CAPÍTULO 4 – ANÁLISE DOS ELEMENTOS DE CRIATIVIDADE EMPREGADOS NA
4.5 Programa 298, exibido em 16/03/2015
Na rubrica “Política” (CQC - Custe o que custar, 2015), o repórter Lucas Salles tem a missão de cobrir os protestos que aconteciam no Brasil pró e contra o governo e manifestações favoráveis ao fim da corrupção que pararam o Brasil no ano de 2015. Os desafios da cobertura em si já conferem um grande empenho e superação de obstáculos, já que se trata de um momento em que o país se encontrava dividido politicamente e muitos criticaram as coberturas da imprensa.
O programa se inicia com trechos de depoimentos de populares bastante nervosos que participavam das manifestações, evidenciando que seria necessário uma atitude desafiadora e muito empenho envolvidos na cobertura. Na sequência dos xingamentos, um dos membros que estava na manifestação diz “você está com comédia, vem aí com esse programinha[...]”, outro
complementa: “CQC meu irmão?”. Todos se mostram bastante revoltados e alguns chegam até a acusar o repórter de ser golpista, se referindo a um empenho que a imprensa teve naquela ocasião em divulgar frequentemente questões polêmicas de denúncias que envolviam o governo.
Na locação chovia e o ambiente se mostrava bastante inóspito à atitude criativa e desenvoltura do repórter, pois as pessoas envolvidas estavam bastante rudes ou grosseiras com a equipe, de forma a cercear o direito à cobertura do acontecimento. Isso é verbalizado pelo repórter: “como vocês podem ver, a situação não está muito simples, eu diria, um pouco complicado”.
O Processo Criativo é construido com muito empenho e a curiosidade em explorar novas possibilidades foi fundamental para o sucesso desta construção criativa. Para estabelecer um contexto mais favorável à cobertura, a estratégia para colher novos depoimentos foi utilizar um repórter que aparentava ter vinculação psicológica, social, cultural e histórica com a “identidade de esquerda”. Assim, o repórter Lucas Salles entrega um microfone sem identificação do programa ao produtor, que se passa por um repórter de uma TV Venezuelana (Figura 98), sendo uma construção de um personagem caricato com traços populistas; uma proposta de um estereótipo para gerar aceitação coletiva.
Figura 98. Imagem da vinheta simulando abertura de programa Venezuelano
Lucas aponta seu dedo indicador e bate no peito do produtor, expressando de maneira gestual e verbal a responsabilidade que estava sendo confiada ao mesmo de ter de cumprir a missão de conseguir fazer a cobertura (Figura 99).
Figura 99. Imagem do repórter Lucas Salles solicitando ajuda a membro do CQC
Diante dessa situação desafiadora para equipe, conseguir desenvolver um apanhado de características relacionados a Atitude Criativa foi fundamental para o sucesso da cobertura. O produtor, que parece conseguir estabelecer uma comunicação verbal em espanhol fluente (Figura 100), expõe sua atitude questionante, estimulando a manifestação da capacidade crítica das diversas pessoas que estão no protesto favorável ao governo naquele período. Para satirizar, o repórter pede depoimentos de apoio ao povo da Venezuela. Em um momento, ele cita que as pessoas do protesto são muito amáveis, ironizando a situação anterior vivida pelo repórter do CQC, Lucas Salles.
Figura 100. Imagem do produtor do CQC se passando como repórter de TV Venezuelana
Um plano geral, em que a câmera mostra o repórter oficial em outra locação, onde acontece a manifestação, dos que são contrários ao governo. A abordagem tem significativos rastros de objetividade e exatidão, apresentando questionamentos que estimulam a reflexão, com novos pontos de vista que são levantados pelo repórter demonstrando seu domínio do tema e coragem para expressar suas ideias, além da capacidade de descobrir e prever problemas ao
rebater entrevistados que manifestaram desejo contrário ao funcionamento independente dos três poderes (Figura 101).
Figura 101. Imagens do repórter Lucas Salles fazendo a passagem andando de costas para câmera, interrompido com uma corneta sobre sua cabeça e interrompido por um manifestante que joga agua nele
Para desenvolver atitudes críticas em um ambiente mais favorável, Lucas Salles pede ajuda a um americano ou alguém com sotaque de estrangeiro. A proposta é parecida com a anterior, não havendo identificação do programa na canopla do microfone (Figura 102).
