Os Museus são lugares de memórias e de debates e as ações educativas devem fazer parte dessas instituições porque facilitam a aproximação do público com a narra- tiva que o Museu apresenta visita de crianças escolares é o momento de provocá-las a interagirem com o patrimônio material e imaterial no museu.
O fundamento da ação educativa, que se realiza por meio de estímulos capazes de estabelecer diálogos entre os diferentes patrimônios e acervos e os visitantes o que facilitar sua apreensão pelo público, gerando respeito e valorização do patrimônio cultural. Neste sentido a Educação Patrimonial é defi nida pelo IPHAN como:
(…) a Educação Patrimonial constitui-se de todos os processos educativos formais e não formais que têm como foco o Patri- mônio Cultural, apropriado socialmente como recurso para a compreensão sócio histórica das referências culturais em todas as suas manifestações, a fi m de colaborar para seu reconheci- mento, sua valorização e preservação. Considera ainda que os processos educativos devem primar pela construção coletiva e democrática do conhecimento, por meio do diálogo permanente entre os agentes culturais e sociais e pela participação efetiva das comunidades detentoras e produtoras das referências cul- turais, onde convivem diversas noções de Patrimônio Cultural (IPHAN 2014, p19).
No mesmo sentido, conforme Amaro (2017), a importância dos jogos educativos para o patrimônio se relaciona com o objetivo de aproximar o sujeito aos bens cul- turais com atividades lúdicas e divertidas., partindo do princípio que o indivíduo que reconhece e valoriza o patrimônio tende a preservá-lo no presente e para gerações futuras. Diante do fato de que o jogo é um facilitador da aprendizagem que estimula as capacidades cognitivas e motoras e promove a criatividade, o raciocínio e o desenvol- vimento afetivo-social, desenvolveu-se uma série de jogos para crianças e adultos, a fi m de propiciar uma aproximação agradável e pedagógica com alguns bens culturais da cidade de Pelotas.
Jogo do doce (jogo da velha) é uma atividade lúdico educativa, oferecida pelo LEP às crianças visitantes do Museu do Doce da Universidade Federal de Pelotas no ano de 2017, denominada “Jogo do Doce”. Esse jogo foi criado nos moldes do tradi- cional “Jogo da Velha”, com o intuito de auxiliar o museu a cumprir sua função edu- cativa. Neste sentido, salienta-se a defi nição de brincadeira de Vygotsky (1998 apud CAMPOS 2009), enfatizando a importância da brincadeira como: [...] uma “situação imaginária”, na qual a criança cria relações com o pensamento e a realidade, podendo ser considerada como um recurso de construção do seu conhecimento, pois ao agir sobre os objetos, a criança vai estruturando seu tempo e espaço, desenvolvendo no- ções de causalidade, passando pela representação e, fi nalmente, à lógica.
E segundo Vygotsky (1999) desde o início da vida o desenvolvimento do sujeito ocorre pelo processo de apropriação dos signifi cados culturais que o circundam, pela linguagem, consciência e atividade, transformando-se de biológico em sócio histórico. Assim, os museus podem usar essa ferramenta de educação lúdica, o jogo, bastante útil para o público infantil. Para a criança compreender o mundo e desempenhar seu papel na sociedade onde vive, elas precisam usar a sua imaginação, sua criatividade e seu poder de observação. As atividades lúdicas dentro do ambiente museal podem permitir a interação e entendimento das diversas situações do cotidiano da criança fazendo com que ela seja um sujeito ativo desse local.
Com o teatro de fantoches – presente na cultura popular - na interseção do teatro com o patrimônio, as crianças se relacionam com as pessoas e com os objetos ao seu redor. Nessa vivência de conversa e interação dos fantoches com seu grupo social, há possibilidade da apropriação da realidade vivida no museu, através do despertar da sensibilidade para apreender com diferentes experiências.
De acordo com Vygotsky (1991) o brincar é um processo da construção da repre- sentação simbólica para crianças, é uma grande ferramenta de aprendizagem através do faz-de-conta. A representação do mediador - o teatro de fantoches, neste caso, - tem a potencialidade de reconstruir simbolicamente a elaboração de conceitos que são necessários à vida social da criança e para o processo de atribuição de signifi - cados ao mundo como um individuo histórico e cultural. Nesse processo de teatro de fantoches também se situa o brincar como um fenômeno sociocultural.
