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5.3 A aula te´ orica

5.3.2 A metodologia do professor

O termo metodologia nesse primeiro momento expressa a forma pela qual o professor conduz a aula, de maneira geral. Posteriormente, a quest˜ao da metodologia ser´a descrita e analisada em termos dos tempos da aula, recursos utilizados, material did´atico, conte´udo e avalia¸c˜oes e atividades propostas.

Conforme j´a mencionado no in´ıcio dessa se¸c˜ao, o professor sempre combinava ex- posi¸c˜oes te´oricas com resolu¸c˜ao de exerc´ıcios, em todas as aulas. Para os alunos, de modo geral, a metodologia utilizada pelo professor na condu¸c˜ao das aulas foi satisfat´oria.

Os grupos G3T e G4T destacaram como pontos positivos na metodologia do professor os fatos de: 1) o professor se esfor¸car para transmitir o conte´udo, 2) o professor explicar o conte´udo passo a passo, detalhadamente e pausadamente, 3) o professor explicar o conte´udo novamente caso algum aluno n˜ao compreendesse, isto ´e, esclarecer as d´uvidas, antes de prosseguir com a exposi¸c˜ao do conte´udo:

“Igual eu comentei, ele era bastante did´atico. Ent˜ao, acho que, a metodologia que ele usou foi, quem n˜ao aprendeu foi porque n˜ao prestou aten¸c˜ao ou n˜ao fez exerc´ıcio, porque se prestasse aten¸c˜ao dava pra pegar a mat´eria praticamente toda. Ele era bastante did´atico. (...) Ele sempre estava explicando o passo a passo, desde quando estivesse come¸cando.” (G3T. Entrevista em 02 dez. 2008)

“Olha, eu comentei at´e com alguns colegas meus, eu gostei demais do m´etodo de ensino dele. Porque? ele estava dando a mat´eria, a´ı a turma manifestava uma certa d´uvida, ele voltava e dava aten¸c˜ao. (...) N´e? Dava aten¸c˜ao e, at´e fixar, pra ele poder passar pra frente. (...) Um exemplo: ele estava explicando l´a lei de Ohm, n´e, ele explicava tudo. Detalhe. (...) tudo pausado. ’Ah, mas eu n˜ao entendi.’ Ele voltava e explicava. Entendeu? (...) Ele procurou ser bem simples e objetivo.” (G4T. Entrevista em 03 dez. 2008)

A visita t´ecnica que o professor previu no plano de curso de sua disciplina tamb´em foi considerada pelos alunos um aspecto positivo da metodologia: ajudou na compreens˜ao do conte´udo da disciplina e mais, a se orientarem sobre as ´areas da Engenharia El´etrica e criarem expectativas em rela¸c˜ao ao curso. Os grupos G2R, G4T e G5R concordam neste aspecto, e o depoimento do G4T elucida a opini˜ao destes grupos a respeito da visita t´ecnica:

“´E sempre interessante a visita t´ecnica. (...) Ajudou bastante pra gente en- tender um pouco o conte´udo da mat´eria. Quanto mais visita t´ecnica tiver ´e melhor pra n´os. (...) Pra quem n˜ao trabalha na ´area, ele vai, j´a come¸ca a nortear; ’ah, eu vou seguir pra essa ´area, ou vou para aquela outra ´area’, a´ı j´a cria uma certa expectativa.” (G4T. Entrevista em 03 dez. 2008)

Um outro aspecto positivo comentado por alguns grupos foi a linguagem utilizada pelo professor. De acordo com os grupos G4T, G5R e G6T, a linguagem do professor era de f´acil compreens˜ao, por ser simples e objetiva. Veja os depoimentos desses grupos:

“Ele procurou ser bem simples e objetivo. Eu percebi isso.” (G4T. Entrevista em 03 dez. 2008)

“Linguagem, eu acho que, sem problema, n´e. N˜ao teve, parte de entendimento, sem problema.” (G5R. Entrevista em 04 dez. 2008)

“Era poss´ıvel entender o que ele falava.” (G6T. Entrevista em 05 dez. 2008)

