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1.5.1 – Para um processo avaliativo credível e útil

Fernandes (2009) defende que a sociedade em geral e as comunidades em particular precisam de escolas e de professores que vejam a avaliação e a prestação de contas como uma oportunidade para refletirem e repensarem os seus projetos e as suas práticas. Por isso é imprescindível que na escola a avaliação seja um processo consensualizado, democrático e transparente de recolha de informação relativa aos diferentes componentes do sistema escolar, nomeadamente sobre o desempenho dos professores. Só assim a avaliação pode ajudar a conhecer e a compreender melhor a realidade da escola, para que possa ser transformada e melhorada, a fim de cumprir a sua função.

A ADD não pode transformar-se num mero procedimento de controlo burocrático- administrativo, mas deve ser um poderoso e exigente processo de regulação e de melhoria (Fernandes, 2009). Claro que não se pode ter a pretensão de se avaliar tudo, por isso a avaliação deve centrar-se no que é mais estruturante e fundamental, regendo-se pela simplicidade. A transparência de procedimentos, através da definição de critérios, livremente negociada e aceite por todos os intervenientes facilita o processo e torna-o mais célere. Assim, pode afirmar-se que “o rigor, a adequação ética, a exequibilidade e a utilidade, são critérios que devem orientar todo o esforço de avaliação” (Fernandes, 2009:22), estando dependentes dos níveis de participação e envolvimento dos professores e demais intervenientes no processo. Acrescenta Fernandes (2008: 24) “ O processo de avaliação tem de ser desenvolvido por pessoas credíveis e respeitadas pelos avaliados” para que possam ser aceites e reconhecidas as suas competências. Para que a avaliação seja credível deve basear-se em critérios claros e em processos e fontes de informação diversificados, capazes de traduzirem uma imagem o mais fiel possível do que se está a avaliar. Também Trindade (2007) defende

que o projeto avaliativo deve ter subjacente a validade (adequabilidade e utilidade da informação recolhida segundo os parâmetros a avaliar) e fidelidade (a informação deve traduzir de facto a prática pedagógica do docente avaliado) na construção de um processo justo e confiável, que contribua efetivamente para o desenvolvimento profissional de todos os docentes envolvidos.

Adaptando os princípios defendidos por Nolan e Hoover (2004), Trindade (2007) aponta oito princípios para que a qualidade do sistema de avaliação de desempenho seja assegurada: a avaliação deve possuir uma natureza compreensiva, abrangendo todas as tarefas associadas ao desempenho dos professores; deve basear-se em informações de vária natureza, permitindo a confiabilidade; a avaliação sumativa deve ser feita por avaliadores qualificados; o sistema educativo deve proporcionar a todos os professores igualdade de oportunidades para o seu desenvolvimento profissional; o processo de construção e desenvolvimento do sistema de avaliação deve ser aberto e participado por todos os intervenientes; os procedimentos utilizados devem assentar em juízos profissionais, com conhecimento de causa sobre o processo ensino- aprendizagem e do contexto onde o desempenho se desenvolve; devem ser respeitados os direitos dos professores e por fim, os procedimentos da avaliação devem ser diferenciados segundo o posicionamento na carreira.

A construção de um sistema de avaliação de professores de elevada qualidade, para Stronge (2010), passa pela implementação de um clima construtivo segundo três elementos fundamentais: comunicação, comprometimento organizacional e colaboração. Segundo Stronge (1997: 7) cit por Stronge (2010:32) “Os sistemas de avaliação de professores devem refletir a importância fundamental de uma comunicação eficaz em cada aspecto do processo de avaliação…”, o que pressupõe uma comunicação atempada e frequente, devendo estar presente, antes, durante e após o processo avaliativo. Stronge (2010) considera importante envolver os professores na conceção do sistema de avaliação, informá-los sobre os diferentes aspetos relativos ao processo de avaliação e proporcionar-lhes formação contínua sobre a temática, para que professores e avaliadores o potencializem e utilizem adequadamente. Defende ainda a comunicação bilateral, entre avaliado e avaliador, tendo subjacente diferentes propósitos: documentar o desempenho para a tomada de decisões, informar os professores acerca do seu desempenho e motiva-los para atingirem níveis mais elevados. Uma boa comunicação entre avaliado e avaliador é imprescindível para resolver problemas, desenvolver estratégias e definir objetivos.