Figura 102. Imagens do repórter Lucas Salles entrevistando manifestante enquanto é hostilizado e pedindo ajuda a um membro externo
A capacidade expressiva, a linguagem corporal e facial dos dois colaboradores que aceitam fazer as entrevistas para o CQC contribuíram muito, já que ambos se mostram equilibrados, amenos e persistentes, um comportamento que contrastava com os próprios manifestantes (Figura 103).
Figura 103. Imagem do componente externo ao CQC que faz olhar vago para câmera
Com atitude questionante para retratar a situação, o repórter não se intimida com comportamento destemperado de alguns entrevistados, conseguindo um registro de qualidade, que buscou diversos pontos de vista, empregando olhar vago para dessensibilizar alguns entrevistados e manter contato visual com a audiência. Pela negação de atitude ou reação, demonstrou-se também perplexidade diante das respostas. Em um momento, uma bandeira passa sobre repórter e entrevistado e a equipe continua a cobertura (Figura 104).
Figura 104. Imagem da bandeira jogada sobre colaborador do programa durante captação de depoimento
Foi adotada uma estratégia de abordagem específica para as manifestações contrárias ao governo. Para isso, empregou-se elementos que vinculam pensamentos recorrentes da direita brasileira naquele momento, como ultravalorização nacionalista, poder absoluto sobre o Estado,
uso de simbolos como a camisa da Seleção Brasileira de Futebol em atos de protesto, e, paradoxalmente, símbolos americanos, como a bandeira dos Estados Unidos e admiração por Trump.
Diversos entrevistados são questionados se possuem interesse em mudar para os Estados Unidos, empregando ironia através da contradição de ser ultranacionalista e, ao mesmo tempo, vangloriar outro país. Em um dos momentos, quando o entrevistado manda um abraço a todos os americanos, o novo repórter também dá um leve sorriso e um tchau para câmera. Para reforçar a objetividade da cobertura, o repórter Lucas encerra com a seguinte sonora e passagem: “algumas pessoas são bem radicais, outras são bem pacíficas, mas todas cumprindo com o seu poder de cidadão; Sim, de ir às ruas e dizer o que acha, lutar pelos seus ideais. Fica aqui a nossa cobertura das manifestações que pararam o Brasil”
Na volta à bancada, o âncora Dan Stulbach reforça a necessidade de fazer esse tipo de cobertura, a importância da consciência política e da relevância de se acabar com a corrupção no país. Sua fala ocupa quase dois minutos e não é empregado o uso de ironia ou termos ambíguos; e, para externalizar o empenho, envolvimento e motivação em um nível que ultrapassa o âmbito profissional, o apresentador ainda reforça que não é uma leitura de texto, mas sua manifestação.
Entretanto, mesmo com este cenário, a originalidade da proposta se inicia com o esforço do repórter em observar a dificuldade de aceitação dos manifestantes em relação à equipe CQC e do pedido de ajuda de dois colaboradores que prosseguiram com a reportagem, sem identificação do programa, criando uma dinâmica que foge do controle do repórter e, com isso, despertando o interesse da audiência em observar o desfecho. Para caracterizar as nacionalidades distintas dos repórteres, criou-se um videografismo com uma vinheta de abertura de um programa simulado, onde esses personagens seriam os jornalistas (Figura 105).
Figura 105. Imagem da vinheta de abertura da simulação de programa dos Estados Unidos
Um trabalho de videografismo identifica o nome da rubrica em uma vinheta, seguindo a mesma construção visual da abertura, com caracteres verdes em um fundo hi tech (Figura 106).
Figura 106. Imagem da vinheta de abertura da rubrica Política
A paisagem sonora segue a mesma lógica dos programas anteriores, empregando uma série de sobe sons para direcionar a interpretação da audiência, indicando aprovação ou reprovação e outros mais comuns, como sons de registro de entrada de dinheiro em caixa.
