2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.5 CUSTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO
2.5.2 Outras despesas
Neste tópico serão descritas as demais despesas incidentes na importação, que se dividem em custos logísticos, bancários e demais despesas.
2.5.2.1 Custos logísticos
Destacam-se como custos logísticos todos os custos que incidem sobre a remoção da carga do domicílio do fabricante no exterior até a colocação da mercadoria na empresa do importador.
Dentre os custos logísticos incidentes na importação, Bizelli (2006) destaca: a) frete internacional;
b) seguro internacional; c) capatazia;
d) armazenagem;
e) serviço de despacho aduaneiro;
f) sindicato dos despachantes aduaneiros; g) demais despesas;
Na sequência será apresentada uma breve descrição sobre cada uma destas despesas.
2.5.2.1.1 Frete internacional
Entre os modais de transporte internacional de cargas, apresentam-se o marítimo, aéreo, ferroviário, rodoviário e multimodal. Neste tópico serão apresentados os custos que incidem nos transportes marítimos e aéreos, pois são os modais mais utilizados no comércio exterior.
O transporte marítimo é regulamentado pelo Departamento da Marinha Mercante, órgão que regulamenta todas as operações de transporte marítimo no Brasil (MALUF, 2000).
De acordo com Silva (2004), os custos que compõem o frete marítimo são:
a) frete básico: valor cobrado por peso ou volume de mercadoria sendo normalmente aplicado ao que fornecer maior receita ao armador, que é a pessoa jurídica proprietária do navio;
b) taxa para volumes pesados: aplicada a volumes que tenham peso superior a um limite estabelecido pelas companhias marítimas (em média 2 ou 3 toneladas); c) sobretaxa de combustível: percentual que incide sobre o frete básico para cobrir os gastos de combustível;
d) sobretaxa por congestionamento: é cobrada nos portos onde há demora na atracação, e em determinados casos, o valor chega a mais de 30% do valor do frete;
e) adicional de porto: é cobrado quando a mercadoria embarca ou desembarca em porto considerado secundário ou fora de rota;
f) ajuste cambial: países de instabilidade monetária onde ocorrem repentinas desvalorizações da moeda no qual o frete é cobrado, assim os armadores estipulam uma taxa, que funciona como fator de correção monetária, geralmente aplicada sobre o frete total;
g) adicional de risco contra guerra: taxa cobrada em fretes que tenham como origem ou destino áreas de iminente perigo;
h) frete não especificado: aplicado a mercadorias que não constam das tarifas de fretes.
Já no transporte aéreo as tarifas cobradas dividem-se em quatro grupos: a) tarifas gerais de carga: dividem-se em tarifas normais e de quantidade:
- tarifas de quantidade: aplicadas a produtos com peso superior a 45 kg;
b) tarifas classificadas: percentuais adicionados ou deduzidos da tarifa geral conforme o caso. Artigos que se inserem nesta tarifa são: bagagem não acompanhada, jornais, revistas, livros, catálogos, entre outros;
c) tarifas específicas: tarifas reduzidas que se aplicam a mercadorias e casos específicos. O usuário pode requerer uma tarifa específica quando transporta produtos regularmente entre dois pontos determinados;
d) tarifa Unit Load Device - ULD: tarifa específica cobrada para cargas unitizadas – containers, pallets. Essa tarifa é por unidade de carga (MALUF, 2000).
Maluf (2000) ressalta que, para quantificar o custo tanto do frete marítimo como do frete aéreo, o importador ou exportador deverá fornecer à companhia de navegação ou agente marítimo os seguintes dados:
a) mercadoria: descrição e classificação na NCM/SH; b) ponto de origem e destino;
c) peso líquido e bruto;
d) volume e peso (por unidade de embalagem) em ton. e em m³; e) embalagem;
f) valor FOB/FCA.
O que irá determinar se o custo do frete internacional será de responsabilidade do importador ou exportador é o Incoterm, pois é por meio dele que são definidas as responsabilidades de ambos. A seguir, será apresentado o seguro internacional.
