CAPÍTULO 4 – ANÁLISE DOS ELEMENTOS DE CRIATIVIDADE EMPREGADOS NA
4.3 Programa de exibição número 193, exibido em 13/08/2012
A rubrica “Estrelas” é apresentada por Felipe Andreoli e tem como objetivo a cobertura de estreia da peça “A Partilha”, do diretor Miguel Falabella (CQC - Custe o que custar, 2012). Um aspecto que marca a elaboração do Processo Criativo nas entrevistas é uma boa pré- produção, caracterizada pelo alto nível preparatório do repórter-entrevistador de uma série de acontecimentos sobre o passado dos artistas envolvidos, fazendo associações de ideias com comparações entre passado e presente a partir de ironias com o momento atual. Em uma entrevista ao ator e promoter Amin Khader, observamos um tom descontraído do repórter desde o início, deixando implícito haver um contrato de aceitação em função do consenso mútuo de ambos os participantes envolvidos se sujeitarem ao planejamento proposto, tendo, pois, como elemento indicativo o tom da interpelação. Andreoli ainda ironiza, dando um beijo no rosto dele (Figura 54) e se refere ao âncora Marcelo Tas como sendo seu chefe, pedindo que aumente seu salário imediatamente. Esse tipo de narrativa paralela, com emprego de ironia entre os membros da equipe, é recorrente no formato, sendo bastante inusitado.
Figura 54. Imagens do repórter Felipe Andreoli entrevistando Amin Khader, com inserção da figura de soco na cara do entrevistador e posterior beijo no rosto do entrevistado
Na rubrica “Política”, a repórter Monica Iozzi faz uma cobertura do escândalo de corrupção conhecido no Brasil como “Mensalão”, no qual o Partido dos Trabalhadores foi acusado de desviar dinheiro para financiar uma mensalidade aos seus membros e ter apoio político. Identificamos no Processo Criativo o desenvolvimento de narrativas paralelas e uma abordagem em que emprega termos de duplo sentido para tornar cômicas as respostas dos entrevistados. A repórter faz perguntas para tentar entender se populares têm consciência do que está se passando. Isso é repetido dentro da repartição administrativa do país. Um dos entrevistados é questionado: “você está por dentro do mensalão?”. Esse tipo de investida, em que a pergunta está imbuída de uma espécie de pegadinha para ironizar sua fala, é bastante comum no formato CQC e se fortalece em situações onde há uso de metáforas ou palavras de duplo sentido, possibilitando a formação de novas combinações a partir da transferência de um conceito para outro.
A Atitude Criativa da repórter pode ser observada quando ela aproveita diversos momentos para empregar a questionamentos ambiguos, tornando situações cômicas. Ao se pronunciar, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB - PE), diz que “existe uma prostituição” dentro da Câmara e do Senado, se referindo à compra de apoio político e votos. A repórter Monica Iozzi faz uma interpelação aproveitando para explorar outra possibilidade de interpretação e pergunta: “além de tudo ainda tem prostituição ai dentro?” segue uma afirmativa do deputado. Na sequência, o senador Zezé Perrella (PDT-MG), afirma não saber se existiu o Mensalão. Por fim, a repórter externaliza sua capacidade questionante e crítica e segue apostando em uma comunicação verbal bastante ácida e pergunta ao deputado se o mesmo “perdeu o bolão”, se referindo a pagamentos ilícitos, já que ele não estava no período em que teria ocorrido a distribuição ilegal de dinheiro público. O uso do estereótipo do político corrupto para constituir uma investida de sarcasmo fica evidente nesta fala.
Apesar dos questionamentos ácidos promovidos pela equipe CQC, “participar desse jogo”, onde a informação e o pré-julgamento caminham lado-a-lado, nos parece importante para imagem e manutenção dos políticos daquele tempo, já que o programa tinha grande audiência e poderia ser um grande influenciador da opinião popular no processo de construção e desconstrução da imagem pública dos políticos. Pensamos ter sido um marco importante na forma de aprender a lidar com assuntos delicados de maneira mais engraçada, não só da parte da equipe CQC, mas dos próprios entrevistados, já que ambos tinham interesses distintos, mas, em alguma medida, convergentes.
