Comentário sobre o texto
I. Vida Oriunda de Deus (1:3-2:10)
1) Santidade Modelada Pela de Deus (1:13-
13 P o r ta n to , cin g in d o o s lo m b o s do vo sso e n te n d im e n to , se d e só b rio s, e e s p e r a i in t e i r a m e n te n a g r a ç a q u e se v o s o fe re c e n a r e v e la ç ã o d e J e s u s C ris to . 14 C om o filh o s o b e d ie n te s, n ã o v o s c o n fo rm e is a s conciipls- cê n c la s q u e a n te s tín h e is n a v ò ssa rig fio râ n ’- c la ; 15 m a s , co m o é s a n to a q u e le ^ q u e v o s c h a m o u , sedé~ vós" ta m b é m s a n to s e m to d ô o vo sso p ro c e d im e n to ; 16 p o rq u a n to e s t á e s c rito : S e re is s a n to s , p o rq u e e u so u s a n to . 17 E , s e in v o c a is p o r P a i a q u e le q u e , s e m a c e p ç ã o d e p e s s o a s , ju l g a seg u n d o a o b r a de c a d a u m , a n d a i e m te m o r d u r a n t e o te m p o d a v o s s a p e re g r in a ç ã o , 18 sa b e n d o q u e n ã o foi c o m c o is a s c o rr u p tív e is , co m o p r a t a ou ou ro , q u e fo s te s r e s g a ta d o s d a v o s s a v ã m a n e i r a d e v iv e r , q u e p o r tr a d iç ã o re c e b e s -
te s d o s v o s s o s p a is , 19 m a s c o m p re c io so s a n g u e , co m o d e u m c o rd e iro s e m d e fe ito e se m m a n c h a , o s a n g u e d e C ris to , 20 o q u a l, n a v e r d a d e , foi co n h ecid o a in d a a n te s d a fu n d a ç ã o do m u n d o , m a s m a n ife s to no fim dos te m p o s p o r a m o r d e v ó s, 21 q u e p o r ele c re d e s e m D e u s, q u e o re s s u s c ito u d e n tr e o s m o rto s e lh e d e u g ló r ia , d e m o d o q u e a v o s s a fé e e s p e r a n ç a e s tiv e s s e m e m D e u s.
Da mesma forma como esta vida, oriunda de Deus, é experimentada pela salvação mediante a fé em Deus, ela é caracterizada também por umá santi dade semelhante à de Deus. A idéia central, nesta seção, é expressa no verso 16, na citação de Levítico 11:4^: “ Sereis, pois, santos, porlfiuFeu1 sovTsanto.” Na passagem de Levítico, a motivação para a santidade,, da parte do povo de Deus (Israel), era que Aquele que os havia remido da escravidão, do Egito era um Deus santo. Eles, como povo dele, de viam^ por Isso, ser um povo santo — tal Deus, qual povo.
Pedro usou o mesmo a r g u m e n t o para
chamar os cristãos de novo Israel. O Deus que ^ s ^ ^ S j e m i J ã . ^ e sua yida pagã era um Deus santo. Êlés, como remidos, deviam ser como o seu Deus: santos.
Cingindo os lombos do vosso enten dimento é uma figura de linguagem. Os
homens usavam vestes talares, longas. Quando empenhados no trabalho, podia ser que a roupa atrapalhasse, e então eles amarravam longas co rd asao redor de suas cinturas. Pedro aphcou esta fi gura ao âmbito intelectual. Cingir os
lombos do vosso entendimento significa
tirar da mente qualquer coisa que atra palhe a vida santa. Sede sóbrios significa ser dotado de bom senso, pensar razoa velmente, Esperai inteiramente significá íõcalizar-se na consumação vindoura da graça redentora de Deus, por ocasião da vinda de Cristo. Tal focalização deve íevar à santidade.
Como filhos obedientes imitam a vida
do pai a quem amam, assim também >estes filhos de Deus ^ eviãin emular n caráter de seu Pai. Não vos conformeis se
relaciona com o e^^elecimeELtojd^um esquema ou sistema de vida. Traduzido fiWèniente, significa: não esquematizeis" a vossa conduta de acordo com as con-
cupiscências que antes tínheis na vossa
ignorância. _«
É possível que esta admoestação se refira a judeus cujos cais lhes haviam ministrado ensinamentos erroneos, que êles seguiam por ignorância do verda deiro caminho da vida. Contudo, a ex pressão as concupiseências que antes
tínheis na vossa ignorância se enquadra
muito melhor num povo gentílico, que pensava que a vida_ consistia de índul- gência para com os apetites físicos. Com- pare-se isto com Colossenses iS ^ ó e Fili- penses 3:17-19, em que Paulo fala dã-= qüélés cujo “deus é o ventre” . Veja-se também Efésios 4:17-20, em que o modo de vida tios gentios c identificado com ignorância e os maus costumes que cor respondem a essa ignorância.
O tema do caráter redentor e santo de Deus é introduzido no verso 15, com a fortíssima conjunção adversativa “ mas” .
Mas, como é santo aquele que vos cha mou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento. O Deus _q.ue_.os
chamara, levando-os a sair de seus ca minhos passados, de ignorância e peca do, deve ser o modelo para a sua vida, na qualidade de povo dele. À exigêncuTdé S santidade no homem implica na santi
dade de Deus. Ao fazê-lo, rejeita-se qualquer grau de relativismo moral que freqüentemente caracteriza a sociedade.
