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Os Segmentos de jovens universitários no Brasil

No documento Importância e urgência de uma revisão na (páginas 59-72)

5. Estudos sobre gerações no Brasil

5.3. Estudo de Perfil do Universitário Brasileiro (Pesquisa Quantitativa com Segmentação

5.3.3. Os Segmentos de jovens universitários no Brasil

Os pesquisadores nesse estudo (CALLIARI; MOTTA, 2012) chegaram a seis segmentos diversos entre si. O primeiro ponto a chamar a atenção é o alto número de segmentos atitudinais identificados no estudo, o que indica a diversidade desse universo (estudantes universitários naquele período). Além disso, também é relevante que cada um dos seis segmentos apresenta representatividade importante, através de seu tamanho – nenhum dos segmentos é numericamente desprezível ou mesmo ínfimo. Segundo os autores, a materialização desses segmentos aparenta indicar a capacidade de influência dos grupos sociais nesse universo estudado, que pode gerar grupos maiores em suas crenças. Os segmentos resultantes da pesquisa, com seus respectivos labels e tamanhos foram: caseiros (12% da amostra), antenados (25%), bon vivants (18%), incertos (13%) e esforçados (13%), conforme demonstrado no gráfico da Figura 6:

Figura 6: Gráfico com a proporção de cada Segmento Atitudinal entre os universitários brasileiros

Fonte: Adaptado de Calliari; Motta, 2012

Através da agregação por semelhanças, o processo de segmentação permite a formação de grupos que compartilham crenças, impressões e gostos, materializando como os fatores sócio-conjunturais influenciam de fato as diferentes preferências dos

segmentos (CALLIARI; MOTTA, 2012). Abaixo, um dos exemplos dessas diferenças, resultado do processamento estatístico, baseadas no nível de concordâncias com cada um dos atributos pesquisados.

Figura 7: Concordância em cada atributo, por segmento atitudinal - parte 1 (em azul, segmentos mais relacionados com a frase, em vermelho, os menos)

Adaptado de Calliari; Motta, 2012 (% - soma das notas 4-5) (escala

de 5 pontos) Caseiros Antenados

Bon

vivants Incertos Engajados Esforçados Tenho facilidade em fazer

amizades 26 82 92 83 86 81

Gosto de estar sempre rodeado

de amigos 23 85 85 78 88 87

Acho que ter sucesso na vida só

depende de mim 43 89 82 70 77 76

Pretendo um dia ter meu próprio

negócio 37 71 85 76 67 78

Não vivo sem internet 61 88 81 64 36 70

Nos momentos de lazer, busco

aventura e diversão 23 78 89 59 80 55

Nos momentos de lazer, prefiro

descansar 62 45 92 55 60 66

Procuro me cercar de todas as

novidades tecnológicas 36 85 81 57 32 63

É importante viver pelo menos um

período fora do país 53 81 75 63 50 30

Sou antenado com novidades e

tendências 33 84 75 61 37 49

Reciclo sempre que posso 62 65 76 37 80 16

Priorizo empresas socialmente

responsáveis 46 58 69 43 72 11

Falo com as pessoas mais pela

internet que pessoalmente 34 54 83 42 19 57

Meu dia a dia é cheio de riscos e

desafios 10 41 82 44 37 59

Prefiro viver o presente intensamente que pensar no futuro

29 31 83 46 45 42

Procuro expressar meu estilo através das roupas e acessórios que uso

33 41 76 47 43 32

Dizem que tenho um estilo mais

tradicional 65 40 75 26 37 27

Gosto de conhecer os lugares da

moda 33 46 79 42 20 35

Não me importo em gastar mais para ter os melhores produtos e marcas

43 56 75 31 11 33

Penso em mim antes de qualquer

coisa 35 49 72 28 19 32

Não sou controlado, adoro

comprar e gastar 33 29 82 33 19 36

Roupas e acessórios que estão

na moda são indispensáveis 30 36 81 33 12 27

É comum eu desistir/ abandonar atividades que vão tomar muito o meu tempo

Figura 8: Concordância em cada atributo, por segmento atitudinal - parte 2 (em azul, segmentos mais relacionados com a frase, em vermelho, os menos)

