4.5 Limites e contradições entre discurso e prática 138
4.5.1 O Programa dentro dos anseios da gestão municipal 154
O ideário do Programa Círculos Populares de Esporte e Lazer foi construído respeitando diretrizes do governo municipal.
A vitória das forças democráticas e populares na cidade do Recife, em 2000, liderada [pelo] [P]refeito João Paulo Lima e Silva, representou um desafio [...]. Neste contexto, fomos convidados a ajudar na construção de uma proposta de trabalho sintonizada com os propósitos centrais da gestão de
inverter prioridades, promover a participação popular e contribuir para a elevação da consciência política da população (SILVA, 2005a, p.10-11).
Nesse sentido, exploramos, nesta subseção, dois aspectos importantes nas ações dos projetos que procuram concretizar “os propósitos centrais da gestão”. O primeiro, conscientização política/participação popular, se refere à contribuição para a elevação da consciência política da população, sobre o qual vimos que as ações dos projetos priorizam o incentivo à participação em espaços institucionais de decisão na relação Estado-Sociedade. O segundo, inversão de prioridades/orçamento, que analisamos qualitativamente explorando a prioridade de investimento orçamentário nos projetos.
CONSCIENTIZAÇÃO POLÍTICA/PARTICIPAÇÃO POPULAR
No discurso, os gestores do PCPEL tentaram não vincular a contribuição para conscientização política, nas ações dos projetos, à participação em espaços de participação popular abertos pelo Estado. A intenção era que as ações concretizassem uma perspectiva educacional e não-formal para que a participação se tornasse conduta cotidiana da população.
[...] a cultura da participação, ela vai se desenvolvendo em vários aspectos.
Não é o fato de existir uma conferência municipal de esporte, ou existir um mecanismo mais formal de participação que vai definir que aquele grupo social aprendeu a participar, [...] a participação constitui um valor
na conduta [...] daquelas pessoas, não é que vá acontecer assim, de uma forma tão mecânica (Diretor-Presidente do GEGM-Geraldão, em 13/02/2006).
Na cultura de participação. A gente trabalha até um conceito mais amplo de que o de participação, que é o de autodeterminação. Então isso é um valor que vai se desenvolvendo com mecanismos informais de participação. Tem os espaços formais de decisão, mas tem o dia-a-dia participativo nos projetos [...] (Diretor-Presidente do GEGM-Geraldão, em 13/02/2006).
No entanto, na execução dos projetos a contribuição para a conscientização política esteve atrelada à participação em espaços de decisão do Estado. Exemplos do Projeto Esporte do Mangue foram freqüentes nas falas dos gestores, apesar da conscientização crítica e política dos participantes não se restringir à participação em espaços de decisão institucionais.
O que é que a gente vê de diferencial nesse processo todo? [...] houve uma significativa organização desses jovens [...] eles começaram realmente a participar de alguns espaços de decisão que foi desde a plenária do OP a Conferências de esporte, que foi discutir o plano nacional de juventude, [...], foi audiência pública na câmara municipal que discutiu qual a contribuição de Recife pra política nacional de juventude (Diretor de Esporte e Juventude, em 16/02/2006).
[...] A primeira coisa que o projeto se propõe, [...], que é o projeto de foco com a juventude, projeto Esporte do Mangue, é justamente educar essa juventude através das diferentes ações desportivas e culturais pra que ele possa vim a conquistar o seu tempo livre. Mas como é que isso se dá? [...] Como é que isso se deu dentro do projeto? [...]a gente começou a se reunir com eles, começou a criar alguns espaços de debates com eles no sentido de, a gente quer uma pista de skate na cidade, sim, a demanda de vocês é que se construa um equipamento de skate. Mas quais são os mecanismos que a
gente tem [...]? O instrumento que nós temos [...] é o Orçamento Participativo. Então a gente vai precisar se organizar, digo se organizar
eles, se organizar enquanto comunidade, enquanto região que eles residem, pra que eles possam tá participando desse espaço, porque é nesse espaço que define essas prioridades (Diretor de Esporte e Juventude, em 16/02/2006).
Inclusive em relação à reivindicação de espaços para a prática esportiva, os participantes envolvidos com as linguagens do Projeto Esporte do Mangue mostraram-se mais engajados que os dos outros projetos. O fato de boa parte dos participantes serem politizados contribuiu para o maior engajamento deles na abertura do poder público em relação às suas reivindicações. Porém, essa abertura esbarrou no conflito entre o tempo da gestão e tempo das necessidades da juventude, um dos aspectos que contribuiu para o abandono contínuo da juventude radical das ações do Projeto Esporte do Mangue, inclusive dos skatistas, sempre citados pelos gestores como exemplo de conquistas.
