CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA
4. METODOLOGIA PARTICIPANTES
Participaram da pesquisa dez alunos, com idade entre sete e oito anos, estudantes da Escola Municipal Monsenhor Pegado, localizada no município de Senador Georgino Avelino, de nível socioeconômico conside-rado menos favorecido. Os participantes foram selecionados em uma turma de 20 alunos, com base na análise de produções escritas e teste de leitura realizadas previamente. Dentre estas foram escolhidos dois grupos, 5 com nível maior e 5 com menor nível de competência linguística, tomando como critério as habilidades metalinguísticas relacionadas a leitura e a escrita. INSTRUMENTOS
Dois instrumentos foram utilizados para avaliar as produções escri-tas. O primeiro, Avaliação preliminar da consciência metalinguística fonoló-gica, avaliação da escrita baseada em Ferreiro & Teberosky (1987, 1990), e terá o intuito de compreender como ocorreu a construção e evolução da escrita durante de alfabetização formal das crianças e analisar o nível de representação escrita da linguagem.
PROCEDIMENTOS
Foi utilizado o teste da Psicogênese, em que elegemos um campo semântico. Este teste consiste ditar em 4 palavras (polissílaba, trissílaba, dissílaba e monossílaba) e uma frase. Este teste foi utilizado para avaliar a produção escrita da turma como um todo por ser considerado um facilitador na verificação do domínio linguístico e por focalizar o desenvolvimento da competência linguística na aprendizagem ortográfica para sucesso na leitura e escrita.
Para autores, como Ferreiro (1999), Cagliari (1992) entre outros, as variações ortográficas de uma produção escrita revelam o desenvolvimen-to da competência na aprendizagem da escrita, e identificam os diversos
tipos de erros ortográficos produzidos durante a evolução dessa aprendiza-gem, os quais estariam relacionados com a consciência fonológica. Evidên-cia de conflito potenEvidên-cial se apresentam entre as noções diferentes da compe-tência metalinguística silábica, que levaram a resultados contraditórios: as formas fixas aprendidas e a correspondência entre o nome e a escrita.
A competência linguística das 10 crianças foi investigada nas pala-vras e nas frases produzidas, observando a compreensão e o uso adequado do conhecimento mais sistematizado sobre determinadas correspondências ou não de letras e sons ativa um tipo de reflexão de sequência de fonemas, da palavra inteira ou de partes dela o que permite identificar os diferentes níveis dessa consciência nos sujeitos.
O segundo instrumento foi pensado e elaborado baseado na teoria de Bakhtin, para proceder a avaliação da consciência metalinguística. Dis-corremos sobre os aspectos fundamentais à elaboração de um texto com compreensão: reflexão quanto ao contexto, uso, intenção e interlocução. Terminado o texto realizamos umas entrevistas de Explicitação, estrutura-das, objetivando a melhor compreensão do pensamento que direcionou as produções escritas. Essas consistiam em lê as palavras, frases do texto pro-duzido marcando com o indicador as sílabas e as palavras no texto.
5. RESULTADOS
Os resultados foram obtidos a partir da análise da escrita e da pro-dução de texto, onde apresentaram erros recorrentes de ortografia, não iden-tificação da leitura com o decifrado. Quanto a produção de texto, a reflexão quanto ao a produção escrita, são demonstrados de acordo com os critérios de gradação: Ausente – quando o sujeito não percebe o aspecto a ser avalia-do em sua produção escrita; Fraco – quanavalia-do este ainda não está internaliza-do, mas o sujeito demonstra um início do processo consciente através da interação dialógica; Médio – o sujeito demonstra domínio do aspecto en-quanto escreve, porém não revela uma compreensão do seu uso nas entrevis-tas de explicitação; Forte – quando o sujeito já apresenta o domínio deste aspecto, o faz presente no monitoramento durante a produção escrita, e consegue explicitar o seu uso nas entrevistas.
