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3. Estudo de caso baseado no Termo de Ajuste de Conduta firmado com as partes

3.1 Instrumentos preventivos de gestão utilizados na concessão minerária

3.1.1 Plano de Aproveitamento Econômico da jazida

À luz do art. 39 do Código de Mineração, verifica-se que a fase de lavra mineral é altamente nociva ao meio ambiente, se não for devidamente protegida, por medidas mitigadoras específicas de proteção ambiental, que devem ser compatibilizadas na concessão do título minerário.

Assim, o conteúdo de que trata o artigo 38, inciso VI do Código de Mineração quanto ao Plano de Aproveitamento Econômico – PAE da jazida deverá constar (art. 39 do CM) memorial explicativo (art. 40 do CM); projetos ou anteprojetos referentes ao método de mineração a ser adotado, fazendo referência à escala de produção prevista inicialmente e à sua projeção, à iluminação, ventilação, transporte, sinalização e segurança do trabalho, quando se tratar de lavra subterrânea, ao transporte na superfície e ao beneficiamento e aglomeração do minério, às instalações de energia, de abastecimento de água e condicionamento de ar, à higiene da mina e dos respectivos trabalhos, às moradias e suas condições de habitabilidade para todos os que residem no local da mineração, e, finalmente, às instalações de captação e proteção das fontes, adução, distribuição e utilização da água, para as jazidas de águas minerais. O engenheiro de minas responsável pelo PAE deverá requerer a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) perante o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) da localidade onde tenha

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domicílio, informando no formulário da ART o número do registro da empresa requerente da concessão de lavra no CREA onde tenha sede. (Resolução nº 257/1978 e Deliberação nº 43/1978, ambas do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - CONFEA). O não atendimento dessa exigência acarretará o indeferimento da concessão de lavra, consoante o disposto na Portaria DNPM nº 103/1983.

Em adição, o empreendedor ainda deverá: (i) apresentar, perante o DNPM, licenciamento ambiental, consoante o disposto no art. 225, inc. IV, da CF e art. 9º, inc. IV, da Lei nº 6.938/1981), (ii) requerer prévia anuência do poder concedente para ceder ou transferir o direito minerário, conforme art. 176, § 3º, da CF e art. 22, inc. I, do CM e (iii) apresentar estudo de recuperação de áreas degradadas, nos termos do art. 225, § 2º, da CF (BRASIL, 2012).

O Plano de Aproveitamento Econômico constitui um dos elementos obrigatórios de informação que deverá constar no requerimento de concessão de lavra. Informação essa que constitui um elemento fundamental para a avaliação efetiva de impacto ambiental do empreendimento minerário para a concessão das licenças ambientais, devendo o mesmo ser previamente analisado pelo DNPM, cada órgão atuando no limite estabelecido de sua competência administrativa, porém de forma articulada.

Desse modo, no momento em que a lavra for requerida mediante petição acompanhada do PAE, este também já deverá prever o estudo que contemple a Recuperação de Áreas Degradadas (RAD), que consiste basicamente no estudo técnico-econômico da lavra e do beneficiamento da substância mineral que ocorre na área pleiteada. Aprovados tais planos, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) despacha ao Ministério de Minas e Energia (MME) propondo a outorga da concessão da lavra por portaria.

Mas para isso, ainda se faz necessária a apresentação da Licença de Instalação (LI) emitida pelo competente órgão ambiental e, mesmo após a publicação da Portaria de Lavra pelo Ministério de Minas e Energia no Diário Oficial da União, exige-se a Licença de Operação (LO) para a efetiva exploração econômica da jazida. Além disso, em obediência aos comandos constitucionais previsto no arts. 170 inc. VI e 225, da Constituição Federal, consciente dos impactos da mineração sobre os ecossistemas e preocupado com a efetiva proteção desses, o legislador brasileiro também conferiu ao DNPM a competência para o exercício da fiscalização sobre o controle ambiental das atividades de mineração em articulação com os demais órgãos

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responsáveis pela defesa do meio ambiente, de acordo com o art.3º, inciso VII, da Lei nº 8.876/1994 (BRASIL, 2008).

A licença ambiental é ato administrativo vinculado à outorga da exploração mineral e de que somente o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) teria competência para ordenar a paralisação ou não da atividade mineral que causar dano ao meio ambiente. (STIFELMAN, 2005, p. 540).

Souza (1995, p. 162-163) defende a vinculação ao órgão ambiental licenciador do Plano de Aproveitamento Econômico da Jazida (PAE) aprovado pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

Na prática os órgãos ambientais exigem para instrução do procedimento licenciatório da atividade de mineração rol de documentos autenticados pelo DNPM, com informações constantes do Plano de Aproveitamento Econômico da jazida.

Como bem adverte Taveira (2003, p. 66): “[...] As questões ambientais também não são contempladas no PAE (Plano de Aproveitamento Econômico), um dos documentos necessários para se obter a concessão de lavra junto ao DNPM”.

Não se trata de conferir ao órgão ambiental a competência para decidir sobre a concessão ou não da lavra, mas sim de garantir a eficácia do licenciamento ambiental como

instrumento limitador de tolerância aos impactos ambientais (STIFELMAN, 2005, p. 540,

grifos nossos).

Afinal, não se trata de “compatibilizar” a atuação do órgão ambiental com as funções privativas do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), mas sim de se aplicar, automaticamente e mesmo antes do advento de lei complementar, a cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios imposta no art. 23, parágrafo único, da Constituição Federal e regulamentada pela Lei Complementar nº 140/2011.

Nesse sentido, é oportuno destacar que a Emenda Constitucional nº 42/2003, inseriu extensão ao art. 170, inciso VI da Constituição Federal, que dispõe sobre meio ambiente na ordem econômica, prevendo a: “defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento

diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de

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Entende-se, pois que esse inciso incorporou o sentido previsto no inciso V do § 1º do artigo 225 da CF que estabelece a possibilidade de controle da produção, comercialização e emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente. Isso quer dizer que o controle ambiental não se resume mais ao “final do tubo”, e sim pode e deve ser feito sobre a produção e os produtos, com a aplicação do Sistema de Gestão Ambiental (Produção mais Limpa, Prevenção à Poluição etc.).

Reitere-se que no que concerne às instalações e equipamentos do empreendimento minerário, há previsão expressa quanto ao dimensionamento dos mesmos no conteúdo do memorial explicativo (art. 40 do CM), que deverá ser condizente com a produção prevista no PAE, que é um elemento importante para as políticas de comando e controle, quer sob o aspecto ambiental da fonte de poluição como de fomento e aproveitamento da produção mineral, inclusive quanto às futuras ampliações do empreendimento minerário.

Na verdade, a exigência legal do prévio licenciamento ambiental para a concessão de lavra é apenas um dos vários requisitos estipulados na lei minerária (art. 3º e art. 16 da Lei nº 7.805/1989) e, mesmo com a obtenção desse, não se pode defender que o requerente possua o “direito líquido e certo” de minerar, pois o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) poderá não outorgar o título de lavra por critérios de conveniência e oportunidade

devidamente justificados.

Conclui-se, portanto, que o PAE é um instrumento de informação que tem caráter preventivo, pois complementa o Memorial de Caracterização do Empreendimento - MCE (licenciamento) como corretivo (comando e controle) no âmbito do poder de polícia administrativa dos órgãos envolvidos. Por conseguinte, o Plano de Aproveitamento Econômico - PAE da jazida constitui importante ferramenta para a gestão ambiental compartilhada, desde que devidamente utilizado à luz do princípio da cooperação.