Esse teatro, no qual os doces contam uma história, foi criado pelas alunas do Curso de Museologia integradas ao LEP com o propósito de realizar uma nova ação educativa no Museu do Doce.
O objetivo desta ação é auxiliar o museu a cumprir sua função educativa. Nes- te sentido, salienta-se uma colocação de OLIVEIRA (1988) que diz: “o trabalho de fantoches, além de proporcionar horas de lazer e divertimento às crianças, ajuda no seu desenvolvimento psicossocial, espiritual e intelectual”. Os fantoches podem dar a oportunidade à criança de lidar com o conhecimento, as experiências, os sentimentos, que aparecem no mundo da criança, que enriquecem a vida em desenvolvimento. E com o brincar, de acordo com Kishimoto (2002), as crianças têm a experiência de explorar o mundo dos objetos, das pessoas, da natureza e da cultura, compreendê-lo e expressar essa compreensão através da linguagem utilizada na apresentação do teatro de fantoches.
Considerações fi nais
Com a apresentação do Teatro de Fantoches, a criança desenvolve a imagi- nação, os signifi cados, no processo de comunicação com os personagens, a intera- ção ocorre com os fantoches, que é uma manifestação agradável. E através desta atividade de ludicidade com os fantoches, a criança no Museu poderá se expressar na conversa destes dois indivíduos ocorrendo um aprender e um desenvolvimento social, com os fantoches e também com os colegas que estão também ali juntos para assistirem a apresentação pelos estagiários de Museologia. E nesta apresentação da historia com os fantoches dos doces a situação imaginária é ativada e a criança busca a realidade para respostas da situação teatralizada.
Com a história desenvolvida no teatro de fantoches -O passeio dos doces no Museu do Doce- ocorreu no ano de 2018, dentro de uma barraca montada defronte ao Mercado Público no Dia dos Museus em Pelotas-RS4, onde várias escolas parti-
ciparam e com resultados de observação e conversa com os participantes no dia da apresentação houve o conhecimento dos doces patrimonializados, os doces de Pelo- tas-RS e que são feitos pelas doceiras da cidade.
4 Disponível em: <https://wp.ufpel.edu.br/prec/fi les/2018/04/Semana-de-Museu-da-UFPel-2018. pdf>.
Através da apresentação do Teatro de Fantoches, consta-se que o LEP auxiliou o Museu com esse utensilio do teatro de fantoches pode ser utilizado para a ação educativa com grande vantagem de interesse das crianças escolares na educação do museu,
A utilização dos fantoches que relatam a história dos doces, de um modo de muita alegria para o público infantil. Isto facilita que a criança compreenda o mundo e desempenhe o seu papel na sociedade em que mora. Portanto todas as atividades lúdicas desenvolvidas no ambiente museal permitem uma interação do museu com o público infantil e o entendimento das diversas situações do cotidiano da criança fazem que ela seja um sujeito ativo do ambiente museal, do museu do doce.
Referências
ALMEIDA, P.N. Dinâmica lúdica. Técnicas e jogos pedagógicos. Para 1 e 2 grau. Projetos. Edições Loyola. São Paulo, 1984. 4a edição.
AMARO, Gisele. Ações educativas para patrimônio: O Jogo de Memória Do Mu-
seu do Doce – UFPel em Pelotas. 2017. Trabalho de conclusão de curso, Monogra-
fi a apresentada ao Curso de Bacharelado em Museologia da Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2017.
BARBOSA, N.M.; OLIVEIRA, A.L.B.; TICLE, M.L.S. Ação educativa em museus: Caderno 04. Belo Horizonte: Secretaria de Estado de Cultura/ Superintendência de Museus e Artes Visuais de Minas Gerais, 2010, p. 24.
FORTUNA, T. R.. O museu em jogo. Acesso em 13 agos. 2018. Online. Disponível em:
<http://www.ufrgs.br/difusaocultural/admin/artigos/arquivos/artigotaniafortuna.pdf>. FORTUNA, T. R. Vida e morte do brincar. In: ÁVILA, I. S. (org.) Escola e sala de aula: mitos e ritos. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2004 a, p. 47- 59.
IPHAN. Educação Patrimonial: princípios e diretrizes conceituais. 2014
http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfi nder/arquivos/Educacao_Patrimonial.pdf Acesso em 28/04/2019Erro! A referência de hiperlink não é válida.
KISHIMOTO, T.M. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 2002.
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