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CAPÍTULO 4 – ANÁLISE DOS ELEMENTOS DE CRIATIVIDADE EMPREGADOS NA

4.4 Programa selecionado de número 254, exibido em 30/12/2013

A seleção de melhores momentos do programa especial (CQC - Custe o que custar, 2013), há uma série de coberturas e matérias desenvolvidas no decorrer deste ano. Em uma cobertura política que se criticava a ausência de deputados nos encontros e votações importantes para o país, o repórter Guga Noblat aborda a deputada estadual Maria Lúcia Amary (PSDB - SP) contextualizando que ela é uma das que esteve mais ausente nos encontros políticos que definem diretrizes de interesse do povo. Assim que ele se aproxima dela, a mesma responde que a declaração não é verossímil e, em um ato visivelmente desesperado, ela se afasta. Acreditamos que uma boa apuração na fase de pré-produção foi decisiva para auxiliar o repórter nessa atitude questionante com a fonte escolhida, proporcionando a exploração de um momento decisivo, já que, rapidamente um membro da produção entregou ao repórter um relatório de apuração confirmando a acusação.

Na pós-produção desta matéria, observamos a inserção de efeitos visuais (Figura 74) e sonoros para enfatizar a reprovação por parte da deputada a partir de uma alteração arbitrária de elementos como seus olhos soltando fogos, que causam estranhamento em um primeiro momento, mas que direcionam a proposta humorística. Isso pode ser verificado na Figura 74C, quando um efeito de videografismo é inserido junto ao olhar profundo dela para o repórter.

Figura 74. Imagens de inserção de efeitos visuais. Em 74A nota-se a câmera tremida iniciando gravação, em 74B o repórter Guga Noblat apresenta o relatório à deputada Maria Lúcia Amary e em 74C nota-se a inserção de efeito visual entre a deputada Maria Lúcia Amary e Guga Noblat

Disparos de fogo somados a sobe sons são incluídos para maximizar a falta de uma resposta coerente. Mesmo no início da matéria, imediatamente após a pergunta, já se insere um sobe som de carro arrancando, que, neste caso simboliza ela tentando fugir da entrevista. A seguir se insere um sobe som de vaias para reforçar a reprovação de sua explicação de que não era verdade. Essa aposta de Produto Criativo que mistura uma abordagem direta e áspera do repórter com a combinação de elementos que recontextualizam a proposta em uma narrativa humorística, onde efeitos sonoros e visuais direcionam nossa interpretação, colaboram levantar o questionamento e até a solução de um problema antigo, que é a ausência de políticos no exercício de suas funções.

Em outra cobertura, o repórter Guga Noblat está em uma externa e convida o Deputado Federal Lúcio Vieira Lima (PMDB - BA) para acompanhar uma viagem de ônibus urbano. O conceito elaborado no Processo Criativo dessa matéria pretende projetar no político as sensações cotidianas dos cidadãos nos transportes públicos, empregando elementos tangíveis e intangíveis de identificação coletiva no intuito de estabelecer uma nova combinação. Ao alterar a relação do entrevistado com o conteúdo, o repórter Noblat delineia uma perspectiva

associacionista, ao dizer: “Tem mais gente dentro desse ônibus do que na bancada do PMDB, não tem?” na forma de sátira. Essa crítica dura, ao não comparecimento dos representantes do poder legislativo, é recorrente, já que na matéria anterior também foi abordada essa pauta. Assim sendo, o programa televisivo é instrumentalizado como forma de intervenção social pois deu voz às pessoas que mais se interessavam pela mudança de atitude para ter melhores condições de transporte.

A Atitude Criativa é observada desde o início da proposta, em que repórter utiliza de comunicação verbal e não verbal para exprimir um estado psicológico visivelmente alterado para tentar externalizar o stress que é, principalmente para quem tem horário, entrar em um transporte público cheio. Ainda no início da matéria ele grita, pedindo ao motorista para parar e perguntando se cabe mais gente no ônibus. A partir da afirmativa, os dois entram e é dado voz às pessoas para se expressarem sobre suas indignações com o transporte público. Dessa forma se segue explorando mais possibilidades da narrativa a partir do ponto de vista dos usuários e da presença inusitada do político em um ônibus urbano. Noblat também usa da linguagem verbal, se expressando com termos populares como “baú” para se referir a ônibus e no início da contextualização também observamos um plano em que o enquadramento está apertado, remetendo à sensação de local espremido (Figura 75).