No início de 2003, nas reuniões de planejamento da então Diretoria Geral de Esportes (DGE) foram definidas algumas “prioridades estratégicas” para os anos de 2003-2004.
Os resultados do quadro de priorização dos projetos apontaram os Círculos
de Convivência Social como o mais estratégico por permitir a operação
dos demais projetos, em função de estar voltado aos diversos segmentos da população e por possibilitar uma melhor aproximação dos técnicos com o público alvo, facilitando a convivência destes com os demais participantes de outras modalidades esportivas.
O Esporte do Mangue foi avaliado como a segunda prioridade uma vez
que, embora atingindo uma clientela muito específica, possuía um significado muito especial por atender um segmento em situação historicamente discriminada e excluída, e em busca de uma ação mais radical, procurando se diferenciar dos demais. [...] as metas definidas para o período de 2003, consta das seguintes ações: III Fórum do Esporte do Mangue; Encontro de Formação dos Agentes Comunitários de Esporte e Lazer; Oficinas itinerantes nas comunidades; Pólo Hip Hop; Casa do Hip Hop; Produção de equipamentos esportivos, moda e primeiro emprego;
Construção de equipamentos; II Mostra de Capoeira (SILVA, 2005a, p.219- 220).
Em 2003 foi destacada a realização do II Encontro Municipal do Esporte do Mangue.
promoveu grande repercussão na cidade, dando boa visibilidade à Política de Esporte e Lazer com atenção a juventude participante do projeto Esporte do Mangue. Contou ainda com a participação do Prefeito do Recife e divulgação na mídia local. O encontro veio consolidar as novas demandas apontadas pelos diferentes grupos juvenis, como também, apresentou um novo formato que veio fortalecer a organização e participação de novos grupos juvenis Silva (2005a, p.241-242).
Exatamente quando o Projeto Esporte do Mangue e o Projeto Círculos de Convivência Social eram as prioridades na política municipal de esporte e lazer, houve uma grande votação no tema Esporte e Lazer no Orçamento Participativo.
Tabela 1 (4) – Lazer e Esportes na Votação Geral do Orçamento Participativo.
TEMA ANO PONTO26
2001 2848 2002 11904 2003 23387 2004 10073 2005 10409 LAZER E ESPORTES 2006 9589 TOTAL 68210 Fonte: Coordenadoria de Orçamento Participativo e Participação Popular.
Tabela 2 (4) – Lazer e Esportes como prioridade eleita por Microrregião na votação geral do Orçamento Participativo. ANO Microrregiões 2002 1.1 3.3 5.3 2003 1.1 1.2 1.3 3.1 4.1 4.2 4.3 5.1 5.3 6.1 6.3 2004 4.1 4.3 2005 1.1 3.2 5.1 2006 1.1 1.2 5.1
Fonte: Coordenadoria de Orçamento Participativo e Participação Popular.
Dessas evidências depreendemos que, mesmo os gestores salientando o grande número de pessoas participantes do Projeto Futebol-Participativo, isso não se repercutiu nas votações do Orçamento Participativo, que caíram quando esse projeto começou a ser considerado o mais consolidado do PCPEL. Exatamente o projeto que não mostrou potencial
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de conscientização crítica e política dos participantes e incentivo à participação em espaços de decisão na relação Estado-Sociedade. Característica que vai de encontro não só à proposta do PCPEL de elevação política das comunidades, como da gestão municipal em seu propósito de promover a participação popular e contribuir para a elevação da consciência política da população.
INVERSÃO DE PRIORIDADES/ORÇAMENTO
No decorrer desta pesquisa vimos que há dificuldade orçamentária para a execução dos projetos. Na visão dos gestores é o principal empecilho para a efetiva concretização da proposta do PCPEL.
[O problema] é orçamento. Com mobilização a gente não tem problema.
Até porque o município já criou todos os caminhos necessários para entrar em qualquer comunidade na cidade, via Orçamento Participativo, via Conferências, via agora Secretaria de Direitos Humanos, via Círculos Populares, via saneamento integrado, agente comunitário, então [...] a Prefeitura tem muitos agentes que entram nas comunidades, que dialoga com a população, [...], agora o problema é recurso, [...] quando tem recurso...
Quando chega para o nível de organização que o município já tem... É coisa pra cinema (Diretor-Presidente do GEGM-Geraldão, em 13/02/2006).
