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2.3 Modelando o Usu´ ario: Modelos Mentais

3.1.9 PUC/Uniform (Controlador Universal)

O puc ´e uma proposta de Nichols et al. (2002) que facilita a intera¸c˜ao com aparelhos complexos atrav´es de uma interface de controle remoto universal gerada para dispositivos m´oveis, tais como um pocket PC ou celular. Embora tenha objetivos similares aos do ICrafter (se¸c˜ao 3.1.5), a principal diferen¸ca entre eles parece ser o fato de que a arquitetura do ICrafter n˜ao ´e muito escalar por depender de um servidor central para gerˆencia das conex˜oes entre interfaces e aparelhos. J´a o puc utiliza um protocolo de comunica¸c˜ao que permite a troca de informa¸c˜oes com esses aparelhos de maneira bi-direcional e ass´ıncrona. No entanto, para que esse protocolo seja utilizado e compreendido por ambas as partes, ´e necess´ario a constru¸c˜ao de adaptadores para tradu¸c˜ao do protocolo de comunica¸c˜ao

propriet´ario de cada aparelho (ex.: X106, UPnP7, Jini8). O processo de comunica¸c˜ao do

puc com os aparelhos ´e feito em duas instˆancias:

1. Download da especifica¸c˜ao das fun¸c˜oes do aparelho: A especifica¸c˜ao de um aparelho in- clui a descri¸c˜ao em alto n´ıvel de cada fun¸c˜ao usando linguagem XML9 (representa¸c˜ao de estados de vari´aveis, comandos, tipos e t´ıtulos de informa¸c˜oes), agrupamento hi- er´arquico dessas fun¸c˜oes para divis˜ao correta dos objetos na interface e dependˆencia de informa¸c˜ao para disponibiliza¸c˜ao de estados/comandos de acordo com valores de outras vari´aveis (ex.: usar a dependˆencia “igual a” dentro de um elemento do tipo “ativo se” para indicar que a apresenta¸c˜ao de um conjunto de comandos estar´a ativa

se o estado de uma vari´avel for igual a um determinado valor).

2. Gera¸c˜ao autom´atica da interface de controle: A partir dos trˆes conjuntos de infor- ma¸c˜oes obtidos no passo anterior (especifica¸c˜ao de fun¸c˜oes, agrupamento em ´arvore das fun¸c˜oes e dependˆencia de informa¸c˜ao), o gerador cria uma interface de controle do aparelho adequada `a modalidade de intera¸c˜ao do dispositivo m´ovel (ex.: gr´afica ou por voz). Os componentes de interface que representam cada estado de vari´avel e comando s˜ao escolhidos usando uma ´arvore de decis˜ao.

Em estudos preliminares, Nichols et al. (2002) verificaram que a realiza¸c˜ao de tare- fas em interfaces geradas pelo puc foi duas vezes mais r´apida do que nas interfaces dos fabricantes dos aparelhos, al´em dos usu´arios terem cometido metade dos erros. Estes resultados foram confirmados e estendidos com o experimento realizado por Nichols et al. (2007), no qual foi observado uma eficiˆencia duas vezes maior e quatro vezes mais sucesso na utiliza¸c˜ao de dois modelos diferentes de impressoras multi-funcionais. Nesse experi- mento, 48 indiv´ıduos realizaram oito tarefas em seis interfaces diferentes: duas criadas pelos fabricantes HP e Canon (na superf´ıcie das pr´oprias impressoras) e quatro geradas automaticamente pelo puc para uso em um pocket PC, sendo que duas destas mantinham consistˆencia com o modelo concorrente e as outras duas n˜ao. A Figura 3.7 mostra as interfaces geradas pelo puc e utilizadas no experimento. Note como as interfaces de mo- delos diferentes mostradas na Figura 3.7b e 3.7c s˜ao parecidas, o mesmo ocorrendo com as da Figura 3.7a e 3.7d. Essa nova funcionalidade do puc chamada Uniform (NICHOLS et al., 2006a), capaz de gerar automaticamente interfaces consistentes com um modelo con- hecido do usu´ario, apresentou eficiˆencia duas vezes maior do que as interfaces geradas sem consistˆencia. Esse resultado d´a suporte `a hip´otese desta tese por revelar que interfaces

6 http://www.x10.com/products/x10_ck11a.htm 7 http://www.upnp.org 8 http://www.sun.com/jini 9

consistentes com a experiˆencia pr´evia do usu´ario fornecem maior velocidade na conclus˜ao de tarefas devido `a facilidade de aprendizado.

Figura 3.7: Exemplo de telas geradas pelo puc para controlar duas impressoras multi- funcionais da marca HP e Canon usando um pocket PC (NICHOLS et al., 2007, p.1284). O puc obteve duas vezes mais eficiˆencia e quatro vezes mais sucesso na realiza¸c˜ao de tarefas comuns do que as interfaces dos pr´oprios fabricantes. Essa eficiˆencia foi duas vezes maior com as interfaces (c) e (d) do que com as interfaces (a) e (b), comprovando que a consistˆencia ´e um fator de grande importˆancia para o design multi-dispositivo.

Como se pode perceber, a proposta desta tese caminha paralelamente `a proposta do puc, sendo que a ´ultima ´e direcionada ao controle de aparelhos atrav´es de interfaces consistentes com a experiˆencia pr´evia do usu´ario e a primeira ao design de interfaces multi-dispositivos com a mesma preocupa¸c˜ao de reuso do modelo mental. No entanto, a gera¸c˜ao autom´atica proposta no puc faz inferˆencias de layout baseadas em regras n˜ao muito intuitivas para manuten¸c˜ao. Por exemplo, considere a seguinte regra usada na cons- tru¸c˜ao da interface de controle de um aparelho de som (NICHOLS et al., 2002): “Se um grupo for encontrado tal que contenha um t´ıtulo e dois componentes que n˜ao precisem de seus t´ıtulos, ent˜ao uma linha ser´a criada usando o t´ıtulo com os dois componentes no espa¸co tipicamente reservado para um ´unico componente.” Essa regra foi criada apenas para configurar a disposi¸c˜ao dos objetos de interface necess´arios ao controle de um sintonizador de esta¸c˜oes de r´adio, composto por um t´ıtulo (campo num´erico com o n´umero da esta¸c˜ao) e dois componentes (um bot˜ao do lado esquerdo do t´ıtulo e outro do lado direito para buscar esta¸c˜oes decrementando ou incrementando a frequˆencia respectivamente). A leitura dessa e de outras regras apresentadas por Nichols et al. (2002) dificilmente trazem `a lembran¸ca os casos particulares a que se aplicam. Al´em disso, suas l´ogicas de aplica¸c˜ao n˜ao deixam clara a existˆencia de conflitos com outras ou mesmo a possibilidade de renderiza¸c˜ao inadequada

da interface em casos imprevistos. Ainda assim, o potencial desta proposta fica claro ao redirecionar o foco do design multi-dispositivo para o usu´ario.