2 REVISÃO DA LITERATURA
2.1 Competitividade
2.1.4 Modelo de Competitividade
Conforme Riasi (2015), para pesquisar o motivo que diferentes nações ganham vantagem competitiva em determinadas indústrias, Porter (1990) sugeriu o modelo de competitividade
chamado Diamante. Esse modelo avalia porque alguns países têm vantagem competitiva na concorrência global.
Riasi (2015) explica que o modelo consiste em 4 determinantes:
1. Condições de fatores: incluem matérias-primas, recursos de conhecimento, recursos físicos, recursos humanos, recursos tecnológicos, recursos de capital, infraestrutura, poder de inovação e capacidades de gestão;
2. Condições de demanda: mercado local para as indústrias de produto ou serviços;
3. Indústria relacionadas e de apoio: Presença ou falta de fornecedores ou indústria internacionalmente competitiva;
4. Estratégia, estrutura e rivalidade: as condições do governo de como as empresas são criadas, organizadas e gerenciadas, bem como a rivalidade local.
Conforme a análise de Riasi (2015), sobre o modelo, esses quatro determinantes se afetam mutuamente e uma mudança em um deles afeta todos os outros três determinantes. Além desses determinantes, o governo e o acaso podem indiretamente influenciar a competitividade. Em adição a esses quatro determinantes, governo e demanda podem indiretamente influenciar a competitividade. A Figura 1 demonstra esse modelo.
Kelm et al. (2015) faz uma análise de um modelo de competitividade com enfoque na inovação. Afirmando a necessidade de que as organizações sejam entidades criativas e principalmente capazes de transformar sua criatividade em inovações efetivas, de modo que consigam efetivamente incorporá-las nos seus produtos.
Para Kelm et al. (2015), a manutenção de uma posição competitiva por parte de uma organização pode decorrer de elementos que, embora robustos não sejam necessariamente complexos, como o direito de exploração de determinado produto por concessão ou patente, ou ainda pelo controle de canais privilegiados na cadeia logística. Outras posições competitivas são sustentadas pelo dinamismo dos fatores intervenientes no processo, e este parece ser o caso da competitividade baseado na inovação.
Oportunidade
Governo Estratégia, estrutura e
rivalidade das Empresas
Condições de demanda Condições de fatores
Indústrias correlatas e de apoio
Figura 1: Modelo de competitividade de Porter. Fonte: Adaptado de Porter, 1990 apud Riasi, 2015.
Kelm et al. (2015), ainda explicam que sistemas constituídos de processos que, pela multiplicidade de relações e combinações de elos e funções, não seja possível prescrever de modo indubitável suas saídas ou descrever com convicção seus processos de criação, gera um pressuposto que a competitividade pode ser melhor analisada pela visão sistêmica, ou seja, por um modelo. Portanto, ao analisar a competitividade de uma empresa, deve-se levar em consideração fatores com a ordenação microeconômica, infraestrutura, o sistema político-industrial e as características socioeconômicas dos mercados nacionais e, principalmente, o modo como este e outros fatores intervenientes, constituem sistemas e subsistemas específicos de produção e de competitividade.
A Figura 2 corresponde à modelagem da competividade. Em sua pesquisa, Kelm et al. (2015) optaram pelo modelo de competitividade de Coutinho e Ferraz, 1994.
Estratégia e Gestão Capacitação para inovação Capacitação Produtiva Recursos Humanos FATORES EXTERNOS À
EMPRESA SISTÊMICOSFATORES
FATORES ESTRUTURAIS (SETORIAIS)
Macroeconômicos Internacionais Sociais Tecnológicos Infraestruturas Fiscais e Financeiros Políticos - Institucionais Mercado Configuração da Indústria Concorrência S e to re s
Figura 2: Modelo de competitividade de Coutinho e Ferraz. Fonte: Adaptado de Coutinho e Ferraz (1994) apud Kelm (2015).
