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Da sinonímia dos termos Organização e Conhecimento retira-se a síntese mais produtiva, ou mais instigadora, para a construção de uma idéia acerca da Organização do Conhecimento na Sociedade, é aquela que abstrai de Organização, pelo verbo Organizar, os sentidos de organizar, que são: estabelecer as bases de; arrumar de determinado modo; colocar em certa ordem (SOUZA, 1998).

Organização do conhecimento é a expressão mais abrangente para designar a função desempenhada pela biblioteca por meio da classificação. Indica a habilidade não apenas para identificar itens de informação específicos e definidos de forma precisa, mas também para demonstrar a completa gama de assuntos disponíveis na biblioteca e as relações entre si [...] É significativo o fato de que, enquanto os escritores pré-guerra usavam a expressão organização do conhecimento, os

escritores modernos têm substituído, frequentemente, por expressões como

recuperação da informação (LANGRIDGE, 1977).

Para que se possa abordar teoricamente a organização do conhecimento como área de estudos, inicialmente, há de se diferenciar duas concepções de conhecimento: a) como processo cognitivo individual, constitui-se em uma certeza subjetiva ou objetivamente conclusiva da existência de um fato ou do estado de um caso, não sendo transferível e somente podendo ser adquirido por meio de reflexão; b) como algo sobre o qual existe um certo consenso social. Trabalha-se aqui com o conhecimento registrado e divulgado (GUIMARÃES3, citado por STRAIOTO (2001)).

Os sistemas para a organização do conhecimento existem desde os tempos remotos e estão presentes em todas as áreas do conhecimento humano, do modo simples ao mais complexo. Esses sistemas abrangem classificação, tesauro, ontologia, e os usuais glossários, dicionários, enciclopédias, guias, específicos a cada área e, em sua maioria, ligados às bibliotecas e outras organizações de gerenciamento da informação visando organizar, recuperar e disseminar a informação.

Desta maneira, adota-se como definições dos termos que seguem, sendo os mais referenciados na literatura:

Classificação: conjunto de conceitos organizados sistematicamente de acordo com os critérios ou características escolhidas (ISO TR 14177, 1994).

Tesauro: definido como um vocabulário de termos relacionados genérica e semanticamente sobre determinada área do conhecimento (MOTTA, 1987).

Ontologia: é uma especificação formal e explícita de uma conceitualização compartilhada (GRUBER4, citado por GARCIA ( 2003)), na qual:

a) Conceitualização: refere-se a um modelo de fenômeno abstrato no mundo por ter identificado os conceitos relevantes daquele fenômeno;

3 GUIMARÃES, J. A. C. Perspectivas de ensino e pesquisa em organização do conhecimento em curso de biblioteconomia do Mercosul: uma reflexão. IN: Encuentro de EDIBCIC, 5: la formación profesionales e investigadores de la información para la sociedad del conocimento, 2000. Granada. Actas... Granada: Universidad de Granada, Facultad de Biblioteconomía y Documentación, 2000. p. 206-216.

4 GRUBER, T.R. A Translation Approach to Portable ontology Specifications. Knowledge Acquisition 5, p. 199-220, 1993.

b) Explícito: significa que o tipo dos conceitos usados e as restrições no seu uso são definidos explicitamente;

c) Formal: refere-se ao fato de que a ontologia deveria ser lida pela máquina;

d) Compartilhado: reflete que a ontologia deveria capturar conhecimento consensual aceito pelas comunidades.

A ontologia é também definida como um conjunto de conceitos e termos que podem ser usados para descrever alguma área do conhecimento ou construir uma representação para o conhecimento (SWATOUT; TATE5 citados por GARCIA, 2003). Glossário é um vocabulário ou livro em que se explicam palavras de significação obscura; elucidário. E o dicionário é um conjunto de vocábulos duma língua ou de termos próprios duma ciência ou arte, dispostos, em geral, alfabeticamente, e com o respectivo significado, ou a sua versão em outra língua (FERREIRA, 1999).

