5 PROPOSIÇÃO DE MÉTODO PARA A MENSURAÇÃO E A EVIDENCIAÇÃO DO
5.1 PROCESSO CONSTRUTIVO DO MEED
5.1.1 Processo Construtivo do MEED: versão inicial
A primeira versão do MEDD foi estruturada em elementos-base pinçados na revisão sistemática da literatura. Tal etapa foi identificada, no capítulo 4, na seção 4.1, e subsidiou os conhecimentos para o processo. Os métodos examinados foram desenvolvidos para valorar impactos e externalidades ambientais que se reportam principalmente a atividades vinculadas à energia e transporte. No entanto, independentemente do foco e do direcionamento da atividade, a análise e a compreensão do modelo capturam elementos aplicáveis a qualquer tipo de atividade.
Destarte, a construção da primeira versão do MEED considerou, dentre os métodos apresentados na seção 4.1, a frequência das etapas, os pontos fortes e fracos e a abrangência dos requisitos do MEED. O resultado desse procedimento permitiu identificar as etapas e o seu sequenciamento. Assim, são evidenciadas, no Quadro 25, as etapas do MEED e as referências identificadas nos métodos do G1.
Quadro 25 - Construção do MEED a partir da Revisão Sistemática da Literatura (continua)
Etapa Descrição e Referência
Etapa
1:Identificação do escopo
Engloba objeto, objetivo e limite de mensuração e análise. Definem-se como objeto o projeto, a construção, o processo, o descarte, (BEBBINGTON et al., 2001), o local da atividade geradora do impacto, a categoria de impactos e as externalidades relevantes. (BICKEL; FRIEDRICH, 2005; CASAS-LEDON et al., 2014). Impactos diretos ou indiretos - ou ambos - também podem ser considerados como objeto de análise. (BICKEL; FRIEDRICH, 2005; CASAS-LEDON et al., 2014; FRANGOPOULOS; CARALIS, 1997).
Como objetivos apontados para a aplicação do método, mencionam-se as oportunidades de melhoria e a diminuição de riscos na análise. Outro objetivo considerado por Bebbington et al. (2001) contempla a identificação do preço real dos produtos, e consequentemente, as externalidades ambientais. Como limites de mensuração e análise, têm-se a temporalidade e a área geográfica. (BICKEL; FRIEDRICH, 2005; CASAS-LEDON et al., 2014).
(conclusão)
Etapa Descrição e Referência
Etapa 2: Mensuração física
Entende que aspectos técnicos e fontes de dados existentes precisam ser compreendidos para a mensuração dos impactos e das externalidades ambientais. Como auxílio no processo, conta-se com técnicas, dentre as quais estão a análise do ciclo de vida com a utilização dos padrões da ISO 14040 a 14042. (ANTHEAUME, 2004; BEBBINGTON et al., 2001; CARVALHO, 2005).
Etapa 3: Valoração econômica
Trata-se do apoio derivado de técnicas econômicas, dentre elas, do método direto (custos econômicos podem ser facilmente avaliados ou o custo da reparação de bens danificados), do método indireto (valor dos bens que não são negociados em mercados formais) e da técnica Proxy (estimativa). (FRANGOPOULOS; CARALIS, 1997). O método de custo de evitar, o custo do método de danos e o método de consentimento coletivo para pagar também aparecem. (ANTHEAUME, 2004; BEBBINGTON et al., 2001; CARVALHO, 2005). Outra abordagem que possibilita a valoração acontece mediante a comparação de cenários, ou seja, a partir da identificação e da comparação dos impactos associados à atividade, em cenários com e sem atividade.
Etapa 4: Internalização dos custos externos
Preconizada pela utilização de mecanismos de regulação de mercado, como taxas de poluição ou impostos, licenças, subsídios, sistemas de depósito- reembolso, pelas abordagens regulatórias que normalmente estão vinculadas ao custo de conformidade, como exemplo, limites do teor de enxofre no combustível (FRANGOPOULOS; CARALIS, 1997) e pela abordagem de penalidade civil que pune firmas/executivos por não tomarem cuidado com saúde, segurança e meio ambiente. Além disso, também é fomentada pelo uso do sistema de selo verde, que encoraja consumidores a comprarem produtos considerando seu impacto ambiental e por programas de governo que reduzem o preço dos recursos naturais, estimulando seu subuso ou reuso. (BEBBINGTON et al., 2001).
