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Santidade Amadurecida em União com Cristo (2:1-10)

Comentário sobre o texto

I. Vida Oriunda de Deus (1:3-2:10)

3) Santidade Amadurecida em União com Cristo (2:1-10)

1 D e ix a n d o , p o is, to d a a m a líc ia , to d o o e n g a n o , e f i n g im e n to s , e in v e ja s , e to d a a m a le d ic ê n c ia , 2 d e s e ja i, com o m e n in o s r e ­ c é m -n a sc id o s, o p u ro le ite e s p ir itu a l, a fim de p o r e le c r e s c e r d e s p a r a a s a lv a ç ã o , 3 s e é q u e j á p r o v a s te s q u e o S en h o r é b o m ; í~ e T ch eg an d o -v o s p a r a e le , p e d r a v iv a , r e j e it a ­ d a,' n V v e rd a d e ,' p elos h o m e n s , m a s , p a r a co m D e u s e le ita e p re c io s a , 5 v ó s ta m b é m , q u a is p e d r a s v iv a s , so is ecU ficados corno c a s á e s p i i ít u a T p ã r a s e r d e s s a c e r d ócio san - jV to ^ a fim d e o fe r e c e rd e s s a c rifíc io s e s p i r i­ tu a is , a c e itá v e is a D e u s p o r J e s u s C risto . | 6 P o r is so , n a E s c r i t u r a se d iz : E is q u e, [ ponho e m S ião u m a p rin c ip a l p e d r a a n g u la r , : e le ita e p r e c io s a ; e q u é m n ela^ S rer n a o i e r a ; co n fu n d id o . 7 E a s s im j j a r a ^ yó s. o s q u e c re d e s , é a p re c io s id a d e ; m a s n a r a na d e s ­ c r e n te s , a p e d r a q u e o s e d ifIc a S o re s r e je i­ t a r a m , e s t a foi p o s ta co m o a p rin c ip a l d a e s q u in a , 8 e : C om o u m a p e d r a d e tro p e ç o e ro c h a d e e s c â n d a lo ; p o rq u e tr o p e ç a m n a p a la v r a , se n d o d e s o b e d ie n te s ; p a r a o qu e ta m b é m f o r a m d e s tin a d o s . 9 M a s v ó s so is a ^g e ra ç ã o e le i ta , o s a c e r d ó c io r e a l , a n a ç ã o s a n ta , o p o v o a d q u irid o , p a r a q u e a n u n c ie is ' a s g r a n d e z a s d a q u e le q u e v o s c h a m o u d a s tr e v a s p a r a a s u a m a r a v ilh o s a lu z ; 10 v ó s qu e \o u tro ra n e m é r e is p o v o , e a g o r a sois povo d e D e u s ; v ó s q u e n a o tín h e is a lc a n ç a d o m is e ric ó rd ia , e a g o r a a te n d e s a lc a n ç a d o .

Assim como o nascimento de um bebê promete crescimento até a maturidade, os meninos recém-nascidos no reino espi­ ritual devem crescer até a maturidade. A palavra recém-nascidos se relaciona com a palavra que é traduzida como

regenerou em 1:3 e renascido em 1:23.

Ela difere dessa palavra grega, pelo fato de ter um prefixo que enfatiza a novi­ dade da experiência, isto é, “acabados de nasce£\ Todas as coisas que haviam

caracterizado as suas vidas antes desse j nascimento devem ser colocadas de lado, ; como se encosta uma roupa velha ou j manchada. Essas coisas são malícia...

engano... fingimentos... invejas... e ma­ ledicência. Todas estas coisas fazem

parte dos pecados do espírito (a dispo­ sição), em contraste com o que reconhe­ cemos como pecados da carne (homicí- dio, bebedeira, etc.). Em o~Nõvo Testa­ mento, ambas as espécies são apresenta­ das como conduta que precisa ser evitada pelo crente. Um dos nossos problemas é que, à medida aue envelhecemos, os pecados da carne se desvanecem, mas os pecados do espírito não sofrem esse en- fraquecimento.

Como “recém-nascidos” sentem a necessidade do leite de sua mãe, assim também esses meninos recém-nascidos devem ter fome do puro leite espiritual, que o seu Pai supre. A palavra traduzida como espiritual é a que Paulo usa em Romanos 12:1 para descrever a adoração que os homens redimidos devem prestar a Deus. Dessa palavra grega deriva a palavra portuguesa “lógico” . O b e b ê ; r recém-nascido anseia pela comida que se

relaciona logicamente com os requisitos de seu crescimento. No mundo espiri­ tual, esse alimento lógico é espiritual por natureza.

