4 OS CONDICIONANTES HISTÓRICO-ESTRUTURAIS DA RETOMADA DA
4.5 O PROGRAMA DE ACELERAÇÃO DO CRESCIMENTO - PAC E A RETOMADA
DA INDÚSTRIA NAVAL
Em 2007, o governo federal formulou uma política nacional estratégica de
retomada do desenvolvimento, visando implementar um grande programa (em
extensão e impacto) de investimento em obras de infraestrutura, de forma a dar
sustentação à indústria nacional, aumentando empregos e renda no país.
Tratava-se, portanto, da implantação de um novo projeto de desenvolvimento de inspiração
keynesiana voltada para a priorização do pleno emprego como objetivo de política
econômica e pela regulação da produção industrial.
Essa proposta se consolidou na formulação e implementação do Programa de
Aceleração do Crescimento - PAC, que articulou bancos estatais e o governo,
unidos para aumentar o investimento e reestruturar o potencial de crescimento e
desenvolvimento do país.
O PAC, portanto, se constitui uma iniciativa governamental voltada para reunir
as condições de alavancar a economia com investimento direto em portos, estradas,
ferrovias, energia, desenvolvimento das cidades, entre outras áreas, que visassem o
crescimento e a expansão da indústria e do emprego, no Brasil, a exemplo da
renovação da indústria naval.
Um fator determinante para o seu desenvolvimento foi a descoberta das
reservas de petróleo do pré-sal e uma ação deliberada do Estado na formulação de
políticas públicas econômicas, com destaque para os mecanismos especiais de
proteção ao setor, na forma de proteção alfandegária, garantia de mercado e
fomento à área de pesquisa e desenvolvimento (P&D).
O PAC teve seu lançamento e objetivos anunciados no dia 28 de janeiro de
2007, logo no início do segundo governo Lula, prevendo investimentos da ordem de
32
É possível combater a corrupção sem destruir a economia? Disponível em
https://www.brasildefato.com.br/2017/07/13/e-possivel-combater-a-corrupcao-sem-destruir-a-economia/. Acesso em 12 ago. 2017.
503,9 bilhões de reais até o ano de 2010, com capital utilizado das seguintes fontes
principais: União (orçamento do governo federal); empresas estatais (exemplo:
Petrobras); e investimentos privados com estímulos de investimentos públicos e
parcerias.
Acompanhando o lançamento do PAC, o governo federal anunciou uma série
de medidas de incentivos com o objetivo de fomentar a implantação dos projetos.
Entre estas medidas, pode-se citar a desoneração tributária para alguns setores,
medidas na área ambiental, para dinamizar o marco regulatório, estímulo ao
financiamento e crédito e medidas de longo prazo na área fiscal. Em fevereiro de
2009, portanto, no contexto de uma crise estrutural do capitalismo, de alcance
mundial, o governo federal anunciou um aporte de 142 bilhões de reais para as
obras do PAC (PERES; ROCHA, 2009). Estes recursos extras foram usados
também para gerar mais empregos no país, diminuindo o impacto da crise mundial
sobre a economia brasileira.
Em 2011, logo no início do primeiro governo da Presidenta Dilma Rousseff, foi
lançada a segunda fase deste Programa. O PAC 2, com os mesmos objetivos do
anterior, teve aporte de novos recursos, aumentando a parceria com estados e
municípios. Entre os anos de 2011 e 2014 o governo executou R$ 1,066 trilhão
(96,5% do previsto para o período) e R$ 796,4 bilhões em ações concluídas (99,7%
do valor global previsto até o final de 2014) em investimentos para melhorar a
infraestrutura e garantir o desenvolvimento econômico em todas as regiões do
Brasil
33.
Os investimentos do PAC garantiriam as condições e os equipamentos para a
exploração e o desenvolvimento da produção nos campos de petróleo em terra e no
mar, com destaque para a área do pré-sal. As ações compreendiam desde a
perfuração de poços à criação do Programa de Modernização e Expansão da Frota
de Petroleiros (Promef I e II), cuja premissa era a construção de navios com índice
de nacionalização, no mínimo, de 65%. Até dezembro de 2013, sete navios de
grande porte haviam sido entregues. O Promef contava em 2017 com outros 14
navios em construção, somando 46 embarcações já contratadas.