Mônica segue explorando possibilidades de exprimir sua capacidade crítica em torno do tema, e decide utilizar mais um adereço para externalizar sua indignação, um laptop para
mostrar os políticos investigados e tentar convencer os deputados a participar de uma aposta em quais seriam condenados. Ela apresenta uma matéria do Jornal O Globo, que identifica a imagem de todos os investigados. O deputado pergunta qual é a fonte ao ouvir a resposta da jornalista; ele também ironiza, dizendo que a empresa Globo seria igual ao PSDB, já que teria supostamente uma ligação ou afinidade política com o partido. Então os dois olham diretamente para câmera sorrindo. Fica bastante evidente neste momento a aceitação do caráter cômico do programa, quase uma idiossincrasia recorrente (Figura 55).
Figura 55. Imagem de Mônica estabelecendo contato visual com a audiência em sinal de falta de argumentos
Esta reestruturação da informação, que inclui uma série de narrativas paralelas, parece levantar os assuntos mais delicados de uma maneira mais “palatável” para o grande público, já que boa parte dos noticiários oferece a informação de uma maneira muito séria e, às vezes, difícil de ser consumida por todos. Assim, propostas criativas como esta, que emprega diversos elementos paralelos para entreter, em uma abordagem mais agradável, não se levando em conta a objetividade em absoluto, é oportuna pois permite abrir a possibilidade de conquistar um público que não é tão propício a assistir pautas mais densas, como as políticas.
A constituição desse Produto Criativo mereceu especial atenção, já que são muitas as apostas da equipe. Ao questionar políticos sobre o conhecimento do processo, são inseridos elementos de videografismos na edição de modo a criar uma redefinição humorística na abordagem. A deputada Federal Luiza Erundina (PSB - SP) é apresentada a partir de um recorte do desenho “mestre dos magos”, estabelecendo, desde o início, a alteração arbitrária de elementos, onde sua face e parte de sua roupa é sobreposta pela indumentária do desenho (Figura 56).
Figura 56. Imagem de inserção de Face sobre deputada Luiza Erundina
Uma estratégia que se observa na construção desse produto criativo é a edição que privilegia uma série de fragmentações das falas, onde vai se fazendo recortes de pequenos trechos de depoimentos dos entrevistados, indo e voltando nos mesmos, facilitando a constituição de redefinições ambíguas ou novas ao sentido original da fala, já que, ao se extrair fragmentos de falas de diversas pessoas se consegue guardar ampla variedade de palavras que podem ser descontextualizadas. Ao entrevistar o deputado Federal Augusto Coutinho, (DEM - PE) aparece o mesmo com o nariz escorrendo. Cabe dizer aqui que os efeitos empregados não nos parece ter intenção de induzir ao erro, fazendo acreditar que era real, mas ao contrário, são figuras sempre evidenciadas como desenhos ou elementos de fantasia, que são inseridos ali com o único interesse de provocar risos na audiência.
A rubrica “Proteste Já” inicia com uma cobertura em Bragança Paulista, que aborda a restauração e construção de obras de um teatro municipal, apresentando imagens do repórter Oscar Filho em um grande teatro. Nesta cena, ele se encontra na plateia batendo palmas e logo em seguida, devido a uma rápida sobreposição de imagens, ele instantaneamente se vê em outro local, um verdadeiro teatro em ruínas (Figura 57).
Figura 57. Imagens do repórter Oscar Filho na plateia de um teatro, com mudança de cenário repentina, passando para a imagem do teatro com inserção de nuvens
No planejamento do Processo Criativo o teatro é apresentado em um cenário que estabelece uma associação entre filmes de terror e signos que remetem a “Família Addams” (Gordo, 2018), de forma a compor uma paródia (Figura 58)
Figura 58. Imagens de inserção da Família Adams na fachada do teatro, seguida de imagem de inserção de personagem da Família Adams na parte interna do Teatro
Oscar filho faz pequenos trechos de interpretação de 3 personagens distintos (Figura 59).