Os sistemas de classificação são sistemas artificiais de signos normalizados permitindo uma representação mais fácil e efetiva do conteúdo documental, com o objetivo de recuperar manual ou automaticamente a informação solicitada pelo usuário. Os sistemas de classificação propiciam a comunicação entre a linguagem natural dos usuários e a unidade de informação, eles são utilizados para representar o conteúdo dos documentos, por isso alguns autores os definem como sistemas simbólicos instituídos com o intuito de facilitar a comunicação (CAMPOS, 2001).

Estudiosos de diversas áreas do conhecimento têm voltado suas atenções e pesquisas para a questão da representação da informação, para a organização do conhecimento e vêem na classificação a maneira de ordenação desse conhecimento, pensando nas teorias da mesma como parte de uma área de estudos conhecida como Organização do Conhecimento, também citada como Representação do Conhecimento. Tanto que a International Society for Knowledge Organization (ISKO) considera que os princípios teóricos da classificação e as pesquisas sobre tesauros podem ser utilizados na organização dos mais diversos

5 SWATOUT, W; TATE, A. Ontologies. IEEE Inteligent Systems & their applications, vl 14 n. 1, jan/fev 1999.

sistemas gerais e específicos de organização e representação do conhecimento (STRAIOTO, 2001).

Souza (2004) assinala a importância da Web e das demais redes digitais para a troca de informações no panorama mundial são amostras de como a atividade de organização da informação é necessária para a evolução dos indivíduos, organizações e da sociedade em geral.

A classificação está presente não apenas nos sistemas de recuperação de informação, mas na base de sistemas e das atividades da organização do conhecimento em suas diferentes manifestações como em sistemas de inteligência artificial e de hipertextos presentes nas novas tecnologias da informação e comunicação. Estimula estudiosos da área a efetuarem pesquisas no sentido de desenvolver sistemáticas para organizar a informação em áreas específicas do conhecimento. Assim, Gomes (1996) caracteriza que a unidade a ser manipulada nestes sistemas e atividades é o conceito, sendo este a unidade de conhecimento.

Neste contexto, Guimarães, citado por Straioto (2001) ressalta a dimensão cíclica da organização do conhecimento como o estudo das propriedades de organização de um determinado conhecimento registrado, sob a perspectiva de geração de novo conhecimento que, uma vez também registrado, transforma-se em informação, ou seja, conhecimento em ação que, incorporado a outros saberes, gera novo conhecimento, reiniciando a fase cíclica.

Dobedei (2002) também destaca a dimensão cíclica da organização do conhecimento ao apresentar o modelo de caráter sistêmico denominado “Ciclo da Informação”, ou modelo de “Transferência da Informação”, que reduz a realidade da representação do conhecimento a seis etapas: produção, registro, aquisição, organização, disseminação e assimilação. Essas etapas procuram simplificar os processos criados pela produção, acumulação e uso de conhecimento e os produtos gerados em suas várias formas representacionais, quer sejam fontes primárias, secundárias ou terciárias. A autora diz que este modelo, até o momento, é o mais adequado para representar o processo de transferência da informação, bem como, o papel exercido por cada segmento social envolvido nesta transferência e a estrutura das instituições de preservação da memória social. Incorpora no modelo, conforme Figura 2, o conceito memória documentária, dividindo o universo do conhecimento em dois subconjuntos: informação e documento.

FIGURA 2 - Ciclo da informação. Fonte: Dobedei (2002)

Percebe-se, assim, a preocupação das áreas do conhecimento com a produção e renovação constante do conhecimento e sua organização, num ciclo produtivo contínuo, e a necessidade, também constante, da adequação desta organização com as novas tecnologias da informação e comunicação, em que o organizar, recuperar e disseminar a informação passa a ser a função principal.

Verifica-se que os sistemas de classificação e os tesauros estão sendo os mais utilizados, tanto em nível nacional como internacional, para a organização do conhecimento, em todas as áreas do conhecimento humano. Sendo assim, apresenta-se a seguir um levantamento referencial sobre ambos.