• Nenhum resultado encontrado

O Império Persa

No documento ELEMENTOS E FUNDAMENTOS BÍBLICOS (páginas 101-105)

A ascensão persa surpreendia todo o mundo de então e foi extraordinariamente rápida. Os persas nem fi guravam entre as potências tradicionais da Mesopotâmia.

Vindos do Oriente, em poucos anos souberam adonar-se, inicialmente sob Ciro, tanto da Mesopotâmia quanto do Egito, tanto da Ásia Menor quanto da Síria/

Palestina.

O novo soberano, Ciro, iniciou uma política de expansão territorial com o objetivo de formar um grande império, pois desejava obter riquezas e resolver os problemas causados pelo aumento populacional. Dessa forma, Ciro, o Grande, conseguiu conquistar os territórios da Mesopotâmia, de toda a Ásia Menor (atual Turquia) e de territórios a leste da Pérsia (parte ocidental da Índia). Por todas essas conquistas, Ciro foi considerado um dos grandes estrategistas militares da Antiguidade. Em 530 a. C., o Império Persa se estendia do Mar Mediterrâneo oriental até o Rio Indo (rio que corta a atual China, Índia e Paquistão, na Ásia). Para demonstrar a extensão territorial do Império Persa, observe que as conquistas de Ciro compreenderam os seguintes países atuais: Irã, Iraque, Síria, Líbano, Jordânia, Israel, Egito, Turquia, Kuwait, Afeganistão, parte do Paquistão, parte da Grécia e da Líbia. O governo de Ciro sempre tratou bem os povos dominados, possibilitando-lhes a liberdade de ação, de emprego e de religião, porém Ciro os obrigava a servir o exército persa e a pagar tributos.

Dessa maneira, ele fortaleceu seu exército e arrecadou tributos para a manutenção dos seus soldados. Uma das grandes características do imperador Ciro e dos persas era a força que tinham como guerreiros (CARVALHO, s.d., s.p.).

Conheça mais sobre a história dos persas! Assista ao vídeo:

Construindo um Império: persas. Disponível em: <https://www.

youtube.com/watch?v=cb6QPIGe2S0>.

ELEMENTOS E FUNDAMENTOS BÍBLICOS

Com os persas são introduzidas diversas novidades, isso porque souberam organizar administrativamente seu imenso império. Criaram uma efi ciente burocracia estatal, dotada inclusive de um excelente serviço de correio. Neste sistema administrativo, as satrápias tinham um papel administrativo e de subunidade burocrática. Este tipo de organização viabilizava uma regionalização da administração e mantinha a unidade de conjunto. Através destes aparelhos burocráticos é que eram arrecadados os tributos. O tributo se tornou um negócio de Estado. Nisso, os templos deixaram de desempenhar papel central no recolhimento do tributo.

Os persas não impuseram sua religião aos povos dominados, como procediam assírios e babilônios. Não somente impingiram sua religião aos povos conquistados, como até mesmo promoveram cultos em templos destes. Na Babilônia, Ciro restaurou o culto a Marduque, duramente contestado pelo último soberano babilônico, Nabonide, que não era adepto de Marduque. Da mesma forma, os persas procederam em outros lugares. Ajudaram a construir templos e facilitaram a aplicação das leis sagradas das diferentes divindades locais. Os persas eram tolerantes em termos de prática religiosa, evidentemente enquanto estas práticas não contestassem seu império mundial.

A restauração do culto sacrifi cial a Javé em Jerusalém e o regresso dos exilados se situam neste âmbito de uma política religiosa “tolerante” da parte do Império Persa.

O decreto de Ciro se tornou muito importante, aliás o cronista o reproduziu por três vezes; 2Cr 36,22-23; Esd 1,1-5 e 6,3-5. Os textos não conferem exatamente.

Se tratam de edições bem diferentes. Por vários motivos, se considera o texto de 6,3-5 – transmitido em aramaico – como o mais autêntico:

Memorando. No primeiro ano de seu governo, o rei Ciro promulgou o seguinte decreto: templo de Deus em Jerusalém.

O templo deverá ser reconstruído para ser um lugar onde se ofereçam sacrifícios, e seus alicerces devem ser restaurados.

O templo deverá ter 30 metros de altura e 30 de largura.

Terá três fi leiras de pedras talhadas e uma fi leira de madeira.

A despesa ocorrerá por conta do palácio do rei. Também os objetos de ouro e prata do templo de Deus, retirados do templo de Deus por Nabucodonosor e trazidos para a Babilônia, serão devolvidos. Desse modo, tudo voltará ao seu lugar no santuário de Jerusalém, e será colocado no templo de Deus.