Figura 59. Imagens do repórter Oscar Filho encenando, interpretando personagem, contracenando
Em busca da resolução dos problemas aparentemente infraestruturais do teatro, Oscar aparece liderando uma manifestação popular, aglutinando-se aos participantes de forma cômica ao estar fantasiado em um ato “político”. O repórter estabelece uma perspectiva associacionista ao se caracterizar de Fantasma da Ópera, já que constrói um intertexto entre a sua figura clássica contraposta num cenário contemporâneo politizado sob o jugo da paródia. Dessa forma, ele é recebido pelo prefeito da cidade de Bragança Paulista, João Afonso Sólis, alcançando o objetivo principal de chegar a um acordo de Reformas no Teatro, dependendo somente de uma posição da Justiça ainda naquela semana (Figura 60).
Figura 60. Imagens do repórter Oscar Filho liderando uma manifestação popular, seguida da imagem do repórter dando voz à representante da cultura para falar com prefeito e imagem do repórter com o prefeito convencido a assumir publicamente o compromisso
O empenho da equipe em realizar uma cobertura com bastante profundidade e detalhes parece colaborar para elaboração da Atitude Criativa. O repórter Oscar Filho se apresenta com grande engajamento na cobertura, expressando sua capacidade questionante de maneira muito efetiva. Isso pode ser observado quando ele entrevista o prefeito e o induz a fazer um acordo em que, alguns dias após esse encontro, seria assinado o início das obras de reforma no teatro. No entanto, ao retornar a conversa, o prefeito observou que, devido a restrições judiciais, não poderia dar início ao processo de licitação para reforma; então Oscar convida o denunciante Guto La Salvia a participar dessa “pressão” junto ao prefeito. Para isso, Oscar emprega uma comunicação verbal com termos muito agressivos: “eu tô louco, o que que eu ouvi”? perguntando ao prefeito se ele se lembra da entrevista anterior que foi feita no mesmo local. O repórter segue demonstrando sua capacidade crítica a partir de investidas muito diretas que contestam e reprovam a falta de atitude do prefeito, propondo, simultaneamente, ligar para o juiz que seria o responsável por assinar um parecer que poderia dar prosseguimento à obra. O prefeito tenta fazer, mas o mesmo não se encontrava lá. A equipe persiste com envolvimento
na proposta e, na finalização da matéria, Oscar está de frente ao fórum, mas diz que o prefeito não foi porque o juiz não pode se pronunciar, já que o processo está “sob judice”.
Este empenho visível da equipe em fazer essa produção é muito evidente, tendo diversos elementos indicativos, como: performances com diferentes figurinos, adereços e cenários, constituídos em um processo de produção que envolveu diversas locações e um planejamento cuidadoso. Esse procedimento resultou em uma crítica com grande apelo, sendo, pois, uma narrativa bem contextualizada que explorou diversas possibilidades ao incluir locações em espaços internos e externos, manifestando, assim, a capacidade expressiva, seja pela comunicação verbal, seja pela comunicação não-verbal. Dentro desse contexto, os signos envolvidos na pragmática da narrativa revelam a decepção, o vazio e o isolamento que a falta dessa atuação do município provoca em todos. Isso pode ser observado, por exemplo, quando aparecem diversos membros, possivelmente ligados às artes, unidos na parte externa ao teatro, ou quando mostra uma pessoa sentada no chão, somente aparecendo silhueta, dando especial destaque ao vazio da sala e à péssima condição do teto (Figura 61); ou em outra cena que mostra uma pessoa saindo de uma área interna onde há entulhos.
Figura 61. Imagens de manifestantes aguardando o posicionamento do prefeito, em seguida a imagem de personalidades da cultura local em frente o teatro e, por fim, a imagem de uma encenação dentro do teatro
Ao contrário de outras matérias, aqui o repórter não encerra como um herói. No fechamento da matéria não há inserção de efeitos, ele não está brincando, mas sim triste, cabisbaixo, parado, e alguns membros mudam de posição e vão andando em meio aos escombros, deixando o repórter em isolamento, passando-nos, assim, uma sensação de derrota, fracasso, missão não cumprida (Figura 62).
