CAPÍTULO 4 – ANÁLISE DOS ELEMENTOS DE CRIATIVIDADE EMPREGADOS NA
4.1 Primeiro programa exibido no Brasil, no dia 17/03/2008
A primeira cobertura selecionada (CQC - Custe o que custar, 2008) se desenvolve em solenidades em que o presidente Lula estava presente e que tinha como objetivo entregar uns óculos de lentes escuras ao mesmo. Também chamado de “Mimo do CQC”, os óculos escuros tem um valor simbólico agregado ao programa, já que é parte da indumentária dos repórteres e apresentadores. O Processo criativo é observado no decorrer da cobertura, em que se
desenvolve narrativas paralelas utilizando alguns elementos de jornalismo, com o intuito de subverter a construção da informação em um processo de criação. Este recurso tem como objetivo, o cumprimento de missões e alcance de entretenimento. Pode-se observar também a utilização de algumas técnicas de humor, que não sendo tão usuais no jornalismo, são recorrentes no formato do programa em questão. A utilização de técnicas de humor são uma forte característica do processo criativo. Isso fica claro quando o próprio repórter Rafael Cortez faz uma breve passagem dizendo que “a primeira missão do CQC foi cumprida”, se referindo a ter conseguido entregar os óculos e convencer o presidente a usar; fato este que, além de ser algo incomum, tem também significativa ousadia, já que se trata de um chefe de Estado em um evento oficial. Dessa forma, fica perceptível uma alteração da relação dos protagonistas, já que é esperado se cumprir um desafio em que o líder da nação brasileira participa sem saber.
O Repórter Rafael Cortez demonstra atitude criativa, expondo sua capacidade desafiadora e envolvimento, tanto descobrindo novas possibilidades, quanto prevendo problemas no decorrer da cobertura, por isso, interpela um jornalista sobre os desafios a se ultrapassar para conseguir entrevistar o Presidente. Para criar identificação coletiva, Cortez solicita a populares que deem sugestões do que perguntar ao presidente Lula. Podemos citar um momento em que um operário que estava em cima de outra pessoa, e que tinha traços de fisionomia que lembravam os traços de Lula. Durante uma passagem, o repórter disse: “um momento emocionante agora o que está sendo visto aqui: o presidente Lula está encontrando o irmão desaparecido há muito tempo. Operário Lulinha, é a cara dele”. O objetivo do repórter não é a cobertura do evento principal, mas desenvolver narrativas paralelas recorrendo de algumas práticas do jornalismo e da situação em que se encontra inserido, para a partir daí, subverter a construção da informação.
No decorrer da cobertura, o repórter tem a ideia de fazer um pequeno cartaz para chamar a atenção do presidente, que está em um palco junto de outras personalidades empresariais e políticas. Um primeiro contato visual é estabelecido. A matéria é encerrada com Cortez confirmando seu interesse: “estamos muito felizes, conseguimos o nosso objetivo que era fazer o Lula receber os óculos, vestir os óculos”. Neste sentido, acreditamos que, dentro da proposta humorística pela qual a equipe se encontrava inserida e dentro do tempo e orçamento disponíveis, os mesmos conseguiram ultrapassar diversas limitações, sendo evidenciada a capacidade desafiadora no que tange o envolvimento, a capacidade expressiva e o emprego de estratégias para se chegar aos objetivos propostos na construção de uma narrativa paralela ao factual. No retorno à bancada, o apresentador Rafinha Bastos segura uma folha na mão, agradecendo ao presidente Lula. Marcelo Tas olha para uma das câmeras laterais, que ficam
mais próximas da bancada, e, em um tom de maior intimidade, envolve uma equivalência metafórica com as palavras, afirmando que o presidente ficou bem com o óculos CQC, “ficou assim ó... metal, metaleiro, metalúrgico”.
Essa proposta se consolida como um produto criativo à medida que incorpora elementos e abordagens incomuns à cobertura, como ironias e informações intertextuais que direcionam a interpretação para uma proposta humorística, empregando efeitos visuais e sonoros, superdimensionando personagens secundários e até os protagonistas da narrativa.