Em termos de dificuldades orçamentárias foi ponto comum entre os projetos a relação entre o aumento da demanda das comunidades e a falta de recursos para atendê-las, considerando ainda que a chegada ao GEGM-Geraldão aumentou as atribuições da pasta de esporte e lazer no município.
A linguagem esportiva, trabalhada nesta pesquisa a partir do Projeto Futebol- Participativo, apesar da dificuldade financeira, particularmente no sentido de definição de prioridades (já que a diretoria responsável pelo projeto desenvolve também atividades relacionadas ao desporto de alto rendimento), não impactou na realização do projeto.
[...] a gente tem a dificuldade financeira, a gente não tem um recurso suficiente pra atender a toda a demanda, mas a gente já consegue ordenar melhor as despesas. Acho que é mais questão de adequação ao recurso essas ações estratégicas que a gente tá conseguindo priorizar, porque a gente não tem como atender tudo hoje (Diretor de Esporte Amador, em 08/02/2006).
O mesmo não ocorreu em relação às atividades do Projeto Esporte do Mangue e das ações relacionadas ao Projeto Círculos de Convivência Social (de Lazer), que deixaram de realizar ações importantes.
Em relação ao primeiro, o número de festivais foi sensivelmente diminuído e a fala dos gestores indicou que o Encontro Municipal Esporte do Mangue seria realizado, caso os
recursos fossem suficientes para trazer artistas de renome nacional, indicando o anseio pela grande visibilidade das ações.
A dificuldade financeira foi tão grande que a gente não conseguiu fazer o
Encontro Municipal do Esporte do Mangue [em 2005], mas a gente
conseguiu fazer um seminário de avaliação, onde aglutinou os mesmos elementos do Encontro Municipal, não teve a magnitude do Encontro (Gerente da Diretoria de Esporte e Juventude, em 16/02/2006).
[...] o recurso seria o essencial pra gente dá uma avançada no sentido de a gente dá mais condições. Porque a demanda cresceu de todas as formas, de apoio a você oferecer um Encontro. Por exemplo, a gente já deu condições de realizar Encontro Municipal [Esporte do Mangue] onde tem grupos de renome nacional, que vem pra cá, a galera acostumada a ter alimentação durante o evento todo, ter camisa, ter essa coisa toda. E hoje se você for fazer um encontro com essas coisas, com a demanda que a gente
tem hoje, as condições não dá, [...] pra quem iniciou com 70, 80 jovens
participando, hoje a gente tem quase uma média anual de 8000 a 9000 jovens participando [...] (Diretor de Esporte e Juventude, em 16/02/2006).
Em relação ao Projeto Círculos de Convivência Social (de Lazer) deixaram de realizar ações não sistemáticas que constam nas formas de organizar do PCPEL.
A gente deixou de realizar a Colônia de Férias, Festival de Encerramento [o último foi no final de 2005] que a gente sempre fazia.
Quando a gente faz esses festivais gerais, por exemplo, o festival de carnaval quando a gente fazia envolvia todo mundo, o festival Junino a gente também deixou de realizar, porque o Geraldão foi tomando outra dimensão, com outros projetos e aí vai tendo que adequar, aumentou a demanda,
aumentou os projetos, mas o orçamento não se tem um aumento proporcional. Então a gente vai tendo que fazer uns cortes e aí a gente teve que cortar alguns projetos nossos também. Vai tomando outra
proporção dentro da cidade, [...] aí a gente vai tendo que cortar realmente os projetos pra atender a outros públicos (Diretora de Lazer e Cidadania, em 20/04/2007).
Nesse sentido, o investimento na revitalização do GEGM-Geraldão, que envolveu o anseio da gestão municipal em dar maior visibilidade à política de esporte e lazer da cidade, contribuiu não só para a falta de recursos para as ações dos projetos, como para a perda de foco do PCPEL.
As principais atenções, em 2006, em termos de revitalização de espaços, estiveram voltadas à recuperação do ginásio por meio do Projeto Geraldão Melhor.
O ano [2005 e 2006] que não teve o Esporte do Mangue foi priorizada a reforma do ginásio (Coordenador de Eventos da Diretoria de Esporte e Juventude, em 04/04/2007).
A recuperação do GEGM-Geraldão proporcionou sua reutilização para eventos, como a reabertura do ginásio, os jogos escolares, e ações relacionadas ao PCPEL, como também
shows, eventos e campeonatos, aluguel de quadras, que, movimentam o ginásio, mas não trazem recursos suficientes para mantê-lo. Os campeonatos muitas vezes são promovidos por federações de desporto amador e ligas que sofrem com a falta de recursos em suas entidades e necessitam do apoio municipal para realizar seus torneios. Alguns eventos e shows trazem recursos que quase se equivalem ao gasto de apoio do GEGM-Geraldão a eventos esportivos.
