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Série Seis —

No documento O Conclave - Malachi Martin (páginas 76-85)

RESULTADOS FINAIS DAS SONDAGENS DO PAPA PAULO: NÃO HÁ APOIO PARA SUA POLÍTICA DE REVOLUÇÃO PLANEJADA Sejam quais forem os boatos - e eles persistem — sobre sua renúncia, e seja qual for a reação pública a tais rumores, agora é inteiramente impraticá­ vel, para Paulo, pensar em abdicação.

Primeiro, de novo, por causa do Conclave. Os Patriarcas Orientais não participarão, foi a resposta deles, da eleição de um Papa romano. Sua reação reflete o velho preconceito anti-romano dos orientais: “Enquanto o Bispo de Roma proclamar soberania, como chefe temporal e autoridade absoluta sobre toda a Igreja, nós não podemos dar a impressão de endossar posição tão pou­ co apostólica e tão pouco católica, participando da eleição de um Papa — mes­ mo como observadores.” Parecem querer o frango, mas não estão dispostos a chocar o ovo.

E, por uma grande variedade de razões, a maior parte dos europeus e americanos consultados receia a proposta de Paulo. Alguns porque seu suces­ sor seria um outro italiano. Alguns - de fato em número surpreendente — não querem modificação no status quo do Conclave. E alguns — uma minoria bas­ tante numerosa — estão em completo desacordo com a teologia paulina da Igreja e com sua evidente inclinação a abrir todas as portas e janelas da Igreja. “Coisa demais, depressa demais, em direções demais, com muito pouca refle­ xão sobre as conseqüências” , — é como uma pessoa resumiu a essência dos co­ mentários.

A UMENTA A AMEAÇA TRADICIONALISTA

Ao mesmo tempo, a revolta do Arcebispo tradicionalista Mareei Lefebvre está-se tornando, obviamente, muito mais, e não menos, perigosa. Cresce em todo o mundo o apoio a Lefebvre, que estaria em condições, possivelmente,

até de iniciar um movimento revisionista por toda a Igreja, de anular muitas das mudanças já feitas por Paulo e tornar outros desenvolvimentos dos planos do Papa ainda mais difíceis. Numa época de inconsistência, semelhante movi­ mento poderia mesmo conduzir a um cisma na Igreja.

DESASTRE FINANCEIRO NO VATICANO

O caso Sindona, com o qual Paulo andava preocupado, mas ainda espe­ rançoso, assumia agora proporções desastrosas. Antes que esteja terminado, o Vaticano terá perdido, conforme estimativas fidedignas, bem mais de um bi­ lhão de dólares e muito de seu crédito, nesse grande malogro que os italianos chamarão d’/7 crack Sindona. Informa-se agora a Paulo que Michele Sindona é membro da Maçonaria. O conselho de Villot a Paulo é firme e claro: antes que nossos prejuízos vão além de todo o nosso poder de medir e controlar, antes que se alterem e nos destruam, vamos sair dessa confusão miserável.

Serão necessários outros dois anos, até que Paulo possa rearrumar as coi­ sas. Enquanto isso, somente aquela desordem torna impossível, no momento, a renúncia de Paulo.

PA ULO MUDA DE TÁTICA, PERMANECE FIRME EM SEU PROPÓSITO DE REVOLUÇÃO, ENQUANTO REVÉ AS REGRAS DO CONCLA VE

Não tendo encontrado nenhum estímulo quanto a suas sondagens de 1970, visando a mudar o sistema do Conclave, nem quanto à tentativa mais recente, em 1975, de tomar acessível a eleição do Papa de uma forma radical, Paulo contenta-se agora em publicar uma nova revisão das velhas normas do Conclave. Isso ele pode fazer, mesmo passando por cima das objeções que sa­ be que virão de muitos setores.

Em suas novas regras, Paulo repete o ético excluindo os Cardeais de 80 anos, ou mais velhos, do Conclave. Limita a 120 o número de Cardeais-Elei- tores. Para evitar longas discussões no Conclave, estabelece um limite de três dias para as votações. Se, ao fim de três dias, a votação for infrutífera, deverá haver um dia de orações e dé livre discussão, voltando-se depois à votação por mais três dias, e assim por diante.

