PARTE V — O PECADO E A LEI
Pergunta 59: Qual é o significado do Oitavo Mandamento?
Resposta: O Oitavo Mandamento proíbe qualquer coisa que dificulte ou possa dificultar ou
prejudicar nossa própria riqueza, ou de outra pessoa, propriedade interior e exterior. Veja também: Êxodo 12:35-36; 21:33-34; 22:21-30; 23:4-11; Levítico 19:11, 13, 15, 35-36; 25:13-17; Deuteronômio 5:19; 8:6-18; 22:1-4; 23:24-25; 27:17; Josué 7:20-21; 2 Samuel 12:1-6; Salmos 37:21; 50:18; Provérbios 3:27; 6:6-11, 30-35; 10:15; 11:15-16, 26; 18:9; 20:10, 14, 23; 21:4-7; 22:7, 9, 13, 20-21, 23; 27:23-27; 28:15-17, 19-22; 30:8-9; Isaías 1:21-26; Jeremias 17:11; 22:13; Ezequiel 45:9-12; 46:18; Oséias 12:7; Amós 8:4-8; Malaquias 3:8-10; Mateus 7:12; 10:9-10; 17:24-27; 22:15-22; 25:19-30; Marcos 7:21-23; 10:19; Lucas 11:39-42; João 12:4-8; Atos 2:44-45; 5:1-4; Romanos 13:8-10; 12:17; 1 Coríntios. 5:10-13; 6:1-11; 7:23; 2 Coríntios 8:21; Efésios 4:28; 6:5-8; Colossenses 4:1; 1 Tessalonicenses 4:6; 2 Tessalonicenses 3:10-12; 1 Timóteo 5:8, 16-18; 6:9-10, 17-19; Tito 2:9-10; Filemom 18-19; Hebreus 13:5; Tiago 4:1-4, 13-17; 5:1-6.
Comentário
Tal como o Sexto e o Sétimo Mandamentos, há tanto uma declaração negativa perpétua proibindo o roubo quanto uma implicação positiva que todo homem deve ser diligente
quanto à sua própria propriedade, e também estar praticamente preocupado com a pessoa e a propriedade dos outros.
Há três pensamentos necessariamente relativos a este Mandamento no contexto da lei moral. Primeiro, cada Mandamento tem uma relação direta com o prólogo em Êxodo 20:1-2: “Então falou Deus todas estas palavras, dizendo: Eu sou o SENHOR teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão”. Deus possuiu a nação de Israel como seu Redentor e Libertador. Assim, ele tinha autoridade absoluta sobre eles por meio de Sua lei. Segundo, como Yahwéh livrou-os da casa da servidão, eles deveriam compreender tanto da escravidão quanto da liberdade (O Oitavo Mandamento proíbe o sequestro, inclusive o sequestro para fins de escravatura, especialmente no contexto dos Mandamentos Sexto-Oitavo). Terceiro, há uma relação imediata entre o Sexto, o Oitavo e o Nono Mandamentos, visto que aquele que rouba uma pessoa ou sua propriedade está presumivelmente também pronto tanto para matar quanto para mentir.
É natural e comumente pensado que quando qualquer indivíduo ganha, recebe, encontra ou herda uma propriedade que é sua por direito. Ele pode fazer aquilo que ele considera oportuno como único proprietário e possuidor. A posse da propriedade privada é um direito? Qual é a fonte de tal direito? A propriedade privada é uma necessidade? Qual era o propósito original para a propriedade privada? Como o homem deve usar o que ele ganhou, que lhe foi dado ou herdado? O que exatamente é a propriedade privada?
Finalmente, o homem não possuiu e não possui nada. Ele é uma criatura de Deus que dEle depende para todas as coisas (Atos 17:24-25), incluindo cada respiração (Gênesis 2:7; Salmos 104:29; Isaías 2.22; Daniel 5:23; Atos 17:25) e o sustento diário (Mateus 6:11,
19-33). A totalidade da realidade criada pertence — é de propriedade do — Todo-Poderoso
Deus: “...O Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra...” (Gênesis 14:19, 22). “Do SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam” (Salmos 24:1; 50:10). “...Toda a terra é minha” (Êxodo 19:5). O domínio iminente pertence somente a Deus, e não ao Estado. O homem é desta forma simplesmente um mordomo das habilida-des, do tempo, da reputação, das realizações, das vantagens, da saúde, da riqueza ou de outros bens que lhe foram dados por Deus. Ele não possui nada que ele possa finalmente chamar ou tratar como seu. Tudo o que Ele é e possui deve ser considerado como delegado a ele por Deus para o uso responsável e sábio de acordo com a sua Palavra-Lei.
