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Os docentes e a ADCESP: vivências das greves

2 A ADOÇÃO DO NEOLIBERALISMO E AS TRANSFORMAÇÕES NO ESTADO

4.2. Os docentes e a ADCESP: vivências das greves

Nessa seção, apresentamos as vivências docentes a partir de duas fontes: depoimentos de professores e atas das assembleias da ADCESP. Dessa maneira, construímos um relato das vivências de greves na UESPI, ao longo do período em estudo, mostrando as transformações pelas quais a universidade passou, fruto dessa luta, e o posicionamento dos professores nas atividades das greves. Analisamos mais detidamente as greves de 2008 e 2011, porque apresentaram uma documentação mais completa. A partir delas, podemos avaliar as outras.

Iniciamos com os depoimentos de dois docentes sindicalistas que estiveram à frente da Associação dos Docentes da UESPI-ADCESP: Daniel Vasconcelos Solon e Nouga Cardoso

Batista36. Como presidentes da entidade, acompanharam de perto as transformações ocorridas

na universidade tanto no nível estrutural, como em qualificação e valorização dos docentes. Seus depoimentos são marcados pelas greves vivenciadas no interior da universidade no período de 2003 a 2008 e pela experiência de vida de cada um no interior da universidade. O segundo momento, será tratado a partir da análise das atas das assembleias da categoria. Apresentamos, assim, as posturas dos intelectuais orgânicos da universidade nessas greves.

A partir dos dois depoimentos, analisamos a história da universidade, apresentando os principais problemas enfrentados pelos docentes no cotidiano da academia e as melhorias

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Nouga Cardoso Batista, Professor Adjunto do Curso de Física da Universidade Estadual do Piauí-UESPI/ Campus Poeta Torquato Neto; Reitor da Universidade Estadual do Piauí (2014-2017). Foi presidente da ADCESP no período de 2005-2007.

conquistadas ao longo das lutas sindicais, ao mesmo tempo em que buscamos compreender a relação da memória individual com a memória coletiva, como explica Halbwachs (2003). Um dos principais problemas enfrentados pelos docentes era a realidade estrutural da instituição, marcada pelo improviso e precariedade no funcionamento da mesma.

Vejamos o relato do professor Nouga C. Batista sobre esse problema estrutural:

[...] quando eu cheguei aqui na UESPI, a universidade lá em Bom Jesus era um mercado, aliás, um prédio que foi construído para ser um mercado, mas aí parece que as pessoas não gostavam daquele lugar e deram outro aproveitamento nele: “Bota a UESPI”. Aí botaram a UESPI lá dentro. A UESPI não tem nenhum prédio que tenha sido concebido desde as suas bases para ser universidade. O que está sendo construído agora em Picos, quando concluir vai ser o primeiro prédio que foi concebido desde o início para ser universidade. Então, são todos colégios antigos, hotéis da rede Rimo, essas coisas, do mercado como esse caso aí de Bom Jesus. Mas se você chegar hoje em Bom Jesus, todas as salas de aula são climatizadas com split. Lá a gente tem uma biblioteca, lá você tem quatro aparelhos de datashow. Certamente, ao final de uma greve as pessoas não visualizaram isso, mas com o passar do tempo esse mobiliário foi sendo incorporado. (BATISTA, 2013, p. 29). Certamente, esses arranjos foram adotados durante a criação de muitos campi no interior e na capital. Pelo depoimento de Batista (2013), percebemos uma preocupação em apontar as melhorias pelas quais os campi vêm passando. No seu relato, destaca as conquistas como resultados das greves, talvez, para reforçar sua vivência como sindicalista e ex-diretor da ADCESP, mas devemos atentar para o fato de Batista, à época do depoimento, ser vice- reitor e candidato a reitor na eleição de novembro de 2013, o que pode justificar essa preocupação em apresentar uma imagem positiva da instituição.