Uma das principais preocupações nas novas regras do Conclave é excluir a interferência de qualquer pessoa ou grupo de pessoas de fora do Conclave: “Surge como fator mais importante do que nunca” , legisla Paulo, “a necessi­ dade de salvaguardar a eleição do Pontífice Romano de empresas exteriores... e da interferência de grupos e de formas de pressão características da socieda­ de moderna...” É proibido “absolutamente” , determina agora Paulo, “intro­ 77

duzir no Conclave instrumentos técnicos de qualquer tipo para o registro, a reprodução ou a transmissão de vozes e de imagens...” . Funcionários do Con­ clave, acompanhados por dois técnicos equipados com instrumental eletrôni­ co de detecção, deverão fazer verificações periódicas para a descoberta de quaisquer aparelhos de escuta, ou quaisquer outras violações do sigilo do Con­ clave.

Prosseguindo, Paulo revoga um decreto de Julio II, que remonta ao início do século XVI, contra a compra do Papado com dinheiro, ou com promessa de empregos e favores. A nova norma de Paulo significa que, embora ainda se­ ja grave pecado de simonia comprar votos para se conseguir ser eleito, o ho­ mem que seja eleito mesmo através de tais meios está, não obstante, valida­ mente escolhido e deve ser aceito. As duas regras — uma sobre a vigilância ele­ trônica, a outra sobre a validade da eleição simoníaca — estão, evidentemen­ te, ligadas uma à outra, na mente de Paulo.

O ponto central das novas regras paulinas para o Conclave está na refor­ mulação que as mesmas fazem no próprio caráter do Conclave pontifício. Paulo não foi capaz de conseguir uma igreja “aberta” movendo-se, diretamen­ te, no sentido de uma mudança radical. Sua nova tática consiste em enfatizar a localização do Papa, de modo que a Igreja, como um todo, possa ser mais “desromanizada”. O Conclave, afirma Paulo, é “o ato de uma Igreja Paroquial dentro da Igreja de Cristo” . A “Igreja Paroquial” é a de São Pedro, em Roma, e sua diocese romana. O Conclave é, acima de tudo, destinado a eleger um novo Bispo para essa Igreja Paroquial e para essa diocese de Roma. Tal elei­ ção, por mais de mil anos, tem sido feita pelos Cardeais da Igreja Romana. Co­ mo Bispo de Roma, o novo Papa é, automaticamente, o sucessor de Pedro, que foi o primeiro Bispo de Roma. E é assim que o novo Bispo também se torna tudo aquilo que Pedro foi: Vigário de Jesus e chefe da Igreja de Jesus.

Mas ainda, “o direito de eleger o Pontífice Romano cabe, exclusivamen­ te, aos Cardeais da Igreja Romana”. Assim, Paulo reafirma o privilégio dos romanos como os detentores de um especial depósito de fé — o de eleger o re­ presentante de Jesus sobre a Terra.

PERSISTENTES ESPECULA ÇÕES SOBRE A RENÚNCIA DE PA ULO E ATIVIDADES ELEITORAIS PRÉ-CONCLA VE GERAM NO VAS INICIA TIVAS POUTICAS

Paulo percebe agora que as coisas que diz sobre a renúncia e sobre sua morte, juntamente com o interesse generalizado dos Carde ais-Eleitores no fu­ turo Conclave, puseram em ação várias providências pré-Conclave. Da parte de alguns Cardeais dos Estados Unidos, surge uma iniciativa — ainda não com­ preendida por Paulo, salvo quanto ao fato de que está em desacordo com seus planos pessoais — de fotjar uma aliança entre Cardeais poloneses e alemães.

Já há, articulado, um pacto entre alguns Cardeais latino-americanos e ou­ tros da Europa Oriental. Tal acordo é, algumas vezes, jocosamente menciona­ do como o pacto do “Ostkardinalaat Latino-Americano” (pacto do Cardinala- to Oriental — Latino-Americano).

E há a Nova Aliança, formada em tomo do Cardeal Leo Suenens, da Bél­ gica, cuja motivação emana exatamente dos teólogos progressistas surgidos a partir do II Concílio Vaticano. Tem o apoio de muitos bispos que, por sua vez, encontram muito encorajamento nos chefes das principais igrejas não-ca- tólicas. Gostariam de abrir a Igreja a toda espécie de influências — o governo da Igreja, a atividade da Igreja, a doutrina da Igreja e o envolvimento dessa Igreja, para a solução dos problemas sócio-econômicos.

É claro que ainda há os tradicionalistas, centralizados, sobretudo, na pró­ pria casa de Paulo, o Vaticano, os quais pretendem contar com a lealdade de muitos bispos e cardeais pelo mundo todo.

