O neoconstitucionalismo apresenta, segundo Luis Roberto Barroso, três referências: a filosófica, a teórica, e a histórica340. A referência filosófica é o pensamento pós-positivista que leva em consideração os direitos fundamentais estruturados sobre a dignidade do ser humano e a função social do direito. A referência teórica envolve a admissão da força normativa da Constituição, enunciada por Konrad Hesse, a ampliação da jurisdição constitucional, e a nova hermenêutica que considera que as normas constitucionais são compostas por regras e princípios, e que existindo uma colisão entre os princípios, deverá ser realizado um juízo de ponderação com a finalidade de produzir uma solução que se revele a mais adequada à materialização equilibrada dos valores
340 BARROSO, Luís Roberto. Neoconstitucionalismo e constitucionalização do Direito (o triunfo
tardio do direito constitucional no Brasil). Revista Forense. Rio de Janeiro, v. 384, p. 71-104, mar.-abr. 2006.
contidos no texto constitucional para o caso em concreto. A referência histórica está nas Constituições que incorporam valores democráticos, promulgadas após períodos ditatoriais como, por exemplo, a Constituição Italiana (1947) e a Lei Fundamental Alemã (1949).
Na Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada em 1948, consistindo num dos documentos fundamentais das Nações Unidas341, é afirmado no artigo 17, que “toda a pessoa, individual ou coletiva, tem direito à propriedade” e “ninguém pode ser arbitrariamente privado de sua propriedade”, por sua vez, é dito no artigo 29, que “o indivíduo tem deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade” e que “ninguém está sujeito senão às limitações estabelecidas pela lei" com a finalidade exclusiva de "promover o reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos outros e a fim de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar numa sociedade democrática”, revelando por meio de uma interpretação sistemática e teleológica, a compatibilização necessária entre os âmbitos individual e social, que deve envolver o instituto jurídico da propriedade.
No Brasil, como resultado da democratização, após o período da Era Vargas, foi promulgada, em 19 de setembro de 1946, uma nova Constituição342, colocando-se, pela primeira vez, de forma expressa no "caput" referente ao artigo inicial "Dos Direitos e das Garantias individuais", "a vida" juntamente com a liberdade, a segurança individual e a propriedade, todos com estrutura de princípios normativos, consistindo nas bases de outros direitos fundamentais. Além disso, a mencionada lei maior apresenta a preponderância do interesse público que alcança o instituto jurídico da propriedade, no condicionamento do seu uso ao bem-estar social (art. 147) e na desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social (art. 141, § 16).
341 NAÇÕES UNIDAS. The Universal Declaration of Human Rights. Disponível em:
<http://www.ohchr.org/EN/UDHR/Pages/Language.aspx?LangID=por>. Acesso em: 26 mar. 2011.
342 BRASIL. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Constituição dos Estados Unidos do
Brasil. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao46.htm>. Acesso em: 26 mar. 2011.
Posteriormente, ocorreu o movimento militar de 1964, que almejou com a "Constituição do Brasil"343 promulgada em 1967, uma "forma de institucionalização" como afirmam Paes de Andrade e Paulo Bonavides344. No que diz respeito ao instituto jurídico da propriedade, a referida Constituição inovou, trazendo a expressão ''função social da propriedade" (art. 157, inciso III) e especificando a desapropriação da propriedade rural com indenização por títulos especiais da dívida pública, conforme parágrafos primeiro a sexto do citado artigo, cabível nos casos de descumprimento da mencionada função. Essas determinações foram mantidas com a alterações introduzidas pela Emenda constitucional nº 1, de 17 de outubro de 1969345, constando, respectivamente, nos artigos 160, inciso III, e 161.
No plano internacional, desenvolve-se um processo pelo qual se ampliam as considerações sobre os problemas ambientais, conforme explica Alexandre Kiss346, devido a uma conjuntura integrada pelos seguintes fatores: o acesso da opinião pública as informações sobre as questões do meio ambiente, em consequência da expansão dos meios de comunicação de massa, passando-se a valorizar a produção de conhecimento científico concernente ao tema; a inserção do valor democrático na diplomacia, impondo- se a submissão dos tratados internacionais aos parlamentos nacionais para aprovação e controle, o que possibilitou a discussão sobre as consequências ambientais dos mesmos; a questão das armas nucleares para destruição em massa; e os efeitos dos grandes acidentes ambientais.
