(1) Se um Bokonõ sabe fazer corretamente seus sacrifícios, de onde procura conseguir qualquer coisa. o sol não castiga aquele que procura sombra.
(Os inimigos não poderão tomar nada do consulente, que desta forma, preservará tudo o que lhe pertence).
(2) o martelo corajoso crava a bigorna na terra.
(Se for corajoso e cumprir com suas obrigações e sacrifícios, o consulente derrotará todos os seus inimigos).
Obs.: Esta sentença é também utilizada em Ogundá Meji.
(3) O dinheiro pertence ao acaso, os panos pertencem ao acaso, os filhos pertencem ao acaso, as mulheres pertencem ao acaso. Aquele contra quem nada se pode (a Terra), pode insultar os órgãos genitais da mãe da morte e continuar vivendo.
(O consulente está a salvo)
Obs.: Este signo é dispensador de muita coragem. Todos os que nascem, sob ele, desconhecem o medo, seja do que for. Chegam mesmo a zombar da própria morte, insultam-na e ela nada pode contra eles.
(4) Aquele que tendo feito, também deve bater cabeça para a Terra, a Terra vê tudo o que cai sobre ela.
(O consulente saberá de tudo o que se passa, de bom e de ruim, ao seu redor).
(5) Alguém perguntou: “O que faz a Terra para não morrer?” E ela respondeu: “Eu abriguei Ifá e encontrei Irete meji”.
(6) Alguém lançou uma flecha na floresta de Ake e mesmo assim, a floresta manteve a calma. “Meu filho (é Irete Meji falando a Dezun), se é verdade que eu te enviei ao mundo, tua vida será boa”.
(O consulente será sempre muito bem protegido).
(7) A superfície do óleo de palma em repouso é sempre muito clara, mas no fundo, existe muita coisa escura depositada. A terra não apresenta nada de anormal em sua superfície, mas se cavarmos, encontraremos cadáveres, esqueletos, excrementos e fósseis.
(Um perigo inexplicável ameaça o consulente).
(8) Ifá diz: “Estou sempre presente quando a desgraça chega e quando vai embora”. (Alusão ao interior da terra, que recolhe todos os dejetos e todos os cadáveres). (O consulente encontra-se sob ameaça. Ele não é mais forte que a Terra).
(9) A árvore Gbegbe está todos os dias lá nas margens do rio Wewe. Todo aquele que explora a Terra (Gbe - a vida), acabará encontrando o mar. Irete Meji se estende por toda a parte, até mesmo pelo mar e assim mesmo não morre.
(O consulente deverá oferecer sacrifícios, para que viva por muito e muito tempo).
(10) Eu tenho um pé dentro do barro, cheio de nozes de palma e outro de dentro do barro, cheio de frutos variados.
(O consulente está deste lado da vida, mas a morte, do outro lado o ameaça). ITAN DE OBEOGUNDA
(1) “Se a cidade me aceitar, ela viverá: se a cidade não me aceitar, ela morrerá”
Lonfin, rei de Ifé, tinha duas esposas, ambas terrivelmente ciumentas. Um belo dia, a primeira esposa pôs-se a cozinhar nozes de palma e a segunda, frutos de ahwa. Terminado o trabalho, elas vieram procurar o rei, dizendo: “Nós já cozinhamos nossos frutos, amanhã tú deverás pilá-los.”
“Como”- protestou Lonfi, “Eu, o rei do país?”
Embora a contragosto, para não desapontar as mulheres, o rei concordou em realizar o trabalho. Colocou uma mão dentro do pilão cheio de nozes de palma e outra no pilão com frutos de ahwa.
Naquele tempo, era costume que todos os súditos viessem ficar diariamente pela manhã, cumprimentar o rei. Naquele dia as pessoas ficaram muito surpresas e chocadas ao encontrarem sua majestade real, ocupada com uma atividade reservada as mulheres.
O trabalho terminou, sem nada dizer, ao seu povo, o rei foi visitar Ifá e lhe disse: “Esta manhã para satisfazer os caprichos de minhas duas esposas, dispus-me a pilar nozes de palma e frutos de hawa. Meus súditos, que sempre vêm me saudar, viram-me fazendo tal trabalho. Tenho certeza que depois disto, meu prestígio ficará abalado. Que posso fazer para reabilitar-me diante de meu povo?”
Na consulta, foi exigido um sacrificio de nozes de palma e frutos de ahwa pilados, um galo, uma bandeija de bambu trançado, sobre a qual deveriam colocar os frutos pilados, cada qual de um lado. O signo Irete Meji, deveria ser riscado três vezes, sobre o Fate e o pó yerosun, utilizado para isto, deveria ser salpicado, sobre a bandeija e seu conteúdo. A bandeija deveria ser entregue ao rei, que colocaria sobre ela, um galo e levaria tudo, em sua própria cabeça, até Elegbara. Ai, diante dele, o próprio rei deveria arriar a oferenda, degolar o galo e oferecer o ebó.
