2.2. Conceito de Direitos Humanos
2.2.1 Os direitos humanos e os conceitos afins
Vários são os conceitos31
Os Direitos Fundamentais, enquanto expressão teórica tem sua mais aplicabilidade em instrumentos jurídicos de caráter nacionalista ou regionalista. Mas precisamente nos usos utilizados no âmbito da teoria geral dos Direitos Humanos para fazer ser compreendido o que vem a ser Direitos Humanos e, assim, poder instrumentalizar-se cientificamente as argumentações teóricas e suas dimensões práticas fazendo valer o que ficou posto na lei ou nos tratados internacionais.
No caso especifico deste constructo teórico, foi eleito os estudos do Manuel Jorge Silva e Neto e José Afonso da Silva, por trazer uma abordagem mais didática e compreensível sobre esta teoria.
Percebe-se que as expressões Direitos Humanos ou Direito do Homem são mais utilizadas em tratados internacionais como, por exemplo, Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948, Declaração dos Direitos Humanos de Viena de 1993, Pacto dos Direitos Civis e Políticos e Pacto dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais de 1966, Convenção Europeia dos Direitos Humanos, Convenção Interamericana dos Direitos Humanos e a Carta Africana dos Direitos do Homem e dos Povos.
O uso corrente destes termos nestas ambiências legais justifica-se pela natureza de significações universalistas que transcendem o âmbito das nacionalidades e visualizando o Homem como um ser cosmopolita ou cidadão do mundo, com características e necessidades iguais aos semelhantes, supra-sumindo assim, as particularidades determinadas por agentes históricos, sociais e políticas.
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A ampliação e transformação dos direitos fundamentais do homem no envolver histórico dificulta definir-lhes um conceito sintético e preciso. Aumenta essa dificuldade a circunstância de se empregarem várias expressões para designá-los, tais como: direitos naturais, direitos humanos, direitos do homem, direitos individuais, direitos públicos subjetivos, liberdades fundamentais, liberdades públicas e direitos fundamentais do homem ( SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 30. edição revista e atualizada (até a Emenda Constitucional nº56, de 20.12.2007) São Paulo: Ed. Malheiros, 2008, p.175).
frequentes nas constituições e leis internas de cada nação. Entretanto, à pasar das controvérsias entre as duas expressões verifica-se que é o ser humano que está em questão e que os direitos a ele inerentes são passíveis de serem reconhecidos, protegidos e aperfeiçoados pelos próprios processos históricos que utilizam a dinâmica social lastreada pela lei que regula as relações.
Bobbio32
Esta citação é uma declaração de como surgiu os neologismos conceituais dentro da ciência humana e como eles são usados para instrumentalizar às ideias. Amplia seu pensamento(Bobbio) dizendo
, depois de justificar a doutrina dos Direitos Humanos a partir da filosofia jusnaturalista, onde os Direitos Humanos eram independentes do Estado e que o estado de natureza era o local que surgiu os primeiros direitos como: “à vida, à sobrevivência, que inclui também o direito a propriedade; e o direito a liberdade, entendida como independência em face de todo constrangimento imposta pela vontade do outro”.
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[…], como
que o estado de natureza era uma hipótese sobre uma situação de convivência humana pré-estatal ou pré-social, uma
mera fixão doutrinária que foi utilizado para justificar os direitos inerentes a própria natureza do homem, como tais, invioláveis por parte dos detentores do poder público, inalienáveis pelos próprios titulares e imprescritíveis por mais longa que fosse a duração de sua violação ou alienação.
Portanto, é na confluência de fatores externos e internos inerentes a sociedade que os objetos são analisados e deste processo é que surgem os termos afins conforme o local de discussão for consoante os níveis hierárquicos que atuam as instituições sociais.
Outro conceito afim é o de direitos subjetivos públicos resultantes da consagração vitoriosa da revolução liberal. Consistem na autorga aos cidadãos de um conjunto de prerrogativas perante as autoridades públicas. Eles têm caracteres restritivos em relação aos Direitos Humanos, porque só incluem aqueles direitos que só se manifestam na relação com o Estado excluindo desse âmbito outros direitos, como sociais, difusos, entre outros que exigem do Estado uma prestação positiva, como sustenta Silva e Neto, que:
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BOBBIO, Norberto. Op.cit., 2004, p.68. 33
Ibidem, p. 68-69. 34
SILVA NETO, Manuel Jorge e. Curso de Direito Constitucional Atualizado até a EC nº 52/2006. Rio de Janeiro: Lumen iuris, 2006, p.463.
assente na doutrina e presente também na elaboração legislativa atual, a categoria dos direitos fundamentais não se esgota no restrito campo das prerrogativas que se indicam as pessoas individualmente consideradas; antes transcendem-no para abranger direitos a prestação positivas do Estado, como se opera relativamente aos direitos sociais, ou ainda no que concerne aos direitos difusos.
A era liberal é caracterizada pela abstenção do Estado na atuação ou atividades dos particulares, apenas garantindo-lhes a segurança para permitir que tudo corra de acordo com a vontade dos mesmos (a teoria do laissez-faire de Adam Smith). Portanto, o Estado não pode apenas garantir alguns direitos e deixar de garantir outros, caso do liberalismo que apenas se preocupava com os direitos civis e políticos dos cidadãos, sem pensar dos outros direitos que dele dependem para a sua realização, isto é, o caso dos direitos sociais, econômicos e ambientais que dependem de boas políticas públicas para sua efetivação, como sustenta Milton Friedman que35
Figura-se também como conceito próximo dos Direitos Humanos o termo liberdades públicas, que deriva da influência da doutrina francesa. As leis sobre as liberdades públicas são todas aquelas que segundo Silva e Neto (2006) têm duplo significado: primeiro determinam as obrigações do Estado face aos cidadãos
:
[...], a organização de atividade econômica através de troca voluntária presume que se tenha providenciado, por meio do governo, a necessidade de manter a lei e a ordem para evitar a coerção de um indivíduo por outro; a execução de contratos voluntariamente estabelecidos; a definição do segnificado de direitos de propriedade e a sua execução; o fornecimento de uma estrutura monetária.
Tudo isso pressupõe a intervenção do Estado na limitação da atuação dos particulares e na promoção e proteção dos outros direitos que só dele dependem para a sua realização, caso dos direitos sociais e defusos referidos acima.
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A Constituição brasileira de 1988 adotou uma prática moderna de enunciação dos Direitos Humanos diferentemente das constituições anteriores, agrupando os direitos conforme os seus conteúdos, isto é, a natureza dos direitos protegidos, sejam eles individuais ou coletivos e os e, segundo, fixam as garantias que permitem o seu cumprimento.
Da analise feita dos conceitos afins aos Direitos Humanos, far-se-à agora uma abordagem sucinta dos direitos fundamentais na Constituição brasileira de 1988, mas, sem, no entanto entrar em grandes pormenores, uma vez que não constitui o tema em estudo.