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Fluxo Processual do REsp e AREsp no STJ

S EÇÃO 2: C ULTURA INTERNA ADMINISTRATIVA

A mobilização interna no Superior Tribunal de Justiça em prol da efetivação do instituto dos recursos repetitivos é evidente. O que não é evidente é se há efetividade interna, de gestão, de procedimentos internos administrativos quanto aos recursos especiais repetitivos.

O Ministro Ari Pargendler, no exercício da Presidência do STJ, convocou os Presidentes dos Tribunais de Justiça dos Estados e os Presidentes dos Tribunais Regionais Federais para um encontro nos dias 26 e 27 de junho de 2012, na sede do próprio STJ, objetivando “iniciar o diálogo, estreitar relações e estabelecer diretrizes para garantir maior eficácia ao instituto dos recursos repetitivos”. Quatro anos após a edição da lei de recursos repetitivos, foi a primeira vez que o STJ convocou os Presidentes dos Tribunais para o diálogo.

O planejamento estratégico do Superior Tribunal de Justiça de 2010 previu como objetivo a otimização da eficácia dos recursos especiais repetitivos,

196

Cf. ainda o mesmo entendimento aplicado em outros casos: manutenção da multa aplicada pelo Tribunal de origem por litigância de má-fé à Fazenda Nacional, que interpôs recurso para discutir cabimento do depósito, apesar de entendimento contrário firmado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão (REsp 1.192.037, rel. Min. Eliana Calmon, 2ª Turma, DJ 28.6.2010). Caracteriza-se como evidentemente protelatório recorrer, por meio de petição padronizada, de decisão rigorosamente pacífica (AgRg- REsp 163.883, rel. Min. José Delgado, 1ª Turma, DJ 15.6.1998). O recurso que alega simplisticamente que o tema não foi abordado revela-se manifestamente infundado, protelando a rápida solução do litígio, que está sujeita à multa prevista no art. 557, §2º, do CPC, de 1% (AgRg-REsp 907-411, rel. Min. Aldir Passarinho Jr., 4ª Turma, DJ 28.5.2007).

por meio de alterações quanto à normatização, uniformização de processos de trabalho, integração de dados, implementação de sistemas informatizados e divulgação de informações. Em novembro de 2010, o projeto foi apresentado ao Ministro Presidente do STJ e por ele aprovado. Em seguida, partiu-se para definição de equipes de trabalho e as respectivas responsabilidades para mapeamento dos processos de trabalho pelas unidades envolvidas no STJ.

O que é certo, na verdade, é que, quatro anos após a edição da lei que regula os recursos especiais repetitivos, esse foi o primeiro momento em que todos os Presidentes ou representantes dos Tribunais de Justiça dos Estados e dos Tribunais Regionais Federais do País se reuniram para traçar estratégias específicas quanto aos procedimentos relativos aos recursos especiais repetitivos no âmbito do Superior Tribunal de Justiça.

Ainda no encontro realizado pela Presidência do STJ em junho de 2012 com os Presidentes dos Tribunais, foi lançada a proposta de se criar “sessões virtuais” para análise da admissibilidade dos recursos especiais repetitivos. Após identificar o recurso paradigma, o relator do processo elaboraria um relatório minucioso da tese jurídica e já apresentaria o juízo de admissibilidade aos demais Ministros participantes da sessão virtual. Outra sugestão apresentada pelo então Presidente do STJ, Ministro Ari Pargendler, no encontro com os Presidentes, foi a concretização de um acordo de cooperação técnica para uniformizar as normatizações dos Tribunais Estaduais e Regionais Federais quanto aos recursos especiais repetitivos.

A inércia do Superior Tribunal de Justiça ou quiçá o excesso de competência para tratar da matéria fez com que o CNJ, cuja atribuição constitucional é exclusivamente o controle da legalidade dos atos administrativos do Poder Judiciário e a coordenação do planejamento estratégico desse Poder, aprovasse, na sessão plenária de 17 de outubro de 2012, a Resolução n.º 160, de 19 de outubro de 2012, que determinou a criação do Núcleo de Repercussão Geral e Recursos Repetitivos (NURER) no âmbito dos Tribunais Superiores, dos

Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal e dos Tribunais Regionais Federais. Essa Resolução será objeto de análise no capítulo 10, da parte 3.197

Pelos estudos realizados no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, verifica-se a falta de uma cultura interna administrativa no tocante aos procedimentos dos recursos especiais repetitivos. Fátima Nancy Andrighi, numa análise procedimental administrativa, revela que era praxe no STJ que os Ministros não afetassem processos sobre temas já afetados por outros Ministros. As razões são relevantes. A desnecessária repetição de trabalho, como a oitiva dos amicus curiae e do Ministério Público, bem como das expedições de ofícios e demais atos processuais usuais. Contudo, revela Nancy Andrighi, que o próprio Tribunal deliberou em sentido contrário de modo a permitir que mais de um Relator trabalhasse sobre a mesma questão repetitiva em processos diversos ao mesmo tempo. A justificativa evidencia a falta de procedimentos internos: o reconhecimento que muitas questões importantes estão paradas “porque os Relatores não têm conseguido incluir esses processos em pauta com a rapidez necessária”.198 Nesse sentido, a análise de Nancy Andrighi vai ao encontro da pesquisa realizada na tese.

Considerando-se informações obtidas até o mês de maio de 2012, a partir da análise de dados disponíveis no sítio do Superior Tribunal de Justiça, por meio do link consultas, recursos repetitivos199

, foram identificados 467 recursos especiais afetados e 173 com afetação cancelada.200 Os primeiros foram separados e classificados da forma disposta no sítio do STJ, destacando os seguintes critérios: ordem de inclusão; data do julgamento; número do processo;

197

Cf. inteiro teor da Resolução: <www.cnj.jus.br/atos-administrativos/atos-da-

presidencia/resolucoespresidencia/21725-resolucao-n-160-de-19-de-outubro-de-2012>. Acesso em 15.11.2012.

198

ANDRIGHI, Recursos repetitivos, pág. 276.

199

http://www.stj.jus.br/webstj/Processo/Repetitivo/relatorio_retorno.asp. Acesso em

10.5.2012.

200

Recurso especial “afetado” é aquele que foi destacado por um Ministro relator no Superior Tribunal de Justiça como recurso especial repetitivo. Esse recurso, internamente, é o que definirá a controvérsia e será o paradigma.

órgão julgador; Ministro relator; data da afetação do recurso; data da publicação do acórdão; se houve ou não interposição de recurso; data do trânsito em julgado do recurso especial afetado; o tema; e a controvérsia do recurso.

A partir de uma análise quantitativa dos recursos especiais afetados por cada Ministro do STJ, verifica-se que, dos 467 recursos especiais afetados pela sistemática da lei dos recursos repetitivos, o Ministro Luiz Fux201

foi responsável pela afetação de 156 recursos especiais, o que representa 34%, seguido dos Ministros Mauro Campbell, com 42 recursos, 9%, Teori Albino Zavascki com 40, representando 8,56%, Luis Felipe Salomão, com 29 recursos, ou seja, 6,20%, Benedito Gonçalves com 25 recursos ou 5,35%, e Castro Meira com 20 ou 4,28%.

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