Adaptado de Calliari; Motta, 2012

A partir dessa análise, os segmentos podem ser descritos e detalhados, conforme caracterização abaixo:

i. Caseiros

Na média da amostra uma das características mais importantes desses jovens são a socialização e a autoconfiança, mas um de seus segmentos apresenta resultados bem mais baixos nesses aspectos. O segmento dos Caseiros é o menos autoconfiante e o menos sociável dos universitários dessa geração. “Enquanto mais de 80% dos

(% - soma das notas4-5) (escala

de 5 pontos) Caseiros Antenados

Bon

vivants Incertos Engajados Esforçados

A vida universitária é a melhor

fase da minha vida 27 65 87 44 56 62

Acabei escolhendo esse curso por impulso, não sabia ao certo o que fazer

38 10 81 40 10 12

Tive total liberdade para escolher

o curso / faculdade 49 92 83 64 96 92

Estar na faculdade foi uma grande

conquista pra mim 60 85 84 50 96 87

A vida universitária é mais

diversão que estudo 19 12 75 22 10 17

Às vezes fico em dúvida e penso

em mudar de curso ou faculdade 48 18 76 59 15 23

Sou bastante integrado com a

turma da faculdade 36 70 67 63 76 60

Vivo na companhia dos amigos de

faculdade 39 53 66 48 60 55

Passo a maior parte do tempo na

faculdade 25 34 67 38 48 54

Só faço faculdade por pressão de

meus pais 27 3 72 13 3 4

É importante estudar no exterior

por um período 30 86 73 68 53 22

Tenho certeza de que escolhi o

curso certo 37 84 76 16 89 83

Pretendo continuar estudando

após a faculdade 42 95 75 44 93 86

Sei exatamente o que quero fazer

depois de terminar a faculdade 44 81 83 10 78 81

Ser trainee é fundamental para

mim 14 59 79 28 50 21

A vida universitária é a melhor

integrantes das outras tribos afirmam ter facilidade para fazer amizades, apenas 25,8% dos caseiros dizem o mesmo” (CALLIARI; MOTTA, 2012). Assim, a grande maioria dos universitários que compõe esse segmento (74,2%), fazer amizade não é assim tão fácil. Ainda em oposição a média do estudo, eles são também os menos interessados em novidades e tendências: apenas 32,6% dizem estar antenados, contra 59,5% da média da geração. Outro ponto em que há destaque negativo é o interesse pela socialização: se 77,1% dos universitários dizem gostar de estar rodeados de amigos, somente 22,5% dos caseiros compartilham da mesma opinião.

os caseiros não se identificam com a sanha radical e extrapolada da geração por divertimento; têm uma família que cultiva valores tradicionais e, a essa segunda explicação soma-se a terceira: esse grupo é ligeiramente mais religioso do que os demais, o que pode levar-nos a assumir comportamentos mais tradicionais e menos sociais (CALLIARI; MOTTA, 2012).

Demograficamente, há maior incidência de mulheres (55,1%), e não há distinção de classe social (ou seja, esse segmento segue a composição social de toda a pesquisa), mas eles são geralmente a porção mais jovem dos universitários, entre 18 e 20 anos, e os mais dependentes dos pais financeiramente (44% não tem outra atividade além do estudo). O tema da autoconfiança aparece fortemente a concordância com a frase “acho que ter sucesso na vida só depende de mim”. Na média da amostra total, 75,4% de todos os universitários subscrevem convictos essa frase, mas um recorte apenas o segmento dos Caseiros, o índice dos que compartilham a afirmação é bem menor: 42,7%. A mesma caraterística é comprovada ao analisarmos a intenção de montar o próprio negócio: dentre os universitários pesquisados, 70,1% diziam que pretendiam um dia fazê-lo, enquanto entre os Caseiros a fatia dos que gostariam de empreender é bem menor, 37,1%. Nas palavras de Calliari e Motta (2012),

nota-se aqui um segmento que representa quase a antítese da visão estereotipada da Geração Y. Das principais características que os influenciaram, esse segmento não absorveu praticamente nenhuma. Nesse contexto, é quase como se o segmento dos Caseiros esteja aqui para lembrar que, não interessa quais sejam os estímulos a que as pessoas são submetidas, elas sempre assimilarão e reagirão a eles de acordo com suas crenças e influências pessoais.