Outro problema que convém lembrar é o da expansão desordenada da UESPI, no governo de Francisco de Assis Moraes e Sousa, conhecido como “Mão Santa”, (na época filiado ao PMDB). Através dessa política, pretendia conquistar votos por meio da expansão do ensino superior no interior do Estado. A propósito, há núcleos funcionando somente com um curso e, em quase todos eles, é oferecido o curso de Pedagogia. Como a preocupação parecia ser a fundação de campi e núcleos, a Universidade cresceu com uma série de problemas estruturais e administrativos.

Entrei aqui como especialista. E o salário era vergonhoso, quase que um salário mínimo, o salário do professor especialista 20hs. Essa própria realidade concreta salarial acabou me ajudando também a me interessar mais pelo movimento sindical. Embora a minha vivência enquanto ativista do movimento sindical viesse de bem antes. (SOLON, 2013, p. 2).

[...]. Eu fiz um concurso cujo edital apresentava o valor salarial para o professor que entrava graduado, professor que entrava com mestrado, professor que entrava como doutorado, inclusive, também o salário por regime de trabalho, 20hs, 40hs e dedicação exclusiva. Fiz o concurso, imaginando eu que seria contratado como

adjunto 1, por ser doutor, e com o regime de dedicação exclusiva. Depois que eu entrei foi que me fizeram mostrar que, embora naquele edital tivesse uma tabela salarial de professor adjunto, mas na verdade o concurso era para professor assistente e a dedicação exclusiva você solicitaria e depois é que, dentro da conveniência da universidade, na aprovação dos conselhos é que ela ia ser efetivada ou não. De forma que eu entrei no ano de 2003 e tive que esperar um ano e meio para poder passar para categoria de adjunto, mas para poder implantar no meu contracheque a gratificação referente a uma pessoa que tinha o título de doutorado. Então, eu era professor assistente I com gratificação. Na época nós tínhamos a gratificação de titulação, com gratificação de doutorado e dei entrada no processo de solicitação de dedicação exclusiva e somente dois anos depois é que ela foi concedida [...]. (BATISTA, 2013, p. 5).

Apresentamos os depoimentos seguidos para que possamos compreender os pontos destacados nos relatos. Solon (2013) logo ressalta que os salários eram baixíssimos, motivando-o a se organizar no sindicato para a luta, reforçando assim sua vivência sindical e crítica à política salarial do governo para os docentes da UESPI. Já Batista (2013), embora coloque a dificuldade em assumir o cargo como doutor- Dedicação Exclusiva, não destaca o valor salarial e sim a política organizacional e de valorização do docente da IES. Devemos reforçar que, antes de o mesmo se efetivar, trabalhou como professor substituto na UESPI ao mesmo tempo em que trabalhava no Estado do Maranhão e no CEFET/PI, em cada emprego com carga horária de 20h semanais. Pelos relatos podemos concluir o desrespeito ao tripé que deveria mover a universidade, uma vez que dificultavam a contratação do professor com dedicação exclusiva. Priorizando assim o ensino em prejuízo da pesquisa e extensão.

Essa ainda tem sido a realidade de muitos professores da UESPI, uma vez que conquistar a Dedicação Exclusiva na instituição é um processo burocrático e difícil, depende das finanças do governo do Estado, não é uma decisão puramente dos Conselhos Superiores da IES. Os dados da IES de 2012 apontam para uma melhoria significativa, por exemplo: dos 810 professores efetivos, 330 são D.E; 403 são de regime 40h e 77 com regime de 20h semanais, mas ainda não é o ideal. A questão salarial e as condições de trabalho dos docentes têm sido os principais problemas que retornam como bandeiras de luta das várias greves que foram encabeçadas pela ADCESP, ao longo dos anos. Explicando sobre a construção das pautas das greves, Solon destaca:

Sempre assembleia. Agora é claro que a pauta também tinha a ver com a pauta nacional. Como lá no sindicato nacional tem uma pauta sobre a questão salarial em que colocava, por exemplo, que o piso do professor 20hs no primeiro nível, especialista, por exemplo, fosse o de um salário mínimo do DIEESE. A gente se espelhava nessa pauta econômica. Além dessa pauta econômica, a questão da denúncia cada vez mais forte sobre a questão da precariedade da situação da universidade. Tanto no que quer dizer a questão de orçamento, a questão do financiamento da universidade que resultava, por exemplo, em precariedade na situação de laboratórios, livros na biblioteca, estrutura em si, como também na

questão salarial e também a questão da efetivação dos professores, essa era uma pauta sempre constante. A questão econômica salarial, que era o carro-chefe, mas tinha proposta e uma luta por concurso público para professor efetivo e também por melhorias gerais da universidade. Foi por isso também que acabou englobando o movimento estudantil. (SOLON, 2013, p.7-8).

