III. PANORAMA DE UMA POLÍTICA CIENTÍFICA: A RELAÇÃO ENTRE A TEORIA
2. Os determinantes políticos e sociais do conhecimento
Procuraremos demonstrar agora, por meio de um exemplo concreto, que o pensamento político-histórico assume formas várias, de acordo com correntes políticas diversas. A fim de não nos distanciarmos em demasia do assunto, concentrar-nos-emos principalmente na relação entre a teoria e a prática. Veremos que mesmo este problema, o mais geral e fundamental de uma ciência da conduta política, é diversamente concebido pelas diferentes correntes histórico-políticas.
Isto pode ser facilmente constatado por um levantamento das várias correntes políticas e sociais dos séculos XIX e XX. Como tipos-ideais representativos mais importantes, teremos os seguintes:
1. O conservantismo burocrático. 2. O historicismo conservador.
3. O pensamento liberal-democrático burguês. 4. A concepção socialista-comunista.
5. O fascismo.
Consideraremos inicialmente o modo de pensamento do conservantismo burocrático. A tendência fundamental de todo pensamento burocrático é converter todos os problemas de política em problemas de administração. Como resultado, a maioria dos livros sobre política, na história da ciência política alemã, são de fato tratados de administração. Se considerarmos o papel sempre desempenhado pela burocracia, em especial no Estado prussiano, e em que medida a intelligentsia era amplamente recrutada na burocracia, esta unilateralidade na história da ciência política na Alemanha torna-se facilmente compreensível.
A tentativa de ocultar todos os problemas da política sob a cobertura da administração pode ser explicada pelo fato de que a esfera de atividade do funcionário dá- se apenas nos limites de leis já formuladas. Portanto, a gênese e a evolução da lei se situam fora do âmbito de sua atividade. Como resultado de seu horizonte socialmente limitado, o funcionário deixa de ver que, por trás de cada lei promulgada, se encontram os interesses socialmente articulados e as Weltanschauungen de um grupo social específico. Aceita de antemão que a ordem específica prescrita pela lei vigente equivale à ordem em geral. Não compreende que cada ordem racionalizada constitui apenas uma das muitas formas pela quais as forças irracionais socialmente conflitantes se conciliam.
A mentalidade legalística administrativa possui seu tipo peculiar de racionalidade. Ao se defrontar com um conjunto de forças até então não-controladas como, por exemplo, a erupção de energias coletivas em uma revolução, somente pode concebê-las como distúrbios momentâneos. Portanto, não é de admirar que, diante de qualquer revolução, a burocracia busque encontrar um remédio por meio de decretos arbitrários, ao invés de enfrentar a situação política nos seus próprios termos. Considera a revolução um acontecimento sinistro dentro de um sistema de outra forma ordenado, e não a expressão viva de forças sociais fundamentais de que dependem a existência, a preservação e o desenvolvimento da sociedade. A mentalidade jurídica administrativa só sabe construir
sistemas de pensamento estáticos e fechados, deparando sempre com a tarefa paradoxal de ter que incorporar em seu sistema novas leis, que emergem da interação não-sistematizada de forças vivas, como se fossem apenas uma elaboração ulterior do sistema original.
Um exemplo típico da mentalidade militar-burocrática se encontra em cada variante da lenda da “punhalada pelas costas” (Dolchstosslegenie) que interpreta uma erupção revolucionária simplesmente como uma interferência séria em sua estratégia cuidadosamente planejada. A única preocupação do burocrata militar é a ação militar e, se esta se desenrola de acordo com o plano, então tudo o mais na vida está também em ordem. Essa mentalidade faz lembrar a anedota do médico especialista, a quem se atribui o dito: “A operação foi um sucesso. Infelizmente o paciente morreu”.
