De acordo com a Lei 11.096/2005 e os dados do Ministério da Educação (Brasil, 2017), podem participar do ProUni os estudantes brasileiros que não possuam diploma de curso superior e atendam às seguintes condições:
[...] ter cursado o ensino médio completo em escola da rede pública;
ter cursado o ensino médio completo em escola da rede privada, na condição de bolsista integral da própria escola;
ter cursado o ensino médio parcialmente em escola da rede pública e parcialmente em escola da rede privada, na condição de bolsista integral da própria escola privada;
ser pessoa com deficiência;
ser professor da rede pública de ensino, no efetivo exercício do magistério da educação básica e integrando o quadro de pessoal permanente da instituição pública e concorrer a bolsas exclusivamente nos cursos de licenciatura. Nesses casos não há requisitos de renda. (BRASIL, 2017).
Estes são os requisitos iniciais para que se possa concorrer às bolsas do ProUni. O programa se efetiva em duas fases: pelo processo regular, aos candidatos que tenham participado da edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) do ano anterior, ou pelo processo de ocupação das vagas remanescentes4, no qual se inscrevem candidatos que sejam
professores da rede pública de ensino, em efetivo exercício, em cursos com grau de licenciatura. Para esta última opção, existem outras regras distintas, como não ter sido aprovado no processo seletivo regular ou remanescente do ProUni no primeiro semestre do ano que concorre à vaga.
Em ambos os casos, antes de tudo, é necessário que o candidato que tenha realizado o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e tenha obtido notas nas provas (média das áreas do Enem) igual ou superior a 450 pontos e nota superior a zero na redação.
Para concorrer às bolsas integrais, há outro critério importante. O candidato deve ter a renda familiar bruta mensal de até um salário mínimo e meio por pessoa, ou ser candidato deficiente, professor da rede pública de ensino em efetivo exercício, sendo que essas duas últimas opções não utilizam a renda como critério de seleção.
Outro fator importante e amparado pela Lei 11.096/2005 diz respeito ao percentual de bolsas de estudo destinado à implementação de políticas afirmativas de acesso aos candidatos
com deficiência ou de autodeclarados indígenas e negros: cabe às universidades, a critério de obrigações a serem cumpridas, oferecer
[...] no mínimo, igual ao percentual de cidadãos autodeclarados indígenas, pardos ou pretos, na respectiva unidade da Federação, segundo o último censo da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. (BRASIL, 2005).
Já para concorrer às bolsas parciais de 50%, deve possuir a renda familiar bruta de até três salários mínimos por pessoa.
As IES, quando aderem ao Programa e aceitam ofertar bolsas ProUni, recebem uma contrapartida do governo. A Lei 11.096, de 13 de Janeiro de 2005, delimita, em seu Art. 8º, os seguintes esclarecimentos:
A instituição que aderir ao Prouni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005)
I – Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas;
II – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, instituída pela Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988;
III – Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991; e
IV – Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970.
§ 1º A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos sequenciais de formação específica. (BRASIL, 2005).
Este é também um dos aspectos apontados por alguns autores como controversos e conflitantes ao ProUni. Costa e Ferreira (2016), por exemplo, ao analisarem valores de isenção fiscal de algumas instituições, destacam que as Instituições de Educação Superior possuem a vantagem de ampliar sua lucratividade por meio da renúncia fiscal.
Já o aluno ProUni, após ser matriculado e com sua graduação em curso, precisa apresentar uma quantidade mínima de frequência, sendo avaliado semestralmente para manutenção da sua bolsa. Os estudantes vinculados ao ProUni são regidos pela Portaria Normativa nº 34 de 05/09/2007 / ME - que dispõe sobre procedimentos de manutenção de bolsas pelas IES participantes do programa.
Os alunos bolsistas ProUni devem apresentar aproveitamento acadêmico em, no mínimo, 75% das disciplinas cursadas em cada período letivo, não referente ao porcentual quantitativo em cada disciplina, mas relativo à soma das disciplinas cursadas.
