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CAPÍTULO V – O PAPEL DO EDUCADOR SOCIAL NA INTERVENÇÃO EMOCIONAL E EDUCATIVA

5.3. Sinergia Entre os Diversos Interventores Sociais

Entendemos que a educação formal embora seja essencial ao desenvolvimento, carece de uma intervenção sócio-educativa de carácter preventivo junto da população juvenil partindo de um trabalho sistemático, que consiga englobar as diferentes dimensões de vida dos jovens, dando valor às suas vivências, às suas emoções e potenciando os novos conhecimentos adquiridos. É essencial que todos os interventores sociais (professores, auxiliares educativos, psicólogo, educador social e pais) actuem da mesma forma, concorrendo para um mesmo fim.

Ambicionamos, com esta investigação, contribuir para a sensibilização e acção da instituição escola, no sentido de num futuro próximo permitir a igualdade de oportunidades para todos os jovens, para que aqueles que estão numa situação sociocultural desfavorecida, encontrem na escola o auxílio, no que respeita ao acesso aos meios de informação, apoio escolar, apoio psicológico, ocupação dos tempos livres de forma saudável e didáctica, aquisição de competências empreendedoras e preparação emocional.

Costa refere que a “escola é, sem dúvida, o espaço em que os jovens passam a

maior parte do tempo, não se entende, pois, porque persiste em não oferecer oportunidades e contextos que permitam aos seus jovens descarregar as suas tensões, dar espaço à sua imaginação e criatividade” (cit. por Pereira & Pinto, 2001, p.61).

Como já se referiu no capítulo IV, no ponto 4.2.2., muitas vezes o professor constitui o arquétipo que o jovem elege como referência na própria conduta, pelo que o professor adquire talvez o estatuto mais importante em toda esta pretensão.

Uma das formas de levar a participar todos os intervenientes ligados à escola poderá ser através da animação sociocultural, estabelecendo uma oportunidade para os

professores conhecerem os seus alunos e para aproximar ambas as partes, permitindo aos “professores demonstrarem cuidado” (Hargreaves, Earl & Ryan, 2001, p. 87).

A escola deve tentar mobilizar, o maior número de jovens possível, para as actividades culturais, desportivas e recreativas, procurando levar o máximo de pais a participar nas actividades propostas aos alunos e cativando o staff da instituição, incentivando todos a participar numa lógica de “empowerment”, pois só com a sua autorização será possível o sucesso de qualquer projecto.

Se é verdade que para “os adolescentes o grupo funciona como um território

experimental” (Gisela Konopka, 1972, cit. por Carmo, 2000, p. 114), e que os jovens

procuram cada vez mais grupos extremistas onde obedecem a códigos de conduta exigentes quando têm dificuldade em aceitar os códigos de conduta que o código civil impõe (Perret-Clemont et. al., 2005). Entendemos ser necessário perceber o que estes movimentos extremistas lhes oferecem e através da sinergia entre todos os interventores sociais, criar actividades que satisfaçam as suas ânsias de felicidade (que lhes são proporcionadas por estes grupos) de forma mais saudável e produtiva.

Normalmente, os jovens procuram o grupo, na tentativa de busca da identidade, de um estilo de vida alternativo, de adrenalina provocada pelo perigo e excitação, e de um sentimento de pertença (Carmo, 2000; Perret-Clemont, et. al., 2005). O grupo constitui um meio de partilhar a dor, as angústias, as revoltas e de procurar respostas para os problemas (Perret-Clemont, et. al., 2005). Partindo desta linha de pensamento, a escola poderá ser a edificadora de actividades que permitam aos jovens obter aquilo que procuram nos grupos que muitas vezes afastam de forma irreversível os jovens do convívio social e da alegria de viver. Poderão orientar para actividades que satisfaçam a busca de identidade dos jovens, criando grupos de teatro, de leitura, de música, de desportos radicais, de discussão de ideias, de manifestação de descontentamento relativamente às instituições de socialização (família, escola, empresas, estado), criando hierarquias dentro do grupo, criando rituais de adesão (que não ofendam o próximo) possibilitando aos jovens as sensações que tanto os atraem nos grupos de contracultura.

As actividades devem promover as boas relações familiares, a amizade entre os pares, a capacidade de gerir as emoções, o associativismo, debater a sexualidade, incentivar a criatividade, ocupar os tempos livres, orientar na escolha do futuro profissional, apoiar a educação formal, promover trabalhos em part-time para os jovens cujos pais demonstrem dificuldades económicas, ajudar na construção de si mesmo.

Defendemos que, todos os interventores devem adoptar uma estratégia que obedeça ao estilo democrático, nunca autoritário nem permissivo (Carmo, 2000), uma vez que estará a lidar com adolescentes e que tais comportamentos levarão àquilo que se pretende combater que é o sentimento de exclusão e ao afastamento. O interventor só deverá actuar depois “da criação de um clima de confiança recíproca (…)” (Carmo, 2000, p. 116), criando laços de confiança, empatia, e reconhecimento do direito que o jovem tem de pensar de maneira diferente.

Todos os interventores sociais, todos os educadores, devem dar especial atenção aos isolados ou rejeitados, podendo sugerir um caminho para que se integrem no grupo (Minicucci, 2002), sem impor atitudes ou comportamentos ou contrariar os sentimentos do jovem.

Segundo Sarmento (cit. por Pereira & Pinto, 2001, p. 85) a crise que actualmente abala a escola, só poderá ser ultrapassada se deixar de procurar respostas meramente pedagógicas:

“A reabilitação da escola pública enquanto espaço cívico de formação – incluindo de formação para o trabalho, no sentido da “redescoberta democrática do trabalho” (Santos, 1998) – e a mobilização da participação das crianças e dos jovens na refundação dos sentidos para uma instituição que os ocupa cada vez mais, no sentido da promoção de “lógicas da acção” (Sarmento, 1997) que habilitem a escola como instância promotora da cidadania”

Em suma, professores, auxiliares educativos, psicólogo e educador social, deverão ser considerados figuras elementares em qualquer escola. Trabalhando para a mesma missão com espírito de cooperação, dotados de competências emocionais de forma a serem eficientes na sua intervenção.