Por outro lado, a respeito da linguagem, alguns aspectos negativos tamb´em foram evidenciados pelos alunos. Alguns alunos do G1T tiveram dificuldade com a dic¸c˜ao do professor (o professor n˜ao ´e brasileiro). O grupo mencionou ainda ter dificuldade de compreender sua explica¸c˜ao quando se trata de um assunto ainda n˜ao estudado:

“O cara que tem dificuldade n˜ao consegue encontrar o que ele est´a falando, porque ele fala muita coisa que nem estudou ainda, muita gente n˜ao estudou, e ele joga l´a na frente as quest˜oes. (...) Uma outra dificuldade que o pessoal teve a´ı foi por causa da fala dele. Tem vez que ele fala muito enrolado, ou ent˜ao ele fala de uma forma diferente. (...) Dic¸c˜ao. Por ele n˜ao ser do Brasil.” (G1T. Entrevista em 01 dez. 2008)

O grupo G5R, apesar de ter declarado que a linguagem do professor, em geral, era poss´ıvel de ser entendida, fez uma ressalva no que se refere aos termos t´ecnicos da disci- plina. Segundo este aluno, ´e comum, n˜ao apenas em Circuitos I, mas tamb´em em outras disciplinas do CEE, o professor trabalhar naturalmente com os termos t´ecnicos, como se partindo do pressuposto de que os alunos j´a tˆem algum conhecimento pr´evio sobre os mesmos. O que n˜ao ´e verdade. Existe uma dificuldade de compreens˜ao dos termos t´ecnicos:

“O que eu j´a comentei que ´e padr˜ao, n˜ao s´o em Circuitos, como nos outros, ´

e achar que o aluno da Engenharia El´etrica, ele tem forma¸c˜ao t´ecnica em El´etrica. N´e, isso pra mim est´a em todos, ou praticamente quase todas as disciplinas. (...) A´ı d´a aula achando que todo mundo entende de todos aqueles vocabul´arios (...) que ele est´a falando, n´e. (...) Termos t´ecnicos, isso que eu queria dizer. (...) Que s˜ao os conceitos, e a´ı eu acho que `as vezes falha. Tem que dar uma melhorada. ´E nesse aspecto.” (G5R. Entrevista em 04 dez. 2008)

O grupo G2R mencionou que o professor poderia ter usado mais analogias para facil- itar que os alunos visualizassem o conte´udo e o compreendessem melhor:

“Eu acho que ele podia ter usado mais analogias, entendeu? Tipo assim, pra pessoas que nunca tiveram acesso `aquele conte´udo tˆem muito mais dificuldade. (...) Eu acho assim, pra quem j´a sabia o conte´udo n˜ao, n˜ao ia ser interessante,

porque ia estar sendo redundante. Mas pra quem nunca viu o conte´udo, ia ser muito mais f´acil pra vocˆe entender. Igual, eu conhe¸co gente l´a na sala, por exemplo, que virou pra mim, tem o que, foi no dia da ´ultima prova, e perguntou pra mim o que era corrente, vocˆe entendeu? Assim, sabia calcular, sabia fazer tudo, mas assim, a pessoa n˜ao teve, assim, uma explica¸c˜ao do que era, do que fazia a corrente, porque que tinha corrente, entendeu? Igual, a´ı, o cara, na hora da prova l´a, na hora da prova n˜ao ´e hora de perguntar isso. (...) ´E, porque a gente quer muito, apesar que n˜ao tem como ver, mas a gente quer ver, n´e. (...) Ent˜ao, talvez a gente esperasse isso dentro da faculdade. Assim, ele mostrar mesmo, tentar mostrar o que n˜ao pode ver, tentar pegar o que n˜ao pode pegar, essas coisas assim.” (G2. Entrevista em 02 dez. 2008)

O grupo G5R ainda avaliou que gostaria que o professor n˜ao esperasse tanto os ques- tionamentos dos alunos, mas que os incentivasse a questionar, visto que poucos s˜ao os alunos que questionam, e, normalmente, s˜ao sempre os mesmos:

“Eu acho que o que acontece ´e que `as vezes, n´e, o professor, ele tem que esperar o aluno, ´e, ter as d´uvidas, questionar. E pouca gente questiona. Vocˆe vˆe que sempre os mesmos questionam.” (G5R. Entrevista em 04 dez. 2008)

