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S ÍNTESE C ONCLUSIVA

No documento Risco de queda: capacitar para prevenir (páginas 107-167)

Neste capítulo é essencial refletir de uma forma geral sobre a experiência de todo o estágio. O balanço do percurso é muito positivo, na medida em que tivemos oportunidade de transpor para a prática o conhecimento teórico, no sentido de desenvolver as competências do EEECSP. As atividades desenvolvidas pelo EEECSP fundamentam-se nas necessidades de saúde da comunidade, focando a sua atenção na promoção da saúde, prevenção da doença e na recuperação e manutenção da saúde dos indivíduos e família e outros grupos na comunidade. Para consecução destes objetivos, os enfermeiros assumem, estrategicamente, a educação/formação para a saúde como estratégias centrais de capacitação. Assim, durante o estágio, desenvolvemos o projeto “Risco de queda: capacitar para prevenir”. Foi adotada a metodologia do planeamento em saúde, cujo desenvolvimento das suas etapas permitiu intervir de forma sistematizada, eficiente e baseada na evidência científica.

O envelhecimento da população é um dos maiores desafios da sociedade atual e da saúde pública e comunitária. É um fenómeno global, que advém do acentuado declínio na taxa de natalidade e do aumento da esperança de vida (Lima, 2011).

De acordo com as estatísticas demográficas (INE, 2015), o envelhecimento em Portugal resulta da queda da natalidade, do aumento da longevidade e da emigração. A este respeito, Portugal mantém a tendência do envelhecimento demográfico. É conhecido que, durante o processo de envelhecimento, observam-se alterações biológicas e psicológicas com implicações na funcionalidade, tendo repercussões no desempenho de papéis sociais e nas relações interpessoais, que se associam ao aumento da morbilidade, ocasionando no idoso dependência e necessidade de cuidados (Nasri, 2008; Paiva et al., 2011).

Destas alterações decorrem dificuldades, incapacidades e necessidades acrescidas, às quais se deve dar a devida atenção, de modo a diminuir a ocorrência de situações de risco, onde os eventos de quedas assumem particular relevo. Estes eventos são frequentes em idosos com idade superior a 65 anos e a principal causa de morte acidental. Pelo menos um terço de pessoas com mais de 65 anos sofre uma queda por ano, e a percentagem aumenta para 50% nas pessoas com mais de 80 anos (Buskman et al., 2008; Gómez Rodríguez et al., 2002). Em Portugal, é possivel verificar que as quedas representaram 90,4% (2006), 90,2% (2007) e 92,3% (2008) dos acidentes registados e ocorreram em especial nos indivíduos com 75 ou

mais anos (Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, & Observatório Nacional de Saúde, 2010).

Os idosos apresentam risco mais elevado de queda devido ao declínio físico, cognitivo e co morbilidade associada à doença crónica, com consequente défice funcional e dependência (Fhon et al., 2013). Contudo, grande número de quedas pode ser evitável, atuando preventivamente nos múltiplos fatores de risco, numa abordagem de saúde do idoso, investindo em atividades de promoção da saúde que permita capacitar e sensibilizar, quer os recursos humanos que cuidam os idosos, quer os próprios idosos. Nesse sentido, as atividades de promoção da saúde têm como objetivo o envelhecimento saudável, evidenciando-se a EpS, integrando sessões de sensibilização para os idosos, para os membros da família bem como sessões de formação para os cuidadores, no sentido de sensibilizar e capacitar com conhecimento sobre prevenção de quedas, permitindo que as AAD sejam capazes de utilizar e aplicar o conhecimento de forma eficaz, orientando os idosos para a adoção de comportamentos saudáveis e, assim reduzir a ocorrência de quedas e todas as consequências que daí advêm. Para tal devem analisar os fatores que predispõem para queda, bem como os que contribuem para a sua diminuição (Nascimento & Tavares, 2016).