Figura 62. Imagens de Oscar Filho sem reação enquanto membros da cultura abandonam o teatro, transmitindo sua derrota diante da missão e saindo em perspectiva de isolamento
Esse Produto Criativo é repleto de efeitos visuais e sonoros. Em um momento, para estabelecer comparação e lembrança com a afirmação que o prefeito dá no momento atual com uma afirmação anterior, foi utilizado o recurso de flashback e com imagem em preto e branco do trecho da entrevista onde o prefeito, tinha prometido assinar, sendo reforçado um efeito de tempo passado com o emprego de eco no som. Em um trecho de voz em off diz: “[...] a burocracia e os interesses políticos continuam prejudicando a população”. Uma cena com grande número de pessoas em frente ao teatro é mostrada e com diversos planos de pessoas isoladas. “o teatro está morrendo”. Na dimensão do vídeo, uma sequência de imagens de cobertura de pessoas tristes e em isolamento ou consolando umas às outras dentro do teatro são apresentadas. Uma personagem passa e deixa um pequeno bouquet de flor cair no chão em meio
às ruínas e ao ambiente de abandono. Esses adereços consolidam a estratégia criativa de demonstrar tristeza diante do descaso do poder público e isso é externalizado de maneira muito sensível, a partir de expressões, de uma paisagem sonora envolvente e de gestos sutis de tristeza. Ao retornar para bancada, Marcelo Tas diz: “eu sei que este é um programa de humor, mas infelizmente eu tenho que dizer que esse é o estado da cultura brasileira. É jogada no lixo, a gente vê isso em vários lugares do Brasil. o Rio de Janeiro acabou de construir o palácio da música que custou 500 milhões, meio bilhão de reais… é muito parecido com isso daí” e finaliza reforçando a continuidade do empenho da equipe, bem como sua abertura em ouvir outras pessoas na busca dessa proposta: “hoje deve tá cheio de prefeito prometendo coisas porque estamos perto das eleições. E se você tiver alguma novidade sobre essa história que a gente vai ficar de olho, escreva por favor para o e-mail que está aí na tela.”
Na rubrica “Estrelas”, é realizada uma matéria de lançamento do livro sobre o goleiro Marcos Roberto, do Palmeiras. O repórter Ronald Rios está caracterizado com um figurino que tem signos ligados ao futebol. Para criar identificação ao público, a câmera faz um movimento panorâmico que lembra a mesma técnica utilizada em um estádio, para mostrar as torcidas nas arquibancadas antes do jogo. O próprio repórter expressa isso em comunicação verbal, dizendo que as pessoas que estão assistindo devem pensar que ele está em um campo de futebol. Os elementos implícitos no desdobramento da cobertura nos remete a uma ambientação com clima futebolístico, tanto na abordagem da comunicação verbal, quanto na comunicação não verbal, apostando em arremessos de bola e performances que reforçam estereótipos e lembram o comportamento dos atletas em campo.
Essa proposta de chamar atenção de atores sociais envolvidos na cobertura para agregar ou gerar aceitação coletiva ou comoção popular é bastante percebido em diversos programas CQC, tanto em reportagens “mais leves” como esta, quanto em denúncias e protestos. O impacto desse tipo de imagem nos parece ajudar a instigar uma ideia de aceitação de amplo público, a se iniciar no próprio processo de produção. Em uma cobertura, o repórter mostra uma bandeja que era usada para servir os convidados (Figura 63) e afirma estar colocando carne velha: “eu vou distribuir para o pessoal aqui, afinal porco come qualquer coisa”. Essa brincadeira com a promoção de uma experiência de falta de prazer e a alteração negativa do signo para associar ao porco, deu-se em razão deste animal ser o mascote do time de futebol do autor, e portanto, sendo o público pressuposto estar presente, estabelecendo uma relação ambígua com a pragmática da afirmação.
Figura 63. Imagem do repórter Ronald Rios servindo espetinho de carne
Em uma cobertura esportiva selecionada, o Processo Criativo optou por desenvolver uma narrativa paralela em torno do dia dos pais. Então o repórter Maurício Meirelles foi a um jogo de futebol propondo diversas abordagens delicadas para dialogar com os pais que lá estavam presentes com seus filhos (Figura 64).
