Gabriel Vicente Bitencourt de Almeida1
1 Engenheiro Agrônomo. Centro de Qualidade em Horticultura – CEAGESP. E-mail: [email protected]
Fonte: CEAGESP
Abaixo, a quantidade de uva, em toneladas, enviada pelas principais regiões do Brasil ao ETSP da CEAGESP em 1999. É importante contar que de 1999 a participação de Minas Gerais, principalmente Pirapora, cresceu muito e a uva é considerada das melhores do mercado.
O gráfico abaixo demonstra o suprimento do mercado pelas diferentes regiões produtoras de uva fina ao longo do ano. Os dados são de 1999, mas a dinâmica se mantém a mesma.
O método mais utilizado na comercialização é a “Consignação”. Na verdade o termo mais adequado seria “Preço a se Fazer”. O produtor envia a sua uva para um ou mais Atacadistas da Central de Abastecimento (CEASA) sem saber o quanto vai receber. O atacadista vende as mercadorias aos clientes, geralmente varejistas ou distribuidores. Sobre a média do preço de venda do atacado é aplicada uma série de descontos para se chegar no preço pago ao produtor, conforme tabela:
Fonte: CEAGESP
A outra modalidade de compra é o chamado “Preço Feito”, o atacadista simplesmente negocia com o produtor um preço fixo, compra a uva e tenta obter sua margem como qualquer capitalista. Este tipo de compra é dificultado pela falta de classificação mensurável. É um alto risco o atacadista comprar e não saber exatamente o que vai receber. O preço feito acontece mais com produtores que possuem uma reputação muito boa no mercado, espécie de marca. A proporção entre consignado e preço feito varia de acordo com a procura e a oferta. Quando a oferta é muito alta quase toda a uva passa a ser vendida por consignada e quando a falta no mercado acontece o contrário. Outra causa do aumento da consignação são chuvas na região produtora, como há um aumento de doenças pós-colheita o mercado evita pagar a uva antecipadamente, já que ocorrem perdas de lotes inteiros.
O preço é formado dentro da CEASA por uma série de fatores, como dia da semana, preço de fechamento, proximidade das festas de fim de ano, quantidade que sobrou do dia anterior, quanto chegaram, qualidade do produto, etc. Tudo na prática dos vendedores. Na comercialização de fim de ano a oferta de outras frutas, como as de caroço, pode interferir na formação do preço da uva.
• Taxa de Venda (Comissão) • INSS
• Descarga
• Embalagem (pode ser do atacadista) • Frete 17,50% 2,20% R$ 0,12 por unidade ? ?
Uma figura bastante importante na comercialização é o mateiro. Trata-se de um indivíduo que percorre as propriedades das regiões produtoras para comprar as uvas ainda na parreira. Podem representar um ou mais atacadistas das CEASAS, ou serem espécies de corretores que fecham negócios. Quando o mercado possui mais oferta os atacadistas Estados com menor consumo compram uvas nas grandes Centrais, como São Paulo e Belo Horizonte, já que o preço é baixo é a oferta se concentra lá. Em épocas de escassez estes atacadistas enviam seus mateiros para as regiões produtoras. O custo CEASA é de aproximadamente entre vinte e trinta por cento, então uma margem desta sobre um valor, por volta, de oito reais a caixa se torna mais barato que a compra na região produtora, porém se os valores ficam acima de doze reais, se torna mais vantajosa a compra direta.
A venda direta para as grandes cadeias de supermercados também já ocorre com certa freqüência, ela se torna possível quando há grandes produtores, caso do Vale do São Francisco ou Cooperativas como a de Jales, SP que conseguem reunir os grandes volumes necessários a estas redes. Porém como a produção é pulverizada, com muitos pequenos produtores e alternância de região, os atacadistas, que são os agentes que agregam toda esta produção dispersa no tempo e no espaço são responsáveis por boa fatia do abastecimento das grandes redes.
Não existe uma classificação clara e mensurável. O mercado utiliza a seguinte classificação: AA, A ou Extra (Extrinha), porém dois lotes Extras AA podem ter preços muito diferentes, isso mostra que a classificação é inexistente e o preço e definido pelo exame visual ou pela confiança no trabalho do produtor. São bastante comuns variações de cem a cento e cinqüenta por cento entre duas uvas Extra AA em um mesmo dia de comercialização.
As melhores uvas do mercado costumam ir para frutarias, bons sacolões, feirantes que possuem pontos em bairros de maior aquisitivo e para o Distrito Federal e Goiânia. A maior parte dos compradores de supermercados, infelizmente, trabalham com o fator preço na decisão de compra. E como a uva é uma das frutas com maior variação de preço pela qualidade este tipo de varejo geralmente leva um produto inferior. Logicamente que há boas exceções. São estes os principais fatores na formação do valor de uma uva:
• Alto teor de açúcar (teor de sólidos solúveis acima de 140Brix).
• Cor e turgidez do engaço.
• Tamanho do cacho, os médios, entre 400 e 800 g são mais valorizados.
• Tamanho das bagas, para o grupo da Itália o ideal é por volta de 24 a 26 mm de diâmetro.
• Uma boa embalagem, a preferência tem passado rapidamente para o papelão ondulado. As caixas abertas começam a crescer no mercado. Se bem que alguns mercados ainda preferem a madeira.
• Sacolas são valorizadas
• Coloração nos casos das uvas de cor.
• E por último a marca ou o bom nome do produtor.
Uva de R$16,00 no dia 17.11.2003 Destino: sacolão de luxo e boas feiras-livres.
Um cacho péssimo e um cacho muito bom.
Um caso interessante é o das uvas que sofreram aplicação de giberilina, o mercado paulistano não aprecia muito, considera as bagas duras e o engaço muito grosso. Porém este tipo de uva já é bem valorizado para o envio a praças mais distantes, pela muito melhor conservação pós-colheita.