Para Carayannis e Wang (2012), os modelos existentes de competitividade tendem a se concentrar em inovações radicais e fatores internos para alcançar vantagens competitivas. A pergunta que se faz é se essas empresas de países em desenvolvimento podem seguir os mesmos caminhos tecnológicos de seus homólogos nos países desenvolvidos para obter vantagens competitivas na economia global.
Segundo Carayannis e Wang (2012), compreender as forças motrizes da competitividade das empresas nos países em desenvolvimento é um estudo importante. Assim como o desenvolvimento do modelo dinâmico de competitividade com dois conceitos fundamentais que são pertinentes às realidades econômicas dos países em desenvolvimento: posição competitiva e inovação em um país em desenvolvimento. A Figura 3 apresenta esse modelo de competitividade.
Carayannis e Weng (2012) concluem sobre o modelo que existem dois tipos de competitividade. Um é um modelo de competitividade liderado por recursos, no qual uma maior produtividade é obtida através do menor custo de recursos naturais ou menor custo de mão-de-obra
não qualificada ou ambos. As empresas não têm propriedade e controle da tecnologia central. O outro é a competitividade liderada pela inovação, em que uma maior produtividade é alcançada através de uma maior eficiência baseada no conhecimento e na inovação.
Governo Governo Mercado Doméstico Mercado Internacional Competição Doméstica Competição Internacional Redes
Globais ClusterLocal Melhoria da Qualidade Redução de Custo Inovação R& D IP R
Figura 3: Modelo de competitividade de Carayannis e Weng. Fonte: Carayannis e Weng (2012).
Ainda na linha da inovação, Joly (2017) afirma que embora o foco na inovação não seja novo, a forma como as iniciativas de muitos atores assim como o conjunto político, torna o tema novo. A Comissão Europeia é um exemplo emblemático de tal discurso político. Desde 2010, a inovação foi vista como a solução para os grandes desafios da sociedade. No momento atual, deverá contribuir para o aumento da competitividade.
Em sua pesquisa sobre os modelos de competitividade, Joly (2017) menciona que as revisões da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), sediada na França,
dos sistemas nacionais de inovação, tiveram uma grande influência no caminho que os principais atores consideram a dinâmica da inovação e também criação das políticas de inovação.
Segundo Joly (2017), em 2014, a OECD divulgou um modelo de competitividade que tem como pré-requisito a necessária entrada da empresa na via da inovação. Esse modelo é demostrado na Figura 4. Universidades Negócios Governo Transferência do Conhecimento
Pesquisa Transferência Inovação Negócios
Ciência e
Tecnologia HumanosRecursos Inovação
Educação Economia, Sociedade Contexto internacional: Investidores, Mercados Condições do modelo: Trabalhadores, Capital, Oferta de Produto, etc
Figura 4: Modelo de competitividade da OECD. Fonte: OECD (2014).
Joly (2017) afirma que muitos atores têm fortes interesses ligados a este modelo. Em primeiro lugar, as empresas que realizam Pesquisa & Desenvolvimento (R&D), são os principais beneficiários de políticas públicas baseadas neste modelo. Eles recebem subsídios substantivos
baseado no fato que eles são os principais atores dos processos de inovação e que a inovação melhorará a sua competitividade e, portanto, a capacidade da Nação para atuar na competitividade internacional.
O Modelo de Competitividade de Agostinho (2017) apresentado na Figura 5, ressalta que o conjunto de influências externas – mercado, ciência e tecnologia e sociedade, geram estímulos que irão resultar no estado de competitividade externa. Os estímulos descontínuos ocorrem devido ao desenvolvimento científico. Eles podem provocar descontinuidades, obsolescência repentina de produtos, mudança do patamar do conhecimento, inviabilização de negócios estáveis, assim como o surgimento explosivo de novos negócios. Já os estímulos contínuos surgem, principalmente, da evolução tecnológica de produtos existentes. Os estímulos contínuos permitem certo grau de previsibilidade, internacionalização da competição, vida dos produtos, velocidade de mudança dos produtos e a atuação interativa das empresas e do mercado.