Por sua vez, na Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio
343 BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Constituição
do Brasil. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao67.htm>. Acesso em: 26 mar. 2011.
344 BONAVIDES, Paulo; ANDRADE, Paes de. História constitucional do Brasil. 6. ed. Brasilia:
OAB, 2004, p. 433-435.
345 BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Emenda
constitucional nº 1, de 17 de outubro de 1969. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc_anterior1988/emc01-69.htm>. Acesso em: 26 mar. 2011.
346 KISS, Alexandre. Droit international de l’environnement. Paris: Pedonne, 1989. p. 349, apud
SOARES, Guido Fernando Silva. Direito internacional do meio ambiente: emergência, obrigações e responsabilidades. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2003, p. 45.
Ambiente Humano347, realizada em Estocolmo, de 5 a 16 de junho de 1972, foi proclamado o direito do ser humano ao meio ambiente de qualidade, de forma a permitir uma vida digna e com bem-estar, sendo que o parágrafo sexto da mencionada declaração indica a defesa e a melhoria do meio humano para as gerações presentes e futuras como objetivo da humanidade. Em decorrência dessa declaração, segundo Antônio Herman Benjamin348, ocorreu uma "primeira onda de constitucionalização ambiental", estendendo-se por países que se libertaram de regimes ditatoriais, por exemplo, a Grécia em 1975, Portugal em 1976 e a Espanha em 1978.
Em 2 de julho de 1979, em Estrasburgo, na França, o direito fundamental ao meio ambiente, destinado a todo o gênero humano, segundo informa Paulo Bonavides349, foi mencionado por Karel Vasak, enquanto Diretor da Divisão de Direitos do Homem e da Paz da UNESCO - United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), na Leçon
Inaugurale (Aula Inaugural) dos Cursos do Instituto Internacional dos Direitos do Homem, sob o título Pour les Droits de l’Homme de la Troisième Génération: Les Droits
de Solidarité (Em prol dos Direitos Humanos de Terceira Geração: Os Direitos de Solidariedade).
No Relatório para a Assembléia Geral das Nações Unidas da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, denominado Our Common Future (Nosso Futuro Comum)350, de 4 de agosto de 1987, há a construção conceitual da proposta de desenvolvimento sustentável para todos os países, sendo o mesmo definido como aquele que satisfaz as necessidades da geração presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras satisfazerem suas próprias necessidades, condicionando que o meio ambiente deve ser protegido dos efeitos da poluição e da depredação, ficando estabelecido
347 NAÇÕES UNIDAS. Environment Programme. Declaration of the United Nations Conference on
the Human Environment. Disponível em: <http://www.unep.org/Documents.Multilingual/Default.asp?DocumentID=97&ArticleID=1503&l= en>. Acesso em: 26 mar. 2011.
348 BENJAMIN, Antônio Herman. Direito constitucional ambiental brasileiro. In: CANOTILHO, José
Joaquim Gomes; LEITE, José Rubens Morato. Direito constitucional ambiental brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 81-82.
349 BONAVIDES, Paulo.Curso de direito constitucional. 16. ed. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 569. 350 NAÇÕES UNIDAS. Official Documents System. Report of the World Commission on
Environment and Development “Our Common Future”. Disponível em: <http://daccess-dds-
que deve ser dada prioridade absoluta as necessidades dos pobres, devendo-se, também, considerar as limitações impostas pelo nível tecnológico e organização social.
Inserida no âmbito neoconstitucional e sob a influência da questão ambiental, foi promulgada, em 5 de outubro de 1988, a Constituição da República Federativa do Brasil351, sendo consagrados conforme o caput do artigo 5º, a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, que na sua estrutura de princípios servem como parâmetros de interpretação para a construção normativa e resolução de casos concretos. Também foi constitucionalmente estabelecido no referido artigo 5º, respectivamente nos incisos XXII e XXIII, a garantia do direito de propriedade que deverá cumprir uma função social, ou seja, a conservação da propriedade está submetida a um condicionamento social. Por sua vez, é fixado no artigo 225 da Constituição Federal o dever do Poder Público e da sociedade de defender e preservar para as presentes e futuras gerações o meio ambiente ecologicamente equilibrado, direito de todos e bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida.