A palavra puro significa não diluído. 0 leite espiritual, que Deus supre p a íã os seus filhinhos em crescimento, é leite integral da mais nutritiva qualidade. Ò propósito desse leite é que as crianças que”ol5e&em possam crescer. A palavra- indica aumento de estatura. Paulo reco­ mendou os cristãos efésios que deviam deixar de ser crianças, e crescer “ao estado de homem feito” (Ef. 4:14,15).

A expressão para a salvação descreve mais detalhadamente a espécie de cres- cimento a respeito dê~que Pedro está escrevendo. Não é um crescimento que se relaciona com a vida física, mas com a vida espiritual.^ Êsta palavra pode ser \ 1 trã3uzida como “com referência à salva- |

I

ção” , isto é, o ponto de referência para o )

<■ apro- j

\

crescimento é espiritual. Por outro lado, esse termo pode ser traduzido como “olhando para a salvação” . Neste senti­ do, a' salvação'" como produto final e terminado é o alvo do crescimento. A pessoa física alcança um ponto em que o crescimento pára. Seria anormal se ela não parasse de crescer. Em contraste, a pessoa espiritual nunca pára de crescer, X) seu alvo final dè crescimento é ^ / ximar-se da ‘medida da estatura da ple- £ nitude de Cristo” (Ef. 4:13).

Se é que já provastes é uma constru­

ção gramatical que afirma a ação que o verbo indica. Visto que é fato que pro­ vastes a bondade do Senhor, desejai...

o puro leite espiritual, que produzirá

em vós crescimento como filhos de Deus. Logo que o filho de Deus realmente , ’ prova esse alimento, a sua fome jamais 5 pode ser satisfeita com substitutos.

A espécie de santidade que Pedro tem em vista, para cada filho de Deus, é a que avança para a maturidade, em união cõm o prbéminente Filho de Deus, J e s u s

Cristo. Nos versos 4 a 8, Pedro emprega o tema da pedra rejeitada de Isaías 8:14, 28:16 e SaÜ^ÍT§T227Em sua controvérsia com os líderes do Templo, Jesus aplicara este tema a si mesnio (Mat. 21:42). Eles haviam desafiado a sua autoridade de fazer parar o fluxo de animais para o altar sacrificial, pelo fato de ter puri­ ficado o Templo (Mat. 21:12, 13, 23). Jesus respondeu que ele era uma “pedra” rejeitada pelos edificadores do Templo. Ele não se enquadrava nos planos deles. Mas D eusvfizera dele ,a “pedra” vtnais ^ importante de toda a estrutura. Ele ?

Testava usando uma tradição de que na j . construção do Templo os edificadores^ / haviam rejeitado uma pedra de forma S

*

S

incomum, só para descobrir mais tarde que necessitavam de um a pedra exata- \ 'm ente com aquela forma. ..^ ^ Pedro empregou essa idéia.(C risto^ a um a pedra viva. Ele havia sido rejeitado pelos homens, mas para Deus ele era escolhido e precioso. Agora esses filhos de Deus eram quais outras pedras. Ém

dispostos como a estrutura de uixia nova

casa espiritual, um novo templo como

habitação de Deus (cf. Ef. 2:19-22, para ver como Paulo desenvolve o mesmo tema dos remidos como novo templo de Deus).

Neste novo templo, os crentes consti­ tuem um sacerdócio santo, com o obje- tivo de prestar culto a Deus. E sta é uma passagem básica para a doutrina dese­ jável do sacerdócio^de todos os crentes. Cada crente é um sacerdote em favor de si mesmo diante de Deus. Cada crente é também um sacerdote em favor de todos os outros crentes, diante de Deus. Ele defende a causa do homem junto a Deus e representa Deus junto ao homem. jComo tal, ele oferece sacrifícios espiri­

tuais. A palavra aqui traduzida como^ espirituais é diferente da constante no

verso 2. Esta se relaciona com a natureza dos sacrifícios como adequados ao ome- tivo d á naturezà dò ãÃõrador. Ele. é espiritual; o cultové espiritual. Quando esta cartà foi escrita, o Templo de Jerusa­ lém ainda estava de pé e os sacerdotes ainda estavam oferecendo sacrifícios que o serviço do Templo requeria. Da parte dos cristãos, todavia, havia a percepção crescente de que aqueles sacrifícios não, tinham significado. Jesus Cristo, me-\ ’ diante a sua morte, havia feito o sacri- '

fício total pelo pecado. Tudo aquilo para o que os sacrifícios do Templo haviam ^apontado se havia tornado realidade nesse sacrifício, que ele fez uma vez por [todas, de si mesmo (veja a extensão deste

tema em Heb. 9).