Figura 64. Imagem do repórter Maurício Meirelles presenteando pai e filho com uma marmita de macarrão
Assuntos como homossexualidade, sexo, aborto e drogas, estavam na pauta que se desenvolvia em uma dinâmica que descontextualiza o propósito inicial da presença dos entrevistados de expectar aquele evento esportivo, ressignificando o sentido daquele dia.
Em uma das abordagens Meireles pergunta se o pai já pagou algum aborto para filha, o mesmo diz que ainda não. Ele diz: “como você conseguiu dinheiro do nosso lá?” Videografismos são empregados para direcionar a interpretação da audiência nesta proposta cômica. Neste momento, um bebê sai de entre as pernas da mulher, vinculando a fala irônica do repórter (Figura 65).
Figura 65. Imagem da inserção de figura de nenem sobre mulher
Em outra abordagem, o repórter pede a um pai para explicar à filha, aparentemente menor de idade, como se coloca um preservativo (Figura 66). O mesmo usa o próprio microfone do repórter para explicar como se utiliza e, para evidenciar a aceitação da proposta da matéria, o pai encerra dizendo que não vai ser com ninguém do CQC que ela irá colocar em prática.
Figura 66. Imagem de Maurício Meirelles pedindo a um pai para ensinar a colocar preservativo a sua filha
A cobertura do jogo São Paulo e Grêmio demonstra a aposta da equipe em outro tipo de abordagem para homenagear o dia dos pais e segue a proposta de “repórter mirim no CQC”. Para expressar ao público que a narrativa paralela vai ser desenvolvida, Maurício Meirelles está na arquibancada e diz “esse jogo não está valendo muita coisa, o que importa é o dia dos pais”. Dessa forma, pai e filho são entrevistados e o repórter toma uma atitude inusitada os presenteando com uma vasilha de macarrão por terem chegado mais cedo no estádio para comemorar o dia dos pais.
Na cobertura em que o CQC vai a Brasília, apresentando o Documento: “Analfabetismo no Brasil”, a repórter Mônica Iozzi demonstra grande expressão da capacidade crítica. Já no início da matéria ela afirma: “essas pessoas até conhecem letras, os números, mas não sabem muito bem o que fazer com elas”. Para promover humor através da cacofonia, a repórter manifesta muita dificuldade em sua comunicação verbal ao falar a palavra “déficits” repetidas vezes durante entrevista com o deputado Laércio Oliveira (PR - SE). O mesmo entende a proposta humorística do programa e, em tom irônico, verbaliza seu espanto com outro erro da repórter ao pronunciar outra palavra errada, dizendo: “de novo?”. Essa alternativa de se abordar o tema explorando uma possibilidade inusitada, onde a repórter não consegue se expressar bem para estabelecer vinculação à proposta do analfabetismo, foi uma ferramenta relevante para roteirizar os problemas de comunicação verbal.
Em outra cobertura, do Documento: analfabetismo no Brasil. A proposta se desenvolve em uma narrativa que, para despertar o interesse da audiência, pretende confundir ou testar conhecimentos dos deputados, satirizando suas falas. Em uma das abordagens, entrevista-se o deputado Federal Nelson Meurer, que se mostra solícito e diz que Mônica pode perguntar o que ela quiser, então ela diz que o deputado precisa trocar a gravata urgente e ainda fecha o terno dele para que esta ficasse mais escondida (Figura 67) reforçando a aposta em desenvolvimento de narrativas paralelas.
Figura 67. Imagem de repórter ajeitando a gravata do deputado Federal Nelson Meurer
Para evidenciar um erro de pronúncia da repórter, na edição foi inserido um efeito de videografismo soco na cara da mesma (Figura 68). Para reforçar aprovação ou reprovação, são inseridos áudios com sobe sons de risos ao fundo, direcionando a interpretação da audiência e criando maior dinâmica no produto final.
Figura 68. Imagem de inserção de soco na repórter quando entrevistava o deputado Laércio Oliveira (PR - SE)
Figuras sobre o rosto dos entrevistados também são empregadas, sem estabelecer uma relação direta, evidenciando uma alteração arbitrária de elementos, onde se descontextualiza a abordagem principal para entreter ou fazer rir (Figura 69). Durante a fala do deputado federal Paes Landim (PTB-PI), foi inserida uma figura sobre seu rosto, quebrando a abordagem