A intervenção do enfermeiro especialista na área de enfermagem comunitária e de saúde pública, no sentido da prevenção de quedas e consequente segurança dos idosos, integra-se no perfil de competências específicas reconhecidas pela Ordem dos Enfermeiros. No percurso de formação especializada, especificamente durante o estágio, adquirimos competências que nos permitiram participar na avaliação multifatorial associada ao risco de queda dos idosos, desenvolvendo o projeto de intervenção com vista à capacitação das AAD e sensibilização dos idosos dos centros de dia de Constantim e de Mateus, sobre prevenção de quedas.

Para tal, concebemos, planeámos e implementámos o projeto de intervenção “Risco de queda: capacitar para prevenir”. O desenvolvimento do referido projeto justificou-se, pois diferentes estudos (Cruz et al., 2015; Fhon et al., 2012; Maia et al., 2011; Ribeiro, Souza, Atie, Souza & Schilithz, 2006) mostram que as quedas têm repercussões na saúde e QV dos idosos, dos seus familiares e da comunidade, frequentemente implicam perda de autonomia e independência, e consequente necessidade de apoio da família ou outros cuidadores, como as AAD que, no desempenho das suas funções, assumem um papel relevante no atendimento do idoso em centros de dia. A justificação apontada foi reforçada aquando do desenvolvimento das etapas de planeamento em saúde, como a definição de prioridades, em que a primeira prioridade foi

os conhecimentos das AAD. O desenvolvimento do projeto de intervenção “Risco de queda: capacitar para prevenir” permitiu observar uma proporção significativa de AAD a responder corretamente após a intervenção, no que concerne aos conhecimentos sobre prevenção de quedas em idosos. Os resultados encontrados permitem-nos concluir que se verificou um processo de capacitação parcial, uma vez que foram atingidas duas das três metas definidas.

Como se verificou mudança positiva nos conhecimentos sobre prevenção de quedas em idosos, espera-se também que se verifique uma mudança nos comportamentos das AAD, ao transporem esse conhecimento para a prática profissional, e adoção de medidas de prevenção, cujo intuito é a melhoria da QV dos idosos e consequente aumento de ganhos em saúde.

No âmbito do mesmo projeto, os idosos também foram objeto de intervenção. Quanto às metas definidas para os idosos, nenhuma foi atingida, o que nos permite concluir que os idosos não ficaram sensibilizados para a prevenção de quedas.

Sugere-se a continuidade do projeto “Risco de queda: capacitar para prevenir” com mais momentos de formação e recolha de dados para monitorizar o processo formativo, pois consideramos que, com processos formativos continuados no tempo, é possível obter uma aprendizagem efetiva sobre prevenção de quedas, que se traduzirá em ganhos significativos em conhecimento e consequente capacitação das AAD e sensibilização dos idosos. O limite temporal não nos permitiu estudar uma amostra alargada, estamos disponíveis para participar numa equipa que pretenda dar continuidade ao projeto de intervenção “Risco de queda: capacitar para prevenir”. Para tal, sugere-se aumentar o tamanho da amostra, integrando mais centros sociais e paroquiais (centros de dia) da área de abrangência da UCC Mateus, Vila Real 2, de modo a alargar a implementação do projeto de intervenção e, nesse sentido, não só se obterão resultados mais fiáveis, como será proporcionada a oportunidade de capacitação e/ ou sensibilização a um maior número de pessoas.

A construção do blog “Quedas: Cair ou prevenir”, com a finalidade de informar continuadamente as AAD sobre prevenção de quedas em idosos, foi uma mais-valia durante o desenvolvimento do projeto, pois permitiu esclarecimento de dúvidas e divulgação de informação relacionada com o processo formativo. No futuro, permitirá manter um contacto efetivo com as AAD para responder semanalmente às dúvidas e manter atualizada a informação.

No projeto “Risco de queda: capacitar para prevenir” reconhecemos a existência de limitações que se associam ao tempo de duração do estágio para a execução do projeto de intervenção, bem como o número de participantes ser reduzido.