A próxima cobertura é da rubrica “Proteste Já”, em que uma clínica para tratamento de doentes químicos é suspeita de desviar verbas que deveriam ser empregadas na recuperação dos pacientes. Para externalizar a estratégia de se prever problemas e evidenciar as suspeitas, o repórter Juliano Dip explora uma possibilidade inusitada para dar mais exatidão à denúncia da cobertura, presenteando a clínica com alguns objetos, incluindo um ar condicionado que tem um localizador satélite instalado por uma empresa especializada. Com o objetivo de gerar identificação com a abordagem, a equipe faz imagens de uma placa que identifica a direção do local e ainda capta mais duas imagens de faixas (Figura 107) que ajudam a audiência ir se envolvendo e criando a construção espacial de onde se passa a cobertura e descobre outros problemas, como a venda de blocos de construção, indicando a exploração de trabalho dos internos, conforme denúncia.
Figura 107. Imagens de placa identificando trajeto, de faixa identifcando venda de material produzido por internos da clínica de recuperação e de placa indicativa da casa de recuperação
Dias após a entrega, o repórter retorna sem avisar a casa de recuperação, dessa vez caracterizado como membro CQC revelando que o ar condicionado não está no local que foi acordado ser utilizado, pedindo ao pastor que cumpra com sua palavra revelando a descoberta de outro problema: o desvio de doações para finalidades particulares.Na bancada, apresentador Dan finaliza dizendo que a prefeitura vai notificar o estabelecimento, já que o mesmo não tem alvará de funcionamento, reforçando aqui o comprometimento da equipe na resolução de problemas dessa rubrica e a motivação dos membros envolvidos, já que os mesmos foram bastante persistentes, indo diversas vezes ao local até conseguir estabelecer um flagrante de parte do problema descoberto que se passava.
A próxima cobertura é da rubrica “Proteste Já”, em que uma clínica para tratamento de doentes químicos é suspeita de desviar verbas que deveriam ser empregadas no recuperação dos pacientes. A vinheta segue o padrão das demais, utilizando os mesmos elementos visuais da vinheta principal do programa e das empregadas nas diversas rubricas (Figura 108).
Figura 108. Imagem da vinheta de abertura da rubrica Proteste Já
Observamos certa vinculação a um recurso de videografismo utilizado pelo jornalismo: no momento em que se relata o problema e aparece a imagem da denúncia, trechos dos documentos são destacados, lembrando uma caneta marca texto. Além disso, para ampliar a experiência e o entendimento da audiência é dado zoom in em uma frase reveladora ou de grande impacto (Figura 109).
Figura 109. Imagens de videografismo com destaque de informação e com efeito lupa e destaque
Além de todos os elementos já mencionados, buscamos filtrar algumas escolhas que podem ter colaborado para constituição desse Produto Criativo. Assim, observamos que para despertar o interesse no desfecho da matéria, a equipe decide instalar um localizador GPS dentro de um ar condicionado, buscando uma solução nova para um problema antigo, que neste caso é o desvio de doações. Durante a reportagem são empregadas alterações arbitrárias de elementos do cenário, adereços e objetos de cena para surpreender e manter o interesse em uma narrativa de denúncia, mas que se mantém com características de comicidade.
A inserção de elementos de videografismo contribui para construção de narrativas paralelas, como o momento em que o técnico explica o funcionamento do equipamento GPS e a mão que toca no equipamento é eletrizada, revelando os ossos (Figura 110).
Figura 110. Imagem de videografismo para dar destaque na mão do repórter
Outro exemplo dá-se durante uma explicação do repórter Juliano Dip, que se retira suas calças e substitui por um calção de dormir (Figura 111), tendo como objetivo principal entreter a partir do humor.
Figura 111. Imagem de repórter que tem parte de sua roupa modificada
De outro lado, se empregou recursos de videografismo para dar exatidão à cobertura, tal como quando aparece uma imagem de satélite e se identifica um trajeto para se observar a distância de um ponto a outro.
Figura 112. Imagem de videografismo de geolocalização com uso de imagem satétite
Outros elementos de videografismo são empregados para direcionar a interpretação da audiência sobre falas específicas. Quando o repórter questiona o pastor e o mesmo explica que ainda não instalou o ar condicionado porque está chovendo, é inserida uma nuvem com tempestade sobre o pastor e efeitos sonoros para reforçar esse clima (Figura 113).