Cada burocracia, portanto, conforme a peculiar ênfase que atribui à própria posição, tende a generalizar sua experiência e a desconsiderar o fato de que o campo da administração e da ordem em funcionamento regular representa apenas uma parte da realidade política total. O pensamento burocrático não nega a possibilidade de uma ciência da política, mas a considera idêntica à ciência da administração. Desta forma, descuida dos fatores irracionais e quando, apesar de tudo, estes fatores afloram à superfície considera-os “assuntos de rotina do Estado”. Uma expressão clássica desta atitude vem contida em um ditado originário de tais círculos: “Uma boa administração vale mais do que a melhor constituição”.5
Além do conservantismo burocrático, que governou a Alemanha e especialmente a Prússia em larga medida, houve um segundo tipo de conservantismo que se desenvolveu paralelamente ao primeiro e que se pode chamar conservantismo histórico. Era peculiar ao grupo social da nobreza e aos estratos burgueses entre os intelectuais que eram os dirigentes intelectuais e efetivos do país, existindo, entretanto, entre estes últimos e os conservadores burocratas uma certa tensão. Este modo de pensamento trazia a marca das universidade alemãs, e, em especial, do grupo dominante de historiadores. Ainda hoje em dia, esta mentalidade encontra apoio principalmente nestes círculos.
O conservantismo histórico se caracteriza pelo fato de estar ciente do campo irracional na vida do Estado, que não pode ser controlado pela administração. Reconhece a existência de um campo não-organizado e imprevisível que constitui a esfera própria da política. De fato, focaliza quase que exclusivamente sua atenção nos fatores irracionais e impulsivos que propiciam a base real para o desenvolvimento posterior do Estado e da sociedade. Considera tais forças como inteiramente superiores à compreensão, inferindo que, em si, a razão humana é impotente para entendê-las e controlá-las. Nesta esfera, somente um instinto tradicionalmente herdado, forças espirituais “operando silenciosamente”, o “folk spirit”, Volksgeist, derivando sua força das profundezas do inconsciente, poderão contribuir para moldar o futuro.
Já no fim do século XVIII esta atitude era enunciada por Burke, que serviu de modelo à maioria dos conservadores alemães, através das seguintes palavras impressionantes: “A ciência de construir ou renovar ou reformar uma comunidade não pode, como qualquer outra ciência experimental, ser ensinada a priori. Tampouco será uma experiência breve que nos poderá fazer aprender nesta ciência prática”.6 As raízes
sociológicas desta tese são evidentes de imediato. Ela exprimia a ideologia da nobreza dominante na Inglaterra e na Alemanha, e servia para legitimar suas pretensões à liderança
do Estado. O je ne sais quoi (o elemento de imprecisão) da política, que só pode ser adquirido através de uma longa experiência, e que em geral somente se revelava aos que por muitas gerações vinham participando da liderança política, visava a justificar o Govêrno por uma classe aristocrática. Isto esclarece a maneira pela qual os interêsses sociais de um dado grupo tornam os membros do grupo sensíveis a determinados aspectos da vida social, a que os situados em outra posição não reagem. Enquanto a burocracia é cega ao aspecto político de uma situação, em razão de suas preconcepções administrativas, a nobreza, desde o início, sente-se totalmente à vontade nesta esfera. Desde o princípio, esta última tem os olhos voltados para a arena em que as esferas de poder dentro e entre os Estados se entrechocam. Nesta esfera, a pequena sabedoria livresca não nos ajuda, e a solução dos problemas não pode ser deduzida mecânicamente das premissas. Daí não ser a inteligência individual que decide as questões; cada acontecimento é a resultante de fôrças políticas efetivas.
A teoria histórica conservadora, que é essencialmente a expressão de uma tradição feudal7 qué toma consciência de si, acha-se basicamente preocupada com problemas que
transcendem a esfera da administração. A esfera é considerada completamente irracional, não podendo ser elaborada por métodos mecânicos, mas se desenvolvendo por si. Esta visão refere tudo à dicotomia decisiva entre “a construção de acordo com um plano calculado” e a “não-interferência no desenvolvimento das coisas”.8 Não basta ao líder político
meramente possuir o conhecimento correto e o domínio de determinadas leis e normas. Além destes, precisa possuir o instinto inato, aguçado mediante longa experiência, que o conduza à resposta correta.
