• Nenhum resultado encontrado

3. Estudo de caso baseado no Termo de Ajuste de Conduta firmado com as partes

3.2 Instrumentos de gestão utilizados no licenciamento ambiental da atividade

3.2.4 Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta

O instituto objetiva a celeridade na preservação e restauração dos bens protegidos, bem como a inibição de futuras atividades potencialmente ofensivas ao meio ambiente, os órgãos públicos legitimados à ação civil pública ou coletiva podem tomar do causador de danos a interesses difusos e coletivos o compromisso deste adequar sua conduta às exigências legais, sob

9

PL 2732/11 – Estabelece diretrizes para a prevenção da contaminação do solo, cria a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico sobre Substâncias Perigosas e o Fundo Nacional para a Descontaminação de Áreas Órfãs Contaminadas e altera art. 8º da Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010.

Art. 7º... ... § 3º O órgão competente do Sisnama pode exigir a contratação de seguro de responsabilidade civil por danos causados ao meio ambiente ou à saúde pública ou a apresentação de fiança bancária no valor dos custos estimados do plano de intervenção para reabilitação da área.

§ 4º Havendo descumprimento do plano de intervenção para reabilitação da área, o órgão ambiental executará as garantias a que se refere o § 3º, visando custear a complementação das medidas de remediação.

63

pena de cominações a serem ajustadas, e tal compromisso tem eficácia de título executivo extrajudicial (RODRIGUES, 2006).

Desse modo, como na maioria das vezes as obrigações fixadas são de fazer ou de não

fazer, sob pena de pagamento de multa cominatória, o descumprimento do ajuste acarretará o

ajuizamento de duas ações de execução: uma por quantia certa (referente à multa) e outra específica (nos termos dos arts. 632 a 645 do Código de Processo Civil).

Quanto ao objeto, o compromisso de ajustamento de conduta pode versar sobre qualquer obrigação de fazer ou de abstenção atinente ao zelo de quaisquer interesses difusos, coletivos ou individuais homogêneos, o que inclui, basicamente: a) o meio ambiente, b) o consumidor; c) a ordem urbanística; d) o patrimônio cultural; e) a ordem econômica e a economia popular; f) interesses de crianças e adolescentes; g) quaisquer outros interesses transindividuais.

O compromisso de ajustamento não se caracteriza como contrato e nem como transação, pois inexistem concessões recíprocas. Trata-se de negócio jurídico cujo objetivo é comum, ou seja, proteger o direito transindividual, ainda que as partes tenham motivações diversas.

Consuelo Yoshida esclarece os usos adequado e integrado do instrumento:

a) dos Termos de Compromisso de Ajustamento de Conduta que os órgãos públicos estão autorizados a celebrar nas esferas da responsabilidade civil (Lei nº 7.347/85, art. 5º, § 6° – TAC) e da responsabilidade administrativa (Lei n° 9.605/98, art. 79-A e respectivo Decreto nº 6.514/08 – TCA); e

b) da composição prévia do dano ambiental, na esfera da responsabilidade penal, como condição para a proposta de transação penal pelo Ministério Público, nos processos dos juizados especiais relativos aos crimes ambientais de menor potencial ofensivo (Lei nº 9.605/98, art. 27 e 28), que são a maior parte dos crimes previstos nesta lei.

Os Termos de Compromisso de Ajustamento de Conduta (TAC e TCA) e a composição prévia dos danos para fins de transação penal são relevantes instrumentos que agilizam a reparação integral do dano ambiental mediante solução consensual dos conflitos, devem priorizar a reparação específica e utilizar com parcimônia e adequação medidas mitigadoras e compensatórias, com adoção de critérios ambientais convergentes, na medida do possível, nas três esferas de responsabilidade.

Em importante pesquisa elaborada pelo “Instituto O Direito por um Planeta Verde” em parceria com o Banco Mundial intitulada “Compromisso de ajustamento ambiental e sua execução: análise crítica e sugestões para aprimoramento”, restou consignado nas conclusões que a falta de fiscalização, a falta de critérios, a falta de uniformidade, a falta de transparência, a adoção de meras soluções imediatistas, TACs mal celebrados (falhas formais ou falta de uma visão sobre o tema), têm gerado um sério risco para o próprio instrumento do compromisso de ajustamento”.