Em caso de aproveitamento acadêmico insuficiente das disciplinas, o estudante pode apresentar justificativa junto ao setor do ProUni da IES, podendo ser autorizada a permanência da bolsa ao aluno uma única vez.
O MEC também tem desenvolvido ações de incentivo à permanência dos estudantes nas instituições. São ações muito importantes, pois muitos alunos possuem enorme dificuldade de se manter durante a realização do curso, em função de gastos com moradia, alimentação, material pedagógico etc.
Este pode ser um dos fatores de evasão dos alunos ProUni, visto que muitos não conseguem se manter financeiramente, (BROCCO, 2015). A respeito disso, cabe o seguinte esclarecimento quanto à implementação da chamada Bolsa Permanência:
A Bolsa Permanência é um benefício com o valor máximo equivalente ao praticado na política federal de bolsas de iniciação científica, destinada exclusivamente ao custeio das despesas educacionais de beneficiário de bolsa integral do Programa Universidade para Todos – ProUni.
A Bolsa Permanência destina-se a estudantes com bolsa integral em utilização do Prouni, matriculados em cursos presenciais com no mínimo 6 (seis) semestres de duração e cuja carga horária média seja igual ou superior a 6 (seis) horas diárias de aula, de acordo com os dados cadastrados pelas instituições de ensino junto ao MEC.
A referida carga horária média é calculada pela divisão entre a carga horária mínima total do curso, em horas, e o resultado da multiplicação do respectivo prazo mínimo em anos para integralização do curso e o número de dias do ano letivo, sendo este fixado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB, em 200 dias letivos. O cálculo da carga horária média é efetuado com base nos dados constantes no Cadastro e-MEC de Instituições e Cursos Superiores do Ministério da Educação. O valor da Bolsa Permanência é definido em edital publicado pela Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. (BRASIL, 2017).
Esse benefício chega a alcançar aproximadamente o valor de R$300,00 e é uma medida complementar que minimiza os problemas apontados pelos estudantes ProUni no decorrer desses anos de sua implementação.
Sena e Diógenes (2016) destacam que, a partir do primeiro semestre de 2008, os benefícios se ampliaram; o MEC celebrou convênio de estágio com a Caixa Econômica Federal (CEF) e a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), onde são ofertados estágios em suas unidades administrativas aos bolsistas ProUni.
O ProUni tem demonstrado avanços significativos no que diz respeito ao acesso de alunos oriundos de meios populares nos últimos anos. Tem se efetivado com altos índices de ofertas de bolsas:
Desde sua criação até o segundo semestre de 2014, o ProUni ofertou 2.227.038 bolsas de estudo, das quais 1.497.225 foram efetivamente ocupadas (1.049.645 integrais e 447.580 parciais). Quanto à raça, os estudantes negros representavam 50,71% dos bolsistas, seguidos por brancos que equivaliam a 45,83% e por amarelos que correspondiam a 1,77% e indígenas que representavam 0,13%. No período, registrou-se também que 10.340 pessoas com deficiência e 12.225 professores da educação básica pública foram beneficiadas pelo Programa (MEC/Sisprouni, 2014). Para o segundo semestre de 2015, está prevista a oferta de 116.004 bolsas de estudo (68.971 integrais e 47.033 parciais) em 856 instituições de todo o país (ANHAIA; NEVES, 2016, p. 20-21).
Segundo dados do Ministério da Educação (BRASIL, 2017), a previsão de oferta de bolsas para o segundo semestre de 2015 se efetivou. No ano de 2016, primeiro semestre, o total de bolsas ofertadas foi de 203.602, sendo 109.462 bolsas integrais e 94.140 bolsas parciais. Até esse referido período, o ProUni apresentou elevação nos números de bolsas ofertadas, semestral e anualmente.