Das dez crianças que foram avaliadas, 4 não apresentam consciência metalinguística fonológica, não transcrevem o que falam ou escutam, 3 apre-sentam consciência metalinguística silábica, relaciona o som a grafia, realiza leitura soletrando e 3 apresentam nível de consciência fonológica elevado, a escrita é alfabética e a leitura fluente.
Outro aspecto a ser ressaltado é que os processos de assimilação não são iguais para todos. Isto significa que no centro do processo de aprendiza-gem está a criança com o seu saber linguístico acumulado, que é diferente do saber de outra criança.
6. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
O texto que o aluno produz é a fonte diagnóstica, onde o professor investiga avanços e dificuldades, tanto em relação às estruturas linguísticas, quanto em relação às estratégias discursivas. O diagnóstico é apenas o ponto de partida para o planejamento. Ao avaliarmos o nível de consciência meta-linguística dos alunos temos um direcionamento para elaborar as atividades de intervenção.
As avaliações do nível de consciência fonológica integrada à cons-ciência metalinguística predizem em muito o futuro sucesso na aprendiza-gem da leitura. Os testes aplicados aos alunos do 2º ano demonstraram que a Consciência Fonológica não se desenvolve de um dia para o outro, esse co-nhecimento deve ser adquirido e construído, gradativamente, pela criança, com avanços e retrocessos, até que se desenvolva por completo. Assim, a escrita apoiada em uma leitura reflexiva – consciência fonológica e metalin-guística – contribui para o reconhecimento dos sentidos produzidos, pois, de acordo com Adams (2006), uma consciência fonológica mal desenvolvida é a principal dificuldade para um grande número de crianças que apresentam problemas na hora de ler e escrever. É relevante, ainda, ressaltar que a cons-ciência metalinguística por ser uma competência comunicativa, pode ser desenvolvida no curso dos vários anos de escolaridade, sendo construída pouco a pouco por meio das interações e intervenções pedagógicas.
7. REFERÊNCIAS
ADAMS, Jager Marily. et al. Consciência fonológica em crianças pequenas. Porto Alegre: Artmed, 2006.
BASSO, Fabiane Puntel. A estimulação da consciência fonológica e sua repercussão no processo ensino-aprendizagem da lecto-escrita. 2006.
Dispo-nível em:
<https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/6867/FABIANEBASSO. pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 19 ago. 2018.
DUARTE BARROS, Paula Rúbia Pelloso. A Contribuição da literatura infantil no processo de aquisição de leitura. 2013. Disponível em: <http://www.unisalesiano.edu.br/biblioteca/monografias/56015.pdf>. Acesso em: 19 ago. 2018.
FERREIRO, E.; TEBEROSKY, A. Psicogênese da língua escrita. Tradução: Diana Myriam Lichtenstein, Liana Di Marco e Mário Corso. Porto Alegre: Artmed, 1999.
LERNER, Delia. Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário. Porto Alegre: Artmed, 1998
NUNES, Cristiane; FROTA, Silvana; MOUSINHO, Renata. Consciência fonológica e o processo de aprendizagem de leitura e escrita: implicações teóricas para o embasamento da prática fonoaudiológica. 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-18462009000200005>. Acesso em: 19 ago. 2018.
SILVA, Antônio de Pádua Dias da. O Ensino de ortografia e a consciência fonológica e metalinguística. Disponível em: fi- le:///C:/Users/Almo/Downloads/11846-Texto%20do%20artigo-36655-2-10-20170727.pdf. Acesso em: 12 nov 2018.
SOARES, Magda. Alfabetização e Letramento. – 6ª ed. – São Paulo: Con-texto, 2015.
SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. Tradução: Cláudia Schilling; revisão técnica: Maria da Graça Souza Horn. – 6. ed. – Porto Alegre: Penso, 1998.
ENLACES DA FORMAÇÃO PEDAGÓGIA