2.5.2.1.2 Seguro internacional
Assim como o frete internacional, a responsabilidade do pagamento do seguro internacional irá depender do incoterm acordado entre o importador e exportador.
O custo do seguro é proporcional ao risco a que a mercadoria segurada está sujeita. O valor cobrado pela companhia seguradora é denominado “prêmio”, sendo que este corresponde a uma percentagem sobre o valor do segurado (MALUF 2000).
O prêmio seguro é fixado de acordo com a modalidade de embarque, espécie e valor da mercadoria. Para fins de cotação, deverá ser informado à seguradora:
a) descrição minuciosa da mercadoria e NCM; b) valor a ser segurado;
c) espécie e quantidade de volumes; d) modalidade de transporte;
e) país de destino
f) previsão de embarque (MALUF, 2000).
Toda mercadoria oriunda do exterior ou a ele destinada deve ser segurada. Dessa forma, evitam-se possíveis problemas futuros caso ocorra algo com a mercadoria ou embarcação. Outro custo que incide na importação é a capatazia, descrita a seguir.
2.5.2.1.3 Capatazia
A capatazia corresponde à taxa cobrada pela movimentação da carga dentro do terminal de carga, tanto em portos quanto em aeroportos.
Maluf (2000) define capatazia com a tarifa cobrada pela movimentação e manuseio de mercadorias importadas nos terminais de carga.
Segundo Bizelli e Barbosa (2002), a “tarifa de capatazia será quantificada em função do peso bruto por embalagem ou por unidade, quando embalada, e pela natureza da mercadoria”.
Conforme abordado pelos autores anteriormente, a capatazia corresponde à tarifa cobrada sobre a movimentação e manuseio de cargas, cujo valor é determinado em função do peso da mercadoria. Em seguida será descrita a tarifa cobrada na armazenagem da mercadoria.
2.5.2.1.4 Armazenagem
A tarifa cobrada pela guarda e controle da mercadoria importada ou destinada ao exterior em portos ou aeroportos alfandegados corresponde à tarifa de armazenagem.
Para Maluf (2000), a tarifa de armazenagem portuária é cobrada por mercadorias depositadas nos portos organizados independentemente da procedência da mercadoria. Já a armazenagem aeroportuária é devida pela guarda e controle das mercadorias importadas nos armazéns de carga aérea.
A tarifa cobrada pela armazenagem será quantificada em função do valor CIF, da natureza da mercadoria e do tempo de armazenamento (BIZELLI; BARBOSA, 2002).
Conforme abordado pelos autores anteriormente, a tarifa cobrada pela armazenagem corresponde ao cuidado e controle de mercadorias. O custo do produto irá depender do seu tamanho, da natureza (mercadoria frágil, perecível) ou do tempo de armazenagem. Outra despesa que incide na importação é o despacho aduaneiro, que nada mais é do que o serviço cobrado pelo procedimento.
2.5.2.1.5 Serviço de despacho aduaneiro
O serviço de despacho aduaneiro corresponde à despesa relativa aos serviços prestados por uma empresa ou profissional autônomo para a realização do despacho aduaneiro de mercadorias para uma empresa.
Na compreensão de Maluf (2000, p. 223), dentre as atividades dos despachantes aduaneiros, destacam-se a “confecção do Licenciamento de Importação, Declaração de Importação, pagamento de fretes, acompanhamento da chegada da carga, despacho aduaneiro, entre outras”.
A maioria das empresas contrata a prestação de serviço para o despacho aduaneiro de suas mercadorias, contratando empresas especializadas para desempenhar tal função.
Segundo Bizzelli (2006), tanto o despachante aduaneiro quanto seu ajudante poderão contratar livremente seus honorários, sendo que em alguns casos, os profissionais seguem a tabela de honorários sugerida pelos seus sindicatos de classe.
A principal função do despachante aduaneiro é a nacionalização ou desnacionalização de mercadorias de acordo com as normas estabelecidas pela Secex, RFB e demais órgãos intervenientes (SÁ, 2012).