Cumprida a risca a recomendação de Ifá, Elegbara, depois de receber o sacrificio, colocou uma coroa sobre a cabeça de Lonfi e retornou em sua companhia ao palácio.
No caminho, vendo o rei coroado e acompanhado de Elegbara, todos saldavam-no com respeito. alguns, mais audaciosos, ainda ousavam perguntar: “Não foi a ti que vimos, não faz muito tempo, ocupado em realizar trabalho de mulher?”
O rei, orientado por Elegbara, respondeu: “Sim, fui eu mesmo. Um grande mal estava por cair sobre nossa cidade. Consultei Ifá que me recomendou fazer um sacrifico, do qual faziam parte nozes de palma e frutos de ahwa pilados com minhas próprias mãos. Como podem ver, acabo de oferecer o sacrifico e Legba veio em minha companhia, para assegurar o bem estar da cidade.
Desta forma, o rei consegui readquirir o respeito de seus súditos, que passaram a depositar nele, mais confiança que antes do ocorrido.
Ebó: Conforme descrito no itan.
Este ebó é indicado para pessoas que tenha o prestígio e a moral ameaçados.
(2) Foi o Odu Irete Meji, quem aboliu os sacrifícios humanos que eram, em tempos imemoriais oferecidos a Orunmilá.
Antes disto, havia uma filha do rei de Ayo, chamada Osu N’Layo, que tendo se casado, não conseguia gerar filhos. Inconformada com sua esterilidade, Osu resolveu consultar Ifá, em busca de orientação. Na consulta, o adivinho pediu um sacrifício de dois cabritos, duas galinhas, dois tecidos de ráfia e quatorze moedas. O sacrificio deveria ser arriado ao cair da noite, diante de um certo matagal, por ele indicado.
Naquela mesma noite, a jovem foi fazer o ebó e no caminho, caiu dentro de um enorme buraco, onde foi obrigada a permanecer, durante toda a noite ao lado de sua oferenda. Na manhã seguinte, percebendo que alguém se aproximava, pôs-se a pedir ajuda: “Socorro! Tire-me deste buraco onde cai com todas as oferendas que compunham meu ebó.
O passante era nada mais, nada menos, que Fa Aydegun que, da borda do buraco, falou: “Joga-me teus dois tecidos de ráfia!”
A mulher jogou os panos e Fa Aydegun, amarrou um ao outro e segurando numa das pontas, estendeu a outra para a jovem, que desta forma, foi içada até a superfície. Aproveitando-se da situação. Fá possuiu a mulher, depois do que, seguiu seu caminho. Algum tempo depois, a mulher percebeu que estava grávida e passado o tempo de gestação, deu a luz uma menina, que ficou morando em companhia da mãe e do avô. A menina crescia rapidamente...
Um dia, o país foi envolvido numa guerra. Atacado o palácio, Osu N’layo foi morta e a menina capturada pelo inimigo.
Tempos depois, Fa Aydegun voltou e antes de chegar à cidade, mandou seus servidores capturarem um ser humano, para ser sacrificado em honra de seu Ipori. Em sua busca, os servidores encontraram uma jovem escrava, que era na realidade, a filha de Osun N’Layo, que desta forma, foi levada a casa de Fa.
Enquanto não chegava o dia da cerimônia a menina ocupava-se de pequenos serviços caseiros. Encarregada de pilar o maiz a fim de obter a farinha de acaça, a menina, que sabia tudo sobre a ligação de sua mãe com Fa Aydegun, começou a chorar, lamentando-se: “Que triste sina a minha! Quando minha mãe tinha trinta e um anos, foi consultar um Babalawo, para poder ter filhos. No dia em que foi oferecer o sacrifício determinado, caiu num buraco de onde foi retirada por um homem negro, que aproveitando-se da situação, fez amor com ela, seguindo depois seu caminho, sem jamais ser novamente visto. Foi este contato que me fez vir ao mundo. Agora vou morrer sem ter tido a chance de conhecer meu pai!...”
Os que ouviam seus lamentos, penalizados, perguntaram se ela sabia pelo menos o nome do tal homem negro que possuíra sua mãe.
“Minha mãe disse que seu nome era Fá Aydegun!” Respondeu a criança.
Suas palavras foram comunicadas a seu pai, que escondido, tentou escutar o que a menina tinha para dizer. Ao ver a menina, Fá teve a certeza de que estava diante de sua própria filha. Como poderia sacrificar alguém que ele próprio havia engendrado?
Fa ordenou que fossem trazidos cabritos, galinhas, pombos, ratos do campo, etc..., e mostrando ao seu Ipori, falou: “Aqui está o que comerás de hoje em diante. Tu não receberás mais sangue nem carne humana!”
Desta forma, foram suprimidos os sacrifícios humanos nos ritos de Ifá. Hoje em dia, os sacrifícios oferecidos compõe-se somente de animais.
Cântico: Koma ma gbo mon lo mon eku ni ke ogba.