33
Disponível em: http://www.brasil.gov.br/noticias/infraestrutura/2015/01/pac-2-completa-quatro-anos-de-investimentos-estrategicos-no-pais. Acesso em: 09 de ago. 2017.
A intensidade na implementação dessas ações prioritárias podem ser
avaliadas por alguns resultados. Por exemplo, só em 2013 foram entregues nove
plataformas construídas com tecnologia nacional. Resultado desses dois fatores
associados – o pré-sal e o PAC -, a indústria naval brasileira, sucateada nos
governos anteriores, empregou cerca 80 mil trabalhadores, proclamando, nesta fase,
o renascimento da Indústria Naval no Brasil. Nas áreas de Refino e Petroquímica, o
PAC realizou, entre 2010 a 2014, obras importantes nas mais diversas regiões do
país. Nesse mesmo período foram concluídos 13 empreendimentos de
modernização e ampliação, enquanto estava em bom andamento a construção das
três grandes refinarias: Abreu e Lima (PE), Complexo Petroquímico do Rio de
Janeiro (Comperj) e a Premium I (MA).
O número de plataformas de produção de petróleo em operação mais que
dobrou, passando de 36, em 2002, para 82 em 2014. Em 2017, 28 sondas para
exploração do pré-sal foram contratadas para construção em estaleiros brasileiros. A
infraestrutura de gasodutos cresceu de 5.417 km de extensão para 9.489 km, no
mesmo período, o que explicita ritmos acelerados de mudança e retomada do setor
e do emprego.
A segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) reservou
R$ 125,7 bilhões para investimentos no petróleo pré-sal. Entre 2011 e 2014 estava
previsto serem investidos R$ 64,5 bilhões na commodity, com mais R$ 61,2 bilhões
previstos para o período pós 2014.
O BNDES
34investiu até 2011 cerca de 179,4 bilhões, o que corresponde a
cerca de 55% de todo o investimento no programa. 503 projetos estavam na carteira
do banco e os investimentos estavam espalhados por várias regiões e áreas do
34
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é uma empresa pública federal, com sede e foro em Brasília, Distrito Federal, cujo principal objetivo é o financiamento de longo prazo e investimento em todos os segmentos da economia brasileira. Constituindo-se um dos maiores bancos públicos do mundo, apesar de conter "desenvolvimento" em seu nome, o BNDES não é banco de desenvolvimento, conforme a resolução [394 de 1976] (todo banco de desenvolvimento deve ser estadual). O BNDES é uma entidade que compõe
a administração pública indireta, atualmente vinculada ao Ministério do Planejamento,
Desenvolvimento e Gestão, e busca apoiar empreendedores de todos os portes, inclusive pessoas físicas, na realização de seus planos de modernização, expansão e concretização de novos negócios, tendo em vista o seu potencial na geração de empregos, renda e inclusão social no Brasil. Esses investimentos melhoram a competitividade da economia brasileira e elevam a qualidade de vida da população.
país, sendo o setor da energia o que levava a maior parte da carteira, ou seja, cerca
de 77% de todo o investimento (DORES et al., 2012, p. 227).
A Tabela 2 mostra a carteira de investimento do BNDES para o PAC em
2012:
Tabela 2 - Carteira BNDES PAC
EIXOS NÚMEROS DE PROJETOS INVESTIMENTO TOTAL (R$ Milhões) PARTICIPAÇÃO DO BNDES (R$ Milhões) DESEMBOLSOS 2011 (R$ Milhões)
Energia 310 258 811 137 240 14 763
Logística 94 49 888 31 314 3 600
Infraestrutura social e
urbana 85 18 462 10 667 1 447
Administração pública 14 196 166 18
Total 503 327 357 179 387 19 827
Fonte: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES (2012).
