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6 POR QUE PRODUZIR EM MODELO DE SAF

6.4 Os Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e o sequestro de

O Protocolo de Quioto, acordo assinados entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos para a redução nas emissões de gases de efeito estufa (GEE), traz no seu escopo as estratégias que deverão ser adotada pelos países signatários do protocolo para que as emissões de poluentes sejam diminuídas. Classificam, também, os países segundo sua participação nas emissões em: desenvolvidos ou industrializados, no anexo I; e os subdesenvolvidos, no anexo II. Conceitua, ainda, três mecanismos de flexibilização, métodos pelos quais os países industrializados poderiam alcançar suas metas de reduzir os GEE no mínimo 5% das emissões no período de 2008 a 2012, com base nas emissões de 1990, através da compensação financeira pelas emissões reduzidas ou evitadas.

Os mecanismos de flexibilização podem ser dividas em: implementação

conjunta, método pelo qual países membros do anexo I investem em países, também, do anexo I, visando a alcançar as metas de reduções estabelecidas no artigo 3 (três), do protocolo. Comércio de Emissões, mercado onde nações que atingissem suas metas de redução nas suas emissões poderiam comercializar essas reduções das emissões certificadas excedentes. E ainda, os Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que seria o financiamento por parte dos países industrializados em projetos que reduzam a concentração dos GEE ou a compra de emissões reduzidas oriundas de projetos que tenham sido desenvolvidos em países não-industrializados.

O Protocolo de Quioto no item 5° do artigo 12 elucida sobre a internalização dos custos ambientais das atividades produtivas ou a internalização das externalidades, segundo a adoção dos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL). Neste artigo, há a elucidação de que as reduções nas emissões devem ser adicionais àquelas que naturalmente ocorreriam, ou seja, os projetos de redução devem contribuir adicionalmente ao que o ecossistema reduziria. São exemplos de MDL os planos de manejo florestal, florestamento, reflorestamento, SAF’s (MOTTA et al., 2000; NISHI et al., 2005; IPCC 2007).

O Brasil, País pertencente do anexo II, segundo classificação do Protocolo de Quioto, torna-se um alvo de possíveis investimentos, em projetos com objetivo de redução de emissões, dos países pertencentes ao anexo I da referida convenção.

Com o advento de tal mercado surgem os Certificados de Emissões Reduzidas (CER, sigla em inglês para certificate emissions of reductions), modo pelo qual uma atividade que emita carbono, na forma de CO2, para atmosfera possa garantir que suas emissões não

afetam a concentração deste gás na atmosfera, o que contribuiria para a elevação da temperatura global, através do financiamento de sumidouro deste carbono (IPCC, 2007a; IPCC, 2007b).

Os CER’s são instrumentos legais de certificação de mitigação dos efeitos do CO2 na atmosfera e possibilitando as nações que possuam grandes extensões florestais se

beneficiarem deste acordo (NISHI et al., 2005), que Margulis (1996) e Motta (2006) classificaram como instrumento de mercado. Neste cenário, o Brasil, principalmente a Amazônia, configura-se como um importante sumidouro de carbono, o que coloca a região como foco principal de investimento (MOTTA et al., 2000; MARGULIS, 2003).

As tecnologias de MDL propostos são os projetos de florestamento, reflorestamento, ou planos de manejo florestal (RODRIGUES et al., 2007), redução do desflorestamento, manejo da exploração de produtos madeireiros, uso de produtos florestais para a geração de bioenergia em substituição ao uso de combustíveis fósseis e assimilação do carbono na biomassa vegetal (IPCC, 2007; IPCC, 2007b; GOUVELLI; SOARES FILHO; NASSAR, 2010).

O sequestro de carbono seria uma forma de internalização dos custos ambientais, ou das externalidades, via MDL (BELLIA, 1996; MENDES; MOTA, 1997, MANKIW, 2002). Sob a ótica da econômica de Bem-estar, os impactos na qualidade e na quantidade de um recurso natural ou no meio ambiente como um todo pode ser classificado como externalidades, sendo subdivididas em negativas ou positivas.

Segundo Mankiw (2002), as externalidades negativas são classificadas como os prejuízos ambientais para terceiros não beneficiários da atividade produtiva promovedora do distúrbio ambiental. Já as externalidades positivas apresentam benefícios de bem-estar social e ambiental para a comunidade pelo emprego de técnicas que mitiguem os efeitos desse impacto (MANKIW, (2002); MOTTA et al., 2007).

O benefício ambiental e monetário seriam tanto de emissões reduzidas quantos de planos de reflorestamento de áreas degradadas, através de incentivo fiscal ou econômico via preço de mercado (MENDES e MOTA, 1997). Segundo Nepstad et al., 2010, no seu estudo sobre os custos e benefícios das emissões reduzidas na Amazônia brasileira, a compensação das emissões reduzidas são instrumentos capazes de viabilizar ganhos econômicos, sociais e ambientais via MDL.

Assim, as reduções compensadas nas unidades de conservação poderiam ser utilizadas nas áreas de Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanentes em propriedades

privadas, como instrumento de fomento a preservação florestal (RODRIGUES et al., 2007, SOARES-FILHO, 2010, SOARES-FILHO, 2011).

Segundo Nepstad et al., (2007), em sua análise sobre custo e benefícios das emissões reduzidas, defendem que a criação de fundos de compensação para o produtor através das análises dos custos de oportunidades das áreas e do desmatamento evitado.

Sendo assim, as propriedades seriam analisadas como empreendimentos onde os custos de oportunidades de manutenção da cobertura vegetal serão avaliados segundo o CO2 equivalente fixada na biomassa vegetal (BENTES- GAMA et al., 2005; CUOCO et. al.,

2006).

A importância na adoção destas práticas, a nível de pequeno produtor, reside na oportunidade de agregação de valor na floresta em pé ou no florestamento e reflorestamentos de novas áreas. Ou seja, como uma fonte alternativa de incentivo à preservação e à incorporação de áreas alteradas e degradas em um novo ciclo de produção.