ii. Antenados

Esse é o segmento que o estudo indica como o mais representativo, chamado de Antenados por suas características ligadas a atualização, em especial à tecnológica. Se os traços principais da geração pesquisada incluem a socialização, autoconfiança e segurança familiar, há um novo fator que explica em grande medida os componentes do segmento dos antenados: a tara desses jovens por tudo o que há de novo, sobretudo, no universo tecnológico. Enquanto 68% dos universitários da geração dizem não viver sem internet, entre os antenados o percentual chega a 88,5%. Quando a afirmação é “procuro me cercar de todas as novidades tecnológicas”, a concordância média do total do estudo é alta (61,7%), mas ainda assim é muito maior entre os antenados: 84,6%. “Sou antenado a novidades e tendências”, a relação entre total dos universitários e o grupo mais representativo é de 59,5% para 84,1%, respectivamente. Ao contrário do que se verifica entre os caseiros, aqui há maioria de homens: eles são 58,2% para 41,8% de mulheres. Há também predomínio de jovens das classes A e B, que respondem por 73% do grupo. Em oposição ao segmento dos caseiros abordados anteriormente, os antenados formam indiscutivelmente uma das tribos mais sociáveis — não ocupam o topo do ranking, mas estão no pódio: 81,9% dizem ter facilidade em fazer amizade e 85,2% gostam de estar sempre cercados de amigos. Ao lado de seu forte interesse por novidades tecnológicas, a autoconfiança faz dessa tribo a mais próxima da descrição geracional dos universitários entrevistados. A pesquisa mostra que 88,5% dos antenados dizem concordar com a frase: “Ter sucesso na vida só depende de mim”. Ou seja, os antenados são, segundo o estudo, os mais autoconfiantes dos universitários dessa geração, que tem na autoconfiança um de seus principais atributos. A disponibilidade para conviver com o diferente e ter contato com novas ideias, como se pôde notar até aqui, é uma forte característica desse grupo, traduzida pelos 80,8% dos seus membros, a parcela mais representativa entre os diferentes segmentos dos universitários pesquisados, “é importante viver pelo menos um período fora do País”. Outro interessante fator é a energia para atividades (CALLIARI; MOTTA, 2012).

De todas as tribos, é a com menos membros que dizem preferir descansar nos momentos de lazer. Na média, 62,3% têm essa predileção, mas, entre os antenados, são 44,5%. Além de divertir-se muito, ele demonstra identificar-se com o curso escolhido. Não por acaso 64,8% dizem que o período da faculdade é o melhor de suas

vidas. Os antenados formam o grupo mais convicto quanto à escolha do curso — apenas 9,9% dizem ter feito uma opção por impulso ou sem saber ao certo o que queriam fazer — e 91,8% deles afirmam que tiveram total liberdade para decidir sua área de estudo. O grupo também demonstra tremendo orgulho em estar na universidade, pois 85,2% dos seus integrantes consideram que cursar uma faculdade foi uma grande conquista. Mesmo com a notável sociabilidade dos antenados, vale destacar que, para a imensa maioria deles, a faculdade não significa mais diversão do que estudo. Pelo contrário, os antenados formam um dos grupos que maior valor atribuem ao curso. Para apenas 11,5%, a universidade é só diversão. A esse dado somamos outro, o qual mostra que o procedimento familiar nada tem a ver com a importância dada aos estudos, já que os antenados são os que dizem ter sofrido menos pressão dos pais para ingressar na faculdade: somente 2,7% afirmam isso (CALLIARI; MOTTA, 2012).

