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4.1 O ORDENAMENTO JURÍDICO E TÉCNICO DE SCIE

4.1.2 Modelos de Regulamentações Técnicas

4.1.2.3 Modelos funcionais ou baseados em desempenho

a) O reconhecimento direto dos associados das OA, OE e OET propostos pelas respetivas associações profissionais, desde que, comprovadamente, possuam um mínimo de cinco anos de experiência profissional em SCIE, adquirida até à data de 15 de julho de 2011;

b) O reconhecimento dos associados das OA, OE e OET propostos pelas respetivas associações profissionais, que tenham concluído com aproveitamento as necessárias ações de formação na área específica de SCIE, cujos requisitos tenham sido objeto de protocolo entre a ANPC e cada uma daquelas associações profissionais;

c) Os associados das OA, OE e OET que não tenham sido reconhecidos para a elaboração de projetos de SCIE das 3.ª e 4.ª categorias de risco e que, comprovadamente, possuam experiência na elaboração de projetos de SCIE da 1.ª categoria de risco, para as utilizações-tipo IV e V, e da 2.ª categoria de risco, podem solicitar à respetiva Ordem o reconhecimento para a elaboração de projetos de SCIE relativos apenas a essas categorias de risco.

O maior desafio na aplicação deste tipo de regulamentação é encontrar a harmonia entre as condições técnicas exigidas e as competências (habilidades) dos projetistas e dos agentes de fiscalização (analistas e vistoriadores), necessárias para o desenvolvimento e passagem para outros modelos de regulamentação mais ágeis.

b) a geração e propagação do fogo dentro do prédio devem ser limitados;

c) a propagação do incêndio para a vizinhança deve ser limitada;

d) os ocupantes devem ter a possibilidade de deixarem a edificação por conta própria ou de serem salvas por outros meios;

e) a segurança das equipes de combate ao incêndio deve ser levada em consideração.

Estes cinco requisitos funcionais são independentes e devem ser aplicados para garantirem a efetiva segurança.

Assim, afirmam Cronsioe et al. (2012), que edificações ou ocupações com necessidade de proteções mais complexas precisam também de alta capacidade de análise e verificação da eficiência do projeto, tanto para o profissional quanto para o agente de fiscalização.

Contudo, para facilitar as condições de projeto, a regulamentação apresenta alternativamente critérios quantitativos e qualitativos a serem cumpridos, podendo ser escolhida a melhor forma para o profissional projetar. Assim, dizem os autores que ficou mais fácil avaliar o nível de segurança atingido, dando mais flexibilidade ao projetista em como alcançar os objetivos, sendo também fornecidas soluções alternativas aceitáveis para cada requisito operacional apresentado em guias específicos, com métodos descritos que podem ser usados como modelos.

Adicionalmente, os níveis de exposição ao fogo devem ser analisados segundo os cenários mais graves possíveis. Então na prática, a extensão de utilização dos projetos baseados em desempenho pode variar consideravelmente, dependendo do nível de complexidade da edificação e do risco inerente. A análise para o projeto inicia com a definição do risco para a identificação dos cenários críticos possíveis, podendo ser usadas modelações computacionais na avaliação do tempo necessário para atingir os momentos críticos do incêndio e das estruturas, principalmente nas edificações fora dos padrões construtivos rotineiros. Inclui-se também, as condições de alerta e concentração de público e a capacidade de mobilidade dos usuários.

Rezende (2008) contextualiza que a adoção de regulamentos por desempenho é decorrência do estágio de amadurecimento da engenharia de segurança contra incêndio. Na atualidade onde os conhecimentos da engenharia e da arquitetura permeiam os continentes com facilidade, é imprescindível possuir um instrumento que permita a sua atualização aos melhores métodos que surgem periodicamente.

Para Silva e Pannoni (2008), a engenharia de segurança contra incêndio considera um grande conjunto de variáveis a serem estudadas, as quais fundamentam as soluções adequadamente na ciência e na engenharia, sendo muitas vezes mais econômica do que a prescritividade.

Enfatiza ainda que o único meio de atingir um padrão satisfatório de segurança contra incêndio nas edificações mais complexas é aplicar "[...] soluções reais a prédios reais.".

Neste caso, as soluções não são apresentadas nas normas, sendo de responsabilidade e ética do profissional decidir o nível de segurança que irá adotar e demonstrar o atendimento dos objetivos por parte das soluções encontradas, deixando a liberdade ao projetista de incorporar ditames prescritivos ou métodos inovadores (CLARET; MATTEDI, 2011).

Coelho (2006) expressa que enquanto as regulamentações prescritivas fornecem indicações precisas de como os edifícios devem ser construídos, os códigos funcionais expressam apenas metas sociais, objetivos funcionais e exigências de desempenho, todos inter-relacionados, em outras palavras, deve-se atingir os níveis de desempenho necessários ao alcance dos objetivos funcionais que por sua vez cumprem as metas sociais.

Os regulamentos baseados em desempenho enfatizam a funcionalidade global da edificação, com a interação de todos os fatores envolventes dos demais projetos, perfil dos ocupantes, ambiente e sistemas instalados, devendo ser demonstrada a eficiência da solução técnica adotada. Os projetos devem considerar aspectos relacionados ao uso da edificação, às necessidades específicas dos usuários, às expectativas da comunidade, e onde as estratégias de proteção desenvolvem-se como um sistema integrado de segurança contra incêndio (MATTEDI, 2005 apud REZENDE, 2008).

Silva e Pannoni (2008) também elencaram que em projetos muito complexos, com muitas especificidades, a lei poderia permitir a realização de uma revisão qualitativa destes, em que o seu escopo e os seus objetivos são alcançados através do trabalho de uma equipe multidisciplinar composta ao menos com o engenheiro de segurança contra incêndio (gestor do projeto), arquiteto, engenheiros conforme as especialidades envolvidas, engenheiro

estrutural, gerente do empreendimento, representante técnico do Corpo de Bombeiros e o representante da empresa seguradora.

Tavares et al. (2002) apresenta as vantagens e desvantagens dos regulamentos baseados em desempenho, mostradas na Tabela 8.

Tabela 8 – Vantagens e desvantagens dos regulamentos funcionais

Vantagens Desvantagens

Flexibilidade na introdução de soluções inovadoras Dificuldade em definir critérios quantitativos Fácil harmonização com códigos e normas

internacionais

Necessidade de treinamento e ensino, especialmente durante a implementação

Possibilidade de projetos seguros com custo menor Dificuldade para análise e fiscalização Incentivo à introdução de novas tecnologias no

mercado

Dificuldade na validação das metodologias usadas para a quantificação

(fonte: Tavares et. al., 2002)

Embora pareça à primeira vista um modelo que apresenta uma forma muito abrangente e com objetivos demasiadamente genéricos, os projetos devem ser fundamentados em requisitos de desempenho específicos, e as metas claras e bem definidas de forma qualitativa devem ser transformadas em soluções compatíveis com parâmetros de projeto mensuráveis, como mostrado na Figura 13 (CUSTER; MEACHAM, 1997 apud REZENDE, 2008).

Figura 13 – Caracterização do conceito de sistema de desempenho (MATTEDI, 2005 apud REZENDE, 2008)