Nosso orçamento tem aumentado anualmente, isso é um fato. A questão é... Na verdade foi somado o orçamento que tinha na DGE com o que se tinha aqui, agora ele não é suficiente. Porque quando a gente chegou aqui, a gente trouxe uma política muito grande praqui pra dentro27.
O orçamento28 do GEGM-Geraldão é basicamente para manutenção do Ginásio, para pagamento de pessoal e para o Projeto-Futebol Participativo, sobrando muito pouco para a compra de materiais. Contrastando com o que apresentamos sobre a não realização de algumas ações, foi afirmado pelos gestores que
Não tem projeto cortado [por causa da] manutenção do Geraldão29. Sobre a não realização de ações do Projeto Esporte do Mangue devido à falta de recursos foi respondido que:
É. Mas aí também assim por priorização da...
Sem o Geraldão... Como eu lhe disse a gente tem uma necessidade muito grande só que a manutenção do Geraldão não é prioridade número um, por exemplo, entre realizar um projeto estratégico que tá consolidado e que
a comunidade, a sociedade já tá toda mobilizada e espera por aquilo, termina passando por cima da manutenção. É claro que tem coisa
emergencial que não poder deixar de ser feita, mas é exatamente o contrário que ocorre, é o Geraldão é quem recebe cortes às vezes por causa de liberar recursos pros projetos.
Nesse sentido e considerando a dificuldade Orçamentária do GEGM-Geraldão, o Projeto Futebol-Participativo, visto como o mais consolidado do PCPEL, foi prioridade. Somente ele não sofreu com a não realização de ações por falta de recursos.
Porque veja o futebol, o que é que deixa o futebol tão assim, tão fácil? Porque uma bola você já une 22 correndo e o campo, então se você for dividir o preço da bola R$ 50,00, uma bola boa pra se jogar com 22, tá entendendo? Não é como o judô que você tem que comprar um Kimono que
27
Informação conseguida em conversa com Diretor Administrativo-Financeiro do GEGM-Geraldão, em 19/04/2007, nas dependências do ginásio.
28
O orçamento do ginásio é composto por três tipos de receita: 1) Tesouro Municipal, usado basicamente para manutenção do ginásio, pagamento de pessoal e realização do Futebol Participativo; 2) Convênio com o Ministério do Esporte, somente usado para pagamento de educadores e monitores do PCPEL e compra de alguns equipamentos; Por fim, existem os recursos que podem ser realizados ao longo do ano em virtude de aluguel de espaço do Ginásio, etc. (fonte própria–fonte 0241).
29
Informação conseguida em conversa com Diretor Administrativo-Financeiro do GEGM-Geraldão, em 19/04/2007, nas dependências do ginásio.
é R$ 200,00, R$ 150,00 e é um cara só que tem que fazer isso, né? É mais
popularizado porque é mais barato (Diretor-Presidente do GEGM-
Geraldão, em 13/02/2006).
Exatamente o projeto que não mostrou potencial para concretizar o discurso de conscientização crítica e política que permeia a proposta do PCPEL. Projeto que na primeira gestão não esteve entre as prioridades de ações, que se voltaram para o segmento da juventude, com o Projeto Esporte do Mangue, e para o Projeto Círculos de Convivência Social, como ação importante para chegada e articulação nas comunidades. Nesse sentido, a “inversão de prioridades”, analisada aqui pelo investimento de recursos, mostrou-se contraditória à proposta do PCPEL como também aos propósitos da gestão municipal, pois o Projeto Futebol-Participativo não contribuiu para promover a participação popular e para a elevação da consciência política da população.
A influência dos anseios da gestão municipal nas ações do PCPEL envolveu outros aspectos. O discurso da gestão municipal sobre a necessidade de qualificar as ações da Prefeitura, em 2006, colidiu com a proposta do Futebol-Participativo de incitar o resgate do futebol como alternativa de lazer nas comunidades de baixa renda do Recife. Desde então o discurso de “tá na rua, tá organizado, quer participar, venha. A participação é o elemento fundamental, se organize e venha” (Diretor-Presidente do GEGM-GERALDÃO, em 13/02/2006), que caracterizou as ações do projeto em 2005, foi sobreposto ao de que “é preciso aumentar a participação, mas de maneira organizada. O estímulo à participação não pode combinar com a não participação no dia do jogo. Você escreve a equipe, [...] e no dia do jogo não aparece, então a [...] a participação tá comprometida” (Gerente responsável pelo Projeto Futebol-Participativo, em 18/04/2007).
