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Pressupostos da responsabilidade civil subjetiva

3 QUESTÕES RELEVANTES AO PROCESSO INDENIZATÓRIO

4.2 RESPONSABILIDADE CIVIL SUBJETIVA

4.2.1 Pressupostos da responsabilidade civil subjetiva

Entendido o conceito de responsabilidade subjetiva, agora se passa a verificar, consoante a doutrina majoritária, quais são os pressupostos para a sua caracterização.

Tal entendimento é de tão alto estima, pois é através destes fundamentos que será identificada a possibilidade de responsabilização subjetiva de um determinado ente.

180

TARTUCE, Flávio. Direito civil, direito das obrigações e responsabilidade civil. 3. ed. São Paulo: Método, 2008, v. 2, p. 452.

181

BRAGA NETTO, Felipe P. Responsabilidade civil. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 79.

182

BRASIL. Código Civil de 2002. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10406.htm> acesso em 12 abril 2009.

183

BRASIL. Código Civil de 2002. Disponível em:

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“A responsabilidade civil, na perspectiva clássica, depende, para existir, da presença simultânea de quatro elementos fundamentais: a) ação ou omissão; b) dano; c) nexo causal; d) culpa”.184

Forma parecida de se observar o tema, já que a ação ou omissão e culpa são tidos como apenas um único pressuposto, é a de que para ocorrer a responsabilização civil subjetiva é necessário ter “[...] como extremos legais: a) a existência de um dano contra o direito; b) a relação de culpa e causalidade entre esse dano e o fato imputável ao agente; c) a culpa deste, isto é, que ele tenha obrado com dolo ou culpa (negligência, imprudência ou imperícia).”185

Em linhas gerais diz-se que:

Pela teoria subjetiva, deve-se demonstrar se o agente tinha a intenção de praticar o ato danoso ou, ainda, se a conduta foi imprudente, negligente ou imperita. Tal comprovação somente é dispensável quando a lei expressamente presumir a culpa do agente, ainda que por fato de terceiro.186 (destaque no original)

Os pressupostos podem ser identificados ao se fazer uma análise do art. 186 do CC:187

a) conduta culposa do agente, o que fica patente pela expressão “aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imperícia”;

b) nexo causal, que vem expresso no verbo causar; e

c) dano, revelado nas expressões “violar direito ou causar dano a outrem”.188 (destaque no original)

Então, resta claro que “[...] a partir do momento em que alguém, mediante

conduta culposa, viola direito de outrem e causa-lhe dano, está-se diante de um ato ilícito, e

deste ato deflui o inexorável dever de indenizar, consoante art. 927 do Código Civil.”189 (destaque no original).

Desta forma, passa-se a observar um a um os pressupostos necessários para que seja caracterizada a responsabilidade subjetiva de alguém.

184

BRAGA NETTO, Felipe P. Responsabilidade civil. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 79.

185

MONTEIRO, Washington Barros. Curso de direito civil: direito das obrigações: 2ª parte: dos contratos em geral, das várias espécies de contrato, dos atos unilaterais, da responsabilidade civil. 35. ed., São Paulo: Saraiva, 2007, v. 5, p. 503.

186

LISBOA, Roberto Senise. Manual de direito civil: obrigações e responsabilidade civil. 3 ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2004, v. 2, p. 533.

187

CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa de responsabilidade civil. São Paulo: Malheiros Editores, 2005, p.41.

188

CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa de responsabilidade civil. São Paulo: Malheiros Editores, 2005, p.41

189

CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa de responsabilidade civil. São Paulo: Malheiros Editores, 2005, p.41

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4.2.1.1 Culpa e dolo

Importante na responsabilidade civil subjetiva é a identificação do pressuposto culpa ou dolo, pois este tipo de responsabilidade, como já visto, é o que depende primordialmente de conduta culposa ou dolosa.

Desta forma, deve ser entendido o que é cada uma dessas possibilidades de conduta do agente.

“Dolo é a prática intencional e deliberada de provocar dano ao interesse alheio

(animus iniuriandi)”.190 (destaque no original)

Também se pode “[...] definir o dolo como sendo a vontade conscientemente dirigida à produção de um resultado ilícito”.191

Agora devemos ter em mente o que pode ser entendido por culpa propriamente dita, sem que haja o dolo (intenção de alcançar o resultado).

“A culpa que dá ensejo à responsabilidade civil corresponde a ato voluntário, que deveria ter sido diferente”.192

Outra forma de se conceituar culpa é dizer que ela é uma “[...] conduta voluntária contrária ao dever de cuidado imposto pelo Direito, com a produção de um evento danoso involuntário, porém previsto ou previsível”.193

Importante dizer que:

A culpa pode empenhar ação ou omissão e revela-se através: da imprudência (comportamento açodado, precipitado, apressado, exagerado ou excessivo); da negligência (quando o agente se omite deixa de agir quando deveria faze-lo e deixa de observar regras subministradas pelo bom senso, que recomendam cuidado, atenção e zelo); e da imperícia (a atuação profissional sem o necessário conhecimento técnico ou científico que desqualifica o resultado e conduz ao dano).194 (destaque no original)

190

LISBOA, Roberto Senise. Manual de direito civil: obrigações e responsabilidade civil. 3 ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2004. v. 2, p. 535.

191

CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa de responsabilidade civil. São Paulo: Malheiros Editores, 2005, p.55.