Também pretendem maciçamente continuar estudando depois da faculdade, com o que 94,5% do segmento concorda, o maior índice entre as seis tribos de universitários identificadas. “Nos antenados, talvez tenhamos os mais claros representantes dos universitários da época no país” (CALLIARI; MOTTA, 2012)

iii. Bon Vivants

“Os bons vivants personificam a faceta mais superficial dos universitários entrevistados” (CALLIARI; MOTTA, 2012). O grupo é composto majoritariamente por homens de classes socioeconômicas mais altas (60% masculino e 80% classes A e B dentro do segmento). É nesse grupo que encontramos o maior número de pessoas que dizem ter facilidade para fazer amizades (91,5%), e mais integrantes com perfil empreendedor (84,6% afirma que querem ter seu próprio negócio). Há uma aparente relação entre a posição econômica privilegiada, com os riscos inerentes ao empreendedorismo e com o consumo. Para 80,8% deles, roupas e acessórios que estão na moda são indispensáveis. Além disso, 81,5% dizem não ser controlados e adorar comprar e gastar, 74,6% afirmam não se importar em gastar mais para ter os melhores produtos e marcas, 76,2% procuram expressar seu estilo por meio de roupas e acessórios que usam. Esses índices tornam os bons vivants o segmento que mais importância dá ao consumo (CALLIARI; MOTTA, 2012).

Mas não é apenas nisso que eles se destacam. Essa tribo é [...] a mais hedonista de uma geração que já sabemos ser bastante hedonista se comparada às anteriores. Deles,78,5% gostam de conhecer lugares da moda, mais que qualquer outro grupo de universitários (CALLIARI; MOTTA, 2012).

Também demonstram ser mais autocentrados: “72,3% dos bons vivants dizem pensar em si mesmos antes de qualquer coisa, contra 40,7% na média da geração”, um claro sinal do individualismo de uma geração tão bem expressado por esse segmento. A segurança financeira possivelmente também traz outro atributo preocupante, a menor resiliência entre todos os segmentos de universitários identificados: nenhuma outra tribo tem tantos membros a subscrever a afirmação “é comum eu desistir ou abandonar atividades que vão tomar muito do meu tempo”. Expressivos 76,9% dos bons vivants declaram concordar com a frase, contra uma média de 35% dos universitários. Como pode-se esperar, grande parte dos bons vivants percebem a vida universitária como uma época favorável a satisfação pessoal hedonista. Para 86,9% deles, o período universitário é o melhor de sua vida, e 75,4% dos bons vivants dizem ser a faculdade mais diversão do que estudos. Os cursos não foram fruto de escolha acurada e sóbria: 80,8% dizem que fizeram uma opção por impulso, sem saber ao certo o que queriam, e muitos (72,3%) só fazem faculdade por pressão dos pais. Ainda assim, nenhum outro grupo de universitários vive tão intensamente o que a instituição proporciona: 66,9% passam a maior parte do tempo na faculdade; 66,2% vivem, sobretudo, na companhia de amigos da faculdade; 66,9% se dizem bastante integrados à turma da faculdade. Os bon vivants compõem um segmento bastante visível dos universitários estudados, cuja notoriedade pode provocar visão preconceituosa sobre todos os jovens de sua geração (CALLIARI; MOTTA, 2012). Carregam, sim, diversos traços pouco elogiosos, mas aqui cabe uma importante ressalva: absolutamente nada indica que esses jovens – ou qualquer outro, fique claro – continuarão com essas atitudes quando não mais forem universitários (CALLIARI; MOTTA, 2012).

iv. Engajados

Esse segmento é o segundo mais representativo da pesquisa, e é a tribo mais feminina de todas – são 60,6% do contingente dos engajados, que apresentam maior preocupação ecológica e menor relação com a tecnologia. 80,3% afirma que reciclam sempre que podem, contra uma média de 59,4% dos demais universitários, e 72,3%