Para indicar reprovação à fala de um jornalista que é entrevistado, foi inserido na edição um efeito visual de martelada no rosto do mesmo, tendo um dente extraído. Um sobe som reforça a reprovação, direcionando a interpretação da audiência, sendo este um recurso recorrente durante todos os episódios e temporadas.
Figura 24. Imagem do efeito extração de dente
Com o intuito de manter o interesse do público na abordagem ousada, o repórter deixa claro o objetivo: “agora a gente vai tentar conseguir um oizinho mais íntimo do presidente”. Cortez segue tentando chamar a atenção do mesmo. Ao conseguir um tinindo, é inserido na edição um brilho no dedo polegar do presidente (Figura 25A) e a seguir, o sorriso do repórter é exagerado em um efeito que lembra a distorção denominada “olho de peixe”, em que o centro fica maior que as extremidades, dando superdimensionamento ao seu sorriso, e, ampliando a sensação de conquista (Figura 25B). Diante da dificuldade de entregar os óculos ao presidente, o repórter deixa claro o objetivo: “foi frustrada nossa tentativa de entregar os óculos para o Lula. A gente não vai desistir e a gente vai entregar o óculos para o presidente, Custe o Que Custar”. Para satirizar a amputação presente em um dos dedos na mão do presidente Lula, na edição são inseridos mais dois dedos em sua mão (Figura 25C).
Figura 25. Imagens do programa com o ex presidente Lula. Em 25A efeito de brilho sobre polegar do Presidente Lula, em 25B o efeito olho de peixe sobre sorriso do repórter Rafael Cortez e em 25C a inserção de dedos sobre a mão do Presidente Lula.
Quando o repórter consegue fazer com que os óculos cheguem ao presidente e o mesmo os veste, é inserido um efeito de desfoque circular na edição, onde só a face de Lula permanece nítida (Figura 26), seguido de um sobe som que reforça esse efeito, em uma paisagem sonora que remete ao clima de conquista, enfatizando que o objetivo foi alcançado e, com isso, sucesso da abordagem diferenciada.
Figura 26. Imagem com efeito de destaque com brilho sobre Presidente Lula
Na rubrica “Repórter Inexperiente” (CQC - Custe o que custar, 2008), questiona-se a própria atuação do repórter a partir de entrevistas com personalidades famosas. O mesmo se mostra despreparado, sendo, pois, uma construção inusitada dentro da proposta planejada. Neste episódio, que tem como entrevistada a dançarina Gretchen, observamos o esforço criativo não em torno da construção, mas da desconstrução da entrevista, em uma perspectiva que estabelece originalidade, por ser excêntrica a maneira como o repórter se comporta.
A partir desse momento, denota-se uma característica desafiadora ao manter a entrevistada envolvida por longo tempo. Somente com um bom planejamento conceitual na fase inicial do Processo Criativo é possível obter êxito. Neste caso, a informação é propositalmente desestruturada, seguindo-se por uma série de erros e situações em que a entrevistada se sente incomodada, não só com o repórter, mas com todos os membros da equipe que lá estavam presentes e não intervieram no sentido de ajudar para contribuir com a fluidez da matéria. Neste caso, não se trata de falta de criatividade, mas justamente o contrário, já que houve maior empenho no planejamento dos elementos criativos e, a partir de uma associação de ideias com inúmeros elementos procurou transmitir uma inconveniente ausência de atitude, de capacidade expressiva, crítica, e questionante, e mesmo da suposta falta de habilidade do entrevistador em explorar possibilidades, que são iniciativas intrínsecas ao ser criativo. Além dos diversos problemas de atuação, o repórter também se mostra sem habilidade para com o equipamento; característica essa oriunda de imaginação anterior e da simulação de problemas previstos, chegando-se à oportunidade de considerar que houve pensamento divergente sobre o uso padrão do microfone, em que o sensor de áudio deve ser direcionado para boca da pessoa.