O BNDES tem participação ativa em muitos projetos do PAC, com a seguinte
distribuição de desembolso dos valores por regiões e setores, em 2012 (Tabela 3):
Tabela 3 -
Desembolsos do BNDES para projetos do PACEIXO NO RTE NO RD ESTE SUD ESTE SUL CEN TRO -O ESTE INTERREG ION AL TOTAL (%) Energia 20095 22342 9716 7243 4457 20660 84512 80,6 Logística 58 2299 7646 807 251 2042 13103 12,5 Infraestrutura social e urbana 204 543 5714 558 91 - 7111 6,8 Administração pública 4 24 24 14 16 - 82 0,1 Total 20 361 25 208 23 100 8 622 4 815 22 702 104 808 100,0
Fonte: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES (2012).
Em 2014, o PAC 2 concluiu em todo o país 5.188 km de obras em rodovias,
dessas, 3.775 km de duplicações e construções, além de 1.413 km de concessões.
Em 2017, ainda restavam em andamento 7.002 km de obras nas rodovias de todo o
país. As ferrovias também foram ampliadas em 1.088 km, mas apresenta ainda
2.677 km em obras não concluídas. Na construção de portos foram concluídas 30
obras e mais 18 em andamento em 12 portos do país. Em relação aos aeroportos
nacionais foram concluídas 37 obras e 22 obras restaram em andamento em 15
aeroportos espalhados pelo país. Nos aeroportos regionais são 15 obras concluídas
e 11 ainda em andamento nas 4 regiões do país. (BRASIL, 2012).
Em termos de hidrovias, foram concluídos 19 empreendimentos, sendo 16
terminais hidroviários e 3 intervenções de aumento da capacidade hidroviária do
Tietê. Ademais, foram entregues 18.071 máquinas e equipamentos, sendo desses,
5.071 retroescavadeiras, 5.060 motoniveladoras, 5.060 caminhões caçamba, 1.440
pás carregadeiras e 1440 caminhões pipas. (BRASIL, 2012).
A Figura 8 mostra a distribuição espacial das obras financiadas pelo PAC, no
setor de energia, até o ano de 2014.
Fonte: 11º Balanço Completo do PAC – 4 anos (2012).
A área de Petróleo e Gás também foi beneficiada pelos investimentos do
PAC, como mostra a Figura 9:
Figura 9 - Áreas beneficiadas pelo PAC, Brasil - 2012
Fonte:
11º Balanço Completo do PAC – 4 anos(2012).
Os recursos seriam distribuídos nos segmentos de exploração e produção,
pelas bacias de Campos (RJ), Santos (SP), Amazonas, Espírito Santo, Bahia,
Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte e Ceará. Para 2014 previa-se a compra de
28 sondas para exploração e perfuração em águas profundas e oito navios para
exploração e armazenamento de petróleo e gás natural. E havia previsão de estudos
de longa duração e avaliação de áreas como Tupi-Nordeste, Carioca e Iracema.
Esperava-se, também, o início da produção nos campos de Guará, Iara, piloto da
Tupi e piloto Baleia Azul. (BRASIL, 2012).
Para o gás natural, foram destinados R$ 9,3 bilhões - divididos em R$ 8,2
bilhões, no período entre 2011 a 2014, e R$ 1,1 bilhão, previsto para o período pós
2014. O objetivo era ampliar a infraestrutura de transporte de gás natural, com a
implantação de novos gasodutos e terminais de regaseificação e liquefação. Dessa
forma, a prioridade de reforço e capacitação do mercado interno seria assegurada
com esses investimentos públicos nacionais.
Em junho de 2014 foi anunciada a contratação direta da Petrobras para
produzir em quatro áreas do pré-sal. A decisão, tomada em defesa da soberania e
dos interesses do Brasil, configurou-se como a maior contratação de petróleo já
efetuada no mundo, superando inclusive a do campo de Libra
35, localizado em
Santos (SP). Juntas, as áreas de Búzios, Florim, em torno de Iara e Nordeste de
35
O campo de Libra é uma das maiores descobertas já realizadas no pré-sal brasileiro e o principal projeto de Exploração e Produção da Total no País.