A realização do estágio na UCC Mateus, Vila Real 2 e na USP do ACeS Marão e Douro Norte permitiu-nos desenvolver e aprofundar várias competências específicas do EEECSP. A competência “G1. Estabelece, com base na metodologia do Planeamento em Saúde, a avaliação do estado de saúde de uma comunidade” (Regulamento n.º 128/2011, de 18 de fevereiro) foi a que mais investimos. Para desenvolver esta competência, durante o estágio desenvolvemos o projeto de intervenção supracitado, no seguimento do diagnóstico de saúde e da definição prioridades, aplicando as restantes etapas do planeamento em saúde.

Na USP, entre outras atividades, tivemos oportunidade de participar em atividades de vigilância epidemiológica, no sentido da monitorização de fenómenos de saúde/doença com vista ao estabelecimento de uma evolução prognóstica. Esta participação contribuiu também para a sistematização do perfil epidemiológico da área geodemográfica da USP de Vila Real.

De acordo com o Regulamento das Competências Específicas do EEECSP (2011):

o enfermeiro especialista em enfermagem comunitária e de saúde pública, fruto do seu conhecimento e experiência clínica, assume um entendimento profundo sobre as respostas humanas aos processos de vida e aos problemas de saúde e uma elevada capacidade para responder de forma adequada às necessidades dos diferentes clientes (pessoas, grupos ou comunidade), proporcionando efetivos ganhos em saúde. (p.8667)

Durante o estágio, desenvolvemos atividades que nos permitiram um entendimento profundo sobre as respostas humanas aos processos de vida e aos problemas de saúde e uma elevada capacidade para responder de forma adequada às necessidades dos diferentes clientes, implicando a tomada de decisão fundamentada cientificamente.

A formação especializada em enfermagem comunitária e de saúde pública permitiu-nos desenvolver competências específicas que futuramente iremos transpor para a prática profissional. Dado que desempenhamos funções num centro hospitalar, propomo-nos desenvolver atividades de forma a transferir os conhecimentos específicos, nomeadamente a colaboração ativa com a Comissão de Controlo de Infeção na recolha de dados, no sentido de se obterem indicadores que permitam estabelecer o perfil epidemiológico da instituição onde desempenhamos funções, dando um contributo específico no que concerne à vigilância epidemiológica, para a monitorização dos fenómenos de saúde-doença; e sugerindo soluções

inovadoras para problemas identificados, promovendo, assim, a saúde dos profissionais e clientes do centro hospitalar onde desempenhamos funções.

Em virtude de enfatizarmos a promoção da saúde e, consequentemente, a participação ativa dos clientes na tomada de decisão nos processos de saúde/doença, julgamos que o centro hospitalar é um contexto no qual temos oportunidade de mobilizar conhecimentos no sentido da capacitação de indivíduos ou grupos. Para tal, é fundamental a identificação de necessidades específicas, de forma a intervir nesse sentido, utilizando estratégias e instrumentos inovadores conducentes à divulgação da informação, fundamentada na evidência científica. Todo este processo implica o estabelecimento de indicadores de processo e de resultado, o que nos permitirá, de forma sistematizada e continuada, observar a evolução dos processos de capacitação que nos propomos desenvolver em parceria com os clientes e profissionais que desempenham funções no centro hospitalar.

Atualmente, desempenhamos funções no serviço de pneumologia do centro hospitalar e constata-se internamentos recorrentes de doentes com patologia associada ao consumo de tabaco, entre outras, a doença pulmonar obstrutiva crónica e a neoplasia do pulmão, é nossa intenção desenvolver uma parceria com o serviço de consulta externa de pneumologia no sentido de o enfermeiro ter um papel mais ativo em relação aos objetivos preconizados no programa nacional para a prevenção e controlo do tabagismo, de modo a contribuir para a redução da prevalência de fumadores, com consequente diminuição de incidência de doenças crónicas associadas ao tabagismo.

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