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Professora Marcella

No documento Marta do Carmo Silva (páginas 128-132)

Termo de consentimento livre e esclarecido

Entrevistado 4 Professora Marcella

O que é ensinar para você?

Nossa! Para mim é não só a transmissão do conhecimento, mas a aplicação do mesmo. Eu tenho que ver na prática o processo do meu aluno. Não adianta eu só colocar a matéria na lousa ou numa apresentação de Power point. Eu preciso que meu aluno me mostre que aquilo está sendo utilizado para alguma coisa.

Como você faz para que ele te mostre?

Através das atividades em sala de aula, de uma maneira mais formal em uma avaliação, no dia a dia em sala de aula quando eles veem com questionamentos em relação a alguma coisa sobre aquilo que a gente está falando. Muitas vezes eles trazem isso de casa. Principalmente em ciências. Em matemática nem tanto porque tem aquela coisa de amor e ódio total: oito ou oitenta. Não tem meio termo. Ciências, por chamar mais a atenção, instiga a curiosidade eles acabam trazendo algumas perguntas que você pensa: e agora? De onde eu vou tirar resposta para essa pergunta? É nesse sentido que eu acabo vendo que aquilo que eu estou fazendo tem algum significado para o aluno também. A partir do momento que ele vai atrás e ele vem com uma coisa nova para me perguntar ou mesmo para me contar. As vezes eles vem né: você já viu isso, isso, isso. Já viu aquele vídeo no Youtube? Você já assinou o canal tal no Youtube? Nesse sentido eu acho que é muito valido você ver o que o aluno está absorvendo e levando para casa e buscando mais informações.

Na sua prática...

Além de transmitir o conhecimento, eu preciso ver o aluno aproveitando ou se apropriando daquilo que ele está visualizando em sala de aula ou no laboratório de uma forma mais prática. Eu dificilmente faço uma avaliação formal toda semana, eu prefiro mais o bate papo durante a aula ou uma discussão com a sala toda, em grupos. A matemática por ser uma relação de amor e ódio, eu tento mudar um pouco. (Ela explica como trabalhou frações em matemática usando a bala Mentos que foi distribuída entre os alunos). Não é a diversão pela diversão! Mas com objetivo. Com significado. Para eles frações e proporções que era o que eu estava trabalhando é um conceito meio longe. Para eles tudo bem “fração é a parte de um todo”, mas o que significa ser parte de um todo? Vamos entender o que é isso (continua explicando a atividade com a bala Mentos). Foi interessante a forma como eles acabaram visualizando e conseguiram aplicar porque depois passamos para as operações com frações que é uma coisa mais chata e o Mentos voltou a mente.

Assim como a bala Mentos contribuiu para ilustrar sua aula, a tecnologia também traz contribuições para sua aula?

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Você tem uma experiência com o uso da tecnologia, que tenha melhorado, potencializado a sua aula?

O ano passado, nas aulas de ciências do 7º ano, nós estávamos trabalhando foguetes e um aluno me trouxe uma questão sobre lançamento de foguetes e a diferença entre os combustíveis que são usados nos tanques dos foguetes e eu não tinha como fazer a demonstração para ele da diferença entre combustíveis do foguete e como eu faço parte do programa de pós-graduação da NASA eu tenho acesso a algumas informações teóricas e alguns vídeos que eu consigo disponibilizar para eles. E eu acabei puxando na mesma hora um simulador e projetei para eles através do meu computador para que vissem a diferença de potência no motor de acordo com o combustível que foi usado. Isso eu jamais poderia fazer dentro de uma escola. Não teria nem como! Eu não faria com livro e mostrando em cálculos não seria interessante como mostrar ali o visual acontecendo para eles. A mesma turma questionou muito como os foguetes eram transportados de um lugar para o outro. Se for feito em Houston e é lançado na Califórnia como transportá-los. E aproveitando o estudo do meio que eles foram até ao aeroporto eu peguei o gancho e mostrei para eles como um foguete é transportado em um avião de carga de um lado para o outro. Nesse sentido são coisas que eu não tenho como fazer sem a tecnologia. Isso melhorou minha aula. Essa possibilidade de simular algo que não teria como fazer em um laboratório na escola ou em nenhum outro lugar acho que é fundamental.