Na pesquisa acima referida, na análise documental, por amostragem, foi verificada a tendência salutar, bem recente, que vem se firmando cada vez mais, de serem realizados TACs abarcando planejamentos e ações mais globais do que pontuais e mais preventivas do que meramente repressivas, o que representa um avanço na proteção ambiental, sobretudo porque na atuação meramente pontual os instrumentos

64

podem ter efetividade jurídica, mas nenhuma efetividade ecológica. (YOSHIDA, 2011, grifos nossos).

No sistema brasileiro da tríplice responsabilidade ambiental firmado pela Constituição Federal (art. 225, § 3º), a reparação integral do dano ambiental constitui meta prioritária comum às três esferas de responsabilidade (civil, administrativa e penal) na forma da Lei nº 9.605/1998 (arts. 27, 28 e 79-A) e respectivo Decreto nº 6.514/2008 e suas posteriores alterações. A Política Nacional do Meio Ambiente foi pioneira ao consagrar a responsabilidade

civil objetiva, que independe de culpa do poluidor, em relação aos danos ambientais e danos a

terceiros, indicando, desde então, a autonomia da responsabilidade civil em relação às responsabilidades administrativa e penal, que é afirmada posteriormente, de forma bem evidente, pela Constituição Federal (YOSHIDA, 2011, grifos nossos).

É o que se depreende da redação do art. 14, § 1º da Lei nº 6.938/1981: Sem obstar a aplicação das penalidades ”(...), é o poluidor obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade” (BRASIL, 2012).

Essa responsabilidade objetiva abarca a denominada reparação integral do dano

ambiental, que inclui a reparação específica (restauração, recuperação e compensação ecológica)

e/ou a reparação indenizatória, e abrange danos materiais e danos morais difusos, coletivos e individuais (homogêneos e simples).

E esse sistema de responsabilidade civil objetiva amplia-se sobremaneira quando é aliado à definição legal abrangente de poluição e de poluidor direto e indireto prestigiada pela Lei nº 6.938/1981 (art. 3°), e sua implementação é facilitada pela adoção dos institutos da solidariedade passiva, da obrigação propter rem, da inversão do ônus da prova, entre outros.

Com esse aperfeiçoado sistema de responsabilidade civil em prol dos interesses transindividuais, o intuito almejado é contribuir para a mudança de paradigma da tutela ambiental: desestimular, pelos custos elevados, a tutela de danos, retratada na utilização dos institutos e instrumentos de responsabilidade civil retro apontados, sem prejuízo da responsabilidade nas esferas administrativa e penal; e incentivar a tutela preventiva baseada na cultura da observância das normas ambientais que encontram fundamento de validade no

65

elogiado arcabouço constitucional brasileiro, e que é vantajosa e essencial para todos e sob todos os aspectos, em especial para a imprescindível estabilização e reversão do desequilíbrio ecológico preocupante, propiciando a sadia qualidade de vida à presente e às futuras gerações.

Assim, o objeto do TAC disciplinado pela Lei nº 7.347/1985 – Ação Civil Pública (ACP), art. 5º, § 6º, é tão somente a responsabilidade civil, abrangendo a prevenção e a reparação de danos a direitos transindividuais, não versa sobre responsabilidade penal nem administrativa, mas pode ter implicações nessas esferas.

A legislação ambiental no estado do Rio de Janeiro prevê expressamente no art. 101 § 1º, inc. IV da Lei nº 3.467/2000 o Termo de Compromisso ou o Termo de Ajustamento de Conduta Ambiental, podendo ainda o órgão ambiental exigir garantias reais ou fidejussórias para assegurar o cumprimento de obrigação pactuada.

Será objeto da pesquisa, no capítulo sobre o seguro garantia, o contrato que contempla todas as ações corretivas do empreendimento para controle de poluição do ar, água e solo, consignado no TAC firmado com o Instituto Estadual do Ambiente (INEA).

Integrando o presente estudo, o TAC firmado com a Fundação do Meio Ambiente (FATMA), órgão ambiental do estado de Santa Catarina e as empresas de mineração responsáveis pela recuperação de áreas degradadas (Anexo B) que foi homologado em juízo com o emprego de caução para garantir a execução do plano de controle e relatório do monitoramento ambiental e que será objeto de comentário jurisprudencial no Capítulo 6.