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2. A Internet

2.3 Multimédia digital

2.3.1. Medias estáticos e dinâmicos

A componente diferencial dos medias dinâmicos em relação aos medias estáticos reside na sua dimensão temporal. Assim, enquanto os medias estáticos se encontram independentes do tempo e requerem uma dimensão espacial, para apresentação de conteúdos, os medias dinâmicos dependem essencialmente de uma dimensão temporal, uma vez que exigem uma reprodução contínua. Estes últimos podem envolver, igualmente, uma dimensão espacial (Ribeiro, 2007).

Como já foi mencionado, os media estáticos englobam texto, gráficos vectoriais e imagens bitmap, enquanto os media dinâmicos incorporam o vídeo, a animação e o áudio digital. Dada a sua importância, é de todo o interesse distingui-los referindo as suas principais características, os modos de organização e as suas potencialidades na transmissão de informação.

O texto é um meio de comunicação assíncrona. Este permite transmitir a informação de forma precisa, sendo por excelência, o recurso mais utilizado a nível computacional (idem). É, fundamentalmente, utilizado em sistemas multimédia constituídos por componentes informativas, educativas e de exercitação, pois exigem informação mais complexa, permitindo ao leitor recuar e avançar na sua leitura sempre que desejar (Garrand, 1997).

O texto apresentado no computador tem um grande inconveniente, uma vez que a maioria das pessoas não se sente confortável a realizar a sua leitura através de um ecrã. Este tipo de leitura é efectuada 25% mais lentamente que a leitura realizada sobre material impresso. Deste modo, enquanto navegam pela web, procuram aceder a informação transmitida de forma rápida. Por este motivo, estudos realizados por Nielsen (2000) revelam que grande parte dos cibernautas opta por imprimir a informação exposta na Internet.

Garrand (2001) afirma que os textos elaborados para um produto multimédia devem seguir algumas normas aplicadas nos jornais impressos. Seguindo estas normas considera que os textos devem ser apresentados de forma clara, perceptível, sucinta e precisa. Estes devem referir o seu objectivo logo no início, ser escrito na voz activa e utilizar preferencialmente verbos e substantivos, ao invés de adjectivos e advérbios.

Ribeiro (2007) atesta que a aparência é um dos aspectos fundamentais a ter em consideração durante a elaboração de um texto digital. Considera, assim, que o tipo de letra utilizado, o espaçamento entre linhas, os parágrafos, entre outros aspectos, são elementos imprescindíveis a ter em conta durante a sua elaboração.

Os gráficos vectoriais e as imagens bitmap apresentam informação exclusivamente visual. Sendo elementos distintos e comparando-os com os documentos tradicionais, pode-se identificar os gráficos vectoriais como desenhos, esquemas ou plantas e as imagens bitmap como fotografias (idem).

Existem dois formatos universais para a inclusão destes elementos na web: o GIF e o JPG (Ericksen, 2001). Nielsen (2000), afirma que um website deve conter poucas imagens e fotografias, devido ao tempo extenso que requerem para fazer

download. Assim, considera que estas devem ser de tamanho reduzido e possuir

hiperligações para outras páginas específicas que apresentem imagens de grande dimensão, caso o utilizador necessite de visualizá-las mais pormenorizadamente.

Levinson (1998) considera a fotografia como a arte da imagem visual e uma forma de comunicação abstracta. De acordo com o autor, esta apresenta imagens naturais e fiáveis, ao passo que a pintura é feita a partir da visão do artista, ou seja, a parir da sua mente e da sua experiência de vida, sendo o seu processo de concretização subjectivo. Contudo, a digitalização e a possibilidade de reconstrução da imagem fotográfica através do computador veio eliminar a sua componente realista.

Relativamente ao vídeo, é de referir que uma das suas principais características é a capacidade de abranger simultaneamente som e imagem, pelo que procura captar a

atenção do público ao mesmo tempo que transmite informação que possa ser retida pelo mesmo (Friedmann, 2001).

Um fenómeno característico do processo de visualização de imagens em movimento é a persistência da visão, isto é, durante a visualização de uma sequela, o ser humano capta a imagem após ela desaparecer. O vídeo é, então, constituído por uma sequência de imagens designadas por fotogramas ou tramas (frames) (Ribeiro, 2007).

Considerando tal referência, este deve procurar tirar proveito dessa potencialidade para apresentar os seus conteúdos. Assim, ao invés de de se cingir totalmente aos relatos verbais de cada acontecimento, deve conseguir tirar partido da visão para comunicar (Garrand, 2001).

Relativamente a este media importa, ainda, distinguir o vídeo digital da animação, na medida em que, neste último o realizador tem o poder de definir concretamente a forma, a cor, a iluminação e a perspectiva. Assim, desenha com exactidão as imagens que lhe permitem transmitir concretamente a sua mensagem (Ribeiro, 2007).

Contudo, quando se trata de introduzir a animação num website é importante reflectir sobre qual o seu propósito e como aplicá-la. Nielsen (2000) afirma que em muitos casos as animações acabam por distrair o utilizador. Por este motivo considera que estas devem ser utilizadas de forma reduzida. Apesar de se poderem encontrar vídeos na web, este autor refere que estes apresentam um grande inconveniente, na medida em que, geralmente, possuem baixa qualidade o que acaba por se traduzir em insatisfação e desinteresse por parte do internauta.

O áudio é o único media que tem como função estimular o sentido auditivo. Este

media nem sempre é considerado fundamental ou imprescindível, pelo que a sua

utilização deve ser feita de forma ponderada (Ribeiro, 2007).

Os tipos de áudio mais utilizados nos multimédia são a música e a fala.

A escolha de uma música implica saber se o software a utilizar é interactivo. Neste caso, esta deve ser alterada em cada secção do mesmo e encontrar-se sempre adaptada ao contexto (Javelosa, 1997).

A fala é o meio de comunicação dominante entre os seres humanos e possui um conteúdo semântico, uma vez que abrange todos os idiomas existentes. A sua utilização a partir do computador efectua-se através da digitalização da fala humana, que permite armazená-la, processá-la, editá-la e reproduzi-la (Ribeiro, 2007).