O ´ultimo aspecto negativo observado sobre a metodologia em um aspecto geral foi que o professor correu com alguns conte´udos. Este aspecto foi observado em primeira m˜ao pelos grupos G1T, G4T e G5R. O depoimento do grupo G1T representa a opini˜ao destes alunos neste aspecto:

“O problema foi a correria em algumas mat´erias. Tirando essa parte a´ı, at´e que ele estava explicando bem. (...) Teve conte´udo que ele foi devagar. Quem nunca tinha visto aprendeu. Agora, teve mat´eria que ele correu muito. A´ı n˜ao aprendeu.” (G1T. Entrevista em 01 dez. 2008)

Note que os pontos positivos da metodologia s˜ao reconhecidos por v´arios grupos, enquanto os pontos negativos s˜ao considera¸c˜oes pontuais. Exceto o item “o professor correu com alguns conte´udos”, n˜ao h´a men¸c˜ao de um aspecto negativo por mais de um grupo. A pr´oxima se¸c˜ao aborda exatamente essa ´ultima quest˜ao: os tempos da aula. 5.3.2.1 Os tempos da aula

Por tempos da aula entendo como se distinguem e organizam os diversos momentos da aula: exposi¸c˜ao te´orica, resolu¸c˜ao de exerc´ıcios, corre¸c˜ao de exerc´ıcios, esclarecimento de d´uvidas, discuss˜ao do conte´udo com o professor, discuss˜ao do conte´udo com os colegas.

Conforme mencionado no in´ıcio deste cap´ıtulo, a aula se dividia em dois grandes tempos: 1)exposi¸c˜ao te´orica e 2)resolu¸c˜ao de exerc´ıcios. Embora algumas aulas fossem prioritariamente focadas em exerc´ıcios, e outras em exposi¸c˜oes te´oricas orais, discuss˜oes te´oricas e exerc´ıcios eram articulados de modo a n˜ao ser poss´ıvel separar por completo o estudo da teoria da resolu¸c˜ao de exerc´ıcios. Ao final de cada exposi¸c˜ao te´orica o professor passava pelo menos um exerc´ıcio a fim de exemplificar a teoria abordada. Por outro lado, ao resolver o exerc´ıcio, o professor n˜ao fazia apenas os c´alculos e apresentava a resposta final, mas aproveitava para fixar ou esclarecer/explicar aspectos te´oricos relacionados ao exerc´ıcio, ou seja, havia situa¸c˜oes em que o exerc´ıcio era utilizado para explicar uma parte do conte´udo. O exerc´ıcio era resolvido detalhadamente, passo a passo, com cada parte do m´etodo utilizado esclarecida `a luz da teoria. E isso `as vezes demandava quase todo o tempo da aula. O tempo gasto na resolu¸c˜ao de um mesmo exerc´ıcio era, algumas vezes, extenso.

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As vezes o professor levava cerca de 100 minutos (2 aulas) para resolver, juntamente com os alunos, um ´unico exerc´ıcio. Os detalhes mais marcantes sobre a quest˜ao tempo s˜ao mostrados a seguir, na percep¸c˜ao dos alunos.

Houve unanimidade entre os grupos ao perceberem ou acharem que os tempos da aula, de alguma forma, ficaram mal distribu´ıdos. Todos os seis grupos mencionaram que faltou tempo para resolver mais exerc´ıcios em sala de aula. Na vis˜ao dos alunos, inclusive aqueles que tˆem o h´abito de estudar a teoria, o professor deveria gastar mais tempo resolvendo exerc´ıcios do que explicando a teoria. A fala do G5R representa bem essa observa¸c˜ao geral:

“´E, eu acho que o tempo n˜ao foi bem distribu´ıdo n˜ao. (...) Aquelas mat´erias mais do in´ıcio do conte´udo, ela foi bem atendida em termos de tempo. Agora, no final do conte´udo, n´e, essa parte de trif´asicos, por exemplo, de, n´e, circuitos estrela, circuito triˆangulo, n´e, foi at´e da ´ultima prova, eu acho que ela ficou um pouco prejudicada, n´e. (...) Ent˜ao, eu acho que tinha que reduzir o tempo de exposi¸c˜oes te´oricas, de escrever no quadro, e aumentar o tempo com exerc´ıcios em sala.” (G5R. Entrevista em 04 dez. 2008)

Na percep¸c˜ao dos alunos, alguns assuntos ou exerc´ıcios foram trabalhados durante muito tempo, enquanto outros foram trabalhados com pouco tempo, na correria, con- forme ressaltado na se¸c˜ao anterior pelos grupos G1T, G4T e G5R, quando avaliaram a metodologia do professor, de maneira geral.

