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Material e Métodos:

No documento Anais... (páginas 138-140)

Vinhos: amostras encaminhadas à Avaliação Nacional de Vinhos – 2003 (cedidas pela ABE – Associação Brasileira de Enologia)

Degustadores: 7 degustadores, Embrapa Uva e Vinho

Descritores aromáticos: previamente à avaliação das amostras os degustadores tiveram acesso, em copos ISO, aos descritores indicados na Anexo 1 (com procedimentos para sua preparação)

Temperatura das amostras: 8oC

Degustação: às cegas, em copos ISO Ficha de degustação: Anexo 2

Resultados:

Para descrever o potencial qualitativo dos vinhos de Riesling Itálico – safra 2003 excluiu-se aquelas amostras que apresentavam defeitos maiores de aroma e sabor, associados a problemas de elaboração. Os resultados referem-se aos vinhos da safra 2003 que foi de médio potencial. Possivelmente em safras que propiciem maior grau de maturação das uvas pode-se prever vinhos de qualidade ainda superior. As notas de avaliação global variaram entre 73,1 a 82,9. Os 11 vinhos foram divididos em 3 grupos: grupo I (3 amostras: média: 74,1; intervalo 73,1-76,0), grupo II (4 amostras: média: 77,1; 76,0-79,0), grupo III (média: 81,0; 79,7-82,9).

De uma forma geral, a degustação apontou (dados da ficha descritiva – não apresentados) como principais descritores para o Riesling Itálico as notas de frutos cítricos (limão, laranja, kunquat), flores brancas (fraca intensidade), maçã (pomos) e, eventualmente, carambola.

Observou-se em alguns vinhos notas de madeira (carvalho), as quais foram apontadas pelos degustadores como negativas, pois diminuíram a percepção dos aromas varietais; a tonalidade destes vinhos era de um amarelo mais intenso.

Na Figura 1 observa-se que os vinhos de menor qualidade geral (média 74,1) apresentavam uma maior tonalidade de amarelo, moderada/baixa intensidade de notas de cítrico, baixa acidez, média/baixa harmonia-fineza. As notas de vegetal/herbáceo, no entanto, também foram de baixa intensidade.

As amostras de melhor qualidade (média 81,0) apresentavam como destaque uma menor intensidade do amarelo, apresentando uma tonalidade palha-esverdeado, média/alta intensidade de notas de cítrico, média/baixa intensidade de maçã (pomos) e de frutas tropicais (carambola), baixa intensidade de vegetal/herbáceo, média/alta acidez, média/alta harmonia-fineza e média/alta intensidade de sabor.

Mesmo nas amostras de maior pontuação não se verificou uma elevada intensidade de sabor, de corpo-estrutura ou elevada persistência em boca; destacou-se, no entanto, a harmonia/fineza de sabor. Isto sugere que estas sejam as características que definem a tipicidade varietal do Riesling Itálico da Serra Gaúcha.

Agradecimentos: Celito Crivellaro Guerra, João Carlos Taffarel, Irineo Dall’Agnol, Ruan Rodrigues, Roque Antônio Zílio, Vânia Maria Ambrosi Sganzerla; Casa Vinícola De Lantier (Carlos Zanus).

Anexo 1: Preparação de alguns descritores aromáticos para o vinho de Riesling Itálico

Descritor Material utilizado Tempo de infusão1

Rosas Mel Maçã Vegetal Kunquat (Fortunella margarita) Carambola Laranja Melão Abacaxi Maracujá Limão Cidreira Tangerina Pêssego Citrus

pétalas de 2 rosas vermelhas

Dois cubos de favo + 3 colheres de mel 1/2 maçã Golden fatiada bem fina 6 vagens picadas em 1cm

4 kunquats descascados (a casca e a fruta descascada foram utilizados)

1/2 carambola fatiada bem fina Cascas de uma laranja natal 1/8 de melão fatiado

3 rodelas descascadas e fatiadas Polpa de um maracujá amarelo

Casca de dois limões tahiti (lima ácida) 2 saquinos de chá

1 colher de suco em pó 50 mL de suco de pêssego 50 mL de suco de frutas cítricas.

24 h 2h 30min 24 h 24h 1h 45min 4h 30min 2h 20min 3h 30min 1h 20min 1h 2h 15min 1h Instantâneo Instantâneo Instantâneo

1As substâncias ficaram em infusão em 100 mL de vinho Trebbiano (vinho branco neutro).