Figura 75. Imagem com enquadramento apertado em Guga Noblat

A atitude questionante e a capacidade crítica são amplamente empregadas para projetar o público na referida situação.Um enquadramento do repórter e do político em pé (Figura 76) nos dá a dimensão do tamanho do problema, passando uma sensação de grande profundidade e, no decorrer da matéria, é trabalhado o estereótipo da pessoa que anda todos os dias de ônibus sem conforto nem segurança, sendo essa mais uma expressão decorrente da atitude questionante.

Figura 76. Imagem do repórter com o político em pé

Na cobertura “Celebridades”, o Processo Criativo emprega a estratégia inusitada de simular a chegada do cantor Justin Bieber em um local próximo ao show; entretanto, o planejamento criativo que utilizou um ator (Robert) dublê, para despertar o interesse do público. É inserido na edição a identificação “Made in Paraguai” (Figura 77), satiriza a condição daquela multidão que é erroneamente levada a acreditar na farsa.

Figura 77. Imagem de inserção de figura de placa sobre falso cantor

É um contexto baseado em uma situação hipotética, mas com atores sociais verdadeiros que possuem envolvimento com a proposta, já que o “falso cantor”, em função da semelhança física e da proximidade geográfica do evento, consegue ludibriar um aglomerado de pessoas que presumem estar na presença oficial do famoso (Figura 78). É, portanto, através dessa técnica de subversão das expectativas do público em ter um contato com o artista verdadeiro, que se constrói o humor em forma de criatividade planejada.

Figura 78. Imagens de populares correndo em direção a van que estava o falso cantor e imagem do plano de dentro da van que se encontra o falso cantor

Nessa estratégia fica evidente que o CQC não somente utiliza técnicas e recursos de seu formato, mas também se aventura em elaborar pautas em que a própria equipe cria a situação a partir de novas combinações que são exploradas em momentos oportunos. Para ironizar essa proposta de alteração arbitrária do protagonista, na edição foi inserida uma placa sobre o dublê de Justin, com a identificação “Made in Paraguay”, fazendo clara associação a produto falsificado.

A ousadia em apresentar ao próprio público este Produto Criativo que coloca em dúvida a veracidade de uma abordagem, cria uma redefinição no modo de interpretar a objetivo conceitual do programa CQC, o distanciando de um noticiário tradicional e o aproximando de um produto criativo onde são empregadas estratégias diversas e informações textuais e subtextuais .Assim, descontextualiza-se a narrativa principal, objetiva, dando lugar a novas experiências ou narrativas paralelas, mais subjetivas, para despertar e manter o interesse da audiência, com o objetivo de entreter.

Na rubrica documento da semana” foi selecionada uma matéria sobre a ineficiência de um programa de distribuição de energia elétrica no distrito de Poço do Meio. Ainda durante o Processo Criativo, na parte conceitual, observamos vestígio de empenho da equipe para concretização de uma cobertura que estivesse presente em um horário onde o problema também era mais perceptível. Esse esforço da equipe do programa fica bastante solidificado nesta reprise, quando é mencionado o período em que a matéria foi para o ar e é apurado novamente para verificar se foi ligada a energia elétrica e, neste caso, a família entrevistada recebeu o fornecimento de energia. Assim como nas diversas outras coberturas, aqui conseguimos observar grande esforço para externalizar o pensamento divergente, tanto do repórter ao expor

a situação e cobrar das autoridades uma atitude, quanto dos atores sociais envolvidos na situação, que são estimulados a formular uma crítica política (Figura 79).