diz priorizar empresas e marcas socialmente responsáveis, enquanto a média fica em 52,8%. Uma análise temporal pode provocar a sensação de que “os engajados são uma versão atualizada dos bichos-grilos que marcaram época nas décadas de 1960 e 1970. Assim como a turma paz e amor de outrora, os engajados são altamente sociáveis” (CALLIARI; MOTTA, 2012). Grande parte deles (86,1%) acredita ser fácil fazer novos amigos, o segundo segmento nesse atributo, e são os que mais gostam de estar rodeados de amigos, com 87,6%. Além da aspiração empreendedora (67,2% deles queriam abrir seu próprio negócio), 76,6% dos engajados dizem que obter sucesso só depende deles. Onde esse segmento apresenta atributos distintos da média do estudo e na relação com a tecnologia: para os engajados, conectividade e novidades tecnológicas apresentam menor importância: enquanto 68% dos universitários dizem não viver sem internet, apenas 35% dos engajados concordam com essa afirmação, o menor percentual por larga diferença. Entre eles também é baixo o número (32,1%) dos que dizem procurar se cercar de todas as novidades tecnológicas, contra uma média dos universitários de 61,7%, e dos que se importam com inovações (somente 36,5% afirmam ser antenados a novidades e tendências, contra 59,5% da média da geração). Também apresentam menor inclinação para o consumismo, ou no mínimo os que menos valor dão aos produtos de consumo – esse grupo tem crenças quase avessas às dos bons vivants nesse aspecto. Entre os engajados, apenas 10,9% diz não se importar em gastar mais para ter os melhores produtos e marcas (42,8% na média do estudo), e só 19% (contra uma média de 40,7% da geração) diz ser descontrolados e que adoram fazer compras (CALLIARI; MOTTA, 2012).

Além de menos consumistas, os engajados também são os menos hedonistas. Quando questionados se concordam com a frase “penso em mim antes de qualquer coisa”, apenas 19% dos engajados subscrevem a afirmação, bem mais baixo do que a média de 40,7% (CALLIARI; MOTTA, 2012)

Há outro sinal de maturidade dos membros desse grupo em oposição aos demais universitários, que é a resiliência: enquanto 35% dos universitários da geração dizem desistir ou abandonar atividades que vão tomar muito tempo deles, entre os engajados somente 19,7% afirmam o mesmo (CALLIARI; MOTTA, 2012).

No âmbito universitário, os engajados destacam-se em inúmeros quesitos ligados à sua independência e segurança. É entre eles que encontramos o maior número de pessoas que dizem ter desfrutado de total liberdade para escolher o curso: 96,4%. Também contam com o maior contingente de estudantes que considera o ingresso na faculdade uma grande conquista (95,6%), o que não deixa dúvidas quanto à importância que o estudo tem para eles. E no caso dessa tribo é o aprendizado mesmo, já que 89,1% afirmam ter certeza de que escolheram o curso certo e 93,4% dizem que pretendem continuar a estudar depois de concluírem a faculdade.

Eles se destacam ainda porque conseguem ser mais sociáveis que a média de uma geração notadamente gregária. Embora seja a tribo com a menor quantidade de pessoas a enxergar a faculdade mais como ponto de diversão do que de estudos, os engajados encontram muito espaço para se relacionar e até se divertir. De acordo com a pesquisa, 75,9% dos engajados afirmam estar bastante integrados com a turma da faculdade, 59,9% dizem viver na companhia de amigos da universidade e 48,2% passam a maior parte do tempo no educandário.

Entre os engajados, a classe C leva vantagem, se considerarmos a proporcionalidade dos perfis socioeconômicos dos universitários, representando 34% da tribo.

Trata-se de um segmento que é fortemente influenciado por valores eminentemente Y, como a socialização, o empreendedorismo e a preocupação socioambiental, mas muito menos influenciado pela prevalência tecnológica que marca muitos dos demais universitários brasileiros (CALLIARI; MOTTA, 2012).

v. Esforçados

O segmento batizado de Esforçados, que são 13% dos universitários pesquisados, forma a tribo menos abastada, mais ligada à família, e conta com mais mulheres do que homens: 54,6% a 45,4%. As classes C, D e E respondem por 39% da tribo, cujos integrantes foram batizados de esforçados por serem, com larga margem, os mais resilientes da geração: apenas 17,5% deles dizem desistir facilmente de um propósito que lhes tomará muito tempo, contra a média de 35% dos demais universitários. Aparentemente, a desfavorabilidade socioeconômica apresenta um papel importante para determinar a disposição desses jovens em atingir seus objetivos, além da óbvia limitação no consumo e modismos: a pesquisa mostra que 26,8% dos esforçados

