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5 EFEITOS DAS OPERAÇÕES DE MANUTENÇÃO DA PAZ DA DÉCADA

7.5 MEMORANDUM OF UNDERSTANDING E OS DIREITOS HUMANOS

O MOU firmado entre as Nações Unidas e o governo do Brasil em 5 de outubro de 2004 (ANEXO B) estabeleceu as bases da contribuição brasileira para o componente militar da MINUSTAH. Na sua introdução, verifica-se que o Brasil comprometeu-se a contribuir com pessoal, equipamento e serviços para mobiliar uma brigada composta de um batalhão de infantaria do Exército, um batalhão de fuzileiros navais da Marinha e uma base administrativa.

O Anexo A do MOU detalha o pessoal a ser fornecido, num total aproximado de 1.200 homens – em sua maioria integrantes da tropa de infantaria –, aptos para patrulhamento e combate, quando necessário. Também constam qualificações exigidas, como experiência profissional, aptidão física e conhecimento de idioma estrangeiro. Por fim, são previstas as condições de reembolso estabelecidas pela ONU.

O Anexo B-1, por sua vez, traz informações sobre o material a ser disponibilizado pelo Exército brasileiro e enviado para emprego na MINUSTAH, especialmente veículos e equipamentos de engenharia. No Anexo B-2 constam veículos blindados leves do tipo Urutu e armamento leve, do tipo metralhadoras e morteiros. Verifica-se, a partir da análise desse anexo, que não foi previsto armamento pesado, como carros de combate, canhões e obuseiros, ou mesmo aviões de combate.

Os Anexos C, D e E estabelecem outras condições referentes ao sustento da tropa e padrões de desempenho que deverão ser alcançados pelos equipamentos disponibilizados. Já o Anexo F contém um glossário com termos técnicos usados no MOU.

Em maio de 2005, houve alterações na tropa brasileira. A brigada foi substituída por um batalhão de infantaria de força de paz do Exército – BRABATT-1 (1.050 militares), incluindo elementos de fuzileiros navais, e uma companhia de engenharia – BRAENGCOY (150 militares)501.

Em 28 de novembro de 2011, um novo MOU foi firmado (ANEXO C), com o envio de mais um batalhão brasileiro, o BRABATT-2 (900 militares). Este MOU é o de maior interesse para a pesquisa, por ser o mais recente e já incorporar as importantes mudanças introduzidas em 2007, das quais se destacam o artigo 7 e os Anexos F, G e H.

Pelo artigo 7, o governo brasileiro compromete-se a assegurar que os membros de seu contingente nacional cumpram os padrões de conduta das Nações Unidas elencados no Anexo H, os mesmos exigidos do peacekeeping personnel.

Com relação à disciplina, o governo brasileiro reconhece que o comandante de seu contingente nacional é o responsável pela ordem e disciplina dos seus militares e que, nessa condição, deve zelar para que seus comandados sigam os padrões de conduta da ONU, as regras específicas da missão, bem como respeitem as leis locais, em consonância com o previsto no SOFA.

501

O BRABATT E A BRAENGCOY: origem, organização e composição. Verde-Oliva, Brasília, DF, ano XXXVII, n.202, Especial, out. 2009. p. 40.

Ainda pelo disposto no artigo 7º, o governo brasileiro assume a responsabilidade primária pela investigação de qualquer falta grave cometida por membros de seu contingente. Tais faltas, se ocorrerem, deverão ser informadas prontamente às Nações Unidas. Caso o governo brasileiro não notifique a ONU sobre a abertura da investigação em tempo hábil, tal atitude poderá ser interpretada como incapacidade ou falta de disposição, ensejando a que a Organização faça sua própria investigação.

Mais adiante, pelo texto do mesmo artigo o governo brasileiro compromete-se a exercer sua jurisdição com respeito a crimes e faltas disciplinares imputados aos membros de seu contingente, e a informar regularmente ao SGNU sobre o andamento dos processos até o final de cada caso.

Quanto aos demais anexos do MOU, merece destaque o Anexo F, atualizado em 2007 e que passou a contar com as definições de falta grave (item 31) e de abuso (item 32) e exploração (item 33) sexuais, tais como vistas na sexta seção deste trabalho. Sobre o Anexo G, este contém diretrizes sobre a estrutura organizacional da MINUSTAH, a ser vista no próximo item, além de recomendações a respeito do adestramento da tropa, em especial no domínio das ROE e na aplicação das regras do direito internacional humanitário.

Por fim, o Anexo H traz a reprodução do documento We are United Nations

Peacekeepers personnel, com as normas e padrões de conduta também aplicáveis aos

militares membros dos contingentes nacionais. Em seu preâmbulo, está acordado que o pessoal compromete-se a observar as normas de direitos humanos e de direito internacional humanitário, consideradas como balizadoras de seu comportamento durante a missão.

Dessa forma, o Anexo H, juntamente com as definições de abuso sexual, exploração sexual e falta grave, recentemente incluídas no Anexo F502, passou a incorporar, efetivamente, as provisões do Boletim do Secretário-Geral sobre abuso e exploração sexuais, de 2003. Esta providência assegura que os militares membros dos contingentes nacionais estão vinculados aos mesmos padrões de conduta atribuídos ao peacekeeping personnel. Trata-se de uma resposta direta ao crescimento dos casos de violência sexual praticados por membros das operações de manutenção da paz, em especial militares, e aos danos causados por tais ações à reputação das Nações Unidas.

502

“30. Serious misconduct is misconduct, including criminal acts, that results in, or is likely to result in, serious loss, damage or injury to an individual or to a mission. Sexual exploitation and abuse constitute serious misconduct. 31. Sexual abuse means the actual or threatened physical intrusion of a sexual nature, whether by force or under unequal or coercive conditions. 32. Sexual exploitation means any actual or attempted abuse of a position of vulnerability, differential power or trust for sexual purposes, including, but not limited to, profiting monetarily, socially or politically from the sexual exploitation of another.” (UNITED NATIONS, 2007b, grifos do autor).

Por fim, o referido anexo chama a atenção para as consequências de ordem administrativa, disciplinar ou criminal que advirão para os que violarem as normas de conduta das Nações Unidas.