Pedro encerra o tema da pedra rejei­ tada, apontando para a natureza dupla dess^pedra. Para os que crêem e aceitam essa pedra que BeulTdeü, elá*e preciosa. Como Redentor, ele se torna o funda­ mento dç novo templo de Deus. Mas para aqueles que não crêem e reieitam a. pédra, eía se tom a um a pedra de julga­ mento. Eles tropeçam e caem quando encontram essa pedra em seu caminho. O fato de tropeçarem e caírem é porque

tropeçam na palavra. A palavra que eles

/desobedecem é o convite de Deus para confiar nessa pedra, para fazer dela o • alicerce de suas vidas.

Para o que também foram destinados

não significa que os que rejeitaram Cristo esfavam d estin ldõ isafazê-lo, sem ter “^chance de agir diferéntimente. Pelo contrário, a oferta lhes foi feita; a escolha foi deles. Eles poderiam téí rejéítado ou aceitado ã oferta. Aceitar significava um destino de união berid h áco m Cristo. Rejeitar significava um destino de juízo, âè separado dessa união. Fora a sua recusa em aceitar essa oferta que deter­ minara o destino deles.

No verso 9, Pedro junta bênção e res- ponsabilidade. A ^bênção g o*que os sêus leitores que haviam crido em Cristo ha­ viam chegado a ser: a geração eleita, o

sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido. Esta declaração tem o som de

um sermão dividido em quatro pontos, que Pedro havia pregado muitas vezes. O exame de cada uma destas quatro partes propicia frutífero desenvolvimento (cf. Deut. 7:6; Êx. 19:6; Os 2:23).

A geração eleita faz lembrar a escolha feita por Deus de Israel como um povo que fosse a sua testemunha redentora. O sacerdócio real sugere um reino em que cada cidadão serve como sacerdote. A nação santa tem em vista uma nação de pessoas separadas, ostentando a natureza do Deus santo a quem adoram e servem. O povo adquirido não é uma tradução, mas uma paráfrase da última expressão. A tradução é “o povo para a sua possessão” ou “o povo de sua esti­ ma” . Esta palavra é usada em Efésios 1:14, para a “possessão de Deus” , que no fim será redimida, para o louvor da glória de Deus.

Quem eram essas pessoas que Pedro descreveu em termos de tão abençoados privilégios? Todas as designações suge­ rem pessoas de cultura judaica. Mas quando Pedro escreveu a respeito da responsabilidade que se originava de seus privilégios, usou linguagem que sugere

pessoas de culturá gentílica. Eles ha­ viam-se tomado a geração eleita, etc., a fim de poderem anunciar as grandezas

daquele que os havia chamado das trevas para a sua maravilhosa luz. Constante­

mente, nas Escrituras, os gentios são mencionados como um p q t o que vivia nas

trevas. O fato de eles terem se achegado a 1 |Deus significava que haviam vindo à luz. |

A mesma impressão provém da leitura do verso 10. Outrora eles não haviam sido povo, mas agora haviam-se tornado"

povo de Deus. Outrora não tínheis alcan­ çado misericórdia, mas pelo fato de ter­

des estabelecido união com Cristo pela fé nele, agora a tendes alcançado. ATsua referência é a Oséias 2:23. Este tema Paulo havia usado em Romanos 10:14- 20. Ele o usara (citando passagens de Sal. 19:4, Deut. 33:21 e Is. 65:1) em referência à vinda dos gentios à fé np Redentor, que Deus havia provido. Se I Pedro está fazendo a mesma coisa aqui, 1 ,ele está dramatizando, para os cristãos \ gentios, tanto o privilégio em que eles I Ichegaram em Cristo quanto à sua conse- I Jqüente responsabilidade de serviço.