Com a realização deste trabalho procurou-se identificar em que estádio de maturidade de NE se encontram as melhores PME portuguesas e quais os principais constrangimentos sentidos pelas empresas quando associados à evolução do NE. Também se procurou identificar soluções, como meio para contornar os constrangimentos, permitindo às empresas que pretendam evoluir neste campo, poder precaver-se de eventuais dificuldades.
Para tal, começou-se por realizar um estudo da literatura disponível, de forma a caracterizar melhor a área do NE/CE. Foi feita uma breve introdução à Informação, ao Conhecimento e á Internet. Isto é, abordaram-se conceitos para a compreensão da evolução e das mudanças que têm ocorrido nos últimos anos e os aspectos que se consideram serem fundamentais para a compreensão do NE/CE na sua abrangência. Constatou-se que as iniciativas de NE, quando bem conduzidas, proporcionam às empresas uma vantagem competitiva maior, permitindo a expansão dos mercados nos quais competem, a atracção e fidelização de clientes através de novas e inovadoras formas.
Também se realizou um estudo da literatura disponível, de forma a caracterizar melhor a área dos modelos de maturidade. Apresentaram-se modelos de maturidade, tanto a nível dos SI, como a nível do NE. Isto, porque a adopção e utilização de TI/SI pelas empresas pode ser considerado um processo evolutivo, uma vez que envolve aprendizagem organizacional. Constatou-se que um conjunto de estádios permitem identificar, de uma forma geral, a situação actual de uma empresa (estádio actual de maturidade em que a empresa se encontra).
Através da condução de um estudo baseado num questionário, foi possível caracterizar aspectos como: o perfil dos respondentes ao questionário, as empresas da amostra e as tecnologias que estas usam. Também foi possível identificar a evolução que a maturidade do NE teve nas PME portuguesas desde 2005 a 2008, os constrangimentos que estas sentiram durante a evolução e quais as soluções que as empresas usaram para ultrapassar as barreiras sentidas na implementação/evolução do NE.
De seguida, são apresentados as conclusões relativamente aos resultados obtidos.
No que respeita ao perfil dos respondentes ao questionário, estes são maioritariamente Directores (44%), detêm uma licenciatura (56%) e trabalham há mais de quatro e menos de dez anos na empresa (40%).
Relativamente à caracterização das empresas, verifica-se que a maior parte das empresas da amostra pertencem ao sector de comércio por grosso (19,2%), são maioritariamente empresas do tipo “Sociedade Anónima” (65%), possuem entre 50 a
249 funcionários (63%), um volume de negócio entre os 7 e os 40 milhões de Euros (77%), um balanço total entre os 5 e os 27 milhões de Euros (46%), estão presentes exclusivamente no mercado português (69%) e possuem um site possuem um site (92%). Através do teste de correlação de Spearman que se realizou, pode-se verificar que a correlação entre a maturidade e as características analisadas (tipo de sociedade, número de colaboradores, volume de negócios e balanço total) não é significativa. Desta forma é possível concluir que as características, nesta amostra, de uma empresa não foram significativas para o aumento da maturidade das empresas. Isto é, não é o aumento do número de empregados ou do volume de negócio/balanço total que irá aumentar a maturidade de uma empresa.
Quanto ao tipo de tecnologias implementadas nas empresas, verifica-se que os sistemas ERP são dos sistemas mais implementados e mais planeados. Também é de salientar que o B2G é um dos sistemas menos implementados, menos planeados e que está em menor desenvolvimento do que qualquer outra tecnologia referida. O resultado do teste de correlação de Spearman indica que, se a empresa se encontrar num estádio de maturidade mais avançado, maior é a probabilidade de implementarem as seguintes tecnologias: Workflow, B2G, CRM, BI, EDI e B2B. Do mesmo modo, se a empresa se encontrar num estádio de maturidade mais baixo, aumenta a probabilidade de as tecnologias referidas não existirem na empresa. Perceber que benefícios uma ferramenta estratégica pode trazer a uma empresa é um assunto critico (Stone, Good, & Baker- Eveleth, 2007), mas compreender que benefícios uma ferramenta estratégica pode trazer à maturidade de uma empresa é ainda mais critico. Não se pode determinar quais os benefícios, mas, através do resultado obtido, pode-se concluir que existe alguma correlação entre algumas tecnologias e a maturidade do NE de uma empresa.