Todas essas facções - a Iniciativa Americana, os membros do Ostkardi- rnlaat Latino-Americano, o grupo da Nova Aliança e os tradicionalistas - têm um traço comum: a oposição aos planos de Paulo para a reforma do Con­ clave e ao papabile favorito de Paulo, o Cardeal Sergio Pignedoli.

CONTINUAM A S A TIVIDADES ELEITORAIS PRÉ-CONCLA VE COMEÇAM A TOMAR FORMA A LISTA “OFICIAL ”DE CANDIDA TOS CONVENIENTES E A POLÍTICA DO NO VO PAPA

A esta altura, a atividade pré-Conclave restringe-se, principalmente, aos mais altos escalões da burocracia eclesiástica. No entanto, acontece, realmen­ te, que algum bispo comum, chefe de alguma poderosa conferência nacional ou regional, tenha mais a ver com a escolha dos papabili do que muito cardeal e do que muito interesse estabelecido nos mundos da política e da finança. Um desses bispos, por exemplo, é Roger Etchegaray, Bispo de Marselha. Ou­ tro, também, é o Arcebispo Augustine Casaroli, o especialista do Vaticano em Europa Oriental Soviética. Esses homens têm poder considerável, mesmo na própria eleição do Papa. De modo geral, o processo não se estende muito abai­ xo do nível das Conferências Regionais de Bispos.

Consiste essencialmente o processo numa tranqüila peneiração dos nomes dos possíveis candidatos, à luz dos tópicos abordados nos Documentos e nos Relatórios. Isso porque são os tópicos que decidem quem tem condições de ser um candidato viável. Dos Delegados Apostólicos do Vaticano (em número de 16), dos Núncios Apostólicos (em número de 70), dos Vigários Gerais (em número de 32), dos Cardeais nativos, residentes em todos os países do mun­ do, além dos emissários especiais e dos representantes permanentes do Vatica­

no nas organizações internacionais, espera-se que descubram discretamente — coisa que na realidade fazem - as atitudes dos vários governos em relação aos vários candidatos possíveis à eleição como Papa.

Há duas maneiras pelas quais uma pessoa pode-se transformar num possí­ vel papabile-. esta se declara disposta, capaz e desejosa de ser candidata e, se eleita, de aceitar o Pontificado. Ou aqueles que a admiram e/ou a consideram adequada, resolvem que tal pessoa deverá constar da lista.

A lista nunca é oficialmente promulgada ou, digamos, “datilografada em papel timbrado”. Forma-se discretamente e, sobretudo, por via verbal. Mas aos poucos, sem sensacionalismo, os nomes de uns seis a dez Cardeais apare­ cem e tornam a aparecer toda vez que a questão da identidade do novo Papa é discutida. Esses são os papabili possíveis.

A passagem do status de possível papabile ao de verdadeiro papabile, na lista inicial, constitui um processo sutil. A lista inicial é muito restrita e, com apenas umas poucas modificações, irá determinar quase toda a votação e qua­ se toda a ação política dentro do próprio Conclave.

A INICIATIVA AMERICANA ~ PELA PRIMEIRA VEZ NA HISTÓRIA DOS CONCLA VES, OS CARDEAIS AMERICANOS ENVOLVEM-SE PROFUNDAMENTE NA POLÍTICA DO VATICANO Já em 1972, a publicação da encíclica de Paulo VI Octagesima Adveniens, com sua atitude negativa em relação à democracia tal como a conhecemos, com suas recomendações para que os homens procurassem “novas estruturas democráticas” e com o aparente encorajamento que dava aos marxistas, pro* vocou violenta reação nos Estados Unidos entre importantes prelados e nos círculos financeiros. Com uma vitória do Partido Democrático nas eleições de 1976 já prevista e com um compromisso ainda maior desse Partido em relação à “social democracia” nos Estados Unidos, receou-se que o caráter basicamen­ te capitalista do país pudesse ser gravemente afetado se o prestígio de um no­ vo Papa viesse a apoiar, de forma crescente, semelhante impulso à causa da “social democracia” . “Já temos 43% do setor trabalhista empregado pelo go­ verno dos Estados Unidos”, dizia um relatório enviado a Roma de Nova Ior­ que. “Estamos a caminho de alguma forma de socialismo. Por que forçar mais ainda?”

