelo gestor em empresas importantes nas quais trabalhou anteriormente.

Segundo Adilson, sua experiência em outras empresas importantes foi especialmente válida, visto que ele sempre atuou na mesma área, a qualidade. Isto levou o gestor a acumular conhecimentos voltados para esta área de atuação. Ademais, o gestor pôde acumular conhecimentos de práxis de estratégia similares às práxis desempenhadas por ele atualmente, como a realização de auditorias.

Eu trabalhei em uma metalúrgica, e em uma empresa de embalagens também. Eu já fui trabalhar na área de gestão da qualidade que eu estou até hoje. Quando eu saí da Fibrasa, eu era auditor interno, já tinha alguma experiência com qualidade e surgiu a oportunidade pra cuidar do sistema de gestão da qualidade. Foi aí que eu fui pra indústria Renda, que é uma metalúrgica. Nessa empresa eu trabalhei seis anos na área de gestão da qualidade. Lá eu entrei como auxiliar e aí fui galgando algumas responsabilidades e cheguei à coordenação do sistema de gestão da qualidade. E daí depois desses seis anos surgiu a oportunidade de vir pra cá, pra Codistil, na área de gestão da qualidade fazendo a mesma função que eu tinha lá, a mesma atividade. Já estou aqui há três anos. Mas minha trajetória na área de gestão da qualidade já tem quase 10 anos (ADILSON).

Nessas experiências profissionais anteriores, o Analista do Sistema de Gestão da Qualidade também relatou que teve contato com pessoas reconhecidas em sua respectiva função. Essas pessoas eram em sua maioria superiores hierárquicos.

Eu tive uma pessoa muita boa que me orientou muito, quando eu entrei na Renda e fui cuidar dessa parte de gestão da qualidade. Ela passou três meses lá. Ela era a gestora do sistema de gestão e eu entrei como auxiliar dela, então eu tive três meses pra aprender (ADILSON).

O gestor frisa que, em suas experiências profissionais anteriores, obteve muitos conhecimentos relacionados ao dia-a-dia de se trabalhar na área da qualidade, principalmente por meio do contato com seus superiores hierárquicos. A experiência de trabalhar, por exemplo, com uma pessoa reconhecida na sua área de atuação foi caracterizada pelo gestor como crucial para suas atuais práxis de estratégia.

Assim, os gestores entrevistados citaram que aprenderam a realizar as práxis atuais de estratégia por meio de experiências profissionais em empresas de referência. Estas experiências foram importantes principalmente para a realização de auditorias e para a elaboração de documentos.

Além de terem passado por experiências de aprendizagem em empresas reconhecidas nas quais puderam obter o respaldo de pessoas qualificadas em sua área de atuação, os entrevistados citaram também que aprenderam refletindo sobre as experiências de disjunção vivenciadas nas organizações nas quais trabalham. Tal fato é analisado abaixo.

4.1.4.2 Ao refletir sobre as experiências de disjunção vivenciadas nas

organizações nas quais trabalham

Segundo Jarvis (1987), experiências de disjunção ocorrem quando há uma diferença entre o estoque de conhecimento do indivíduo e o mundo social, cultural e temporal em que as experiências estão imersas (p. 168), ou seja, quando o conhecimento acumulado dos gestores não é suficiente para enfrentar uma nova situação ou experiência. Jarvis (1987) defende que para que a aprendizagem ocorra, as pessoas precisam refletir e pensar sobre a situação, assim como procurar obter outras informações sobre a mesma.

Na opinião de todos os gestores, o setor do petróleo e gás é um setor desafiante para a empresa. Isto ocorre porque a entrada e a permanência da Codistil nesta cadeia exigem da organização a constante manutenção dos padrões de qualidade de seus processos internos como a produção de novos equipamentos, o contato com clientes que exigem um alto padrão de qualidade, a constante qualificação de seus funcionários etc.

Desta forma, os gestores demonstraram que por vezes enfrentam situações em que os seus estoques de conhecimento são insuficientes para lidar com situações novas dentro da empresa. Os entrevistados indicaram nas suas entrevistas que precisam refletir sobre essas novas situações, ou experiências de disjunção, de maneira a agirem de forma mais acertada.