Figura 113. Imagem da abordagem de Juliano Dip e inserção de nuvem sobre pastor
Em seguida, o pastor diz que o ar está guardado. Neste momento o nariz dele é esticado (Figura 114) fazendo uma alusão ao nariz do personagem de desenho animado e filme “Pinóquio”, que se tornou um símbolo bastante empregado para se referir ao estereótipo de mentiroso.
Figura 114. Imagem da inserção de nariz de Pinóquio sobre pastor
Dessa forma se observa o emprego de diversas estratégias para se criar uma redefinição no processo de comunicação, em um revezamento criativo que ora se inclina para objetividade e apuração de fatos, ora para informações subtextuais que externalizam humor.
A rubrica “Amigo do político” explora uma possibilidade diferente para questionar a facilidade ou dificuldade de acesso para se conversar com parlamentares. Na proposta, emprega-se uma simulação: enquanto o repórter Silvio Toledo finge entrevistar políticos, um ator com figurino social - semelhante ao que os políticos costumam estar vestidos - simula ter intimidade com os mesmos, empregando comunicação verbal e não verbal em um estereótipo de amigo íntimo, com acesso a benefícios sobre os mesmos. Nessa subversão do processo informativo é o ator que se mostra pró-ativo e com coragem para apresentar novas possibilidades aos entrevistados, como remarcar um dia para encontro, buscar uma nova solução para um problema preexistente, etc. O mesmo ainda expressa um aspecto psicológico bem-humorado, bem-intencionado, demonstrando não ter noção de estar sendo inconveniente em suas repetidas interrupções durante a entrevista; a ponto de ele mesmo começar a dar a resposta que era direcionada ao político.
O senador suplente José Aníbal (PSDB - SP) se mostra solícito aos gestos e expressões do ator em um primeiro momento, o cumprimentando e agendando um horário para conversar com o mesmo; mas ele investe em performances que irritam muito o senador, como aparecer no meio da entrevista fazendo selfie, permanecer no campo de visão da câmera (Figura 115), repetir diversas vezes o horário ou dia do encontro com o político e instigar o senador a lembrar de fatos e encontros que não ocorreram, o fazendo perder a paciência.
Figura 115. Imagens do senador suplente José Aníbal. Na primeira, o senador cumprimenta o ator que interrompe entrevista e na seguinte o ator que faz selfie durante entrevista do senador suplente José Aníbal
Para reforçar a exploração dessas possibilidades de questionamento sobre o acesso ao parlamentar, o repórter se mostra sem atitude diante da situação, com uma capacidade expressiva que não reflete o envolvimento na busca por uma boa entrevista, já que não intervém no sentido de impedir o ator de atrapalhar a entrevista, reforçando ainda mais o bom resultado da proposta, causando destempero psicológico nos entrevistados diante da situação.
Na vinheta de abertura da rubrica se observa uma construção de elementos de videografismo com o mesmo conceito visual que a vinheta inicial do programa, identificando o ator e o colocando em uma situação de proximidade e descontração junto a personalidades políticas renomadas, ampliando a compreensão da proposta (Figura 116).
Figura 116. Imagens de vinheta de abertura com montagem de ator do CQC junto de ex-presidentes, conversando com a presidenta Dilma e com o presidente dos EUA
Enquanto o repórter Silvio Toledo tenta entrevistar o deputado Federal Heráclito Fortes (PSB-PI), o ator se aproxima insistentemente e estressa muito o deputado, tentando conversar com o mesmo. Em um primeiro momento é inserido um recorte de um papagaio de pirata e logo a seguir, um outro efeito de videografismo, alterando a cor da cabeça do deputado para vermelha e com fumaça. Para ampliar ainda mais a sensação que ele sentia naquele momento,
se reforça o fundo com um sobe som que evidencia a reprovação do deputado em relação a atitude inconveniente do ator (Figura 117).