A chamada Iniciativa Americana nasceu no fim de 1974, mas só começou a tomar forma em 1975. Originou-se, primordialmente, da vontade dos Car­ deais dos Estados Unidos, os quais, no mínimo, reconheciam que um Papa in­ clinado a favorecer as estruturas socialistas, no que dizia respeito a seu pró­ prio Pontificado e ao de seu sucessor, significava um conjunto de políticas hostis aos interesses dos Estados Unidos e da sociedade a que pertencem os Cardeais norte-americanos. Pela altura de 1975, sabem que uma questão fun­

damental a ser decidida relativamente ao Pontificado seguinte diz respeito ao marxismo, à aliança com marxistas e à atitude da Igreja face aos governos marxistas.

O primeiro objetivo da Iniciativa Americana é quebrar o chamado pacto articulado no Ostkardimlaat Latino-Americano, o bloco de tendência marxis­ ta. Se a maioria dos Cardeais latino-americanos e aqueles que os apóiam forem bem-sucedidos na formação de uma aliança com os Cardeais da Europa Orien­ tal, a influência de semelhante facção no Conclave será enorme. Os latino- americanos poderiam então advogar a paz e a colaboração com os marxistas e com os governos marxistas e, virtualmente, exibir os Cardeais dos países da Europa Oriental, já vivendo sob a ordem comunista, como perfeitamente ca­ pazes de sobreviver e florescer - até mesmo colaborar — com os regimes mar­ xistas de seus países. Se eles podem fazer isso, então os latino-americanos e seus defensores disporão de um poderoso argumento perante os Cardeais ita­ lianos que enfrentam a possibilidade de um regime comunista na Itália - para não falar dos Cardeais franceses, espanhóis e portugueses, que encaram a mes­ ma possibilidade em seus respectivos países. Isso abrangeria todo o Sul da Eu­ ropa.

Ainda mais, a força do pacto articulado está nos Cardeais poloneses e, particularmente, no prestigioso e formidável Cardeal Primaz da Polônia, Ste- fan Wyszynski, de Varsóvia. Ele, juntamente com o Cardeal Wojtyla, de Cra- cóvia, tem imensa influência sobre os Cardeais austríacos e alemães. Em sim­ patia, afinam com a Hungria e a Checoslováquia. A coligação nortista, somada aos europeus orientais, poderiam formar a maioria dominante no Conclave. E os Cardeais da Europa Oriental têm alta posição no conceito dos Cardeais africanos e asiáticos. Se todos eles se mantivessem unidos aos latino-america­ nos e atraíssem também os do Sul da Europa, seria de esperar-se uma maioria absoluta no Conclave, maioria que destruiria quaisquer planos ou projetos dos outros grupos.

Portanto, a decisão americana de quebrar esse pacto tem um propósito estratégico, urgente e definido.

A idéia é afastar os poloneses — e com eles os alemães do Ostkardina- laat latino-amaricano; do pacto articulado. O Cardeal Krol, ele próprio de ori­ gem polonesa, faz um convite ao Cardeal Wojtyla para ir aos Estados Unidos, em visita oficial. E, a esse tempo, o Cardeal Krol já havia iniciado uma daque­ las excursões cardinalícias que irão marcar o período de atividades eleitorais pré-Conclave, desde então é até que o Conclave se realize. Naquele momento, a viagem o leva até a Polônia.

Tanto os papabili quanto os fazedores de Papas, entre os cardeais e os bispos, empreendem agora viagens semelhantes. A gente irá encontrar cardeais cruzando o Atlântico e o continente europeu de um lado para o outro, apare­ cendo na África, na América Latina e em várias partes da Ásia. Aonde quer que se dirijam, terão que ir com a aquiescência - senão com a conivência dos

cardeais nativos. Porque, entre os cardeais-irmãos, leis não-escritas, porém rí­ gidas, os proíbem de se meterem, sem convite ou sem serem bem-vindos, no território eclesiástico de cada um. Outras oportunidades, igualmente, são pro­ vidas por acontecimentos fortuitos, quando se podem reunir Eleitores em nú­ mero significativo, ostensivamente por alguma razão banal, assim se comuni­ cando de viva voz sobre as medidas de cunho eleitoral que precedem o Con­ clave e suas várias reviravoltas. Os Cardeais americanos não serão os únicos a fazer cruciais visitas estratégicas.