Figura 79. Imagens do repórter Ronald Rios entrevistando com luz de lanterna, em seguida apresentando vídeo publicitário do governo sobre energia elétrica e imagem com caracteres indicando problema decorrente do uso de lamparina

Na dimensão do vídeo, observamos que um ponto de vista da área externa revela uma publicidade de um candidato ao lado da porta de entrada da casa. Apesar de não ter sido exibido algo questionando se o político que aparecia no banner tinha ou não relação com a promessa de energia elétrica, este é um elemento implícito da comunicação não-verbal que reforça a crítica ao abandono ou incompetência por parte dos gestores públicos.

Para empregar elementos que substanciam a falta de energia elétrica, realizou-se entrevistas externas utilizando um candeeiro (Figura 80) e, como este ilumina uma área muito pequena, é montada uma iluminação extra atrás para abranger a casa com uma luz de temperatura de cor mais fria, dando um contraste significativo com os personagens. Para estimular a capacidade questionante e crítica dos atores sociais envolvidos na cobertura, Ronald convida todos a assistir um vídeo que o governo federal propagava para dizer que a luz estava chegando para todos.

Figura 80. Imagem de repórter entrevistando com uso de candeeiros

Dessa forma, explora-se uma nova abordagem em que todos podem argumentar embasados no próprio depoimento oficial sobre a situação do acesso à energia de uma maneira mais generalizada, estabelecendo um diálogo com os moradores para verificar o grau de insatisfação dos mesmos em relação ao esperado e o divulgado, fazendo um contraponto. Um plano de câmera explorando o ponto de vista do repórter observando de dentro do carro os moradores nos passa uma sensação de isolamento deles, já que os mesmos estão em um banco, na parte externa da casa, iluminados somente pela luz do carro da produção em um momento pontual.

Tudo é contextualizado em uma narrativa sensível, onde a audiência pode experienciar uma paisagem sonora, sequência de imagens, pessoas abordadas e gestos que vão sendo revelados de modo a buscar tocar a quem assiste com compaixão e empatia, se projetando nas situações que vão sendo explicadas. Essa abordagem, dessa forma construída, nos aproxima das pessoas que estão naquela situação, que necessitam de energia elétrica para guardar alimentos, remédios e até para conseguir cuidar melhor de parentes adoentados; buscando, a partir da exposição dos fatos, uma solução para um problema antigo.

Este Produto Criativo possui alguns momentos em que a paisagem sonora nos remete a um cenário de suspense, com pontuais momentos de sobe sons evidenciando pontos relevantes de falas dos atores sociais envolvidos. Um apanhado de imagens sobre a situação com fala do repórter em off, quando narra sem aparecer nas imagens, encerra a matéria, mantendo o envolvimento da audiência pela exatidão com que essa abordagem de interesse público foi tratada. A temática é desmembrada de maneira abrangente, revelando as diversas variáveis de causas e consequências que a falta de energia provoca, como o momento em que se apresenta caracteres identificando a doença que o uso de lamparinas pode causar. Para ampliar as

informações subtextuais, uma música em inglês segue, com a inserção da tradução, em caracteres sobre imagens, abordando a temática da luz em uma associação que se vincula à esperança e ao sofrimento daquele povo.

Na seleção dos melhores momentos do ano da rubrica “Proteste Já”, observamos um apanhado de matérias com o objetivo de mostrar, parte dos conteúdos exibidos daquilo que a equipe acredita ser mais relevante. Em uma das coberturas, o repórter Oscar Filho aborda o armazenamento e destinação inadequada de lixo hospitalar. Por sua vez, ele encontra seringas no local onde está o lixo, simula tropeçar e cair; ao se levantar, este aparenta ter impregnado as roupas com o material contagioso, as seringas (Figura 81). Esse aumento de dimensões, característico das sátiras, favorece a criação de aspectos do humor, já que é pouco provável que uma pessoa tenha sua roupa completamente tomada por seringas ao cair no chão. Desta forma, concluímos que esta matéria consegue ultrapassar campos da apuração e transmissão da informação, que se busca a imparcialidade, a neutralidade e a objetividade para se tornar uma proposta em que o repórter se envolve e participa da mesma informação, resultando, pois, em uma nova combinação. Assim, possibilita-se a reestruturação da maneira como se transmite a notícia, já que o repórter também simula estar afetado pelo contexto.

