3 RETROSPECTIVA DA EDUCACÃO BRASILEIRA
3.1 PANORAMA HISTÓRICO: MARCO DA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO
3.1.1 A mudança do eixo econômico
Não foi um acaso Portugal tornar-se a grande nação dos descobrimentos marítimos. A expansão marítima, liderada por Portugal seguido pela Espanha, e mais tarde pela França, Inglaterra e Holanda, contribuiu para o fortalecimento do poder dos reis e para o enriquecimento da burguesia européia.
Entretanto, nos primeiros tempos de sua formação histórica, nada parecia sugerir tão distinguido destino. A situação econômica de Portugal era ruim, seu solo pobre, num país essencialmente rural, passava-se fome no campo e na cidade. Fora alguns centros urbanos mais ricos, entre eles Lisboa e Porto, localizados na faixa litorânea, as cidades e vilas portuguesas eram simples burgos rurais. Espremidos geograficamente entre a Espanha e o Oceano Atlântico, sem poderem expandir-se para o interior da península, muito cedo os portugueses se voltaram para as riquezas do litoral marítimo. Treinados na pesca costeira e de alto-mar, os lusitanos tornaram-se hábeis e arrojados marinheiros. As atividades pesqueiras facilitaram o nascimento e o desenvolvimento de uma pequena, porém muito ativa indústria naval, fortalecendo uma burguesia mercantil interessada nos negócios do mar.
Portugal encontrava-se a meio caminho da rota marítima que unia o Mar Mediterrâneo e no norte do Oceano Atlântico. Nos seus portos, os navios de longo curso reabasteciam-se. Cidades portuárias como Lisboa e Porto abrigavam uma variada população de aventureiros chegando de diferentes pontos da Europa marítima. O Mediterrâneo se achava inteiramente dominado pelas cidades italianas Gênova e Veneza, monopolizavam o comercio do mar Mediterrâneo, abastecendo os mercados europeus com os produtos do oriente, estabeleceram um lucrativo comércio de especiarias com os árabes, ampliando sempre mais suas rotas marítimas e terrestres, na distribuição dos produtos orientais.
“A conquista portuguesa do Atlântico teve inicio em 1415, quando uma expedição de caráter comercial e religioso ocupou e saqueou a cidade de Ceuta, importante centro de comércio de ouro, marfim e outros produtos africanos e orientais”. (TEIXEIRA, 2002, p.18-19).
Com criação da escola de Sagres, em 1417 (a Escola Naval portuguesa na época), um centro de sistematização e ensino dos conhecimentos e técnicas de navegação, dirigida pelo infante D. Henrique, filho do rei D. João I. A região começou a funcionar como pólo coordenador e executou das futuras expedições marítimas lusas.
A partir da segunda metade deste século Portugal já havia adquirido os conhecimentos náuticos necessários para viagens mais audaciosas. Desde os primeiros momentos em que aportaram nas costas atlânticas da África, os lusitanos mostraram-se ávidos escravizadores. A captura, a compra, o transporte e a venda de homens garantiram grandes ganhos à Coroa, aos nobres e aos burgueses.
Sobre essa postura portuguesa, Arruda; Piletti (2002, p. 171-2) diz que:
[...] O comércio africano financiara as descobertas, permitira ótimos negócios, mas não resolvera os grandes problemas mercantis portugueses e do restante da Europa continental. Sem o ouro africano, as trocas com o Oriente continuavam sendo controladas pelos mulçumanos e pelas cidades marítimas italianas, principalmente Veneza [...]. A perda de Constantinopla para os turcos otomanos, em 1453, piorara ainda mais a situação, interrompendo totalmente o contato direto da Europa cristã com os mercados orientais. Impõe-se, com urgência descobrir um novo caminho para o Oriente.
Outro fator importante foi à busca de novos mercados e a falta de metais preciosos – o desenvolvimento do comércio e dos centros urbanos europeus trouxe como conseqüência, uma produção maior do que a capacidade de consumo, havendo a necessidade de buscar novos mercados consumidores fora da Europa, e como a produção agrícola era insuficiente, tornava-se preciso buscar novos fornecedores de matérias-primas.
Com a falta de metais nas minas de ouro e prata européias para a cunhagem de moedas, com as quais eram pagas as especiarias, era necessário descobrir novas jazidas em outras regiões.
BUENO (2003) acredita que “um caminho atlântico para as Índias já era uma idéia antiga, ia ao encontro dos interesses da burguesia européia; nos reinados de D.
João II e de D. Manuel (1481 a 1521) os portugueses se empenharam em chegar até as Índias”. A fim de dominar o rico mercado de especiarias e eliminar os intermediários mulçumanos; passa a ser este o grande alvo da expansão marítima portuguesa.
“Em 1498, uma frota portuguesa sob o comando de Vasco da Gama, chegou à Índia. As viagens ao Oriente proporcionavam lucros que chegavam a 6000%, o que fez o comércio se intensificar sensivelmente.” (TEIXEIRA, 2002, p.16).
Com a descoberta do novo caminho para a Índia; foram os países que têm costa voltada para o Atlântico que ficaram em vantagem. O comércio, que antes apenas crescia, sofreu um grande salto. Tinha início o processo de formação de uma nova estrutura econômica, baseada no lucro, que é o capitalismo mercantil. Para isso, criaram regras e impuseram controles – leis, monopólios, impostos, etc. – interferindo diretamente na vida econômica. Com o desenvolvimento do comércio, o principal fator de riqueza passou a ser a moeda.
O Atlântico tornou-se a mais importante área de comércio do mundo. Portugal, Espanha, Holanda, Inglaterra e França tornaram-se nações privilegiadas porque têm acesso àquele oceano, que se transformou na rota mais lucrativa do começo do século XVI.
Pelo Atlântico Sul, em 50 anos os portugueses dominavam a navegação no Oceano Indico, com entrepostos comerciais que iam de Moçambique e Mombaça (África Oriental), Ormuz (Ilha do Golfo Pérsico), em Macau na China, chegando até Nagazaqui, no Japão. Além de fazerem o comércio de especiarias, os portugueses trocavam também ouro, prata e seda nas feitorias da China e do Japão.
Nesse contexto, de expansão marítima portuguesa, Pedro Álvares Cabral aporta no Brasil, em 22 de Abril de 1500, antes de prosseguir sua viagem para o Oriente. Cabral, encarregado de dar continuidade aos descobrimentos portugueses, teve mais sorte conseguindo estabelecer o desejado entreposto comercial. Mas, somente, a partir de 1530, iniciaram o povoamento e a colonização efetiva do Brasil, as capitanias hereditárias, com o estabelecimento de grandes latifúndios monocultores de cana de açúcar, tabaco e algodão, sob o sistema escravista.