Percebe-se que o movimento sindical vê o Estado como o ente responsável para resolver os problemas educacionais e por isso, para ele, são direcionadas suas demandas. Entretanto, não podemos esquecer o caráter classista do Estado (GRAMSCI, 2012), pois a relação com o movimento sindical se dá com base nesse caráter. Também concordamos que é na disputas de projetos no interior do Estado que a classe trabalhadora organizada pode fazer valer suas demandas, ao ponto de serem assumidas como políticas públicas. Outra questão interessante é observar o que os sujeitos vêm destacando, dentro do contexto de luta docente na universidade, como vão construindo a memória dos eventos.

Halbwachs (2003), em seu estudo sobre a memória, nos anos 1920-1930, alertou que embora a memória individual pareça algo próprio da pessoa, de seu foro íntimo, ela faz parte da memória coletiva e nela se apoia. À medida que o indivíduo que está inserido em um determinado grupo, comunga e é persuadido pelos seus membros em torno de uma memória comum.

De acordo com o autor, os fatos mais fáceis de serem lembrados são aqueles de domínio comum do grupo. Portanto, a relação estreita e afetiva com o grupo possibilita com facilidade a reativação da memória coletiva e individual, mas existe um processo de “negociação” para conciliar as duas, e elas só conseguem se apoiar quando os membros do grupo ainda comungam de uma base comum. Halbwachs concebe a memória como uma produção social na medida em que ela é construída coletivamente e submetida a flutuações e transformações a partir de uma vivência na sociedade limitada estritamente no espaço e no tempo. Pelos relatos, percebemos que a questão salarial e estrutural da universidade era um anseio comum do grupo, por isso, ela aparece no depoimento dos dois sujeitos. Ambos construíram e vivenciaram as greves relatadas como sujeitos ativos do processo, daí a memória ainda estar viva. Entretanto, os dois depoentes ocupam lugares opostos na instituição: Solon continua líder sindical e Batista membro da administração superior, atual reitor.

Mas as lutas foram e ainda se fazem necessárias para a melhoria da universidadee esta vem sendo melhorada a partir do atendimento das reivindicações da categoria em luta e do trabalho de algumas gestões da administração superior. Como resultado da greve de 2004, conquistaram, em 2005, a reformulação e implantação do Estatuto da Universidade. Outra

conquista foi a realização da 1º eleição para reitor e vice-reitor, sendo escolhidos os professores Valéria Madeira Martins Ribeiro (professora do Curso de Pedagogia) e Carlos Alberto Pereira da Silva (professor do Curso de Física), ambos do Campus Poeta Torquato Neto, em Teresina. Até então, os gestores eram escolhidos pelo governador sem consulta a comunidade acadêmica, atualmente o reitor eleito ainda depende da aceitação do seu nome pelo governador do Estado.

A realidade da UESPI continuava precária, devido ao grande número de professores substitutos, que nem se associavam e nem participavam das manifestações da ADCESP com receio de perderem seus postos. A participação nas assembleias da categoria não se repetia com a mesma frequência nas atividades de greve.

Sempre era forte assim, a gente contava com a presença dos professores na assembleia aqui dentro da universidade, do campus, mas para a manifestação fora, a gente contava com os alunos. Porque ainda tem muito professor que acha que lutar pelos direitos é você expor socialmente as suas fragilidades remuneratórias. Então, eles são assim, de certa forma, tímidos, inibidos, ou não querem mostrar para a sociedade que estão ganhando mal ou que merecia ser melhor remunerado. Você tem uma parte dos professores na época que ainda pensavam dessa maneira. Então, você tinha um número de pessoas presentes numa assembleia geral dentro da universidade. Nunca esses mesmos professores estavam lá fora nas reivindicações, nas passeatas de rua, o número era muito menor. (BATISTA, 2013, p. 12).