Gafes estão sempre presentes na realização do conteúdo de forma inusitada, já que são utilizadas como ferramenta de desconstrução do padrão de comportamento esperado de um jornalista; um exemplo disso se encontra no momento em que o telemóvel do repórter toca enquanto a entrevistada o ensinava como fazer a entrevista, e o agravando-se o estado com a sua demora em finalizar essa situação desagradável, já que o mesmo ficou tocando na tela e isso resultava em diversos barulhos que incomodavam a entrevistada. Temas delicados são levantados em contextos e momentos inapropriados, como a participação da dançarina em filme pornográfico, criando outras associações incomuns, como a utilizada pelo repórter ao perguntar a Gretchen sobre a participação dela em filme pornô evangélico. Mais uma vez se observa o planejamento para suscitar o inusitado, mudando a representação a partir de uma associação de ideias que teve como base a combinação de dois elementos incompatíveis: a participação da dançarina em filme pornográfico e a sua atual vivência da religiosidade, já que agora ela é evangélica, portanto, seguindo princípios que não seriam muito compatíveis aos de uma atriz de filme pornô (CQC - Custe o que custar, 2008).
Situações inusitadas, que estão fora do controle do repórter, também são criadas para maximizar a tensão e o desconforto da entrevistada, como o momento em que uma pessoa abre uma porta, que estava atrás dos entrevistados para pegar algo. Não nos parece comum escolher um local de passagem de pessoas para se posicionar repórter e entrevistado, sendo portanto, mais uma escolha realizada a partir da descoberta de problemas previstos que foram inseridos propositalmente para que o roteiro seguisse em um desfecho favorável ao clímax, podendo levar a reações surpreendentes, imprevisíveis.
Quando analisamos sob o ponto de vista da atitude criativa, constatamos clara subversão da informação, já que falta atitude do repórter, que se mostra despreparado, sem fluência verbal, com capacidade expressiva bastante limitada e muito introspectivo, onde a capacidade questionante também é apagada em meio a seu envolvimento ou interesse pessoal em torno da importância de estar próximo à entrevistada, que ele se diz fã, misturando abordagem e comportamento em nível pessoal e profissional. Esta é uma proposta que demonstra uma construção de linguagem audiovisual muito simplista, onde uma câmera no tripé e um plano italiano ou inteiro, em que aparece o corpo inteiro, revela praticamente toda expressividade corporal e facial do repórter e entrevistada. O repórter tem expressão facial e corporal bastante vaga, e com falta de habilidade e conhecimento sobre o histórico da carreira da entrevistada.
Uma série de erros e situações em que há problemas com a capacidade expressiva do repórter são apresentadas, como uso inadequado da entonação, da posição corporal, de gestos, do emprego da fala e até do domínio do tema abordado e, como agravamento, o mesmo ainda
se mostra sem aptidão de manuseio do equipamento, invertendo a posição do microfone para a entrevistada enquanto ele fala ou vice e versa. O processo de sucesso na desconstrução da comunicação verbal é evidenciado até no tratamento que era dado a entrevistada: “senhora”, causando grande desconforto na mesma, já que ela tem como grande característica, a busca por sua apresentação mais ligada a jovialidade, vitalidade e sensualidade.
Essa abordagem se consolida como um Produto Criativo a medida em que se consegue revelar reações inusitadas da entrevistada diante de situações que não são esperadas. Assim se observa um reforço nessa dinâmica com fundo musical cômico, sobe sons indicando as investidas equivocadas do repórter ou o incômodo da entrevistada diante destas; trechos em preto e branco para indicar ponto não aproveitado da entrevista ou erro de gravação em um contexto que há farta descontextualização ou desvio do sentido original inicialmente proposto de abordagem. Efeitos visuais como rosto vermelho, socos, caracteres, circulo para evidênciar expressão facial ou corporal, risos e palmas ao fundo são amplamente utilizados, ampliando a sensação da audiência e redefinindo o processo de recepção do público, já que gera grande expectativa por não se saber o desfecho que se pode esperar.