Para Raimundo, isso ocorre principalmente quando da fabricação de equipamentos. O setor de petróleo e gás tem as suas especificações técnicas e de produção que se diferenciam um pouco de outros setores, como o do açúcar e álcool (ramo em que empresa atuou fortemente por muitos anos). Assim, não são raras as vezes em que os gestores se encontram diante de situações novas, nas quais eles precisam “parar” e refletir sobre como agir. Essas situações novas podem ocorrer em relação a um equipamento novo ou parte específica do equipamento que precisa ser fabricada, em relação a um equipamento interno da empresa que esteja inadequado para a produção de uma determinada peça, em relação ao prazo de entrega etc. O gestor Raimundo exemplifica algumas dessas situações novas na passagem seguinte:

A engenharia industrial analisa previamente como vai fabricar o equipamento, quer dizer, faz uma análise, um estudo de como deve ser feito e fabricado o equipamento. E como é que eu vou fazer isso? A gente já encontrou uma série de problemas... Como eu vou fabricar uma determinada peça-componente do equipamento?! Até pela própria dificuldade de fabricação, mas também em função das limitações dos nossos equipamentos (RAIMUNDO).

De acordo com Raimundo, essas situações novas fazem com que os gestores reflitam sobre o “problema” e analisem a melhor maneira de agir. O gestor cita na passagem acima uma experiência de disjunção relacionada com a práxis de auditoria interna e elaboração de documentos (identificação da necessidade de fabricação, análise e estudo de como fabricar um novo equipamento), em que o mesmo teve que refletir sobre o caso de maneira a agir de forma adequada.

Conforme Marcelo, a organização encontra-se em um momento muito dinâmico, o qual exige da empresa e dos próprios gestores uma constante reflexão diante destas situações de incerteza. Este momento dinâmico é reflexo de um período econômico importante para o Estado de Pernambuco, em que a demanda por equipamentos e serviços diversos que se relacione com a cadeia do petróleo e gás que aqui se instala exige das empresas envolvidas uma constante adaptação. Estas demandas são por vezes novas para as empresas locais, que geram situações de incerteza para as mesmas. Neste sentido, os gestores envolvidos precisam refletir constantemente sobre estas novas demandas (experiências de disjunção).

Segundo Raimundo, fruto destas reflexões os gestores aprendem e contribuem para a empresa como um todo. O entrevistado informou que os gerentes estão sempre aprendendo algo na empresa ao refletir sobre as novas demandas da organização.

Eu tenho 30 anos de experiência nessa área. Basicamente eu vou dizer que toda semana eu estou aprendendo uma coisa ou outra. Isso em função das coisas novas que surgem. E agora? Como é que a gente vai fazer isso? Eu nunca fiz! Eu tive minha vida profissional, não vi tudo que... Não fabriquei todos os equipamentos que uma indústria metalúrgica possa fabricar. E de repente chegou um equipamento e aí!? Como é que eu vou fabricar? (RAIMUNDO).

Ainda segundo Raimundo, diante destas situações de incerteza, o mais coerente é obter ajuda, trocar informações com pessoas mais experientes e refletir sobre a melhor maneira de agir diante da situação. Nas palavras do gestor, o mais comum é refletir com e pedir o respaldo de quem tem experiência no assunto, e recorrer a comitês de ajuda (grupos informais e até comunidades de prática) dentro e fora da empresa:

Você recorre à esses comitês... Ah, fulano trabalhou naquela empresa e já sabe como fazer e a gente troca informações... Ah, lá a gente fazia assim. Então se faz o estudo e a gente vê como agir (RAIMUNDO).

Neste sentido, conclui-se pelas falas dos respondentes que os mesmos aprendem a realizar as práxis atuais de estratégia na Codistil por meio de experiências profissionais em empresas de destaque na área de atuação dos gestores, assim como refletindo sobre situações novas dentro da empresa, as experiências de disjunção.

Na próxima subseção, é respondido o último objetivo específico desta pesquisa no que se refere ao primeiro caso analisado, a empresa Codistil. As adaptações realizadas pelos gestores nas práxis de estratégia são expostas.

4.1.5 Adaptações realizadas pelos gestores nas práxis de estratégia

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