consideram roupas e acessórios da moda indispensáveis, e que 36,1% dos esforçados se dizem descontrolados quanto ao consumo, próximos da média dos universitários (38,3%). Sobre gastar mais para ter os melhores produtos, 33% deles afirmam concordar com esse procedimento, contra 42,8% da média. No que tange preocupação ambiental, os Esforçados ficam atrás de qualquer outra tribo - esses temas não parecem fazer parte do seu universo de valores, já que apenas 11,3% dos esforçados dizem priorizar produtos e marcas de empresas socialmente responsáveis (frente aos 52,8% da média da amostra), e apenas 15,5% dos integrantes dessa tribo afirmaram reciclar sempre que possível, contra uma média de 59,4% na pesquisa (CALLIARI; MOTTA, 2012).

Quando o assunto é tecnologia e socialização, os esforçados têm desempenho um pouco acima da média, o que mostra o interesse em estar integrado: 62,9% procuram se cercar de todas as novidades tecnológicas, 70,1% afirmam não viver sem internet. Prova clara de que a preocupação com tecnologia e conectividade não está ligada à renda, ao contrário do que ouvimos e lemos frequentemente por aí. Também é um grupo incrivelmente social: 81,4% têm facilidade em fazer amizade e 86,6% gostam de estar sempre rodeados de amigos. No que tange à autoconfiança, eles também não devem nada a nenhuma outra tribo. Tanto que 76,3% dizem que ter sucesso na vida depende só deles e 78,4% pretendem um dia ter seu próprio negócio. No âmbito universitário, constatamos que os esforçados estão entre os que tiveram mais liberdade para escolher o curso (91,8%) e os que mais defendem a ideia de ser uma grande conquista estar na faculdade (86,6%). Vale lembrar que, das classes sociais mais baixas, muitos jovens são os primeiros de suas famílias a ingressar no ensino superior. Assim, eles não têm referências familiares que possam influenciá-los. Por isso, a maioria (61,9%) vê o período universitário como a melhor fase de sua vida. Eles também se destacam entre os que têm maior consciência da importância dos estudos, o que explica o fato de 85,6% deles pretenderem fazer novos cursos depois da faculdade. Fica claro que, embora não deixem de se divertir e aproveitem bem a fase na universidade, os esforçados sabem de sua responsabilidade. Seus estudos muitas vezes acontecem à custa de grande esforço dos demais parentes, que até abrem mão dos próprios estudos para ele fazer faculdade e, no futuro, ser a ponte que levará a família a uma condição econômica melhor. Não por acaso, 83,5% encaram a universidade muito mais como estudo do que diversão, 82,5 estão convictos de ter

escolhido o curso certo — o esforçado tem menos margem para erros — e 81,4% dizem saber exatamente o que farão ao fim da faculdade. Esse é um segmento típico do Brasil, em que jovens de origens mais humildes começam a ter oportunidades em territórios antes desconhecidos. Pela garra e vontade, esse segmento terá muitas oportunidades profissionais também para o crescimento corporativo. O grande desafio é que as faculdades que hoje os recebem sejam mais sérias e bem avaliadas, para que o mercado também perceba seu valor. E, a isso, some-se a energia e vontade de não desistir, em contraste com outros jovens dessa geração (CALLIARI; MOTTA, 2012).

vi. Incertos

O último dos segmentos identificado na pesquisa foi batizado de Incertos – um grupo que se destaca pela oposição a assertividade e convicção demonstrada em praticamente todos os demais segmentos, sobre suas escolhas.

“Os incertos, como o próprio nome sugere, são mais questionadores. Nitidamente, sentem mais a imaturidade intrínseca da idade que os demais perfis, como é possível perceber pela maneira como enxergam a vida universitária” (CALLIARI; MOTTA, 2012). Apenas 16% deles concordam com a afirmação “tenho certeza de que escolhi o curso certo”, e também apenas 9,6% concorda que sabe exatamente o que fará quando sair da universidade – resultados muito abaixo daqueles dos demais

No documento Importância e urgência de uma revisão na (páginas 59-72)