Koma ma gbo mon lo mon eye ni ke ogba,
Koma ma gbo mon lo mon adie ni ke ogba,
Koma ma gbo mon lo mon elã ni ke ogba,
Koma ma gbo mon lo mon. Outro cântico: Elã ni ogba,
Mama gbe li eni, Elã ni ogba, Mama gbe li eni,
Kpalo, okpalo bajiwo feli elã. Kpalo, kpalo, kpalo.
(Estes cânticos, acompanham os sacrifícios oferecidos a Irete Meji e tem aproximadamente o seguinte significado):
“Receba os animais, não aceite seres humanos. Decapite os animais, poupe os seres humanos”.
Ebó: Sacrifica-se dois pombos, duas galinhas e dois cabritos a Orunmila. o signo Irete Meji, é riscado no Yerosun, que é depois salpicado sobre os animais sacrificados. O ebó dever ser enterrado num buraco dentro de uma mata. Faz-se a saudação (cântico), de Irete Meji antes e depois do sacrifico. Saúda-se também os Dezesseis Meji sobre o Opon, usando o Irofá e dentro do preceito. Depois de enterrado o carrego, faz-se a prece abaixo descrita. Este ebó é indicado para pessoas que se encontrem em Osogbo Iku. (Este ebó só pode ser feito por Babalawo consagrado).
Prece: (A prece que se segue é considerada a mais importante deste Odu). Kpapo nni feli gbã na ku je bobo shigi,
Nhi kpaya o kpu lulu kpu lulu,
Wolu a difa fun ologa dudu mon gbe akpédu. Tradução: Desconhecida.
(3) Esta é a história da criança gerada por Ajé, mulher de Metonlonfin, chefe de todos os feiticeiros.
Em seu nascimento, esta criança prometida a Olofin - mestre de todas as coisas, aos homens, para servir de intermediador entre eles, recebeu o nome de Fá Aydegun. Logo depois de haver nascido, apesar da missão a que fora destinado. Fá Aydegun permanecia preso de um mutismo inexplicável, o que deixava seu pai muitíssimo irritado. Por mais que se insistisse, o menino limitava-se a chorar, sem emitir uma só palavra.
Certo dia, já bastante irritado pelo enigmático mutismo da criança, Metonlonfin deu-lhe uma pancada com um pedaço de marfim entalhado que portava no momento e o menino, interrompendo seu pranto permanente, gritou em alta voz: “Ogbe”.
Admirado, Metonlonfin golpeou-o novamente e o menino gritou a palavra Oyeku. A um terceiro golpe, foi dito Iwori e recebendo golpes consecutivos, o menino foi falando: Odi, Irosun, Owonrin, Obara, Okanran, Ogunda, Osá, Ika, Oturukpon, Otura, Irete, Oshe e Ofun. Depois de pronunciados este dezesseis nomes, o pai parou de bater no menino que então lhe disse: “Pai, as palavras que me ouvistes pronunciar, são os nomes de meus dezesseis filhos espirituais. Eu não posso anunciar mais que um deles por cada golpe recebido, por
conseguinte, não poderia manter uma conversação sem não receber consecutivos golpes de teu bastão, ao qual darei o nome de Irofá.
Assim sendo, quando mais tempo me baterem com o Irofá, mais tempo manterei contato com os homens. Devo revelar agora, os segredos de cada um dos meus dezesseis filhos, de posse destes segredos, qualquer ser humano poderá aliviar seus sofrimentos, amenizar suas vicissitudes.
Todos eles apresentam duplas características, são Meji (duplos), podendo assim, causar o bem e o mal. Seus nomes são sagrados e não devem ser pronunciados de forma profana, por bocas ímpias, sob pena de terríveis maldições. Para que se sintam bem e possam sempre trazer benções para os homens, devem ser tratados e agradados com os seguintes elementos que lhes pertencem especificamente.:
Ogbe Meji - a água fria. Oyeku Meji - a galinha preta. Iwori Meji - as bebidas alcóolicas.
Odi Meji - a banana.
Irosun Meji - o galo de penas amarelas. Oworin Meji - a galinha de penas arrepiadas.
Obara Meji - a abóbora Okanran Meji - o galo negro.
Ogunda Meji - peixe fresco. Osa Meji - o óleo de palma.
Ika Meji - o pombo. Oturukpon Meji - o pato.
Otura Meji - o carneiro Irete Meji - o porco e o cabrito. Oshe Meji - o milho torrado e o galo.
Ofun Meji - os ovos, as manteigas de ori e de cacau.
Um dia, Fá Aydegun, após revelar seus segredos a seu pai, transformou-se numa palmeira e por isto, é até hoje representado pelos negros caroços desta palmeira. É por este motivo que os adivinhos, para invocarem os filhos espirituais de Ifá, batem em seu Oponifá com os seus Irofá, pois só desta forma, Ifá estabelece conversa com eles.
SIGNIFICADOS E INTERPRETAÇÃO