No que respeita a caracterização da empresa, verifica-se que a economia digital está a ser uma realidade, não só para as grandes empresas em Portugal (Morais, Pires & Gonçalves, 2009), mas também para as PME portuguesas, havendo uma evolução clara na maturidade do NE.
Relativamente aos constrangimentos associados à evolução do NE nas empresas, verifica-se que, no ano 2005, o constrangimento mais problemático na evolução do NE foi a incompatibilidade com parceiros de negócio tradicionais (34,6%) e no ano 2006, embora se tenha verificado um decréscimo na percentagem de 2005 para 2006, continuou a ser a incompatibilidade com parceiros de negócio tradicionais (26,9%) constrangimento mais problemático na evolução do NE. No ano 2007 verifica-se que o constrangimento mais problemático na evolução do NE foi a desconfiança relativamente a aspectos de segurança (13,5%), que também no ano 2008 continuou a ser constrangimento mais problemático, com um ligeiro aumento na percentagem (19,2%).
Com a evolução da maturidade do NE que se deu nas empresas desde 2005 até ao ano 2008, verifica-se que os constrangimentos mais sentidos são os mesmos, embora tenham diminuído com o passar do tempo. O resultado do teste de correlação de Spearman entre os constrangimentos e a maturidade das empresas indica que, apesar da evolução da amostra a nível de maturidade e da diminuição da percentagem dos constrangimentos sentidos ao longo do tempo, só a partir do ano 2007 se verifica uma correlação significativa entre alguns constrangimentos e a maturidade.
O constrangimento que se verifica como sendo o mais sentido no primeiro estádio de maturidade, de acordo com a amostra, é a inadequação da tecnologia existente ao NE. É de realçar que o constrangimento mais sentido é a incompatibilidade com parceiros de negócio tradicionais, estando presente em todos os estádios de maturidade e sendo o número um deste Top em metade dos estádios de maturidade. Outro constrangimento que se verifica em todos os estádios é a desconfiança relativamente a aspectos de segurança. Com base neste resultado é possível concluir que as empresas se deparam com certos constrangimentos que não são os que realmente influenciam a evolução da maturidade. Isto é, uma vez que os constrangimentos que eles indicaram como sendo os mais problemáticos na implementação/evolução do NE na empresa não são os que realmente se verificam como sendo os constrangimentos que influenciam o NE.
Relativamente às soluções indicadas como métodos utilizados para superar os constrangimentos sentidos na evolução dos estádios de maturidade do NE, verifica-se que a solução mais utilizada, com 45 respostas, foi o investimento próprio, de forma a superar o custo das soluções do NE. A solução menos utilizada, com 4 respostas, foi a desistência dos parceiros de negócio tradicionais, de forma a superar a incompatibilidade com parceiros de negócio tradicionais. É de realçar o facto de que todas as soluções foram utilizadas por pelo menos 4 empresas como método para ultrapassar os constrangimentos sentidos. Pode-se concluir assim, que as empresas reagem às barreiras que encontram em cada estádio, ao longo da evolução da maturidade do NE.
Resumidamente, é possível verificar que as empresas estão sensíveis ao NE, não pelo facto de grande parte delas possuir um site online, mas pela própria constatação da evolução da maturidade do NE identificada desde o ano de 2005 até 2008. As empresas têm noção que o NE é uma vantagem competitiva e que gerir os negócios e adquirir um desempenho melhorado no mercado em que actuam não é meramente uma opção, mas sim uma questão de sobrevivência.