Dois tipos de irracionalismo foram conjugados para produzir esta forma irracional de pensamento: por um lado, o irracionalismo tradicionalista pré-capitalístico (que considera o pensamento legal, por exemplo, como uma forma de sentir e não como um cálculo mecânico), e, por outro lado, o irracionalismo romântico. Dessa forma, criou-se um modo de pensamento que concebe a história como sendo o domínio de forças pré-racionais e suprarracionais. Mesmo Ranke, o mais eminente representante da escola histórica, se colocava neste ponto-de-vista intelectual ao definir as relações entre a teoria e a prática.9
De acordo com ele, a política não constitui uma ciência independente que possa ser ensinada. O estadista realmente pode estudar a história com proveito, mas não de modo a derivar dela regras de conduta, e, sim, porque ela serve para aguçar o seu instinto político. Pode-se designar este modo de pensamento como a ideologia de grupos políticos que tenham tradicionalmente ocupado uma posição dominante, mas que raramente participaram da burocracia administrativa.
Se confrontarmos as duas soluções até aqui apresentadas, tornar-se-á claro que o burocrata tende a dissimular a esfera política, enquanto o historicista a considera mais forte e exclusivamente como irracional, muito embora destaque os fatores tradicionais nos acontecimentos históricos e nos sujeitos atuantes. A esta altura encontramos o principal adversário desta teoria que, conforme assinalamos, surgiu originalmente da mentalidade aristocrática feudal, a saber, a burguesia liberal-democrática e suas teorias.10 A ascensão da
burguesia foi acompanhada de um intelectualismo extremo. Intelectualismo, no sentido aqui empregado, se refere a um modo de pensamento que não considera os elementos da vida e do pensamento que se fundam na vontade, no interesse, na emoção e na Weltanschauung — ou, caso reconheça a existência deles, trata-os como se equivalessem ao intelecto,
acreditando que possam ser dominados e subordinados à razão. Este intelectualismo burguês reclamava expressamente uma política científica e procurava efetivamente fundar essa disciplina. Assim como a burguesia descobriu as primeiras instituições em que se podia canalizar a luta política (primeiro o parlamento e o sistema eleitoral, e mais tarde a Liga das Nações), também criou um lugar sistemático para a nova disciplina da Política. A anomalia organizacional da sociedade burguesa aparece também na sua teoria social. A tentativa burguesa no sentido de uma ampla e penetrante racionalização do mundo vê-se, no entanto, paralisada quando encontra certos fenômenos. Ao sancionar a livre concorrência e a luta de classes, chega mesmo a criar uma nova esfera irracional. Do mesmo modo, neste tipo de pensamento, o resíduo irracional da realidade permanece, sem se dissolver. Ademais, assim como o parlamento é uma organização formal — uma racionalização formal do conflito político, mas não sua solução — a teoria burguesa alcança apenas uma intelectualização formal e aparente dos elementos inerentemente irracionais.
Claro, o espírito burguês tem consciência deste novo domínio irracional, mas é intelectualista na medida em que tenta, exclusivamente através do pensamento, da discussão e da organização, dominar, como se já estivessem racionalizados, o poder e as outras relações que aqui imperam. Assim, inter alia, acreditava-se que a ação política pudesse, sem dificuldade, ser cientificamente definida. A ciência em questão, ao que se supunha, viria a se dividir em três partes:
Primeira — a teoria dos fins, isto é, a teoria do Estado ideal. Segunda — a teoria do Estado positivo.
Terceira — a “política”, isto é, a descrição da maneira pela qual o Estado existente se transforma em um Estado perfeito.