O comprometimento organizacional para com a avaliação de professores, é também uma condição primordial para que esta tenha reflexos positivos na melhoria do ensino e da aprendizagem dos alunos. Refere Mclaughlin (1990: 403) cit. por Stronge (2010: 33) “ o estabelecimento de uma cultura de avaliação de professores é

fundamental para implementar e sustentar um programa de avaliação significativo”, o que implica valorizar e apoiar a avaliação de professores como uma iniciativa significativa e válida. Isto implica, segundo Stronge (2010), defender como prioridade da escola, um ensino de excelência; disponibilizar tempo para a implementação de procedimentos eficazes de avaliação de professores, e atribuição de recursos para apoiar o processo de avaliação (especialistas curriculares para apoiar os professores, formação, entre outros). Se os órgãos de gestão encararem a avaliação como um processo dinâmico e evolutivo, esta tornar-se-á capaz de “responder às necessidades organizacionais e às de cada professor” (Stronge, 2010: 34).

A colaboração entre os elementos envolvidos no processo avaliativo é uma forma de manter a confiança no próprio processo, tornando-se crucial a apropriação por parte de todos os participantes do sentido da avaliação, o que implica o seu envolvimento na conceção e implementação da mesma (idem). Segundo McaLaughin (1990: 406) cit. por Stronge (2010: 34):

“… A exclusão dos professores do processo acaba por perpetuar uma separação entre administradores e docentes (eles e nós), que é, muitas vezes, fatal para a avaliação de professores e reforça uma visão da avaliação que não tem em consideração o conhecimento profissional dos professores nem as realidades das salas de aula.”

Hadji (1994) refere que se compreendermos que a essência da avaliação não é medir mas é a capacidade de nos distanciarmos da ação quotidiana para fazer o ponto da situação em relação às intenções ou aos projetos, a avaliação pode ser posta ao serviço de uma ação mais eficaz. No entanto é importante o avaliador considerar algumas armadilhas que podem comprometer a avaliação: a armadilha do “objetivismo” que conduz a que o avaliador esqueça que a avaliação é uma leitura orientada para a produção de um juízo sobre determinado objeto e se fixe na captação de um objeto mensurável, segundo algumas dimensões objetivas; a armadilha do “autoritarismo”, que leva o avaliador a abusar do poder e a impor uma ordem às características da avaliação; a armadilha do “tecnicismo”, valorizando soluções técnicas na resolução das dificuldades, associando competências instrumentais a um bom avaliador, e a armadilha da “embriagues interpretativa” quando o avaliador acredita que tem capacidade para saber tudo sobre tudo e que está qualificado para opinar sobre determinada situação. O avaliador deve ter o estatuto ”de um navegador, que não passa de um auxiliar na orientação do processo” (Hadji, 1994:183), capaz de dominar competências precisas,

como, determinar objetivos, construir sistemas de referência e de interpretação, reunir e utilizar instrumentos adequados de observação e comunicação. Deve ter determinadas características pessoais das quais se destacam, sobriedade, humildade, respeito pelos outros e modéstia para se precaver contra a pretensão de saber tudo (Hadji, 1994).

Também Casanova (2009) defende que o avaliador deve ter algumas características profissionais e pessoais, para que o processo avaliativo seja realizado num clima de aceitação e reconhecimento, não só do avaliador, mas também do próprio processo. Preconiza a formação específica no campo da avaliação, nomeadamente sobre métodos e instrumentos de investigação, no que se refere à observação, análise de conteúdos e interpretação de dados. O avaliador deve ser um professor reflexivo “na e sobre a acção” (Schón, 1992, cit. por Casanova 2009,s.p.) devidamente fundamentado pela teoria e alicerçado na prática. Deve ter competências específicas da disciplina lecionada pelo avaliado, principalmente sobre planificação, gestão curricular, métodos e técnicas de ensino e competências transversais que versem a avaliação das aprendizagens. Deverá conhecer o contexto onde o avaliado exerce a sua profissão e deve ser dotado de algumas características pessoais: tenha poder negocial, seja delicado, respeite o trabalho dos outros, seja capaz de aceitar as lacunas e mudanças no processo de avaliação, tenha uma atitude positiva face à avaliação e seja capaz de manter uma relação de equilíbrio com o avaliado. Com estes requisitos, o avaliador poderá contribuir para que o objetivo da avaliação seja alcançado, ou seja, a melhoria da profissionalidade docente e com ela a qualidade do ensino (Trindade, 2007, cit. por Casanova, 2009).

