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Qualificações do Verdadeiro Sumo Sacerdote (5:1-10)

Comentário sobre o Texto

III. Nosso Grande Sumo Sacerdo­ te (4:14-5:10)

2. Qualificações do Verdadeiro Sumo Sacerdote (5:1-10)

1) Qualificações Humanas (5:1-6) 1 P o rq u e to d o s u m o s a c e r d o te to m a d o d e n tr e o s h o m e n s é c o n stitu íd o a la v o r d o s h o m e n s n a s c o is a s c o n c e rn e n te s a D e u s, p a r a q u e o f e r e ç a d o n s e s a c rifíc io s p e lo s p e c a d o s , 2 p o d en d o e le c o m p a d e c e r-s e d e ­ v id a m e n te d o s ig n o r a n te s e e r r a d o s , p o r ­ q u a n to ta m b é m e le m e s m o e s t á ro d e a d o d e f r a q u e z a . 3 E p o r e s t a ra z ã o d e v e e le , ta n to p elo po v o co m o ta m b é m p o r s i m e s m o , o fe ­ r e c e r s a c r ifíc io p e lo s p e c a d o s . 4 O ra , n in ­ g u é m to m a p a r a s i e s t a h o n ra , s e n ã o q u a n d o é c h a m a d o p o r D e u s, c o m o o foi A rã o . S A ssim ta m b é m C ris to n ã o s e g lo rific o u a s i m e s m o , p a r a s e f a z e r s u m o s a c e r d o te , m a s o g lo rific o u a q u e le q u e lh e d is s e : T u é s m e u F ilh o , h o je t e g e r e i ; 6 c o m o ta m b é m e m o u tro lu g a r d iz : T u é s s a c e r d o te p a r a s e m ­ p r e , se g u n d o a o r d e m d e M e lq u ise d e q u e .

Neste ponto, o pregador, pela primeira vez, explica o que torna um sacerdote verdadeiro: (1) A sua humanidade pre­ cisa torná-lo humano (v. 1-3); (2) Um verdadeiro sumo sacerdote não pode no­ mear-se a si mesmo (v. 4-6).

Podendo ele compadecer-se devida­ mente dos ignorantes e errados, porque

ele também estâ rodeado de fraquezas. Ele era vulnerável às mesmas tentações

que os outros conheciam. A palavra tra­ duzida como compadecer-se foi cunhada por filósofos morais para descrever o equilíbrio áureo entre a tristeza extrava­ gante e a apatia obtusa. Isto foi de­ monstrado por Abraão em sua tristeza pela morte da esposa. £ um a atitude apropriada no pesar. O pregador hebreu toma esta palavra e a faz descrever mo­ deração da ira em um a pessoa que foi provocada.

O nosso grande Sumo Sacerdote trata amavelmente os ignorantes e errados, que pecam por causa da fraqueza da natureza humana. Essas eram as únicas pessoas cujos pecados eram cuidados no Dia da Expiação. Este pregador não conhecia nenhum perdão para os peca­ dores delib erad am en te presunçosos (3:12; 10:26). As pessoas para quem o perdão é possível são as que erram por causa de ignorância e as que se arrepen­ dem verdadeiramente. O ritual do sacri­ fício no Velho Testamento não encobria pecados deliberados, propositais (cf. Núm. 12:11). Só pecados não intencio­ nais eram perdoados (Lev. 4:2; 5:17-19; Núm. 15:22-31; Deut. 17:12).

Este pregador tem uma opinião ex­ cessivamente séria a respeito do pecado. Sõren Kierkegaard chamava o pecado de “ doença para a morte” . Uma igreja sem uma robusta doutrina do pecado não tem nada a dizer para um mundo como o nosso.

E por esta razão deve ele, tanto pelo povo como também por si mesmo, ofere­ cer sacrifício pelos pecados. Por causa

das fraquezas humanas, requeria-se que o sumo sacerdote sacrificasse por si mes­ mo, por sua família e depois pelo povo.

E ninguém toma para si esta honra signi­

fica que ele não assumia por si mesmo esse ofício ou posição.

Tu és meu Filho, hoje te gerei é o texto

favorito deste pregador. Ele é tirado do Salmo 2:7. No verso 6, ele cita o Salmo 110:4, e liga a divina filiação com o papel do sumo sacerdote. No começo do ser­ mão (1:2,3), ele falara sobre a missão do

Filho como sendo a purificação dos ho­ mens de seus pecados.

Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque significa que

ele era um sacerdote do tipo de Melqui­ sedeque. A genealogia da ordem sacer­ dotal era cuidadosamente preservada, mas não existe nenhum registro conheci­ do a respeito de Melquisedeque. De acor­ do com a impressão comum, ele não recebera o seu sacerdócio devido à sua genealogia terrena nem o passara aos seus descendentes. Ele era um sacerdote nomeado por Deus de maneira especial.

Contudo, nenhum protótipo terreno era adequado para descrever Cristo, se­ gundo o pensamento deste pregador he­ breu. Portanto, ele tem todo o cuidado para insistir que Cristo era grande de­ mais para ser contido em qualquer ca­ tegoria terrestre. Portanto, o pregador é muito meticuloso em sua insistência em que Cristo não precisou oferecer sacri­ fício por si mesmo, pois ele era sem pecado. 2) Qualificações Morais (5:7-10) 7 O q u a l n o s d ia s d a s u a c a r n e , te n d o o fe re c id o , c o m g ra n d e c la m o r e lá g r im a s , o ra ç õ e s e s ú p lic a s a o q u e o p o d ia l i v r a r d a m o r te , e te n d o sid o o u v id o p o r c a u s a d a s u a re v e r ê n c ia , 8 a in d a q u e e r a F ilh o , a p re n d e u a o b e d iê n c ia p o r m e io d a q u ilo q u e s o fre u ; 9 e , te n d o sid o a p e rf e iç o a d o , v elo a s e r a u to r d e e t e r n a s a lv a ç ã o p a r a to d o s o s q u e lh e o b e d e c e m , 10 se n d o p o r D e u s c h a ­ m a d o s u m o s a c e r d o te , se g u n d o a o rd e m d e M elq u ise d e q u e .

Jesus, mediante uma disciplina rígida, moral, qualificou-se para ser o grande Sumo Sacerdote. Quatro coisas são res­ saltadas nesta sua qualificação: (1) Ele qualificou-se mediante orações (v. 7); (2) ele qualificou-se também por agonia e lágrimas (v. 7); (3) ele qualificou-se pela fé naquele que é capaz de salvar (v. 7); (4) ele qualificou-se mediante a obediên­ cia (v. 8).

Na arena dò combate moral, Jesus se qualificou para ser a fonte de salvação eterna para todos os que seguem o seu

exemplo de obediência, e desta forma ele, na verdade, tornou-se o que Deus o designara para ser: Sumo Sacerdote (v. 9 e 10). A nomeação de Deus fora primária, mas não fora uma nomeação desqualificada. Requeria uma reação de fé e obediência que incluía sofrimento.

O qual nos dias da sua carne, tendo oferecido, com grande clamor e lágri­ mas, orações e súplicas. Lucas enfatizou

as lágrimas de Jesus (22:44). Este prega­ dor de Hebreus ficara profundamente impressionado com a vida humana de Jesus, vivida na história. O que mais o impressionara fora a intensa fé e cora­ gem de Jesus em face da cruz. Ele con­ sidera essa angústia como redentora.

A piedade rabínica enfatizava o valor das lágrimas penitenciais. Três tipos de orações eram descritas pelos rabis: rogos, clamor e lágrimas. Uma voz mansa era usada nos rogos. A voz era levantada para o clamor, e as lágrimas represen­ tavam a forma mais elevada de oração.

Tendo sido ouvido por causa da sua reverência. A reverente submissão à von­

tade de Deus, seu Pai, foi a base para a resposta às orações de nosso Senhor.

Ainda que era Filho, aprendeu a obe­ diência por meio daquilo que sofreu.

Esta filiação não o imunizara da necessi­ dade de aprender como qualquer ser genuinamente humano. As mais impor­ tantes lições da vida são aprendidas atra­ vés da angústia. O aprendizado de Jesus não foi diferente, não foi exceção a esta regra.

Tendo sido aperfeiçoado significa não

que ele era perfeito em todos os mo­ mentos, mas, pelo contrário, que a sua perfeição moral dependia, em última análise, de sua reação a cada desafio que lhe era apresentado. Isto foi especial­ mente verdadeiro quando esses desafios se intensificaram, quando a sua cruz se aproximou e se tomou não uma visão futura, porém uma realidade presente, inexorável.

Veio a ser o autor de etema salvação para todos os que lhe obedecem. A sal­

vação estava condicionada à lealdade a Cristo. Desobedecer-lhe é evidência de incredulidade (3:18; 4:6,11). Desobede- cer-lhe é a negação prática de que ele é o Sumo Sacerdote apontado por Deus (v. 10).