Essa tem sido uma constante quando se fala em greve de docentes: sempre se questiona a quantidade ínfima de professores nas mobilizações e manifestações de rua. Nessa situação é possível identificar quem são os companheiros da luta, já que a greve questiona a postura de cada um no decorrer do movimento, sua relação com a associação sindical, seu grau de engajamento, enfim, “a greve reenvia os professores ao seu posicionamento identitário na sociedade, [...].” (ROBERT, 2013, p. 2). Acredita-se que muitos não frequentavam as atividades da greve porque tinham outro emprego e porque sentiam vergonha da situação salarial que tinham, uma vez que, na greve, esses problemas são expostos para toda a sociedade, mostrando, ainda, a situação de precarização do trabalho docente.

Observamos através do estudo que as bandeiras de lutas se repetem a cada greve, provando que os problemas estruturais e salariais da instituição permanecem e também que a Associação não conseguiu, ao longo das várias gestões, multiplicar quadros, formá-los e organizá-los de forma orgânica. Solon, referindo-se à greve de 2008, relata que:

Nessa greve especificamente, a gente teve uma questão interessante. Primeiro, a gente fez uma assembleia no início do ano que já preparou basicamente um calendário de mobilizações. Eu já previa no calendário de mobilizações com atos, com panfletagens, com paralisações de um dia ou de 48h e que essa mobilização ia

ser bem crescente. Na medida em que o governo não apontava nenhuma abertura de negociação, a gente já fazia crescer mais ainda a mobilização. E a gente sabia que era o instrumento que a gente tinha. Então, a importância da greve era exatamente essa, embora em outros momentos tivesse sido derrotada a greve. Em outros anos, a gente sabia que era necessário fazer a greve não porque era um instrumento para se lutar, mas era o instrumento de fato para fazer o governo atender as nossas reinvindicações. (SOLON, 2013, p.7).

Dificilmente, as greves apresentam apenas um significado. Elas são formas de ação do sindicato, no sentido de reagir à política salarial do governo, mas servem também para apresentar novas lideranças sindicais e as condições de trabalho da categoria. É o caso, por exemplo, de Solon. Este, além da vivência sindical e política, era formado em Comunicação Social e já havia trabalhado como jornalista em alguns jornais em Teresina, o que o capacitava para a construção das estratégias de mobilização para a greve, sem falar que tinha uma boa relação com a imprensa local, favorecendo a visibilidade das pautas de reivindicação da categoria mobilizada. De acordo com seu depoimento, a greve era o último recurso utilizado pelo sindicato, mas isso só ocorria quando a capacidade de diálogo com o governo havia extrapolado sem que o canal de negociação fosse aberto. Nesse caso, a greve servia como instrumento de pressão para forçar um acordo entre as partes. Mattos (2009a, p. 27) parte de uma análise da relação entre classe trabalhadora e o capital como época de grandes derrotas que se acentuaram no Brasil, na década de 1990, sintetizada numa maior precarização das relações de trabalho, aumento das taxas de desemprego, agravamento das condições de existência, tendo como consequência: “Do ponto de vista da subjetividade coletiva [...] o recuo do sentimento de pertencimento a um coletivo social [...] e da identificação com os projetos de transformação social orientados por uma perspectiva de classe trabalhadora [...].” (MATOS, 2009a, p.17). Fragmentação tanto nas relações de trabalho, como no nível da consciência de classe.

O relato de Batista é sintomático sobre esse recuo do sentimento de pertencimento a uma classe, ao analisar as conquistas que os professores tiveram a partir das greves. Ele destaca a valorização do vencimento de quem tem titulação garantida a partir da conquista do PCCs dos docentes.