Nesse caso você usou o simulador para ilustrar sua aula. Tem alguma proposta que eles tiveram que fazer, pesquisar...

Nós temos dois blogs, uma da turma de matemática, outra da turma de ciências e essas duas turmas tinham semanalmente alguma tarefa no blog que deveria ser realizada e respondida no próprio blog. Tinham atividades para fazer na sala quando traziam os dispositivos ou em casa, como lição de casa. Fizeram, nem todos fizeram da mesma forma que uma lição escrita nem todos trazem. Nós pedíamos através da agenda que trouxessem tablet, note aquilo que pudesse ser conectado à internet. Acessavam através da rede da escola ou com a internet deles mesmos.

Quando estavam conectados para a atividade do blog, eles iam para outras conexões: redes sociais, e-mail, mensagem para a mãe, ou pesquisar outra coisa fora do contexto da aula...

Não nessas aulas. Mas isso acontece quando eles trazem livremente e usam em uma atividade que fosse aberta, sem roteiro programado, ai sim, extrapolam. Entram no Google e vão para o Facebook. Mas nesse sentido eu fico em cima para ir controlando. Eles buscam além daquilo que você está pedindo.

Os dispositivos móveis não são fatores, então, de distração se a aula tem um foco, um objetivo?

Exatamente. Toda aula que eles têm que trazer, sempre que a atividade é dirigida eles não iam atrás de outra coisa no momento da aula e se vai não me incomoda, a não ser

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Já aconteceu de confrontarem sua informação com informações da internet?

Sim, isso acontece o tempo todo e isso não me incomoda de maneira alguma. Eles dizem: mas você falou isso, isso, isso e aqui está dizendo o contrário. E por quê? Vamos analisar o porquê. Sempre que eles trazem algum ponto que tenha algo divergente daquilo que foi visto em sala de aula a gente busca a terceira opinião. Então tá: se aqui a gente viu que isso é dessa forma, no computador a gente tá vendo de outro jeito, então vamos ver: o site é confiável ou é o primeiro site que aparece na busca do Google, por exemplo? Eles adoram isso né?! Eles digitam a busca e a primeira página é a melhor página e acabou. Não vão atrás de outras fontes. Então a gente pega e faz várias colunas na lousa. A professora disse isso, o livro aquilo, esse site tá dizendo isso, vamos ver o outro site. Ah o outro site tá igual ao livro. E vamos buscando outras fontes e orientando no sentido de saber qual site é mais confiável e comparando as informações. O Yahoo onde as pessoas inserem o que elas querem, o Wikipédia onde cada um vai contribuindo com a sua parte, ou o site de uma universidade de pesquisa, onde você tem pesquisadores que precisam comprovar o que eles estão fazendo. Ah, verdade. Precisa tomar cuidado com a informação que a gente tá usando, as fontes que são usadas na hora de pesquisar. Ah, verdade!

Você acha que para orientar esse aluno no uso das tecnologias, exige de você uma nova competência como professora, diferente daquela quando você só tinha livro, lousa, a sua informação?

A informação é imediata na internet. A alimentação de informações a cada segundo é uma coisa impressionante. Você tem que estar atento e você tem que saber filtrar essas informações também. A internet é uma ferramenta excelente, porém tem que ser usada de maneira coerente. Não adianta você pegar simplesmente o primeiro site que você achou para responder, por exemplo, por que o fogo fica verde com determinadas substancias. É a resposta absoluta. Eles nem olham outros para ver se está dizendo a mesma coisa, se tem lógica. Eu falo para eles que eles precisam ter muito cuidado nesse sentido da mesma forma que eu. As vezes vou pegar uma ideia para uma atividade e tem lá um experimento lindo feito em um vídeo encontrado no Youtube, mas na hora de fazer não funciona nada. Por que? Manipulação de imagem, você não sabe se aquilo foi editado. Se tem um Photoshop envolvido na história se não tem. Por isso a gente tem que tomar cuidado.