Posteriormente, a Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento352, realizada de 3 a 14 de junho de 1992, no Rio de Janeiro, estabeleceu vários princípios, dentre os quais, está o que coloca os seres humanos no centro das preocupações do desenvolvimento sustentável, com direito a uma vida saudável e produtiva, em harmonia com a natureza.
A vida é o bem jurídico máximo, e um dos pressupostos para que ela desenvolva-se de modo saudável é o meio ambiente ecologicamente equilibrado, sendo que ambos são direitos constitucionalmente estabelecidos para todos. Em vista disso, é essencial averiguar como a Constituição Federal está sendo interpretada, quanto ao paradigma que possivelmente incorpora, ou seja, se apresenta uma perspectiva antropocêntrica ou biocêntrica, ou mesmo, resulta de uma síntese das duas visões, o que é relevante para o processo de produção legislativa, bem como na construção de decisões
351 BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Constituição
da República Federativa do Brasil. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acesso em: 26 mar. 2011.
352 NAÇÕES UNIDAS. Documents. Report of the United Nations Conference on Environment
and Development – Annex I – Rio Declaration on Environment and Development. Disponível
em: <http://www.un.org/documents/ga/conf151/aconf15126-1annex1.htm>. Acesso em: 26 mar. 2011.
judiciais formadoras da jurisprudência.
O caput do artigo 225, conforme Álvaro Luiz Valery Mirra353, afirma um direito fundamental da pessoa humana referente à "vida e a dignidade das pessoas". Paulo Affonso Leme Machado354 segue esse entendimento quanto mencionado caput do referido artigo, considerando-o antropocêntrico, existindo, todavia, um equilibrio com o biocentrismo, segundo observa-se no § 1º referente a obrigações do Poder Público na efetivação do meio ambiente ecologicamente equilibrado presente nos incisos I, II, III e VII; e na fixação, constante no § 4º, da Floresta Amazônica brasileira, da Mata Atlântica, a Serra do Mar, do Pantanal Mato-Grossense e da Zona Costeira como patrimônio nacional, com utilização conforme a lei e, no estabelecimento, pelo § 5º, da indisponibilidade visando à proteção dos ecossistemas naturais das terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados por ações discriminatórias.
Na pecepção de Antônio Herman Benjamin355, a Constitução Federal de 1988 reflete uma "época de superação de paradigmas" e, em virtude disso, abrange "padrões antropocêntricos, biocêntricos e ecocêntricos". Nesse sentido, vale ressaltar, conforme o caput do artigo 225 da Constituição Federal, que para viabilizar a sadia qualidade de vida (elemento biótico), o pressuposto essencial é o meio ambiente ecologicamente equilibrado (elemento ecológico), destinado às presentes e futuras gerações (elemento antrópico).
O Direito é uma "construção humana" com função de atender objetivos humanos conforme ressalta Paulo de Bessa Antunes356, porém, existe a constatação de que há uma evolução do Direito no sentido da admissão do "respeito às formas de vida não humanas", uma obrigação jurídica digna de importância, que, contudo, "não é suficiente para deslocar o eixo ao redor do qual a ordem jurídica circula", ou seja, filosoficamente, o paradigma antropocêntrico. Ademais, Paulo de Bessa Antunes357 constata que o fato de
353 MIRRA, Álvaro Luiz Valery. Fundamentos do Direito Ambiental no Brasil. Revista dos
Tribunais. São Paulo. nº 706, p. 7-29, ago. 1994.
354 MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito ambiental brasileiro. 17. ed. São Paulo: Malheiros,
2009, .
355 BENJAMIN, Antônio Herman. Direito constitucional ambiental brasileiro. In: CANOTILHO, José
Joaquim Gomes; LEITE, José Rubens Morato. Direito constitucional ambiental brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 81-82.
356 ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito Ambiental. 12. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010, p.18. 357 Ibidem, p.19.
que o "Direito brasileiro reconhece à natureza um elevado nível de tutela positivamente fixado", tais como, os previstos nos incisos I, II e VII do artigo 225 da Constituição Federal, que incide sobre os processos ecológicos essenciais, os ecossistemas, o patrimônio genético, a fauna e a flora, consistindo na "tutela de bens jurídicos" indiretamente vinculados aos seres humanos, é um indicador do "real grau de co- dependência entre o homem e o mundo que o cerca, do qual ele é parte integrante e, sem o qual, não logrará sobreviver", revelando uma "prova de compromisso do ser humano" para com a própria existência da humanidade.