[...] Aqui na Universidade Estadual do Piauí, você tem a questão da remuneração como um incentivo a uma política de qualificação. O professor sabe que ele todo ano vai receber um aumento salarial, que poderá ser grande, razoável, pequeno, vai depender do poder de mobilização daquele ano, mas o professor também sabe que ele pode lhe conceder um aumento de 30% saindo para fazer o mestrado. O professor mestre pode conceder um aumento de 50% saindo para o doutorado. Então isso depende, veja que hoje parece assim que ter um salário razoável depende muito mais de você próprio do que quem está lá no lado do Karnak, e isso só é possível porque nós tivemos uma conquista de plano de carreira que permite com que a gente

enxergue essa possibilidade de crescimento no vencimento com base na titulação, que gera outro ganho, que é a gente saber que somente os professores titulados hoje têm realmente a condição de concorrer aos editais de fomento à pesquisa que por consequência trará o recurso necessário para você instrumentalizar melhor o seu curso de graduação, o seu ambiente de trabalho, a sua sala, o seu laboratório. Então, quer dizer, se nós não tivéssemos um plano de carreira e um plano de carreira que a gente verificasse claramente a valorização salarial dentro da categoria, as pessoas não tinham nenhum estímulo a se qualificar e por consequência ninguém nunca ia conseguir a concorrer a editais porque nós não tínhamos a qualificação. Então a conquista do plano de carreira nosso com a introdução desses elementos eu considero também que foi uma grande conquista da ADCESP nesses anos. (BATISTA, 2013, p. 28).

É salutar que a memória individual em relação ao grupo seja construída a partir do papel que o indivíduo ocupa nele. Se ele ocupou postos de comando, sua memória vai prezar por defender a memória coletiva que deve ser consolidada em relação ao grupo, reforçando assim a coesão social do mesmo. Se teve uma participação mais distante, a tendência é o esquecimento e certo distanciamento da memória coletiva construída e preservada no grupo. A memória de Nouga C. Batista demonstra ainda que ele teve uma boa participação no grupo ao valorizar as melhorias como as conquistas da ADCESP.

Entretanto, no seu depoimento, percebemos ainda a nova cultura institucional destacada por Mancebo (2011), a do docente produtivo, competitivo e empreendedor, aquele que, através de sua titulação, vai captar recursos através dos órgãos de fomento para desenvolver suas pesquisas e criar melhores condições de trabalho para si e melhorias para seu curso, ao mesmo tempo em que capta recursos para a universidade. E a luta conjunta? E as obrigações do Estado com a universidade? Essas questões ficam camufladas na luta diária pelos editais e para concluir as metas de pesquisas. E a docência? Esta fica a cargo daqueles que ainda estão nas titulações mais baixas. Essas são algumas questões que já atingem as universidades federais e aos poucos vão tomando conta dos professores-pesquisadores das estaduais. O momento é de reflexão e atenção.

Na análise dos depoimentos, podemos identificar os principais sujeitos envolvidos com as transformações da universidade, como se percebiam como professores de nível superior e o resultado das negociações. Apontando para um fortalecimento da categoria docente e crescimento e melhoria estrutural da Universidade, bem como da valorização do salário a partir das lutas da ADCESP. É possível identificar, ainda, as marcas do projeto neoliberal na administração da universidade uma vez que a administração superior tem cobrado um professor mais produtivo e lucrativo.

Nesta análise consideramos a Associação dos Docentes como Aparelho Privado de Hegemonia, a partir da concepção de Antônio Gramsci (2010), porque a mesma é quem organiza a categoria, propõe demandas de luta, contextualiza a conjuntura, preparando o terreno para despertar os sentimentos de pertencimento do grupo e de indignação pela situação estrutural da Universidade e salarial dos docentes apresentando, assim, os motivos para a greve, ou o rompimento da “normalidade”. Os seus dirigentes agem como intelectuais orgânicos, uma vez que organizam a categoria para lutar por transformações na universidade, construindo o consenso em torno de suas demandas. Isso se dá devido à estreita relação entre os membros da diretoria da Associação e o Partido Político, uma vez que seus principais dirigentes são filiados a partidos políticos eleitorais e têm engajamento em outros grupos sociais e vivência política ativa imprimindo um caráter político às lutas dos docentes. Entretanto, não conseguiram formar quadros de intelectuais intermediários para investir na formação política do grupo. Apresentamos de forma sintética os grupos que faziam parte da