Contudo, como já foi mencionado anteriormente, Agostinho (2017) enfatiza que a Competitividade Externa é a capacidade de uma organização em oferecer ao mercado, alternativas capazes de motivar a troca da organização detentora de produtos por aquela substituta. Como é possível observar, esse conceito é essencialmente facultativo, colocado de forma intuitiva pelos comunicadores individuais que representam o mercado naquele momento.
A Competitividade Interna, também já apresentada anteriormente nesse trabalho, é referenciada por Agostinho (2017) como sendo o conjunto harmônico e sinérgico de fatores organizacionais, metodológicos e tecnológicos que induzem a percepção externa de mudanças de produtos. Que obviamente, pode ser traduzida como sendo a vantagem competitiva de uma determinada organização ou sistema de manufatura.
Esse mesmo autor, ainda demonstra que assim como a competitividade externa, também a competitividade interna é um conceito de lógica estruturada, sendo que à princípio, não é adequado expressá-la através de expressões matemáticas, que facilmente dificultaria o entendimento holístico. De uma maneira geral, a competitividade interna deverá ser percebida e sentida pela
organização, e principalmente, pelo mercado consumidor, de maneira quase intuitiva. Entretanto, existe a necessidade de expressá-la através de padrões quantitativos, os quais devem manter correlação matricial com os padrões qualitativos da competitividade externa.
Mercado TecnologiaCiências e Sociedade
Estímulos Contínuos Estímulos Descontínuos Competitividade Externa Padrões Qualitativos Posição Geográfica Atividade Econômica Sistema de
Manufatua Competitividade Interna QuantitativosPadrões
Atributos de Competitividade Metodologias Abrangentes Tecnologias Abrangentes Tecnologias Restritas Tecnologias
Restritas TecnologiasRestritas Atributos
Mercadológicos
Metodologias Restritas
Atributos
Organizacionais AtributosPessoas
Metodologias
Restritas MetodologiasRestritas
tempo
Figura 5: Modelo de competitividade de Agostinho. Fonte: Agostinho (2017).
No modelo de competitividade de Agostinho (2017), através das relações de causa e efeito, é possível demostrar como se inicia o relacionamento da competitividade externa com a interna e com seus respectivos padrões de competitividade. A Quadro 3, demostra essa relação.
No modelo de Agostinho (2017), existe uma correlação entre o posicionamento geográfico e a atividade econômica na definição da competitividade externa. A interação entre a posição geográfica e a atividade econômica irá compor o quadro das relações externas e seus respectivos estímulos. A competitividade externa de uma empresa sofre forte influência quanto à sua localização. A posição geográfica pode favorecer em muitos aspectos os indicadores de competitividade se considerar fatores ligados à localidade da empresa.
Quadro 3: Relação entre Padrões de Competitividade Interna e Externa.
Fonte: Adaptado de Agostinho (2017).
Externo Interno
Possibilidade de oferta em qualquer país Investimento em Capital, superior a 10% do faturamento anual
Oferta cada vez mais diversificada Gasto maior que 5% do faturamento anual em treinamento e educação
Oferta de produtos em menor tempo Gasto maior de 5% do faturamento em novos recursos de Tecnologia da Informação
Agilidade de entrega Redução dos custos de manufatura em mais
de 10% nos últimos 5 anos
Inovações tecnológicas Crescimento da produtividade / funcionário em 10% nos últimos 5 anos
Poucos ou nenhum defeito Crescimento de mais de 10% da participação de mercado ao ano em 5 anos
Bom serviço de pós-venda Redução do ciclo de desenvolvimento de
produtos em mais de 10% ao ano em 5 anos Garantia por maior tempo; Participação da exportação de mais de 25%
das vendas Acesso fácil a informação de produtos
Preços menores sempre.
Participação de produtos novos ou redesenhados, mais de 25% anualmente