192

COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de direito civil. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2005, v.2, p. 309.

193

CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa de responsabilidade civil. São Paulo: Malheiros Editores, 2005, p.59.

194

STOCO, Rui. Tratado de responsabilidade civil: doutrina e jurisprudência. 7. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2007, p. 130.

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Superado e entendidos os conceitos de dolo e culpa devemos agora observar os outros pressupostos da responsabilidade civil subjetiva, pois sem a presença de um deles a mesma não pode ser caracterizada.

4.2.1.2 Nexo de causalidade

Agora se passa a ver o que é nexo causal e qual a sua importância entre os pressupostos da responsabilidade subjetiva.

O nexo de causalidade “É o liame que une a conduta do agente ao dano. É por meio do exame da relação causal que concluímos quem foi o causador do dano. Trata-se de elemento indispensável”.195

Em outras palavras “[...] é a relação entre a conduta do agente e o dano sofrido pela vítima”.196

Este pressuposto é de fundamental importância para a caracterização da responsabilidade do agente, pois “A rigor, é a primeira questão a ser enfrentada na solução de qualquer caso envolvendo responsabilidade civil”.197

Desta forma, resta claro que a doutrina entende o nexo causal como um pressuposto primordial para a caracterização do agente que terá o dever de indenizar, sem este requisito, nenhum tipo de responsabilidade pode ser imputado a qualquer agente.

4.2.1.2.1 Excludentes do nexo de causalidade

Sendo o nexo de causalidade pressuposto indispensável para responsabilização do empregador, tanto na modalidade subjetiva como na objetiva (que será tratada posteriormente, no presente trabalho), importante saber identificar quando tal requisito não fica configurado para fins de responsabilidade civil.

195

VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil: responsabilidade civil. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2006, p. 42.

196

LISBOA, Roberto Senise. Manual de direito civil: obrigações e responsabilidade civil. 3. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2004. v. 2, p. 480.

197

CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa de responsabilidade civil. São Paulo: Malheiros Editores, 2005, p.70.

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Os principais casos em que esse pressuposto não se caracteriza podem ser principalmente “[...] os acidentes causados por culpa exclusiva da vítima, caso fortuito, força maior ou fato de terceiro”.198

O primeiro dos casos a ser visto é o da culpa exclusiva da vítima que se caracteriza quando “[...] a causa única do acidente do trabalho tiver sido a sua conduta, sem qualquer ligação com o descumprimento das normas legais, contratuais, convencionais, regulamentares, técnicas ou do dever geral de cautela por parte do empregador”.199

No que tange o caso fortuito ou força maior, diz-se que caso fortuito é um evento totalmente imprevisível e força maior um evento previsível, mas inevitável200. O art. 501 da CLT diz: “Entende-se como força maior todo o acontecimento inevitável, em relação à vontade do empregador, e para a realização do qual este não concorreu, direta ou indiretamente”.201 Como exemplo podemos vislumbrar a situação em que “[...] o trabalhador que prestando serviços em rede elétrica, vem a falecer em virtude de vir a ser atingido por um raio”.202

O último caso de exclusão do nexo causal é o fato de terceiro, usado principalmente quando adotada a responsabilidade subjetiva do empregador. “Será considerado ‘fato de terceiro’, causador do acidente do trabalho, aquele ato ilícito praticado por alguém devidamente identificado que não seja nem o acidentado, nem o empregador ou seus prepostos”.203

Para a fundamentação do fato de terceiro como excludente de nexo de causalidade “[...] o Código de Defesa do Consumidor, aqui invocado por analogia, tem previsão expressa exonerando o fornecedor da indenização pelos danos causados aos consumidores, quando

198

OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de. Indenizações por acidente do trabalho, ou doença ocupacional. 4. ed. São Paulo: LTr, 2008, p. 144.

199

OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de. Indenizações por acidente do trabalho, ou doença ocupacional. 4. ed. São Paulo: LTr, 2008, p. 145.

200

TARTUCE, Flávio. Direito Civil: direito das obrigações e responsabilidade civil. 3. ed. São Paulo: Método, 2008, v. 2, p. 568.

201

BRASIL. Consolidação das Leis do Trabalho CLT. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm> Acesso em: 26 abril 2009.

202

BELMONTE, Alexandre Agra. Curso de responsabilidade trabalhista: danos morais e patrimoniais nas relações de trabalho. São Paulo: LTr, 2008, p. 75.

203

OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de. Indenizações por acidente do trabalho, ou doença ocupacional. 4. ed. São Paulo: LTr, 2008, p. 150.

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ocorrer a culpa exclusiva de terceiros (arts. 12, § 3º, III204 e 14, § 3º, II205)”.206

Desta forma, antes de se buscar a responsabilização de alguém com intuito de reparação dos danos morais decorrentes de acidente do trabalho, deve ser feita uma análise detalhada do caso em questão, para que não se proponha uma ação em virtude de um evento onde não tenha sido caracterizado o nexo de causalidade entre o dano e a conduta do empregador, mas sim uma das excludentes do nexo causal.

4.2.1.3 Dano

O último pressuposto da responsabilidade subjetiva é o dano. Este, porém já foi tratado com cuidado no item 2.2 do presente trabalho, sendo destacado inclusive a espécie de dano que mais nos interessa, o moral.

Desta forma, para não tornar o presente repetitivo, aqui se encerra a abordagem dos pressupostos da responsabilidade civil subjetiva.