Figura 81. Imagem do repórter Oscar Filho com roupa impregnada de seringas

Em outra rubrica são apresentas diversas dificuldades que uma pessoa com obesidade atravessa no dia-a-dia. Para isso o Processo Criativo foi executado com Oscar Filho se caracterizando como obeso (Figura 82) e aparecendo em diversas situações cotidianas, como andar de carro, ir ao banheiro, andar de elevador ou no transporte público da cidade, seguindo em uma viagem de ônibus para questionar a falta de assentos adequados para pessoas com essa comorbidade, estimulando a resolução de problemas ao expor a situação. Essa matéria retira o

interlocutor do “lugar comum”, pois , através de uma abordagem que o projeta na situação vivenciada, consegue-se fomentar um senso de empatia para com aqueles que sofrem de obesidade.

Figura 82. Imagem do repórter Oscar Filho caracterizado com aspecto de obeso

Dessa forma, vemos aqui a “descoberta de problemas previstos”, já que a equipe pesquisou as situações onde a pessoa obesa poderia encontrar dificuldades e, dentro desse levantamento, previa-se como a situação era agravada com os desafios envolvidos, propondo- se uma nova combinação. Assim sendo, a atuação do repórter caracterizado com outro fenótipo promove uma reflexão sobre essa condição no público-alvo, pois a customização o limitava de tal forma que o fazia agir de maneira diferente, exagerada; um questionamento social através da comicidade.

Em outra rubrica, o repórter Erick Krominski registra uma simulação onde um ilusionista pede informações e subtrai objetos de pessoas. Essa estratégia de produção confere originalidade à proposta a partir de um Processo Criativo que estabelece um planejamento em que câmeras são posicionadas em pontos de vista distintos, ajudando a entender a relação que os personagens estabelecem e os momentos inusitados de ação do mágico ao receptar objetos (Figura 83).

Figura 83. Imagens da visão do mágico de dentro da van, do repórter Erick Krominski observando de dentro da van e do mesmo repórter colhendo os objetos subtraídos

Em uma perspectiva distinta do jornalismo, que leva informação à sociedade de forma contextualizada aos desafios contemporâneos, o CQC inova na maneira de transmitir os fatos, pois realiza uma reestruturação da informação. Cabe destacar que, ao se desenvolver um processo criativo onde a ousadia é revelada na própria estratégia de atuação do membro agregado a equipe, a descoberta de problemas previstos e criados é evidenciada através de um encadeamento de situações em que a simulação e o real se misturam, não em prol de um humor vazio, comprometido com a arte de fazer rir, ou como técnica de entreter, mas uma proposta em que tem utilidade pública relevante, uma vez que pode alertar a audiência sobre os riscos que corre em determinados contextos. O produto analisado vai desmembrando os momentos, apresentando evidências e toda a complexidade envolvida no processo é externalizada no sentido de promover um aperfeiçoamento nos cuidados empregados pelos atores sociais.

A Atitude Criativa vai se revelando na proposta a partir de uma série de escolhas da equipe. Ao se explorar uma possibilidade inusitada, projetando um conjunto de condutas em um membro externo à equipe, sendo o mágico Pyong Lee, o convidado a executar a tarefa de aproveitar momentos de distração das pessoas para furtá-las. Já no início da proposta, os elementos de composição da dimensão do vídeo são explorados de maneira inusitada, pois o

mágico emprega sua comunicação não-verbal ao entrar e surgir do enquadramento de forma sucessiva, escondendo atrás e abaixo do repórter, para vincular diretamente à ideia de desaparecimento de objetos pessoais, associando-se, assim, a técnica de filmagem às diversas impressões causadas nas pessoas que são vítimas desse comportamento criminoso.