IV. Aplicação (5:11-6:20)

1. Contra a Preguiça (5:11-14) 11 S o b re isso te m o s m u ito q u e d iz e r, m a s de d ifíc il in te r p r e ta ç ã o , p o rq u a n to v o s t o r ­ n a s te s ta r d io s e m o u v ir. 12 P o rq u e , d e v e n d o j á s e r m e s tr e s e m r a z ã o do te m p o , a in d a n e c e s s ita is de q u e se v o s to r n e a e n s in a r os p rin c íp io s e le m e n ta r e s d o s o rá c u lo s d e D eu s, e v o s h a v e is fe ito ta i s q u e p r e c is a is de le ite , e n ã o de a lim e n to só lido. 13 O ra , q u a l­ q u e r q u e se a lim e n ta d e le ite é in e x p e r ie n te n a p a la v r a d a ju s ti ç a , p o is é c r i a n ç a ; 14 m a s o a lim e n to sólido é p a r a o s a d u lto s , os q u a is tê m , p e la p r á t i c a , a s f a c u ld a d e s e x e r c ita d a s p a r a d is c e r n ir ta n to o b e m c o ­ m o o m a l.

O elevado conhecimento do Filho de Deus como Sumo Sacerdote é dado ape­ nas àqueles que levaram a sério os fun­ damentos elementares da fé ao ponto de dominá-los. Só os amadurecidos podem entender o sublime significado do sumo sacerdócio de Jesus. O pregador teme que os seus ouvintes sejam ainda imatu­ ros demais para entender isto.

Sobre isto refere-se ao sumo sacerdote

de acordo com a ordem de Melquisede- que (v. 10). Temos muito que dizer era uma forma literária costumeira, naquela época. De difícil interpretação significa que o problema é do ouvinte, e não do assunto, porquanto vos tornastes tardias

em ouvir. A palavra traduzida como tar­ dios em ouvir é um termo ético comu-

mente usado para designar preguiça. Quando usado em relação à audição, denota surdez — que pode tomar-se um pecado constante e destruidor para o crente.

Porque, devendo já ser mestres em razão do tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar os princípios ele­ mentares dos oráculos de Deus. Já era

uma pessoa é madura, deve ter suficiente conhecimento cristão que o qualifique para ensinar os outros. O escritor estava usando esta maneira de repreensão para incitar os seus ouvintes a aprenderem o que devia já ser familiar a todos os crentes. Na vida do crente amadurecido, deve haver um a época em que ele não precisará mais ser lembrado quanto aos fundamentos da fé. Ciro disse aos chefes persas que ele se sentiria envergonhado de dar-lhes conselhos às vésperas da ba­ talha. D a mesma forma, este pregador hebreu insiste que os seus ouvintes já tinham os fundamentos de sua fé havia bastante tempo, suficiente para que os tivessem absorvido.

E vos haveis feito tais que precisais de leite, e não de alimento sólido. Eles ha­

viam deslizado para um nível mais baixo, voltado para um a segunda infância espi­ ritual. O contraste entre leite e alimento sólido era um artifício popular na filoso­ fia ética grega. Orígenes usou esta passa­ gem para responder a Celso, que havia acusado os cristãos de terem medo de se dirigirem a um auditório educado e in­ teligente. O crente amadurecido, que está preparado para receber alimento só­ lido, é alguém que está pronto para en­ tender o sacerdócio de Cristo.

Ora, qualquer que se alimenta de leite

significa a pessoa cujo único alimento é o leite (cf. I Cor. 3:2). Inexperiente signi­ fica inepto, sem experiência. Na palavra

da justiça era uma expressão usada

freqüentemente na filosofia moral, como equivalente da verdade moral. A verdade moral final havia-se manifestado naquele que agora é o grande Sumo Sa­ cerdote. As pessoas maduras não podem ignorar este fato, nem deixar de enfren­ tá-lo. Pois é criança significa que é infan­ til não enfrentar a verdade moral final.

Mas o alimento sólido é para os adul­ tos, que são capazes de uma dedicação

decisiva e de se decidirem firmemente.

Os quais têm, pela prática, as faculdades exercitadas para discernir tanto o bem como o mal indica que, para o pregador

hebreu, havia apenas duas espécies de alunos: os maduros e os imaturos. Os maduros são os que têm os sentidos exer­ citados para distinguir o bem e o mal.

Faculdades não descreve as faculdades

mentais, mas os poderes que fazem de alguém um a pessoa. Os estóicos usavam este termo para descrever um órgão dos sentidos, porém ele mais tarde adquiriu um sentido moral e se tomou equivalente do poder de escrutínio moral. O que distingue a pessoa m adura de uma crian­ ça é o poder de fazer julgamentos morais e de ser moralmente responsável.