Fazendo, agora, uma análise à rubrica “Proteste Já” (CQC - Custe o que custar, 2008) podemos observar que são levantadas questões polêmicas em torno de problemas sociais, tais como o desvio ou emprego irregular de dinheiro público, o questionar as autoridades e procurar- se identificar responsabilidades, exigindo mudança de postura, sugerindo compromissos para com o programa e a população. Iniciamos a identificação do Processo Criativo já na fala do apresentador Marcelo Tas, que contextualiza essa proposta dizendo: “Chegou uma hora muito séria deste programa. O Brasil é um país injusto, é um país que ainda está por se fazer, um país miserável, cheio de coisas que deveriam ser diferentes”, Rafinha Bastos complementa afirmando que vai ser cobrada a resolução de problemas de interesse público e enfatiza dizendo que essa demanda acontece do modo CQC, se referindo a uma maneira diferente pela qual as abordagens se norteiam.
Na vinheta de abertura da rubrica aparece um símbolo no céu, com características muito parecidas com a série de desenhos animados “Thundercats” na forma mais pura de intertexto. Ao observar o aviso, Rafinha Bastos começa a correr, se joga e desce rapidamente em uma haste metálica que o transporta para uma vespa gigante que tem sua cor alterada.
Figura 27. Imagens da vinheta de abertura da rubrica “Proteste Já”. Na imagem 27A nota-se a presença de um holograma no céu, em 27B o repórter aparece descendo em haste metálica e a imagem 27C mostra um videografismo de mosca gigante.
O conteúdo proposto nesta narrativa, repleta de signos, destaca uma nova combinação entre a condição de herói e repórter, construída através de uma simbologia que remete ao referido desenho animado em uma relação hipotextual2 com a característica jornalística do programa. No contexto desses elementos, podemos interpretar uma associação de ideias entre o repórter que vai fiscalizar o interesse público com o super herói das fábulas.
Assim, se observa ainda na vinheta de abertura da rubrica uma proposta que já se molda como um produto criativo havendo significativa mudança de representação e reestruturação da informação, em que componentes de humor são inseridos na notícia. O repórter também ganha elementos inusitados ao se tornar um super herói, figura de alguém que não vai somente apurar e tornar pública a informação, mas também ajudar a sociedade em uma situação que ela não consegue resolver. Todo esse planejamento cria um contexto favorável à ousadia e ao desenvolvimento do pensamento lateral, já que aqui se propõe uma reestruturação da informação com o repórter sendo também o herói, como aquele que pode ajudar.
2 Termo que designa, nas teorias da intertextualidade, um texto que é produzido a partir de outros textos e sobre
A rubrica “Proteste Já” (CQC - Custe o que custar, 2008) apresenta os problemas com a qualidade da água da cidade de São Paulo. Na proposta, o repórter Rafinha Bastos aparece inicialmente descaracterizado de membro CQC, como alguém que quer relaxar e pescar na represa Billings, que abastece mais de um milhão e meio de pessoas de acordo com apuração apresentada no início da matéria. A seguir, ele acaba pescando uma garrafa pet com um peixe dentro e então vai em busca de informação para entender como aquilo aconteceu. O presidente da ONG “Movimento de Defesa da Vida”, Virgílio Vargas, faz a contextualização da situação que ocorre no Córrego na região do Alvarenga, em Santo Amaro. O Processo Criativo tem escolhas surpreendentes, como o momento em que repórter leva um assento sanitário, coloca o mesmo em uma área de atendimento ao público da SABESP (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), desce as calças e fica sentado esperando, até que é recebido por Raul Christiano, Superintendente de Comunicação da empresa. Essa escolha inusitada, que altera a relação do repórter para com o local onde ele vai desenvolver sua atividade, cria uma narrativa paralela na própria entrevista, pois estabelece uma perspectiva associacionista entre o termo popular “aguarde sentado” (referindo-se à demora prevista de algo que, possivelmente, nem sequer vai ser solucionado) e o assento sanitário. Desta forma, inclui-se, pois, a problemática da falta de tratamento de água do esgoto, uma vez que um assento sem encanamento na sala de atendimento, além de causar profundo estranhamento naqueles que lá estavam e na audiência, permite ao repórter expressar, de forma lúdica a indignação que a população sentia. Ao criar essa associação de elementos, o planejamento criativo consegue alterar o estado das coisas, satirizando e ridicularizando a situação encontrada na sala de espera a partir de uma proposta de grande ousadia, estando, pois, a estimular a resolução de problemas por parte dos responsáveis.