Este decreto dá ênfase apenas ao templo e determina a sua reconstrução imediata, defi nindo a sua função, tamanho, fi nanciamento e até a devolução dos utensílios. Esta restauração é apresentada como um projeto persa. Os exilados

O EXÍLIO, E A VOLTA DO EXÍLIO DECRETADA PELO IMPÉRIO PERSA

Capítulo 3

nem mesmo aparecem. Isso evidentemente não signifi ca que não tivessem estado por trás da edição da lei. Afi nal, de outra maneira difi cilmente se explica que Ciro, já um ano após haver assumido o poder na Babilônia, tenha se importado com a distante e destruída Jerusalém. Os exilados se mobilizaram para a obtenção deste decreto. Dêutero-Isaías anos antes já havia aclamado Ciro como o ungido.

Com isso, por meio da administração persa e com seu total apoio, os exilados defi nem o futuro do templo, de Jerusalém, de Judá. O mesmo se poderia formular também de outra maneira: os persas se valem dos deportados, com pleno consentimento para a concretização dos seus planos em Judá. E a Palestina, sem dúvida, era interessante para os persas. Em 538, recém-haviam se adonado da Mesopotâmia. Ainda não eram efetivos senhores da Palestina. Esta e, em especial, o Egito fi guravam nas futuras pretensões de Ciro. E para alcançar a conquista do Egito, era relevante contar com o apoio de Judá e Jerusalém, esta porta de entrada para as terras do Nilo. O decreto de Ciro de 538 tem a ver com a pretendida invasão do Egito, defi nitivamente efetivada em 525 a.C.

Algo que surpreende é que o decreto não tenha falado sobre o regresso dos exilados. Talvez não fosse a questão principal na ordem do dia. Afi nal, Judá estava povoada e lá viviam os remanescentes. É muito provável que os exilados não estivessem interessados num retorno imediato. Enfi m, também poderia se conjeturar que deles se estaria tratando implicitamente ao falar do retorno dos utensílios do templo. É o que atesta Esd 1. Em todo caso, nestes primeiros anos após a vitória persa, a reedifi cação dos santuários em ruínas concentrava as atenções. Para os autores de Esdras, o enfoque era outro bem diferente. Deram destaque também ao retorno (Esd 1,3).

Foram muitas as razões para que no povo de Deus predominassem em tempos pós-exílicos certas linhas teológicas e não outras. Não tem como reduzir a preponderância destas ou daquelas facetas. As questões são complexas e, a rigor, já fogem dos propósitos deste nosso estudo.

Além disso, não se poderá deixar de contar com a dinâmica própria e peculiar trazida à tona sob as novas contingências pós-exílicas. O pós-exílio não é apenas a continuação dos projetos teológicos formulados sob as condições do exílio. É um momento novo, próprio. Por exemplo, Ageu sem dúvida é favorável à restauração do santuário. Nesse sentido está sua profecia. Contudo, para ele, este novo templo – tão apoiado pelos persas – inauguraria o aniquilamento da dominação persa! Dessa forma percebemos como eram a dinamicidade e a inovação que foram as propostas pós-exílicas, não se esgotam em ser prolongamentos de correntes de tempos exílicos.

ELEMENTOS E FUNDAMENTOS BÍBLICOS

Atividade de Estudos:

1) Quem foram os exilados para a Babilônia? Qual foi o principal objetivo do império dominador?

_______________________________________________________

_______________________________________________________

_______________________________________________________

_______________________________________________________

_______________________________________________________

2) O que aconteceu com a população que fi cou em Judá e quais foram as infl uências na literatura bíblica?

_______________________________________________________

_______________________________________________________

_______________________________________________________

_______________________________________________________

_______________________________________________________

3) De acordo com o conteúdo, comente os principais acontecimentos do pós-exílio.

_______________________________________________________

_______________________________________________________

_______________________________________________________

_______________________________________________________

_______________________________________________________

Algumas ConsideraÇÕes

Ao longo desse capítulo pudemos perceber os percursos vividos pelo povo de Israel ao longo da sua trajetória exílica e pós-exílica. Por séculos o povo experienciou um período de constantes incertezas. Por conta disso, conhecer um pouco desses caminhos é fundamental para compreendermos as narrativas bíblicas que foram sendo construídas, reconstruídas ou readaptadas durante um tempo de sofrimento, mas que nunca perderam a esperança!

O EXÍLIO, E A VOLTA DO EXÍLIO DECRETADA PELO IMPÉRIO PERSA

Capítulo 3

Percebemos também que a história de Israel não é narrada de uma maneira linear com começo, meio e fi m. Mas é construída em diversos momentos. As narrativas são recontadas e podem ganhar uma nova versão, a partir do momento ou situação em que estavam vivendo. Pode ser que uma história antiga seja recontada com o intuito de incentivar o povo a não desistir nunca de vencer a escravidão à qual foi submetido pelo Império Babilônio.

Diante de enormes e infi nitas difi culdades, tanto para quem foi exilado, quanto para quem continuou na terra, tiveram que se submeter às suas crenças religiosas para continuarem tendo forças, e que era possível vencer a experiência de opressão que estavam vivendo. O povo exilado não esquece, jamais, as promessas de Javé, é estimulado por meio da profecia, de cânticos, salmodias, a continuar crente numa libertação próxima.

No documento ELEMENTOS E FUNDAMENTOS BÍBLICOS (páginas 101-105)