Figura 117. Imagens com o deputado Heráclito Fortes. Primeiro a inserção de passaro sobre deputado , seguida do ator que começa a dar depoimento no lugar do deputado e, finalizando com a inserção de cor vermelha e fumaça sobre deputado Federal Heráclito Fortes
Em abordagem a outro entrevistado, o senador suplente José Aníbal (PSDB - SP), a cena de intromissão e desrespeito ao entrevistado é repetida pelo ator, irritando profundamente o político após ser interrompido muitas vezes, e, quando o mesmo faz um gesto abrindo as mãos, é inserido na edição uma bola de fogo, no formato de uma pequena explosão, sendo este um emprego da alteração arbitrária de elementos familiares para surpreender. Neste contexto cabe destacar que o próprio ator é parte dessa alteração arbitrária de elementos, que não se caracteriza somente na pós-produção, mas sim dentro dessa estratégia característica do CQC de desenvolvimento de narrativas paralelas, as redefinições podem vir de qualquer parte, conferindo originalidade à proposta.
Em outro Processo Criativo, o repórter Erick Krominski apresenta o quadro “Serviço de atenção ao consumidor”. Na proposta, o cano de uma torneira residencial é desenroscado para testar a honestidade da cobrança de valores por encanadores. Dentro da busca da resolução de problemas previstos, onde se imagina como a situação vai se desenvolver, Krominski convida um encanador de sua confiança para avaliar o problema. Diversos outros profissionais são requisitados a verificar o problema e fazer um orçamento e/ou solucionar o caso. Dentro da perspectiva associacionista, a ideia de fragilidade e vulnerabilidade é reforçada com a participação de um ator que se passa por idoso, sem condição de agachar para verificar o encanamento abaixo da pia. Assim, ao se fazer a abordagem sobre qualidade e honestidade de serviços prestados por bombeiros hidráulicos, propõe-se uma nova combinação, onde se altera a relação dos protagonistas, já que a situação é parcialmente factual, havendo um ator e uma demanda criada em torno da encenação, seguindo um formato de “teste”. Neste sentido, o repórter chega de maneira inusitada ao local, se apresentando como um vigilante da opinião coletiva e fazendo críticas irônicas e empregando uso de sarcasmo ao se referir aos
procedimentos adotados pelos profissionais. Essa abordagem parece ser bastante pertinente pois é algo de interesse público e que pode dar um grande alerta para possíveis golpes.
A uniformidade de criação das vinhetas continuou a ser utilizada nesta matéria (Figiura 118).
Figura 118. Imagem da vinheta de abertura da rubrica
Observa-se emprego de videografismo para fazer alteração arbitrária de elementos familiares de modo a surpreender a audiência, tal como quando um dos encanadores cobra o valor de 180 reais para fazer um aperto em um cano, e o responsável pela edição inseriu um recorte de uma máscara ninja e um pé de cabra anexados ao encanador como se ele os portasse (Figura 119).
Figura 119. Imagem de câmera escondida e caracteres indicando valor cobrado
Simbolicamente isso representa uma associação à imagem de um ladrão num contexto onde essa transposição de personagens na realidade não existe, pois é evidente que o encanador não é um ladrão, mas age como se o fosse ao cobrar um valor absurdo pelos seus serviços. Em
outro teste da mesma rubrica, é inserida na edição uma estatueta ao lado de um entrevistado, como prêmio pela sua honestidade em explicar a situação sem cobrar por isso (Figura 120).
Figura 120. Imagem com inserção de troféu sobre entrevistado que se demonstrou honesto
Dessa forma, acreditamos que esse teste estimulou a ampla discussão pública para resolução de um problema antigo que é a honestidade dos prestadores de serviço. Para isso, foi empregada uma apresentação diferente, onde o público pode experienciar a situação que envolvia a desonestidade de alguns profissionais, já que se revelou o desvio por diversas câmeras e ainda foi complementado com uma entrevista surpresa e a chegada inesperada do repórter no local, conferindo uma boa apresentação da temática.
DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Acreditamos ter dado um grande passo no processo de avaliação e até de se refletir a criação de produtos televisuais e cinematográficos. Nossa imensa busca em diversas áreas do conhecimento não ficou restrita somente a uma incisão pontual e precisa em um recorte temporal do programa televisivo estudado, mas sim, em um momento inicial, dentre as centenas de programas disponíveis para acesso na internet, explorar aqueles que tinham melhor representação dentro do período em que o CQC foi exibido no Brasil. Para isso, se demandou centenas de horas de trabalho até se compreender melhor aqueles que estavam disponíveis na