Podemos afirmar que a construção de um processo de avaliação credível e de qualidade exige determinadas premissas subjacentes ao processo, que passam pela organização escolar a diferentes escalas, pela construção e implementação do processo e pelo avaliador, numa interligação entre os vários constituintes. É importante estabelecer uma cultura de avaliação de professores por parte da organização escolar, dando-lhe significado, esclarecendo, apoiando e facilitando a implantação do processo. O processo deve ser simples, transparente, negociado, capaz de envolver todos os intervenientes, onde impere a comunicação e colaboração. O avaliador deve ser um elemento capaz de dominar competências específicas no campo da avaliação e no campo profissional e científico, para além de apresentar determinadas características pessoais, tornando-o reconhecido e respeitado pelos seus pares no desempenho da sua função.

1.5.2 – Os procedimentos

Segundo o Decreto Regulamentar 2/2008 de 10 de Janeiro, são intervenientes no processo de avaliação o avaliado e os avaliadores. Estes são o coordenador de departamento, podendo delegar as suas funções no professor titular; o presidente do conselho executivo ou o diretor, podendo delegar funções noutro elemento da direção (art.12)) e a comissão de coordenação da avaliação de desempenho. A comissão é formada pelo presidente do conselho pedagógico, que a coordenada e por quatro membros do mesmo conselho, desde que tenham a categoria de professor titular.

A comissão de coordenação de avaliação de desempenho tem como principais funções estabelecer diretivas para aplicação objetiva e coerente do processo avaliativo tendo em conta os objetivos fixados e os resultados a atingir pelo agrupamento de escolas ou escola não agrupada no âmbito do projeto educativo ou do plano de atividades, devendo ainda validar as menções de Excelente, Muito Bom ou Insuficiente (art.13). Os avaliadores devem preencher instrumentos de registo normalizados, elaborados e aprovados pelo conselho pedagógico da escola ou agrupamento de escolas (art. 6), segundo os domínios a que corresponde a avaliação.

A avaliação efetuada pelo coordenador de departamento ou a quem delegar funções, incide sobre a qualidade científico-pedagógica do docente, tendo por base os seguintes parâmetros (art. 17, ponto 1):

a) Preparação e organização das actividades lectivas; b) Realização das actividades lectivas; c) Relação pedagógica com os alunos; d) Processo de avaliação das aprendizagens dos alunos.

A avaliação efetuada pelo órgão de direção executiva, os indicadores de classificação pondera o seguinte (art.18):

a) Nível de assiduidade, b) Grau de cumprimento do serviço distribuído c) Progresso dos resultados escolares esperados para os alunos e redução das taxas de abandono escolar, tendo em conta o contexto socioeducativo d) Participação dos docentes no agrupamento ou escola não agrupada (considerando as atividades desenvolvidos e/ou prticipadas pelo docente e que constam no projecto curricular de turma e do plano anual de actividades, Qualidade e importância da intervenção do docente para o cumprimento dos objectivos, e) Acções de formação contínua, f) Exercício de outros cargos ou funções de natureza pedagógica, g) Dinamização de projectos de investigação, desenvolvimento e inovação educativa e h) Apreciação realizada pelos pais e encarregados de educação dos alunos, desde que obtida a concordância do docente e nos termos a definir no regulamento interno da escola.

O avaliado apresenta os objetivos individuais, devendo estes resultar da

negociação entre avaliado e avaliadores no início do período de avaliação, podendo ser reformulados. Os objetivos individuais têm por referência os seguintes itens:

a) A melhoria dos resultados escolares dos alunos; b) A redução do abandono escolar; c) A prestação de apoio à aprendizagem dos alunos incluindo aqueles com dificuldades de aprendizagem; d) A participação nas estruturas de orientação educativa e dos órgãos de gestão do agrupamento ou escola não agrupada; e) A relação com a comunidade; f) A formação contínua adequada ao cumprimento de um plano individual de desenvolvimento profissional do docente; g) A participação e a dinamização: i) De projectos e ou actividades constantes do plano anual de actividades e dos projectos curriculares de turma; ii) De outros projectos e actividades extracurriculares. (art.9, ponto 2), devendo os itens ) e b) serem fixados anualmente.

A avaliação tem como referência os objetivos e metas fixadas no projeto educativo e no plano anual de atividades, os indicadores de medida previamente estabelecidas pelo agrupamento de escolas ou escolas não agrupadas quanto ao progresso dos resultados escolares esperados pelos alunos e a redução das taxas de abandono escolar. Podem ainda ser considerados os objetivos fixados no projeto curricular de turma, se a escola ou agrupamento de escolas assim o entender e se estiver fixado no regulamento interno (art.8) .