O artigo 1º do Decreto 646/92 de 09 de setembro de 1992 destaca como as principais funções exercidas pelo despachante aduaneiro:
a) preparação, entrada e acompanhamento da tramitação e de documentos que tenham por objeto o despacho aduaneiro;
b) assistência à vistoria física da mercadoria;
c) assistência à retirada de amostras para exames técnicos e periciais; d) recebimento de bens ou mercadorias desembaraçadas;
e) solicitação de vistoria aduaneira; desistência de vistoria aduaneira;
f) subscrição de documentos que sirvam como base para o despacho aduaneiro; g) ciência e recebimento de intimações, notificações, autos de infração, de despacho, de decisões e dos demais atos dos termos processuais relacionados com o procedimento fiscal;
h) subscrição de termo de responsabilidade (FREITAS, 2011).
Existem profissionais que atuam na área de comércio exterior, mais precisamente os despachantes aduaneiros que são filiados a sindicatos. O objetivo dos sindicatos é fortalecer a classe e ajudar na qualificação destes profissionais.
Ao se filiar a estes sindicatos os despachantes visam obter garantias quanto à assessoria técnica na área de comércio exterior, apoio estratégico, cursos, treinamentos, entre outros.
Na afirmação de Luna (2000, p. 136), “ao finalizar o seu trabalho, o despachante aduaneiro apresenta uma nota discriminativa de todas as despesas incorridas, sobre os quais acrescenta uma percentual como remuneração pelos seus serviços e mais um valor fixo como contribuição para o sindicato dos despachantes aduaneiros”.
Conforme forem as condições e necessidades da empresa, esta decide por terceirizar os serviços de despacho aduaneiro ou não, o que vai depender do porte da empresa e da quantidade de importações que são realizadas. Algumas empresas por contratarem estes serviços assumem a responsabilidade por pagar os seus sindicatos. Outras despesas que incidem na importação são as despesas bancárias apresentadas adiante.
2.5.2.2 Despesas bancárias
O câmbio é uma operação financeira que consiste na troca de moeda de um país pela de outro. No ato do fechamento do câmbio, automaticamente são cobradas algumas tarifas bancárias.
Segundo Bizzelli (2006), as tarifas bancárias são negociadas com os bancos que realizam operações de câmbio tanto de importação, quanto de exportação. Essas tarifas podem ser fixas ou variáveis.
No ato do fechamento do câmbio são cobradas as seguintes tarifas: a) por emissão de swift;
b) por edição de contrato;
c) por liquidação de contrato (VIEIRA, 2006).
Quando o pagamento é efetuado através de Carta de Crédito, tem-se mais uma tarifa, que é por emissão de Carta de Crédito.
De acordo com o que foi abordado anteriormente, ao fechar um contrato de câmbio de importação, o importador deverá pagar ao banco algumas tarifas que correspondem aos serviços oferecidos pelo banco para a realização do referido câmbio. Na sequência apresentar-se-ão outras despesas incidentes em uma importação.
2.5.2.3 Demais despesas
Dentre as outras despesas que incidem na importação, destacam-se o frete e o seguro interno, que são de responsabilidade do importador caso o Incoterm negociado assim o determine.
Segundo Bizelli (2006), outros custos poderão incorrer ainda sobre a importação de mercadorias, tais como frete e seguro interno no país ou outras despesas de natureza financeira.
Vazquez (2003) ressalta que o custo dessas despesas poderá variar de acordo com o valor da importação, peso e local de entrega da mercadoria.
Pode-se concluir que, além dos custos que obrigatoriamente incidem sobre as importações, exigem-se outras despesas que também podem onerar o importador, como o seguro e o frete interno, além de outras tarifas e/ou taxas cobradas pela prestação de serviços, como é o caso da tarifa cobrada pela liberação do conhecimento de embarque ou de sua desconsolidação. Para melhor entendimento, a seguir apresentam-se em forma de planilha os principais custos que compõem uma importação.