Uma câmera escondida em um ponto superior (plongée) consegue captar uma visão maior dos acontecimentos, já que, ao se posicionar o equipamento um pouco acima da linha da visão dos membros envolvidos na ação, conseguimos observar melhor objetos e coisas que estão em um plano horizontal, pois nossa visão fica mais superior. Além disso, outra câmera em “ângulo normal”, onde se observa elementos na mesma altura das pessoas é colocada para dar outro ponto de vista para captar as atitudes do performer (Figura 84).

Figura 84. Imagens de câmeras. Primeiro uma câmera superior mostrando o mágico Pyong Lee, em seguida em plano fechado do Pyong Lee abordando cliente e, ainda, uma câmera frontal mostrando mágico Pyong Lee abordando pessoas

A vinheta da rubrica “Simuladores” aparece com a mesma proposta visual da vinheta do programa, na mesma concepção estética, com caracteres verdes, fundo escuro e uma movimentação do fundo em um ambiente digitalizados, high-tech (Figura 85).

Figura 85. Imagem do videografismo de abertura da rubrica

O Produto Criativo tem boa apresentação da temática, empregando efeitos de videografismo e uma narrativa bastante dinâmica. Na passagem inicial o repórter diz que objetos pessoais podem desaparecer como se fosse uma mágica, e neste contexto foi inserido um efeito gráfico com uma vara mágica e um efeito sonoro para o reforço da ideia. O uso de videografismos segue por toda cobertura, tanto identificando as atitudes do mágico, quanto inserindo elementos arbitrários para entreter, como alteração de face das pessoas, efeitos de choro, e até objetos no cenário, como um frango assado que é inserido sobre o prato do entrevistado. Efeitos sonoros e sobe sons para reforçar afirmações e questionamentos são inseridos durante as falas, de modo a evidenciar e ampliar sensações (Figura 86).

Figura 86. Imagens de videografismos. Primeiro videografismo indicando ação e em seguida videografismo com destaque para momento em que objeto é furtado

Acreditamos que as entrevistadas de uma das mesas não autorizaram a exibição de suas imagens, então, para manter o interesse da audiência na proposta, aproveitando as imagens da simulação, foi inserido sobre seus rostos o efeito de embaçamento na edição (Figura 87).

Figura 87. Imagem do embaçamento de rosto das entrevistadas

No encerramento da matéria, o repórter está fazendo sua passagem, quando o mágico passa e pede uma informação. Assim que o mágico sai, o repórter aparece sem as calças (Figura 88). Foi uma maneira exagerada de chamar atenção, ampliando a sensação do público para algo que afeta muito as pessoas que é o furto de pertences pessoais.

Figura 88. Imagem do repórter sem calças durante a passagem do mágico

Em outra cobertura política é dada a missão de questionar a falta de vagas em creches brasileiras. O Processo criativo é estruturado a partir do estereótipo de uma criança que está triste, que é representada por um anão que caminha junto com o repórter Ronald Rios, que, por sua vez, interpela os políticos pelos corredores do Congresso brasileiro. Para criar identificação com essa ideia, um figurino bastante colorido foi empregado e, para ampliar a sensação de maneira satirizada, uma chupeta grande, como adereço (Figura 89).

Figura 89. Imagens do repórter Ronald Rios caminhando com ator fantasiado de criança pelo congresso e persistindo em entrevista com deputado

A linguagem corporal e facial do ator contribui para construção da narrativa, uma comunicação não verbal repleta de expressões implícitas para impactar, seja pelo humor, seja pela exploração das possibilidades que essa escolha possibilitou, como a expressividade do anão diante da ameaça de não ter creche. Em uma das abordagens, o anão é segurado no colo por um político (Figura 90) que se mostra receptivo à proposta crítica-humorística, acolhendo o anão no colo e o acalma em relação à sua preocupação com a falta de creches. O próprio repórter, Ronald Rios, confirma sua surpresa diante do resultado alcançado, dizendo “imagens surreais da televisão brasileira”.

Figura 90. Imagem do deputado pegando o ator no colo

Em outra cobertura, o repórter Felipe Andreoli chega em uma coletiva de imprensa, onde o governador de São Paulo ganhava uma medalha. De maneira desinibida e com