O art. 15 do Decreto Regulamentar 2/2008, define as seguintes fases no processo de avaliação:

a) Preenchimento da ficha de auto -avaliação; b) Preenchimento das fichas de avaliação pelos avaliadores; c) Conferência e validação das propostas de avaliação com menção qualitativa de Excelente, Muito bom ou de Insuficiente, pela comissão de coordenação da avaliação; d) Realização da entrevista individual dos avaliadores com o respectivo avaliado; e) Realização da reunião conjunta dos avaliadores para atribuição da avaliação final.

A calendarização das diferentes fases deve constar do regulamento interno do agrupamento de escolas, ou escolas não agrupadas (art.14).

A autoavaliação tem como principal objetivo envolver o professor no seu processo avaliativo, permitindo-lhe identificar as oportunidades de desenvolvimento profissional e ponderar o grau de cumprimento dos objetivos fixados, particularmente na melhoria dos resultados escolares obtidos pelos seus alunos (art. 16).

O preenchimento das fichas de avaliação pelos avaliadores (estas tal como a ficha de autoavaliação são modelos aprovados pelo Despacho nº 16872/2008) implica

que os avaliadores procedam à recolha de múltiplas fontes de dados que lhes permitam dar elementos relevantes de natureza informativa sobre o desempenho do docente nas diferentes dimensões em que incide a avaliação, nomeadamente (Decreto-Lei nº15/2007, art.45º, ponto3):

a) Relatórios certificativos de aproveitamento em acções de formação; b) Auto-avaliação; c) Observação de aulas; d) Análise de instrumentos de gestão curricular;e) Materiais pedagógicos desenvolvidos e utilizados; f) Instrumentos de avaliação pedagógica; g) Planificação das aulas e instrumentos de avaliação utilizados com os alunos.

O procedimento para a avaliação de desempenho docente tornou-se um processo complexo e bastante contestado, sendo referido no preâmbulo do Decreto – Regulamentar nº1 –A/de 2009 de 5 de Janeiro, os seguintes problemas: a existência de avaliadores de áreas disciplinares diferentes dos avaliados, a burocracia dos procedimentos e a sobrecarga de trabalho inerente ao processo de avaliação, quer para os avaliados, quer para os avaliadores. O referido decreto regulamentar vem estabelecer o regime transitório da avaliação de desempenho docente, culminando na publicação do decreto-Lei 75 de 2010 e o Decreto – Regulamentar nº 2/2010, trazendo alterações aos procedimentos a adotar na ADD e regulamentando o segundo ciclo avaliativo.

Os procedimentos da avaliação começam pela calendarização de todo o processo, segundo regras estabelecidas pelo poder central, devendo ser fixada pelo diretor para que todos os professores tenham conhecimento. Intervêm no processo de avaliação a comissão de coordenação da avaliação de desempenho, o júri de avaliação e o relator. O júri de avaliação, formado pelos membros da comissão de coordenação da avaliação do desempenho e pelo relator, tem como principais funções:

a) Proceder à atribuição fundamentada da classificação final a cada avaliado, sob proposta do relator; b) Emitir recomendações destinadas à melhoria da prática pedagógica e à qualificação do desempenho profissional dos avaliados; c) Aprovar o programa de formação para os docentes aos quais seja atribuída a menção de Regular ou Insuficiente; d) Apreciar e decidir as reclamações. (art.13, ponto 5).

O relator torna-se a figura de destaque no processo avaliativo. Tem como principais funções acompanhar o processo de desenvolvimento profissional do avaliado, com o objetivo de potenciar o carater formativo da ADD, cabe-lhe ainda a responsabilidade da observação de aulas (caso tenham sido requeridas), de preencher a ficha de avaliação global e de a apresentar ao júri de avaliação (art.14).

São elementos de referência de avaliação os padrões de desempenho docente, estabelecidos a nível nacional, os objetivos e metas fixadas no projeto educativo e planos anual e plurianual de atividades e os objetivos individuais, quando propostos pelo avaliado, não tendo agora carater obrigatório (art. 7).A observação de aulas é facultativa, no entanto é uma condição necessária para a obtenção da menção de Muito Bom e Excelente (a atribuição destas menções obedecem a percentagens máximas, definidas a nível central), tendo carater obrigatório para a progressão na carreira para o 3º e 5º escalão. O relatório de autoavaliação, considerado um elemento essencial para a avaliação de desempenho, visa promover a reflexão do docente sobre a sua prática pedagógica, o seu desenvolvimento profissional e as condições necessárias para a melhoria do seu desempenho (art.17, ponto1). Este aborda os seguintes itens:

a)Autodiagnóstico realizado no início do procedimento de avaliação; b) Breve descrição da actividade profissional desenvolvida no período em avaliação; c) Contributo do docente para a prossecução dos objectivos e metas da escola; d) Análise pessoal e balanço sobre as actividades lectivas e não lectivas desenvolvidas, tendo em conta os elementos de referência previstos no artigo 7.º; e) Formação realizada e seus benefícios para a prática lectiva e não lectiva do docente; f) Identificação de necessidades de formação para o desenvolvimento profissional.