O Mandato Cultural é: “e domine sobre... toda a terra... e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a” (Gênesis 1:26-28). Este é a “Carta Magna” da humanidade, sua Carta Primitiva, Comissão Original ou Constituição Divinamente obtida. O homem foi criado para trabalhar e para exercitar piedosamente, o domínio responsável perante Deus, e encontrar
significa-do, satisfação, prazer e bênção nos frutos do seu trabalho (Gênesis 2:7-8, 15; 39:5; Levítico 25:18-23; Deuteronômio 28:1-13; Provérbios 10:22; Malaquias 3:10-12).
O homem é o fiel depositário da terra sob Deus. O Mandato Cultural é assim a base bíblica e moral para a propriedade privada, à medida que a acumulação de riqueza (propriedade privada) é necessária para o seu cumprimento. Assim, a propriedade privada é um direito inalienável, dado por Deus. O homem neste contexto tem o direito à posse (mordomia) da propriedade, se ele a ganhou legitimamente, se lhe foi dada ou se a herdou. É uma confi-ança sagrada dada por Deus. Portanto, toda propriedade, sem exceção deve ser responsa-velmente mantida e utilizada de acordo com a vontade revelada e a Palavra de Deus. Sobre esta ordenança de Deus é fundado o Mandamento penetrante: “Não furtarás”.
O homem foi criado e chamado para exercer o domínio piedoso sobre a terra, sob Deus (Gênesis 1:26-28). Posto que ele foi criado para este propósito, domínio inteligente e responsável era mais do que a sua vocação, era também uma parte inevitável de sua natureza. Era e é a natureza inerente do homem exercer domínio. É no contexto do homem como o portador da imagem de Deus e do Mandato Cultural que nós devemos ver a ética bíblica do trabalho. O homem foi destinado para trabalhar como servo de Deus, ou seja, exercer uma mordomia piedosa, responsável e consistente. Cada tarefa deve ser abordada, realizada e completada “como para o Senhor” (Eclesiastes 9:10; Efésios 6:5-8; Colossenses 3:22-24; 1 Pedro 4:11). Isto é, para ser mantido com fidelidade, em especial para o crente, apesar da maldição e seu efeito subsequente sobre o trabalho como exaustivo e, às vezes, a frustrante labuta (Gênesis 3:17-19; Eclesiastes 2:10-11, 17-24). A ética bíblica do trabalho encontra a sua mais plena e mais alta expressão no contexto de um estilo de vida conver-tido. O domínio começa com o governo próprio e o governo próprio começa com a regene-ração (João 3:3, 5; Efésios 4:22-24; Tiago 1:18; 1 Pedro 1:23).
A apostasia humana de Deus na pessoa e no pecado de Adão foi centrada em sua busca por ser o seu próprio “deus” e determinar por si mesmo o que era certo e errado (Gênesis 3:1-6), ou seja, por buscar autonomia em relação à sua natureza, posição e vocação. Veja as Perguntas 37-38. Não é a existência da propriedade que é pecaminosa ou errada, nem o desejo por ela; e sim a grande transição espiritual e moral do Mandato Cultural sob Deus para a tentativa de autonomia do homem caído e pecador em seu “complexo de deus”. Sua natureza tornou-se pervertida, mas o desejo de dominar permaneceu divorciado do efeito equitativo, santificante e dirigente da Palavra-Lei de Deus. Deste desejo egoísta e profano de dominar autonomamente a terra e todas as pessoas e coisas nela, deriva toda inveja, ciúme e orgulho; cada ato de contenda pessoal, conjugal e social; estupro, furto, roubo, pilhagem e assassinato; opressão pessoal, corporativa e nacional; toda forma de governo que nega a seus súditos a propriedade privada — Monarquia absoluta, Comunismo e Socia-lismo (Darwinismo Social); e toda a tentativa de dominação eclesiástica, perseguição
política religiosa. O homem caído e pecaminoso, tanto individual quanto coletivamente é um ladrão, intruso e vândalo na terra de Deus. Assim, destaca-se a necessidade da Palavra-Lei de Deus, “Não furtarás”.
Nós roubamos?