O fato de o professor fazer exposi¸c˜oes te´oricas em meio `a resolu¸c˜ao de exerc´ıcios e detalhar a sua resolu¸c˜ao foi percebido pelos alunos, como mostra o depoimento do grupo G2R:

“A minha opini˜ao ´e que esses tempos n˜ao foram bem distribu´ıdos. (...) Tipo assim, `as vezes, igual, n˜ao sei se isso est´a dentro do plano de aula do professor

ter esses ’ah, tantos minutos vai ser pra mim explicar, tantos minutos pra corrigir exerc´ıcio’. Mas uma coisa acabava engolindo a outra, entendeu? ” (G2. Entrevista em 02 dez. 2008)

Apesar de acreditarem que o professor est´a buscando ensinar da melhor maneira pos- s´ıvel, os alunos do G6T consideram alguns detalhes como desnecess´arios e perda de tempo. Para eles, seria interessante detalhar menos um exerc´ıcio, a fim de que houvesse tempo para a resolu¸c˜ao de mais exerc´ıcios, visualizando mais situa¸c˜oes diferentes e eliminando mais d´uvidas:

“... de uma maneira geral, com rela¸c˜ao a tempo, porque o professor sempre chegava na sala, e resolvia um exerc´ıcio, por exemplo, de uma lista determi- nada, de uma mat´eria determinada, e a gente gastava, praticamente uma aula em um exerc´ıcio, n´e, explicando ele. (...) Mas eu acho que deveria ser melhor aproveitado o tempo dentro de sala de aula, ´e, porque sen˜ao vocˆe perde muito tempo, `as vezes, num determinado exerc´ıcio, e os outros exerc´ıcios, que s˜ao v´arios, vocˆe fica com d´uvida naquilo depois. (...) Ent˜ao, a´ı vocˆe vai pra casa e vocˆe tem que aprender sozinho, com o livro, e tal. ´E isso que eu achei ruim. (...) Eu acho que ´e a maneira do professor explicar. ´E o jeito dele, ele acha que o aluno vai aprender mais assim. (...) Explicando mais detalhadamente um exerc´ıcio. (...) ´E, poderia ter adiantado pra poder pegar um pouco mais do outro exerc´ıcio, um pouco mais complexo. Porque a´ı, na pr´oxima aula, por exemplo, aquela lista, j´a n˜ao se fala mais nela. J´a surge uma lista de uma outra mat´eria, um outro conte´udo. E a´ı, as d´uvidas ficaram pra tr´as, entendeu?” (G6T. Entrevista em 05 dez. 2008)

Os alunos do G1T ficaram t˜ao insatisfeitos com esse detalhamento e imers˜ao na res- olu¸c˜ao de um ´unico exerc´ıcio, que consideram esse momento como sendo o momento mais chato1 da aula:

“No momento em que ele d´a um exerc´ıcio f´acil e come¸ca a bordar ele demais. Em vez dele come¸car, e pegar aquele neg´ocio l´a e mostrar o resultado final fazendo passo a passo, ele fica, ele fica ensinando uma coisa com forma t˜ao diferente, mas muito dif´ıcil. (...) E fica toda a vida naquela coisa.” (G1T. Entrevista em 01 dez. 2008)

Essa situa¸c˜ao pode ser destacada na aula 10, 5.3.1, nos turnos 41 a 61, em que o professor havia acabado de explicar o teorema da superposi¸c˜ao e estava resolvendo um

exerc´ıcio. Durante a resolu¸c˜ao do exerc´ıcio ele faz uma exposi¸c˜ao te´orica sobre curto- circuito e circuito aberto no contexto da utiliza¸c˜ao do teorema da superposi¸c˜ao. O turno 47 mostra claramente que o professor interrompeu a resolu¸c˜ao do exerc´ıcio para explicar um aspecto te´orico, quando ele diz: “Eu n˜ao sei se no caso anterior expliquei esse detalhe, n´e. ´E o seguinte.” e come¸ca a explica¸c˜ao.