Por sua vez, Marcelo Abelha Rodrigues358 assevera que a "concepção biocêntrica do meio ambiente é a única forma do homem preservar a si mesmo", sendo que, no seu entendimento, o ser humano deve estar situado em uma posição central e de forma integrada na formulação ecocêntrica e biocêntrica, pois, somente existiria esse modo para manter o equlíbrio dos ecossistemas, ou seja, por meio da atuação da humana no sentido de efetuar as correções necessárias e preservar o meio ambiente ecologicamente equilibrado.
José Rubens Morato Leite e Patryck de Araújo Ayala359 consideram "uma visão que acentua a responsabilidade do homem pela natureza e justifica a atuação deste como guardião da biosfera", um paradigma denominado "antropocentrismo alargado" com suporte no caput do artigo 225, que gera "uma solidariedade de interesses entre o homem e a comunidade biótica de que faz parte, de maneira interdependente e integrante", visto que os seres humanos compondo a sociedade e o Poder Público assumem constitucionalmente a responsabilidade de defesa e preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, pressuposto necessário para todos os seres vivos.
Não obstante exista a oscilação doutrinária entre biocentrismo e antropocentrismo, observa-se, mediante uma interpretação sistemática e teleológica da Constituição Federal, que o paradigma antropocêntrico está direcionado à compatibilização socioambiental, o que se depreende considerando: a dignidade humana (artigo 1º, inciso III), que é um dos fundamentos da República Federativa do Brasil; a
358 RODRIGUES, Marcelo Abelha. Instituições de direito ambiental. São Paulo: Max Limonad, v.1,
2002, p. 52-54.
359 LEITE, José Rubens Morato; AYALA, Patryck de Araújo. 3. ed. Dano ambiental: do individual
função social como condicionante do direito fundamental da propriedade (artigo 5º, inciso XIII) e princípio da ordem econômica (artigo 170, inciso III); as competências comuns da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios inscritas no artigo 23, visando à proteção ambiental e à materialização de objetivos econômicos e sociais, representados pelo fomento à produção agropecuária e desenvolvimento habitacional e do saneamento básico; as competências concorrentes da União, dos Estados, do Distrito Federal constantes no artigo 24 para legislar sobre assuntos que envolvem valores sociais e ambientais; as políticas urbana, agrícola, fundiária e da reforma agrária delineadas nos capítulos II e III da "Ordem Econômica e Financeira", assim como, o capítulo VI na "Ordem Social"; dedicado à efetivação do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.
Nesse sentido, essa mudança de perspectiva, também está presente na Lei nº 10.406/2002, que instituiu o atual Código Civil Brasileiro360 que, da mesma forma que o Código Civil de 1916, não definiu diretamente o instituto jurídico da propriedade, mas estabeleceu as facudades do proprietário, determinando, em harmonia com os preceitos constitucionais, a necessária compatibilização socioambiental da propriedade, conforme se observa pelos dispositivos a seguir transcritos:
Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha.
§ 1º O direito de propriedade deve ser exercido em consonância com as suas finalidades econômicas e sociais e de modo que sejam preservados, de conformidade com o estabelecido em lei especial, a flora, a fauna, as belezas naturais, o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico, bem como evitada a poluição do ar e das águas.
Assim sendo, o agir humano deve voltar-se no sentido de viabilizar a reparação dos problemas causados pela poluição e pela depredação, bem como conservar o equilíbrio ecológico dos ecossistemas, ações que podem ser materializadas por meio da
360 BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei nº
10.406/2002. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10406.htm>.
construção e execução de um conjunto de providências regulares de ordem normativa, abrangendo medidas de âmbito científico e técnico, visando manter o conjunto das relações de interdependência dos seres vivos entre si e com seu meio ambiente em bom estado de preservação e funcionamento. Nessa perspectiva, estão inseridas as políticas públicas que envolvem a compatibilização socioambiental do instituto jurídico da propriedade.