B asicam ente, sa n tid a d e significa separação. Deus é santo, no fato de que ele está separado de todos os outros e de todo pensamento ou ato que possa ser chamado de pecaminoso, injusto, incor reto, etc. Ele conclama o seu povo a ser como ele. O alvo é santidade absoluta, Ele não pode estabelecer um alvo menos elevado. Embora esse alvo nunca seja cumprido nesta vida, a tenção de lutar para alcançá-lo precisa estar sempre presente. O filho de Deus nunca pode
sentir-se à vontade e satisfeito enquanto não alcançar este alvo.
Deus, sem acepção de pessoas, julga
segundo a obra de cada um. Este reco
nhecimento inspira, no adorador, uma motivação de coriduta-correta. Temor significa reverência em face da responsa bilidade HeTãícançaraT santidade. Duran
te o tempo da vossa peregrinação signi
fica que, enquanto a pessoa está neste mundo, deve conduzir a sua vídãcõm üm ienso dè reverência, ao reconhecer o_que é a sua vida e o qug ela deve ser.
Pedro expressou a redencãodoscren- tes usando a figura d e u rií preço" pago para redimir um obieto que é conside rado valiosp. Deus olhou para estas pes- I soas pecadoras que, em sua futilidade, I estavam seguindo os caminhos pecami- I nosos de seus pais. Ele as considerou
valiosas. Ele pagou o preço para a sua
J
redenção. O preço não foi prata ou ouro. Foi algo muito mais precioso. Foi sangue:o sangue de Cristo.
Isto leva a recordar o sistema sacrifi cial do Velho Testamento. Uni cordeiro
--- .“.-7—— --- . « s S K B S S S e '
destinado ao sacnticio precisava ser sem mancha nem defeito de qualquer tipo. r Toal) Batistá apontou para Jesus como “o v Cordeiro dé Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29). Pedro emprega o mesmo conceito da obra redentora de Jesus. Mais uma vez, a linguagem dos versos 18 e 19 tem a aliteração de hino ou, sermão. O preço pago nãòTõTprãtà; foi
sangue, de um cordeiro, sem defeito nem mancha. No texto grego, cada uma des
tas palavrasTem negrito começa com a letra “a” . A série termina com a palavra apoteótica Cristo — “não fostes com prados por p rã tã ou ouro, mas por san gue, o sangue de um cordeiro sem de feito, sem mancha — Cristo” .
Isto Ja z ia parte do plano redentor de Deus ainda antes da fundação do mundo (cf. Hf. 1:4), mas foi manifesto no fim
dos tempos para os leitores de Pedro.
| Aquilo que Deus havia planejado antes í da criação do mundo, ele trouxera à j realidade em um ponto da história,
através da morte e da ressurreição de | Jesus Cristo. Através de Cristo (v. 21) os ‘leitores de Pedro haviam fixado a sua fé
e esperança em Deus. Era fé em que ele
havia providenciado a salvação, e espe
rança em que ele realizaria essa salvação
como cumprimento de sua promessa. 2) Santidade Motivada Pelo Amor dos
Irmãos (1:22-25) 22 J á q u e te n d e s p u rific a d o a s v o s s a s a l m a s n a o b e d iê n c ia à v e r d a d e , q u e le v a a o a m o r f r a t e r n a l n ã o fin g id o , d e c o ra ç ã o a m a i-v o s a r d e n te m e n te u n s a o s o u tro s, 23 te n d o re n a s c id o , n ã o d e s e m e n te c o r r u p tí v e l, m a s d e in c o r ru p tív e l, p e la p a l a v r a d e D e u s, a q u a l v iv e e p e r m a n e c e . 2A P o r q u e : T o d a a c a r n e é co m o a e r v a , e to d a a s u a g ló ria c o m o a flo r d a e r v a . S ecou-se a e r v a , e c a iu a s u a f l o r ; 25 m a s a p a la v r a d o S en h o r p e r m a n e c e p a r a s e m p r e . E e s t a é a p a la v r a q u e v o s foi e v a n g e liz a d a .
A santidade que provém da obediência a Deus e do fato de se modelar o caráter pessoal pelo caráter de Deus indica um laço comum que une todos os remidos. Esse laço é o sincero amor fraternal. A palavra traduzida como não fingido significa sem falsidade, literalmente “não-hipócrita” . No imperativo de cora
ção amai-vos ardentemente uns aos outros, a palavra traduzida como arden temente significa constantemente, com
perseverança. A palavra traduzida como
amor é agape, a virtude angular da vida
cristã. É uma palavra que subentende boa vontade racional, desejo que o seu objeto alcance o maior bem e a atri buição da mais elevada estima.
Isso deve acontecer com a pessoa que tem renascido (v. 23) Ela nasceu não de
semente corruptível. A palavra semente é
usada metaforicamente como base física da procriação. A semente do homem é perecível, e o que nasce dela perecerá, morrerá. Mas o que é renascido, que nasceu de novo, nasceu da semente de Deus; é imperecível. O que é nascido dela é imperecível; não morrerá. Essa
vive e permanece. O que é nascido da j semente do homem é perecível como a erva (v. 24, citando Is. 40:6-8). Mas o
que é nascido da semente de Deus jamais j perecerá. Essa palavra que vive e per- '
manece(logos) é a palavra falada (hréma)
que fora o veículo da evangelização dos leitores de Pedro.
3) Santidade Amadurecida em União