Uma outra caracter´ıstica marcante da aula de CE I ´e o fato de o professor sempre responder perguntas e buscar esclarecer todas as d´uvidas dos alunos. Todos os grupos entrevistados percebem com clareza essa postura do professor de querer e se esfor¸car para esclarecer todas as d´uvidas, e o admiram por isso. O depoimento do grupo G6T exemplifica o reconhecimento dos alunos dessa postura do professor:

“Qualquer coisa que a gente quisesse perguntar pra ele explicar, ele procurava explicar.” (G6T. Entrevista em 05 dez. 2008)

Por v´arias vezes, o professor interrompeu o roteiro normal da aula n˜ao s´o para re- sponder perguntas, mas tamb´em para esclarecer a d´uvida de algum aluno que dizia n˜ao ter entendido o conte´udo exposto. Essa situa¸c˜ao pode ser percebida na aula 10, 5.3.1, nos turnos 1 a 14, e novamente, nos turnos 22 a 28. Nos turnos 1 a 14, o professor interrompe a sua exposi¸c˜ao te´orica para reexplicar a quest˜ao da dissipa¸c˜ao de potˆencia nas conex˜oes estrela e triˆangulo para um aluno que n˜ao estava entendendo. Note que, no turno 3, o professor desliga o retroprojetor, levanta a tela de proje¸c˜ao, e usa o quadro-negro para esclarecer a d´uvida do aluno. Somente depois de esclarecer a d´uvida do aluno ´e que o pro- fessor liga novamente o retroprojetor (turno 14) e prossegue com a sua exposi¸c˜ao te´orica. Nos turnos 22 a 28, o professor interrompe novamente a aula para reexplicar a quest˜ao das correntes no contexto da utiliza¸c˜ao do teorema da superposi¸c˜ao, para um aluno que havia dito n˜ao ter entendido nada. Somente depois de o aluno ter dito que havia entendido (turno 27), ´e que o professor prosseguiu com a aula (turno 28).

Apesar de os alunos reconhecerem o esfor¸co do professor para discutir e at´e eliminar todas as d´uvidas dos alunos, consideram que o fato de ele responder perguntas pode ser negativo e atrapalhar o andamento da aula, visto que acabavam desviando o foco da aula. Os grupos G2R, G5R e G6T apontam pontos negativos relativos a essa quest˜ao de o professor responder as perguntas.

Segundo o G2R, essa postura do professor nem sempre era favor´avel `a aprendizagem da turma em geral, visto que algumas perguntas acabavam prejudicando o andamento da aula, ou por demandar muito tempo, ou por desviar o foco da aula2. Havia situa¸c˜oes em que a mesma d´uvida era respondida mais de uma vez, talvez por causa da conversa da turma. Isso demandava muito tempo. Da mesma forma, o fato de o professor parar a aula e/ou o exerc´ıcio para esclarecer alguma d´uvida, explicando detalhadamente o conte´udo, 2O que interferia nos tempos da aula, e provavelmente n˜ao permitia a resolu¸ao de mais exerc´ıcios.

tamb´em prejudicava o andamento da aula pois demandava muito tempo. O G2R observou que alguns alunos aproveitavam a aula para tirar d´uvidas relacionadas ao seu trabalho profissional. Segundo este grupo, isso tamb´em prejudicava o andamento da aula, visto que desviava seu foco. O aluno que fez a pergunta se beneficiava, enquanto a maioria da turma ficava descontextualizada, e n˜ao aproveitava aquele momento da aula:

“Por exemplo, l´a na sala l´a, o pessoal conversava bastante, ´e, a sala ´e bem agitada mesmo. Ent˜ao acabava que, assim, `as vezes, a d´uvida que o professor j´a tinha at´e passado por ela, assim, uma pessoa que perguntava de novo, o professor voltava tudo de novo, desde o Mois´es de novo, pra explicar para o cara, entendeu? Ent˜ao, `as vezes, eu acho que atrapalhou um pouco isso o planejamento do tempo a´ı, foi isso a´ı. (...) igual, o tempo pra resolver exerc´ıcio ficou muito prejudicado, eu acho, porque ele come¸cava a resolver exerc´ıcio, a´ı a pessoa perguntava pra ele ’ah, mas como ´e que faz isso aqui assim, assim, assado, n˜ao sei’. A´ı ele virava, a´ı ele voltava a mat´eria, explicava o conte´udo daquilo ali, a teoria, como ´e que ele faz pra chegar naquele resultado, pra depois voltar para o exerc´ıcio. (...) E a quest˜ao tamb´em de que a mat´eria j´a ´e muito ligada `as coisas que as pessoas est˜ao trabalhando, n´e, muitos trabalham, ent˜ao eles colocavam d´uvidas at´e mesmo de servi¸co. Entendeu? ’Ah, professor, como ´e que isso, isso e isso?’, mas a´ı ´e em rela¸c˜ao at´e ao que vˆe isso no servi¸co. Ent˜ao, ele tirava aquele tempo pra explicar para a pessoa, n´e. E prejudicava o conte´udo, o andamento. Talvez aquilo tem alguma rela¸c˜ao, mas assim, a pessoa que perguntou ´e que ficava mais, n´e, ciente do que ele estava falando, e a gente que n˜ao sabe com o que ele mexe, e tal, ficava meio... (...) Ele aproveitou, mas quem est´a aqui pra aprender a mat´eria, n˜ao aproveitou nada. (...) ´E, mas assim, eu acho assim, n˜ao ´e que desviava o foco assim em quest˜ao do professor desviar o foco. Ele dava importˆancia `aquilo ali, por quˆe? Pra gente aprender. Eu penso assim, que ele pensa que ningu´em pode sair da aula dele com d´uvida na mat´eria dele, ent˜ao a importˆancia dele foi o conte´udo. Ent˜ao, j´a que ele deu importˆancia a isso, ele acabou se prejudicando em outras partes.” (G2R. Entrevista em 02 dez. 2008)

O G5R avaliou que o problema era quando o professor respondia a d´uvida de um aluno individualmente. O fato de o professor responder a pergunta de um aluno espec´ıfico dando aten¸c˜ao em particular a ele, o deixava desmotivado. O aluno deste grupo parece que gostaria de participar desse momento de esclarecimento de d´uvida dos outros colegas:

“O que me deixa mais desmotivado ´e quando o professor, ele come¸ca a explicar para um aluno s´o, l´a isolado. A´ı vocˆe perde... (...) ´E, aquele que fez a pergunta. Porque ele vai l´a no aluno e, conversa com ele em particular. A´ı isso a´ı eu acho que n˜ao deve ter.” (G5R. Entrevista em 04 dez. 2008)

O G6T concorda com o G2R no fato de que algumas perguntas acabavam desviando o foco da aula, e isso prejudicava o seu andamento. O desvio do foco da aula desagradava tanto a este grupo, que ele chegou a mencionar que essa seria a parte mais chata da aula.

“Ah, eu acho que a parte mais chata seria a hora que o professor, por exem- plo, estava dando uma mat´eria e a´ı desviava um pouco, ou ent˜ao, ´e, desviava um pouco do assunto daquela mat´eria porque o aluno perguntou, sobre um conte´udo que n˜ao tinha aprendido ainda, e o professor come¸ca a resolver no quadro.(...) `as vezes ´e uma coisa que vocˆe j´a tinha visto, numa aula passada, por exemplo, e a´ı ele vai tentar detalhar o conte´udo com o aluno, por causa de uma pergunta. (...) A´ı, se (...) o aluno `as vezes fica parando demais a aula, (...) o professor quer, tipo assim, tentar solucionar a d´uvida da pessoa (...). Ent˜ao isso demanda tempo, a´ı, quer dizer, acaba que a aula fica interessante pra um aluno, ou dois, e fica desinteressante pra trinta, quarenta. (...) Auto-