A participação que antes poderia ser realizada de forma mais espontânea, ganhou como exigência a necessidade de organização por parte de quem pretende fazer parte dos campeonatos. Além disso, o discurso da qualidade foi aliado à necessidade de eficiência dos recursos e da cobertura pela imprensa do campeonato (principalmente o masculino adulto).
Sobre o trabalho com a juventude verificamos que a presença da juventude radical foi bastante reduzida desde as primeiras ações do PCPEL, aspecto que se refletiu no esmorecimento das ações do Projeto Esporte do Mangue. A juventude ligada aos elementos da cultura hiphop esteve praticamente ausente nas ações do projeto. Juventude que contraditoriamente ao investimento no projeto é vista com grande potencial para gerar o novo.
[...] essa juventude que a gente tem [...] que a mídia vem passando que é uma juventude alienada, que é uma juventude que não tem referência na
juventude da década de 60 e 70 [...]. A nova geração não tem esse trauma, tem outros traumas, mas não tem [...] medo de enfrentar uma política, [...]. [...] essa nova geração é o lugar onde tá nascendo um bocado de coisa
nova, ela tem muita coisa pra ensinar pra gente, ela consegue fazer uma síntese interessante do que é a tradição da cidade com o que tem de desafio do novo, das coisas que vem chegando. Quando você vê o Movimento Manguebeat que de uma certa forma vive a contradição do
valor de uso e do valor de troca [...] da indústria cultural. Mas a capacidade que esses grupos têm de reinventar, de ressignificar o que a indústria cultural joga é muito grande, é o celeiro das coisas novas que vão acontecer (Diretor- Presidente do GEGM-Geraldão, em 13/02/2006).
Um reforço à nova ênfase na(s) juventude(s) foi a aproximação com a Política Nacional de Juventude, que no ano de 2006, se refletiu na mudança de rumos da diretoria responsável pelo Projeto Esporte do Mangue. Essa aproximação que envolve a execução do ProJovem no Recife e a representação norte-nordeste de uma articulação da juventude no Mercosul, contrasta com a limitação levantada pelos gestores de não conseguir dar conta das ações do Projeto Esporte do Mangue por conta do aumento da demanda dos jovens da cidade. Nesse sentido, vêm sendo priorizadas ações que proporcionam visibilidade à política municipal de esporte e lazer, principalmente, seguindo diretrizes da Política Nacional de Juventude.
A diretoria tem esse ano [2006] uma missão pesadíssima, primeiro ligado mais especificamente ao Projeto Esporte do Mangue, [...] a gente tem essa idéia da construção do IV Encontro Municipal Esporte do Mangue, [...].
Segundo, vem [...] esse ano as atividades sistemáticas [os círculos de
convivência social de juventude], e isso é novo pra gente [...]ainda é piloto [...] a gente tá em torno de cinco comunidades. Terceiro é a linha que a gente vai tá assumindo agora em torno do Projovem, é um programa do
Governo Federal que envolve a questão da qualificação, ação comunitária e
a certificação [...] pra jovens que tenham concluído até a quarta série [...] entre 18 a 24 anos. [...], Recife, escolheram, o Arco de esporte e lazer, o Arco vai tá se certificando em quatro funções, Recreador, Monitor de esporte e lazer, que é o ligado mais a questão das escolinhas, ligado um pouco a questão do rendimento esportivo; Agente Comunitário de Esporte e Lazer, que é ligado a atividades dentro da comunidade de esporte e lazer e Animador de Festas e Eventos, justamente aquela pessoa ligada a questão de coordenador eventos [...]. [...] inicialmente são 300 jovens, durante três meses, que depois vão tá se inserindo dentro da política da gente. [...]. Outro
foco da gente esse ano é questão da Mercocidade, que hoje a gente faz
parte da unidade temática de juventude e que a gente vai tá realizando aqui
em Recife o Encontro Internacional da Juventude da Mercocidade, ou seja, são cidades membros, tem uma relação com o Mercosul [...] a gente
aqui Recife coordena a subunidade temática norte-nordeste e a gente vai tá puxando aqui pra setembro essa grande atividade [...] com todos os jovens desses países participando. Acho que de estratégico esse ano são essas
Como vimos o Encontro Esporte do Mangue não foi realizado, dos doze festivais previstos para 2006 foram realizados cinco. As atividades sistemáticas ainda são incipientes. Em contraponto, as atividades articuladas com a Política Nacional de Juventude foram