OS CARDEAIS AMERICANOS PROCURAM ALIANÇAS COM EUROPEUS ORIENTAIS E COM ALEMAES

O acordo que os americanos propõem é complexo e seu arsenal de argu­ mentos é formidável. Todos os europeus orientais e a maior parte dos alemães (assim como muitos africanos e asiáticos) são contrários à eleição de um Car­ deal da Cúria, um romano dos romanos. Os americanos, eles próprios inclina­ dos para esse ponto de vista, promovem a idéia de um papabile pan-europeu, um candidato escolhido de uma das velhas nações cristãs da Europa, fora da Itália.

A proposta é tentadora, tanto para alemães, quanto para poloneses. Os poloneses são suspeitosos quanto às inclinações daqueles que vêm advogan­ do uma aliança com os Cardeais latino-americanos. E os Cardeais da Alema­ nha Ocidental não querem ver a zona de influência russa estendida além da Alemanha Oriental.

Outros se dispõem a convencer os poloneses, também, de que qualquer aliança ativa com os latino-americanos terá como resultado, apenas, o abran­ damento da atitude da Igreja em relação ao marxismo. Esse abrandamento teria um efeito muito pernicioso sobre os excessivos rigores que a Igreja en­ frenta já na Polônia, na Checoslováquia e nos Países Bálticos. Nesses lugares, a Igreja só conseguiu algum alívio nas perseguições em razão da linha dura que fora a posição anterior do Vaticano.

Há, além do mais, o perigo de uma ação de retorno. A possibilidade de uma tal aliança no Conclave bem poderia polarizar todas as outras facções e uni-las em torno de um candidato tradicionalista realmente reacionário — e ainda há muitos desses.

Têm, finalmente, os americanos, certas razões de Estado, decorrentes de suas vinculações em seu próprio país, razões que tornam imperativo que a Rússia não possa contar com nenhuma outra facilidade em sua “fínlandiza- ção” da Europa Ocidental. Que aconteceria, perguntam aos poloneses, se os Estados Unidos seguissem, realmente, uma política de isolacionismo e levas­ sem as mãos quanto à Europa Ocidental?

ma Paulo VI e Villot sentem-se confusos, cada um deles por suas próprias ra­ zões, Paulo sabe que a verdadeira tendência de um homem como Cooke, de Nova Iorque, ou Krol, de Filadélfia, é, acima de tudo, tradicionalista (com al­ guns toques conservadores). Por que, então, estão ambos procurando um can­ didato pan-europeu? E tanto Paulo quanto Villot ressentem-se com a intro­ missão de Cardeais americanos fazendo política no Norte e no Este da Euro­ pa. Paulo e Villot partilham do velho horror romano do Anglo-Sassoni e da política de dividir-para-conquistar, que sempre caracterizou suas transações com a Europa por mais de cento e cinqüenta anos.

Essa reação pontifícia resulta num esfriamento das relações entre Cooke, de Nova Iorque, e as autoridades romanas. Nesse ínterim, Cooke e os outros não fazem movimento algum para sanar a discórdia com Roma, porque des­ confiam que Paulo já seja um Papa liquidado — talvez tenha que renunciar em seu 809 aniversário, em 1977.

MEMBROS DA IGREJA DA AMÉRICA LATINA COORDENAM PLANO DE "ABER TURA PARA O MARXISMO ”

Muitos Eleitores da América Latina coordenaram suas estratégias para o Conclave e as escolhas da política pontifícia e do candidato a Papa à luz do princípio de uma atitude de abertura para o marxismo. Têm sob seu comando uma infra-estrutura de concílios sacerdotais e de organizações de leigos que se espalha através da maior parte dos principais países da América Latina — Chi­ le, Brasil, Argentina, Venezuela, Bolívia, Colômbia, Peru, e que tem profun­ das ramificações no México.

Os tons dessa infra-estrutura latino-americana vão do rosa-claro até o ver- melho-escuro — de padres, bispos e leigos cheios de entusiasmo pelo “socia­ lismo democrático” até padres, bispos e leigos dando tudo pelo franco marxis­ mo — marxismo a qualquer custo, certo ou errado.

Os Cardeais americanos são mantidos a par de tudo isso.

A AMEAÇA DO EUROCOMUNISMO AFETA OS CARDEAIS ITALIANOS DA DIREITA

O surgimento da ameaça do eurocomunismo (a possibilidade de que os comunistas venham a fazer parte do governo em proporção significativa e

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