Para ilustrar este tipo de pensamento podemo-nos reportar à estrutura do “Estado Comercial Fechado” de Fichte, neste sentido recentemente analisado com bastante acuidade por Heinrich Rickert11 que, entretanto, aceita totalmente esta posição. Existe, pois, uma
ciência dos fins e uma ciência dos meios. O fato mais notável no tocante a esta tese consiste na completa separação entre a teoria e a prática, entre a esfera intelectual e a esfera emocional. O intelectualismo moderno se caracteriza por sua tendência a não tolerar o pensamento valorativo e emocionalmente determinado. Quando, no entanto, vem a deparar com este tipo de pensamento (e todo o pensamento político se engasta essencialmente em um contexto irracional) tenta interpretar os fenômenos de modo que os elementos valorativos pareçam separáveis, e que, pelo menos, um resíduo de teoria pura permaneça. Nesta tentativa, nem mesmo se colocou a questão referente a se o elemento emocional não poderia em certas circunstâncias se achar tão interligado com o irracional que viesse a envolver a própria estrutura categórica, tornando de fato irrealizável a prescrita segregação dos elementos valorativos. O intelectualismo burguês, entretanto, não se incomoda com estas dificuldades. Com um otimismo a toda prova, lança-se à conquista de uma esfera completamente purgada de irracionalismo.
No que se refere aos fins, esta teoria ensina que existe uma única série legítima de fins para a conduta política, série esta que, caso não tenha ainda sido encontrada, pode ser alcançada pela discussão. Assim a concepção original do parlamentarismo era, como foi claramente demonstrado por Cari Schmitt, a de uma sociedade de debates em que se
buscava a verdade através de métodos teóricos.12 Sabemos muito bem e podemos
compreender sociologicamente em que reside a ilusão deste modo de pensamento. Reconhecemos hoje em dia que, por trás de cada teoria, existem forças coletivas que expressam propósitos, podêres e interesses de grupo. As discussões parlamentares se acham portanto longe de serem teóricas no sentido de que possam atingir finalmente a verdade objetiva: concernem a questões extremamente reais, a serem decididas no choque de interesses. Foi tarefa do movimento socialista, surgido em seguida como adversário da burguesia, elaborar especificamente este aspecto do debate em torno das questões reais.
Em nosso tratamento da teoria socialista não diferenciaremos por enquanto o socialismo do comunismo, pois interessa-nos aqui não tanto a pletora de fenômenos históricos, mas as tendências agrupadas em torno dos polos opostos que determinam, em essência, o pensamento moderno. No conflito com seu adversário burguês, o marxismo tornou a descobrir que, em assuntos históricos e políticos, não pode haver “teoria pura” alguma. Vê que por trás de cada teoria existem pontos-de-vista coletivos. O fenômeno do pensamento coletivo, que se desenrola de acordo com os interesses e com as situações sociais e existenciais, era chamado por Marx de ideologia.
Neste caso, como tantas vezes ocorre nos conflitos políticos, fez-se uma importante descoberta que, uma vez conhecida, teve de ser levada até sua conclusão final, tanto mais que ela continha o cerne do problema do pensamento político em geral. O conceito de ideologia serve para indicar o problema, mas não vem de forma alguma resolvê-lo ou esclarecê-lo.13 Somente se irá obter uma elucidação mais ampla ao se rejeitar a
unilateralidade inerente à concepção original. Antes de mais nada, portanto, será necessário, para nossas finalidades, que façamos duas correções. De início, será fácil mostrar que os que pensam em termos socialistas e comunistas discernem o elemento ideológico somente no pensamento de seus opositores, enquanto consideram o seu pensamento inteiramente livre de qualquer tintura ideológica. Como sociólogos, nenhuma razão existe para que não viéssemos a aplicar ao marxismo as percepções que o próprio marxismo produziu, indicando, em cada caso, o seu caráter ideológico. Além disso, é preciso explicar que o conceito de “ideologia” está sendo aqui utilizado não como um juízo de valor negativo, no sentido de que insinue uma mentira política consciente, mas com o intuito de designar o ponto-de-vista inevitavelmente associado a uma dada situação histórica e social, bem como à Weltanschauung e ao estilo de pensamento vinculados a esta situação. Tal significado do termo, de relações mais próximas com a história do pensamento, precisa ser claramente diferenciado do outro significado. Claro, não negamos que, em outros aspectos, possa servir também para revelar mentiras políticas conscientes.
