• Nenhum resultado encontrado

3. METODOLOGIA

3.6. A condução do estudo de caso deste trabalho

3.6.3. O perfil dos entrevistados e a coleta de dados

Para o desenvolvimento do presente estudo de caso, foram realizadas 8 entrevistas em profundidade com roteiro semiestruturado, conforme apresentado anteriormente. É importante destacar que todas as entrevistas foram gravadas para posterior transcrição e análise dos dados.

3.6.3.1 Entrevistas com Rede Asta

A entrevista preliminar com a Rede Asta foi realizada presencialmente com Miriam, representante da organização em São Paulo. Após passar por uma transição de carreira, a entrevistada ingressou na Rede Asta para garantir a primeira expansão da organização fora do Rio de Janeiro e contribuiu para que desde março de 2012 a Rede Asta estivesse também com um showroom em São Paulo. Miriam possui formação na área de negócios e experiência

profissional com comércio exterior. Em São Paulo é a pessoa que responde pela Rede Asta, prospecta oportunidades de negócio e mantem contato com os grupos produtivos.

A segunda entrevista foi novamente realizada com a Miriam, contemplando novas perguntas conforme apresentado no Apêndice C do trabalho.

A terceira entrevista, também conduzida com o roteiro apresentado no Apêndice C, foi realizada com Alice Freitas, fundadora e diretora executiva da Rede Asta. Alice é empreendedora social fellow da Ashoka e iniciou o trabalho da Rede Asta em 2005 no Rio de Janeiro após sair de seu trabalho em uma empresa multinacional e começar uma viagem para catalogar iniciativas de educação, saúde e geração de renda em países como Índia, Bangladesh, Tailândia e Vietnã. A entrevista foi realizada e após essa coleta de dados também foi feita uma visita ao espaço da Rede Asta no Rio de Janeiro.

Posteriormente às entrevistas realizadas com os representantes da Rede Asta, 3 grupos produtivos foram indicados para o levantamento dos dados primários.

3.6.3.2 Entrevistas com artesãos

O primeiro grupo produtivo de artesãos, chamado aqui neste trabalho de G1, fica baseado na cidade do Rio de Janeiro. Esse grupo é parte de uma organização não governamental (ONG) que existe há 20 anos oferecendo apoio na área de saúde, atividades como reforço escolar, teatro, dança, canto e informática para crianças, atividades de capacitação e geração de renda para as mães dessas crianças e também atividades para a família.

O núcleo de geração de renda começou com a proposta de que as mães pudessem passar cerca de um mês na organização se capacitando para depois desenvolver trabalhos próprios, seja no núcleo, seja em outra organização ou até mesmo em sua casa. No início, eram desenvolvidos panos de prato, no entanto, com o crescimento da área houve uma diversificação dos produtos para bijuteria, bordado, crochê, corte e costura, acessórios e bolsas.

O G1 é parceiro da Rede Asta há aproximadamente 10 anos, mas não depende exclusivamente da organização selecionada para este estudo de caso, participando também de feiras e realizando vendas por outros canais.

Uma visita foi realizada ao G1, mas como não havia disponibilidade no momento da visita, a entrevista foi feita posteriormente com o coordenador do programa de geração de renda, que atua há 8 anos no G1 e será denominado de G1E1 neste trabalho.

Já o segundo grupo produtivo de artesãos, chamado aqui de G2, também fica na cidade do Rio de Janeiro e é uma cooperativa surgida dentro de uma ONG.

Essa cooperativa teve origem há cera de 13 anos, após a percepção de que algumas mães tinham vontade de trabalhar. Voluntárias começaram a treiná-las em técnicas artesanais, como pintura de sabonete e crochê, e após um período foi estruturada uma oficina para que as mulheres capacitadas pudessem ser inseridas no mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que capacitações de bordado e costura passaram a ser oferecidas.

O G2 é parceiro da Rede Asta há aproximadamente 10 anos, mas também não depende exclusivamente da organização selecionada para este estudo de caso, uma vez que conta com o suporte da ONG na qual a cooperativa está inserida para a prospecção de outras oportunidades de negócio.

Uma visita foi realizada ao G2 e a entrevista ocorreu durante essa visita, com a participação de 4 artesãs, sendo uma delas a coordenadora do projeto. Os entrevistados serão chamados neste trabalho de G2E1, G2E2, G2E3 e G2E4.

O terceiro grupo produtivo de artesãos entrevistado, chamado aqui de G3, fica na cidade de São Bernardo do Campo, no estado de São Paulo, e foi buscado para complementar a visão dos grupos de artesãos localizados no Rio de Janeiro.

Este grupo tem sua origem atrelada ao ano de 2009, com um projeto de uma empresa que buscava uma melhor destinação de seus resíduos têxteis ao mesmo tempo em que assegurava oportunidades de trabalho para moradores da cidade que estavam fora do mercado de trabalho. Atualmente o G3 possui uma oficina com os equipamentos necessários para as suas atividades e realiza também a qualificação de seus artesãos.

A parceria entre o G3 e a Rede Asta é mais recente, assim como com os demais grupos do estado de São Paulo, tendo se iniciado há aproximadamente 1 ano. Assim como o G1 e o G2, esta organização não depende exclusivamente da Rede Asta para comercializar seus produtos.

Foi realizada uma visita à organização e a entrevista foi realizada durante essa visita, contando com a participação de 3 artesãs, chamadas aqui de G3E1, G3E2 e G3E3.

Posteriormente às entrevistas realizadas com os grupos produtivos de artesãos, foi realizada uma entrevista com outros atores da Rede Asta, descritas a seguir.

3.6.3.3 Entrevista com a conselheira

Para complementar a visão dos demais atores da Rede Asta sobre os ganhos competitivos dos artesãos, foi realizada primeiramente uma entrevista com uma conselheira da Rede Asta, chamada neste trabalho de C1.

A conselheira em questão atua na cidade de São Paulo e teve um primeiro contato com a Rede Asta no ano de 2012, ao receber um e-mail a divulgando como a primeira empresa de venda direta de produtos sustentáveis. Como C1 já tinha atuado com venda direta em outra empresa, se interessou pelo caso da Rede Asta.

Um primeiro contato foi feito com a Miriam, representante da Rede Asta em São Paulo, e a conselheira gostou de todos os produtos que a organização vendia. Desde então ela atuou prospectando oportunidades em empresas conjuntamente com a Miriam e também realizando a venda direta dos produtos.

3.6.3.4 Entrevista com o consumidor final

Além da conselheira da Rede Asta, foi também entrevistada uma consumidora final, chamada no trabalho de CF.

A consumidora em questão trabalha como fisioterapeuta e uma das conselheiras da Rede Asta é sua cliente. Durante uma visita à clínica de fisioterapia de CF, esta conselheira levou um catálogo dos produtos, o que chamou a atenção tanto de CF quanto de seus outros clientes. A consumidora entrevistada mantém contato com a Rede Asta há aproximadamente um ano, desde quando conheceu os produtos por meio da conselheira.

Documentos relacionados