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5. SISTEMAS ÚNICOS DE CLASSIFICAÇÃO DA INFORMAÇÃO DA INDÚSTRIA

5.6 O PROJETO DE DESENVOLVIMENTO DE TERMINOLOGIA E CODIFICAÇÃO

No Brasil, não existe um sistema de classificação de materiais e serviços da construção civil amplamente aceito no mercado. Iniciativas como a Tabela de Composição de Preços e Orçamentos (TCPO) da Editora Pini são mais voltadas para a orçamentação. Setores governamentais como secretarias e superintendências de obras públicas como a Secretaria de Estado da Administração e do Patrimônio (SEAP) e a Superintendência de Construções Administrativas da Bahia (SUCAB) têm seus sistemas de classificação de produtos, serviços e equipamentos com a finalidade de comprar, orçar e elaborar cadernos de encargos. Porém, como seu uso é restrito, esses sistemas não se estabelecem como uma referência nacional.

Outras iniciativas de estruturação da informação no setor da construção já foram observadas na proposta de classificação desenvolvida pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do estado de São Paulo (IPT/SP), por solicitação do Banco Nacional de Habitação (BNH) em 198118. Ela é voltada para o tratamento de

informações e composta por cinco “árvores classificatórias”, ou facetas, (“Construções”; “Elementos e Componentes”; “Materiais”; “Processos” e “Atributos”).

As empresas de construção civil, as quais são os elos entre os demais agentes da cadeia da construção civil, têm seus próprios sistemas para armazenar e recuperar a informação, dificultando assim a troca e o compartilhamento das informações com os demais agentes da cadeia produtiva.

Na construção civil brasileira existe uma enorme variedade de materiais, serviços e equipamentos, oriundos de diferentes setores, desde a extração mineral manual até indústrias de processo e de transformação com tecnologias sofisticadas. Cada um desses setores possui características próprias que se refletem em linguagens técnicas específicas, sendo que alguns já definiram suas terminologias, contudo, elas não são bem disseminadas e podem ser até conflitantes. Quando se utilizam os produtos na construção, obriga-se a aplicar suas sistemáticas de especificação e referência, algumas vezes com problemas decorrentes do desconhecimento do contexto específico (CDCON, 2001).

Fatores estruturais do próprio setor da construção civil, tais como porte e tecnologia das empresas, dificultam a elaboração de uma referência unificada ou padronizada de seus produtos. Embora a cadeia de produção não seja extensa, ela é variada horizontalmente e cada participante define seus próprios códigos de referência a seus produtos, gerando uma grande dificuldade de caracterizá-los de modo indiscutível e, também, de identificar as similaridades (CDCON, 2001).

Face a problemática exposta, o projeto CDCON tem como objetivo geral o desenvolvimento de terminologia e de um sistema de codificação de materiais e serviços para construção, segmento edificações, para sua caracterização e exata conceituação.

No projeto CDCON, destaca-se que uma codificação padronizada de materiais e serviços da construção permitiria, por exemplo, que um mesmo código de barras fosse interpretado ao longo da fabricação, distribuição, venda, recebimento e aplicação de um material, de modo integrado aos respectivos sistemas de controle. Ou que um sistema de planejamento de obras buscasse, através da internet, de modo automático, as alternativas de preço e qualidade para determinado material.

Na proposta CDCON, acredita-se que seja possível atingir um consenso e estabelecer uma referência única, uma especificação completa (série de dígitos predefinidos) que identificaria o gênero do produto ou serviço (a partir de uma classificação hierárquica ou matricial), indicando uma especificação básica, grupo inicial de dígitos, levando a uma caracterização de produtos e ou serviços similares ou compatíveis para a mesma função no processo de referência na classificação, sem possibilidade de dúvida. A outra parte do código indicaria dígitos descritivos do fabricante, modelo e versão que seriam compatibilizados em conjunto com a EAN Brasil (associação responsável pelo sistema de código de barras no Brasil).

O maior problema que se observa é justamente desenvolver a primeira parte do código, a que leva a uma caracterização de produtos ou serviços similares ou compatíveis. Já os demais conjuntos apresentam pouca complexidade, como a questão das embalagens que passam, quase forçosamente, por criação de listas públicas de referência (CDCON, 2001).

A estrutura de classificação de materiais, produtos e serviços da edificação, proposta pelo CDCON, articula algumas facetas já contidas na norma ISO TR 14177/94, concentrando-se nas facetas Processo (processos da construção);

Matéria (materiais de construção); Componente (produtos para construção); e Espaço (espaços da construção). Ela agrupa as facetas voltadas aos objetos

vinculados à produção do ambiente construído, como os produtos, processos, agentes e documentos, ao lado daquelas que se constituem de informações complementares aos primeiros, ou seja, atributos destes objetos, conforme se verifica na Figura 12.

Objetos da produção do ambiente construído Objetos do ambiente construído Processos Produtos para a construção Matéria Forma Grandezas Unidades Entidades Espaços Complexos Desem penho Atributos comerciais Agentes Equipamentos sistem as inform atizados Elem entos Processos de concepção Processos de execução Processos gerenciais

FIGURA 12 - Objetos de produção do ambiente construído. Fonte: Relatório Parcial: CDCON (2003)

Assim, o primeiro nível de classes de facetas reflete a separação indicada na Figura 12, ou seja, os Produtos da construção, os Processos necessários para obtê- los, e os Produtos para a Construção, necessários para a produção. Tais facetas compõem a terminologia específica, em que os conceitos devem ser considerados dentro do contexto do universo enfocado.

Os seguintes benefícios são esperados em tempo da implantação do projeto CDCON: aumentar a produtividade; facilitar o comércio eletrônico; equalizar preços de produtos e serviços; facilitar o comércio de produtos e serviços; garantia da qualidade; facilitar a especificação de produtos nos projetos arquitetônicos; permitir interoperabilidade dos sistemas de gestão e comércio; tornar as licitações públicas mais transparentes; e agilizar os orçamentos de obras e serviços.

Os sistemas de classificação da informação na indústria da construção civil têm geralmente associados a sua estrutura, além de outras ferramentas, programas com

relação às práticas de especificação, em sua maioria, bases de dados textuais. A seguir, descreve-se a relação entre sistemas de classificação e as especificações.

5.7 OS SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO E AS ESPECIFICAÇÕES DE PRODUTOS