Quando lançamos um olhar sob a ótica da atitude criativa, constatamos que a capacidade questionante do repórter é evidenciada em diversos momentos ao indagar e contestar informações dadas pela assessoria da secretaria de saúde, inclusive ao mostrar fotos que desmentem afirmações dadas por alguns entrevistados ligados à prefeitura.
Resta evidente a necessidade de se destacar o envolvimento da equipe no que tange a profundidade da abordagem, ao colher diversos depoimentos e cobrar explicações das autoridades responsáveis em diferentes momentos, e, principalmente, por demonstrar curiosidade e explorar mais possibilidades na resolução de problemas. Isso é evidenciado quando o repórter faz uma foto de um garoto entrevistado, imprime, coloca em um porta- retratos e entrega ao superintendente de comunicação da SABESP, Raul Christiano (Figura 28),
pedindo que o mesmo deixe em sua mesa de trabalho, estabelecendo assim uma alteração na dimensão estética da experiência.
Figura 28. Imagem do repórter segurando um porta retrato com foto de um entrevistado.
Neste caso, teve-se em conta o fato de que, ao sentar em seu escritório de trabalho, o superintendente teria de se recordar de uma “dívida” para com a sociedade e com o sujeito. Para reforçar essa sensação negativa pela falta de prazer, outra atitude questionante é externalizada em uma conduta do repórter, que entorna, supostamente sem querer, sobre a mesa do superintendente um jarro de água contaminada, coletado previamente (Figura 29).
Figura 29. Imagem do repórter entornando um jarro de água contaminada em cima da mesa do superintendente.
Este ponto também é considerado como uma marca da capacidade crítica, pois, a partir da pragmática essa relação de causa - consequência vai se estabelecer todas as vezes em que o superintendente tiver contato com qualquer tipo de água em ambiente de trabalho, já que foi criada uma memória negativa em relação a esse signo principal, reforçando, assim, o seu dever de fornecer água de qualidade para a população.
Como garantia, o repórter toma a iniciativa de dizer que vai levar uma planta que se encontrava na sala do mesmo, até que a situação seja revertida, e ainda promete cuidar da planta com água limpa, comprometendo-se a resolver o problema da água “em cinco minutos e não em cinco anos”, criando uma associação que evoca a capacidade crítica do mesmo. Ao retornar à bancada, Marcelo Tas segue dizendo que a planta está sendo bem tratada, apresentando-a ao público.
O Produto Criativo vai tomando forma junto do empenho da equipe na resolução do problema da falta de tratamento de água. A abordagem utiliza muitos elementos de subtexto na construção da narrativa, empregando uma infinidade de imagens recortadas para satirizar a falta de eficiência administrativa do órgão responsável que deveria garantir a qualidade da água. Durante a fala do especialista em saúde ambiental, José Luiz Negrão, ao mencionar sobre o risco de diarreia e outros problemas relacionados à falta de saneamento básico, na pós-produção foi adicionado um vaso sanitário em que o repórter está sentado e seu rosto recortado, criando estranhamento e gerando uma alteração arbitrária de elementos, gerando uma nova combinação, para surpreender a audiência, em um contexto em que se emprega uma crítica cômica (Figura 30).
Figura 30. Imagem do videografismo do repórter sobre assento sanitário.
Essa inserção de elementos aleatórios no cenário prossegue, dando lugar a associações que nem estabelecem relação com a verdade, como alguns dos que podem ser observados no produto: um Dinossauro ao fundo, um chapéu de Papai Noel, fezes no chão, sanguessuga sobre o pé da criança, o repórter em um caixão, um rato balançando sobre um encanamento, etc. (Figura 31).
Figura 31. Imagens de inserções de elementos aleatórios no cenário: videografismo de fezes no chão, de dinossauro ao fundo...
Com o objetivo de satirizar a contextualização e o direcionamento pelo qual o responsável pretendia envolver sua resposta, em uma estratégia que minimizaria o problema, a