Etapa 5: Avaliação de incerteza
Tem crucial importância para a credibilidade dos resultados, assim como para a identificação e a quantificação das fontes de incerteza. Assim, é conveniente agrupá-la em categorias diferentes, como dados e modelos, passíveis de análise por métodos estatísticos combinando componentes ao longo do processo de geração do impacto, a fim de obter intervalos de confiança formais em torno da estimativa do modelo. (BICKEL; FRIEDRICH, 2005). Etapa 6:
Evidenciação do
Environmental Debt
A análise dos resultados e a elaboração das conclusões são apontadas como resultado da mensuração das externalidades. (BICKEL; FRIEDRICH, 2005; CASAS-LEDON et al., 2014). Porém, não foi declarado o uso de ferramentas específicas para a evidenciação.
Fonte: Elaborado pela autora.
Na primeira versão do MEED e nas demais versões, as etapas do método foram delineadas. Na sequência, são detalhadas as seis fases da versão inicial do MEED. Também é explicitada a fundamentação extraída das bases científicas, que foi pertinentemente adequada ao objetivo da pesquisa. A Figura 36 especifica as etapas do MEED e suas características.
Figura 36 - Primeira versão do MEED
Fonte: Elaborado pela autora.
A versão inicial do MEED conectou as etapas essenciais à construção das demais versões de classes de problemas. No Quadro 26, as etapas foram vinculadas à entrada, à saída e às ferramentais que podem ser usadas para executar a etapa.
Quadro 26 - Classe de problemas e etapas da primeira versão do MEED (continua) Classe de
problemas Etapa Entrada Saída Ferramenta
Mensuração das
externalidades ambientais
1. Identificação
do escopo Definir o escopo.
Escopo deliberado.
- reunião com equipe estratégica e tática da empresa; - formulário ou cadastro do detalhamento do escopo. 2. Mensuração física Identificar e quantificar fisicamente impactos e externalidades ambientais. Métrica dos impactos e das externalidades ambientais. - inventário de entradas e de saídas de recursos naturais; - análise do ciclo de vida com a utilização dos padrões da ISO 14040 a 14042 3. Valoração econômica Identificar o valor das externalidades ambientais. Valor das externalidades ambientais. - técnica de valoração econômica ambiental; - técnica Proxy. 1. Identificação do escopo
Especificação do âmbito de mensuração e análise: objeto, objetivo e limite
Ferramentas
2. Mensuração física Inventário de entradas e saídas, análise do ciclo de vida
3. Valoração monetária
Métodos de Valoração Econômica: valor do uso (método direto, indireto), valor do não uso, valor da opção e valor da existência
Etapas do método
4. Internalização dos custos externos
Abordagem regulatória: taxa, tributos, subsídios, políticas governamentais
5. Avaliação de incertezas e análise de sensibilidade
Validação de dados e informações
6. Evidenciação do enviromental debt
Análise de resultados e elaboração de conclusões
(conclusão) Classe de
problemas Etapa Entrada Saída Ferramenta
Evidenciação das externalidades ambientais 4. Internalização dos custos externos Incorporar o valor das externalidades aos negócios da empresa. Valor econômico + valor ambiental do negócio. - mecanismos de regulação de mercado. 5. Avaliação de incerteza Elencar os requisitos técnicos de validação das informações geradas. Parecer da
avaliação. - métodos estatísticos.
6. Evidenciação do Environmental Debt Escolher a plataforma de comunicação com os usuários da informação. Plataforma de evidenciação do valor ambiental.
- relatório com análise dos resultados e elaboração de conclusões.
Fonte: Elaborado pela autora.
A classe de problemas que trata da evidenciação explicita etapas úteis, apesar de as ferramentas serem frágeis e não atenderem às saídas do método. Portanto, houve necessidade de identificar ferramentas robustas e adequadas ao atendimento dos requisitos de funcionamento do método.
Ademais, durante o processo de revisão sistemática da literatura, pôde-se observar que os esforços relativos ao tema de pesquisa se efetuam fora da academia, visto que foram identificados apenas três métodos vinculados a bases acadêmicas. A partir desse resultado, foi possível pressupor que o movimento de mudança e desenvolvimento de métodos parte de organizações, como empresas de auditoria e consultorias. Por conseguinte, no próximo item da pesquisa, desenha-se a segunda versão do MEED, a partir da proposição dos métodos utilizados no mercado de serviços e de consultoria.