Quando eles fazem relatório de aula prática o que eu peço é que eles cheguem as suas próprias conclusões. A sua hipótese está correta? Se não está por que você chegou àquela hipótese, porque às vezes eles falam que já tinham visto o experimento antes no Youtube? Ai eu questiono se foi a mesma coisa que aconteceu no experimento feito em sala de aula. Ai eles questionam que no vídeo que viram era tão mais assim, tão mais explosivo. Então, pois é!

22 Saber utilizar a internet e filtrar as informações é muito importante. É muito fácil você entrar no Pinterest...tem 300 mil ideias de uma atividade. Mas que linda essa, só que você nem presta atenção no que é a atividade. O visual é lindo ai depois você vai fazer e fica: para que é isso mesmo?

Você tem facilidade com tecnologia (ela tira das bolsas: dois tablets, um ipod, um smartphone, dois notebooks). “Usuária total” e ser usuárias de dispositivos móveis e conectados faz você ter mais segurança na hora de propor uma aula com o apoio de tecnologia.

Se eu não usasse, se eu não me sentisse confortável no uso dessa tecnologia com certeza eu teria que recorrer a um técnico, a quem trouxe várias vezes. A gente sabe da limitação da internet: ela cai, a rede às vezes não funciona, o cabo não quer ligar. Você já fica desestruturado, porque você já tinha planejado mostrar alguma coisa que era na internet e a rede não está funcionando naquele momento, por exemplo. Ainda bem que você já está preparado, você já tem salvo no computador, no pen drive, para não ter que usar naquele momento só o ao vivo e em cores. Mas se eu realmente não usasse, eu não me sentiria a vontade em aplicar essa tecnologia em sala sem o apoio de outras pessoas. Professores que tem dificuldade às vezes nem utiliza porque eu tenho a impressão de que vou parecer um bobão na frente do meu aluno, vou fazer papel de bobo porque eu não sei usar, não consigo solucionar o problema, e ai?

Mesmo sendo uma boa usuária, não me incomoda que o aluno saiba mais que eu, pelo contrário eu falo “vem aqui”!

Eu acho que a tecnologia está aqui para ajudar mesmo. Tem que ser utilizada. Não apenas para falar que usa, porque tem muito disso também. No meu dia dificilmente eu faço uma apresentação de Power point. Eu prefiro ir à lousa, pedir que o aluno venha à lousa fazer uma resolução do que ficar ilustrado a coisa toda só por ilustrar e não avançar. Se for só para o aluno ficar lendo e anotando não faz sentido algum, a não ser que eu coloque ali um vídeo, um simulador para ele ver a situação acontecendo. É diferente porque você não tem como fazer isso com giz, não tem o mesmo efeito para o aluno. Eles adoram fotografar minha lousa. Normal! Nunca tive situação de filmar a aula, mas não me importaria. Apresentação por apresentação você faz na lousa, eu acho. Tem que ter um por que de você usar a tecnologia. A mesma coisa é copiar o que está no livro na lousa. Qual o sentido de colocar um monte de coisa e o aluno ficar copiando. Você perde seu tempo, o aluno o dele. Tem coisa que eu prefiro usar a lousa já que o computador não estará acrescentando em nada. Tanto que tem dia que eu estou com a lousa completa, mas a projeção. Eu não vou ficar desenhando na lousa, por exemplo, passo a passo de um experimento se é muito mais rico o aluno estar visualizando o acontecimento ou ele mesmo realizando aquilo.

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No documento Marta do Carmo Silva (páginas 128-132)