A ficha de avaliação global segundo modelo aprovado pelo Despacho nº 1440/2010, sintetiza os domínios relativos às dimensões em que incide a avaliação e regista a atribuição da avaliação final. Esta é preenchida pelo relator, com base na apreciação do relatório de autoavaliação, principalmente no que concerne aos elementos de referência da avaliação e na informação registada nos instrumentos de registo do desempenho do avaliado. Os instrumentos de registo, elaborados e propostos pela comissão de avaliação, considerando os padrões de desempenho definidos a nível nacional, são aprovados em conselho pedagógico (art.10)).

O Decreto Regulamentar nº 26/2012 regulamenta um novo ciclo de avaliação e introduz alterações. Aumentam os intervenientes no processo avaliativo (o presidente do conselho geral, o diretor, o conselho pedagógico, a secção de avaliação de desempenho docente do conselho pedagógico, os avaliadores externos e internos e os avaliados (art.8)). A implantação do processo de avaliação é da responsabilidade do diretor, o conselho pedagógico aprova os instrumentos de registo e de avaliação e os parâmetros correspondentes às dimensões em que incide a avaliação. O presidente do conselho geral intervém em caso de recurso. Os restantes elementos têm um papel mais ativo no

processo. À secção de avaliação, formada pelo diretor que preside e por quatro membros eleitos do conselho pedagógico, cabe proceder à calendarização do processo da ADD em coordenação com os avaliados, aplicar o sistema de avaliação considerando o projeto educativo, construir e publicar os instrumentos de registo e aprovar a classificação final, aplicando as percentagens de diferenciação do desempenho (art.12º, ponto 2).O avaliador externo, que integra uma bolsa de avaliadores constituída por docentes de todos os grupos de recrutamento, com experiência profissional em supervisão pedagógica ou com formação especializada na área, ou em avaliação de desempenho, cabe-lhe proceder à avaliação da dimensão científico-pedagógica (art.13º). O avaliador interno, cargo desempenhado pelo coordenador de departamento curricular ou outro professor designado por este, desde que obedeça a determinados parâmetros, avalia as atividades realizadas pelo avaliado nas dimensões em que incide a avaliação, com base no projeto docente, documentos de registo e avaliação e relatório de autoavaliação (art.14º).

Os elementos de referência da avaliação continuam a ser os objetivos e metas fixadas no projeto educativo e os parâmetros estabelecidos para cada uma das dimensões aprovados pelo conselho pedagógico; para a avaliação externa os parâmetros são fixados pelo MEC (Ministério da Educação e Ciência) (art.6º).O processo de avaliação é constituído pelo projeto docente, o documento de registo de participação nas diferentes dimensões e o relatório de autoavaliação (art.16º). O projeto docente, facultativo e de periocidade anual, tem por referência as metas e objetivos delineados no projeto educativo, devendo ser alvo de análise por parte do avaliador (art. 17º).

A observação de aulas, continua a ter carater facultativo, no entanto é obrigatório para os docentes em período probatório, docentes integrados no segundo e quarto escalão da carreira docente e para os docentes que pretendam a menção de Excelente ou que tenham obtido a menção de Insuficiente (art. 18).

O relatório de autoavaliação, anual e obrigatório, continua a pretender ser um documento de reflexão sobre o trabalho desenvolvido pelo docente e deve incidir nos seguintes elementos:

a) A prática lectiva; b) As actividades promovidas; c) A análise dos resultados obtidos; d) O contributo para os objectivos e metas fixados no Projecto Educativo do agrupamento de escolas ou escola não agrupada; e) A formação realizada e o seu contributo para a melhoria da acção educativa (art. 19º, ponto 2).

A classificação final corresponde à média ponderada das pontuações obtidas nas três dimensões, tendo maior peso a dimensão “científica e pedagógica”. Esta é atribuída pela secção de avaliação do desempenho docente, após análise das propostas dos