Anexo 2: Ficha descritiva para vinhos Riesling Itálico Degustador:

Avaliar a intensidade percebida, com as seguintes notas de intensidade: Escala de intensidade de percepção (0-5):

alta intensidade nulo

A produção de vinhos no Brasil é regida pela Lei nº 7.678, de 08.11.88, regulamentada pelo Decreto n.º 99.066, de 08.03.1990 (Brasil, 1990). A legislação estabelece zonas de produção por estado. Contudo, essa legislação não resultou em um zoneamento que pudesse valorizar os vinhos das regiões produtoras (Tonietto, 1993).

Esta proposta de regulamentação da produção e comercialização de Vinhos Regionais (ou outro nome que venha a ser definido para estes vinhos) objetiva orientar o desenvolvimento desta temática, importante para o desenvolvimento da vitivinicultura brasileira, seja para atender o mercado interno, seja para ativar as exportações de vinhos.

1. Os Vinhos Regionais em Diferentes Países Vitivinícolas

Analisando os critérios de qualidade dos vinhos em diferentes países vitivinícolas, verifica-se que as referências geográficas das áreas de produção de uvas e vinhos são utilizadas para diferenciar os vinhos junto ao mercado consumidor. Isso ocorre nos países de viticultura tradicional da Europa e, de forma crescente, nos países do Novo Mundo vitivinícola.

A Tabela 1 mostra a nomenclatura utilizada para diferenciar níveis de qualidade dos vinhos com base nos nomes geográficos e indicações geográficas, agrupados em 4 níveis, de forma a estabelecer um paralelo aproximado entre os sistemas regulamentares utilizados em diferentes países da União Européia (Larousse, 2000, p.502). Os vinhos regionais são conhecidos como Vin de Pays na França, Vino de la Tierra na Espanha, Vinho Regional em Portugal e

Inglaterra, Indicazione Geografica Tipica (IGT) na Itália. Nos Estados Unidos eles são os vinhos das American Viticultural Areas (AVA).

Atualmente o Brasil já possui uma Indicação de Procedência (IP) reconhecida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial - I.N .P.I, com base na Lei de Propriedade Industrial - LPI (Brasil, 1996) e na Resolução do I.N .P.I. nº 075/2000 (INPI, 2000). Trata-se do Vale dos Vinhedos, que, na Tabela 1 poderia ser posicionado como indicação geográfica na coluna 3. Até o momento o Brasil não tem reconhecida nenhuma Denominação de Origem (DO) dentro do conceito da LPI (Brasil, 1996), que corresponderia a um enquadramento na coluna 4 da Tabela 1.

Observa-se que os vinhos regionais propostos neste trabalho para o Brasil, possuem equivalência à qualificação da coluna 2 da Tabela 1.

2. A Noção dos Vinhos Regionais no Brasil

Analisando a comercialização de vinhos brasileiros, verifica-se, de forma crescente nos últimos anos, o uso de nomes geográficos das regiões e sub-regiões produtoras nos rótulos dos vinhos, como por exemplo, Serra Gaúcha, Vale Aurora, Mato Perso, Pinheiro Machado,Campanha, Vale do São Francisco, dentre outros.

Esta constatação evidencia, na prática, o interesse dos produtores brasileiros em divulgar as regiões, promovendo uma região que já é tradicional produtora de uvas para vinificação ou uma nova região, a qual se quer fazer conhecer junto ao consumidor. Isto mostra que o produtor já está incorporando a noção dos vinhos regionais no Brasil.

Contudo, o uso de nomes geográficos para referenciar a produção de vinhos no Brasil não está regulamentada. Assim, os produtos que indicam um nome geográfico no rótulo (com exceção de vinhos da IP Vale dos Vinhedos), não seguem normas específicas. Consequentemente, os consumidores não sabem o que efetivamente esta informação representa em termos do produto, já que cada produtor adota um critério próprio.

Entende-se que, em já existindo na prática o uso do conceito de vinho regional no Brasil, é chegado o momento de buscar o seu reconhecimento de direito, via regulamentação, através de normativas simples, claramente definidas. Isto beneficiará tanto produtores quanto consumidores.

3. A Hierarquia Conceitual e Aplicada de Topônimos das Regiões Vitivinícolas Brasileiras

Dentro do enfoque dos vinhos regionais, a delimitação das regiões de produção pode ser feita em diferentes escalas espaciais, seja por critérios político-administrativos, seja por critérios ligados aos fatores naturais (características geográficas do meio natural, clima, solo, etc.), e/ou de fatores humanos, ligados à história, à tradição ou a características da produção vitivinícola regional.

No documento Anais... (páginas 138-140)