Com este procedimento, nada que detenha um valor positivo para a pesquisa científica da noção de ideologia foi descartado. A grande revelação que ele propicia é que todas as formas de pensamento histórico e político se acham essencialmente condicionadas pela situação de vida do pensador e de seu grupo. Nossa tarefa consiste em desvencilhar esta percepção de sua inserção política unilateral e em elaborar sistemàticamente a tese de que a maneira pela qual o indivíduo encara a história, e a maneira pela qual o indivíduo constrói uma situação total, partindo de determinados fatos, dependem, ambas, da posição que o indivíduo ocupa na sociedade. Em cada uma das contribuições históricas e políticas, é possível determinar de que posição vantajosa os objetos foram observados. Entretanto, o fato de nosso pensamento ser determinado por nossa posição social não constitui
necessariamente uma fonte de erro. Pelo contrário, muitas vezes é o caminho para a percepção política. O elemento significativo da concepção de ideologia consiste, em nossa opinião, na descoberta de que o pensamento político se encontra integralmente vinculado à vida social. Eis o significado essencial da frase várias vezes citada: “Não é a consciência dos homens que determina sua existência, mas, ao contrário, sua existência social é que determina sua consciência”.14
Mas, em íntima relação com esta, existe outra dimensão importante do pensamento marxista, a saber a de uma nova concepção da relação entre teoria e prática. Enquanto o teórico burguês devotava um capítulo especial à proposição de seus fins, o que sempre ocorria a partir de uma concepção normativa da sociedade, um dos mais significativos passos dados por Marx foi atacar o elemento utópico no socialismo. Desde o início, Marx recusou estabelecer um conjunto exaustivo de objetivos. Não existe norma alguma a ser alcançada que se possa destacar do próprio processo: “O comunismo para nós não é uma condição a ser estabelecida, nem um ideal a que a realidade se deva ajustar. Chamamos comunismo o movimento efetivo para abolir as condições presentes. As condições em que este movimento se processa resultam daquelas ora existentes”.15
Se hoje em dia perguntarmos a um comunista, com uma formação leninista, como será realmente a sociedade futura, ele nos responderá que esta pergunta é não-dialética, uma vez que o futuro será decidido no processo prático dialético do vir-a-ser. Mas em que consiste este processo dialético prático?
Significa que não podemos calcular a priori o que uma coisa deveria ser ou o que deverá ser. Podemos apenas influenciar o curso geral do processo de vir-a-ser. O problema concreto sempre presente somente pode ser, para nós, o próximo passo avante. Não compete ao pensamento político erigir um esquema absoluto do que devesse ser. A teoria, incluindo mesmo a teoria comunista, é uma função do processo de vir-a-ser. A relação dialética entre a teoria e a prática consiste no fato de que, antes de mais nada, a teoria, ao surgir de um impulso definidamente social, clarifica a situação. E no processo de clarificação a realidade passa por uma mudança. Penetramos assim em uma nova situação de que emerge uma nova teoria. O processo se apresenta, então como se segue: 1) A teoria é uma função da realidade; 2) esta teoria conduz a um certo tipo de ação; 3) a ação modifica a realidade, ou, no caso de fracasso, nos força a uma revisão da teoria inicial. A mudança da situação efetiva ocasionada pelo ato dá emergência a uma nova teoria.16
Esta visão da relação entre a teoria e a prática marca um adiantado estágio na discussão do problema. Note-se que foi precedido pela unilateralidade de um intelectualismo extremo e de um irracionalismo total, e que teve de contornar todos os perigos que já se haviam revelado no pensamento e na experiência conservadores e burgueses. As vantagens desta solução residem no fato de que tenha assimilado as formulações prévias do problema, e em sua abertura para o fato de que no campo da política a corrente usual de pensamento é incapaz de realizar seja o que for. Por outro lado, esta visão é por demais profundamente motivada pelo desejo de conhecimento para que caia em um irracionalismo total a exemplo do conservantismo. Do conflito entre as duas correntes de pensamento resulta uma concepção bastante flexível da teoria. Uma lição básica derivada da experiência política e magnificamente formulada por Napoleão na máxima: “On