2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.8 Sistema de Informação
Cleto (2002) comenta que a partir de 1960 em paralelo a avanços produtivos, surgem novas tecnologias de processamento de informações que possibilitam o desenvolvimento de sistemas de gerenciamento das operações industriais (softwares), inicialmente com o objetivo de gerenciar o fluxo de materiais, e posteriormente, com o objetivo de auxiliar no desenvolvimento dos recursos humanos, máquinas e instalações. Corrêa et al., 1999 concorda e complementa postulando que na mesma década (60) as indústrias foram induzidas pelo mercado a promover uma racionalização de suas atividades, que tinha como foco principal a otimização de atividades e o planejamento das mesmas, o autor comenta ainda, que no período vigente, a indústria de manufatura tinha grande poder, desenvolvia e implementava segundo suas próprias metas e objetivos, gerando grandes estoques. Para minimizar esse efeito negativo era feita uma pesquisa junto ao setor varejista, visando prever a demanda dos produtos a serem fabricados, a necessidade de compra das matérias primas necessárias para suprir a produção em um determinado período, minimizando o total de matérias primas e produtos acabados ociosos em estoque. Cleto (2002) e Corrêa et al. (1999) referem-se ao início do uso de sistemas (softwares) chamados MRP (Plano Mestre de Reposição ou em inglês, Master Resource Planning) e posteriormente diversos outros módulos, como o MRP II (Manufacturing Resources Planning), que viriam impulsionar a sistematização das informações para as tarefas de planejamento e controles produtivos. Sobre planejamento Junianelli (2006) comenta:
Em linhas gerais, o processo de planejamento da demanda ocorre da seguinte forma: um conjunto de informações, que é constituído por dados históricos – vendas, preço e investimento em propaganda – e informações de mercado – conjuntura econômica, ações da concorrência e clientes, é processada através da análise estatística dos dados históricos e da interpretação gerencial das informações de mercado. Com isso, é gerada uma previsão de demanda futura que, então, será utilizada pelas áreas funcionais da empresa para tomada de decisão operacional e estratégica. Com o passar do tempo, as áreas funcionais aprendem com os erros do planejamento e geram, com isso, ganhos de experiência e conhecimento tácito, fundamentais para a melhoria da interpretação das informações de mercado (JULIANELLI, 2006, p. 2).
Para Bonacin (2004) a informação e comunicação são, no contexto atual, as bases para a inovação em organizações. As tecnologias da informação e comunicação, que viabilizam e sustentam processos de trabalho, têm um papel fundamental, portanto, nas organizações atuais. Os sistemas de informação estão remodelando as empresas e também a natureza das ligações entre elas. A utilização das informações e da própria tecnologia de informações é fundamental para se ter respostas rápidas aos clientes internos e externos da organização, e vital para sua gestão (CARDOZO, 2001).
Sistema de informação (SI) é o processo de transformação de dados em informações que são utilizados na estrutura decisória da empresa (ALMEIDA, 2006). Segundo Laudon e Laudon (2004), um SI pode ser definido como o conjunto de componentes inter-relacionados para coletar, recuperar, processar, armazenar e distribuir informação, com a finalidade de facilitar o planejamento e controle de processos e sistemas, a coordenação, a análise e o processo decisório em empresas e organizações.
Para Cardozo (2001) a informação não se limita a dados coletados, na verdade, informação são dados coletados, organizados, ordenados, aos quais são atribuídos significados e contextos, e complementa, a informação deve ter limites, enquanto os dados podem ser ilimitados. Embora a informação seja um ativo que precisa ser administrado, da mesma forma que os outros tipos de ativo representados pelos seres humanos, capital, propriedades e bens materiais, ela representa uma classe particular entre esses outros tipos de ativo. As diferenças decorrem do propósito potencial da informação, assim como do desafio de administrá-la ou gerenciá-la.
Godinho Filho e Fernandes (2006) demonstram em seu estudo a aplicação de um sistema integrante a uma base de dados de um sistema de informação em uma grande empresa que produz materiais para escrita. Os resultados da implantação do modelo segundo os autores foi uma redução drástica na instabilidade do sistema de informações (software) - (85,9%), com conseqüente redução nos custos de estoques (39%), e custos finais (11%); redução nos atrasos nas ordens dos clientes (35%) e melhoria do nível de serviço e aumento da satisfação e confiança das pessoas em relação ao sistema. Estes fatores foram alcançados por meio de fatores chaves: uma correta parametrização do sistema e planejamento e programação da produção integrada.
Para Cardozo (2001) as mudanças no ambiente empresarial se aceleram, as organizações são desafiadas a adaptar cada vez mais suas capacidades e especializações ao ambiente em que operam, as empresas não vivem em um ambiente onde as mudanças se fazem lentamente, onde há tempo para que as organizações façam com que seus processos evoluam e se adaptem às oportunidades apresentadas pelo ambiente competitivo. Cleto (2002 p. 39) complementa: “Atualmente é difícil imaginar uma empresa industrial de médio ou grande porte sem um eficiente software de gestão de operações”. Reis (2006, p. 4) em estudo realizado pela consultoria IDC, também trata do assunto de pequenas e médias empresas:
Os principais objetivos das pequenas e médias empresas que utilizam aplicativos de gestão são melhorar o controle dos custos da empresa, automatizar processos operacionais para ganhar eficiência e possuir um maior controle das informações da empresa, além de eliminar ou reduzir o trabalho manual.
Para atingir a estes objetivos, as empresas iniciam seus investimentos em ferramentas de gestão financeira e, gradativamente, adotam soluções voltadas ao processo produtivo em si. A IDC apurou que a prioridade de investimentos está ligada às ferramentas financeiras e à área contábil. Este módulo é prioridade para quase metade das empresas de pequeno e médio porte, seguido por Gerenciamento da Produção e Gerenciamento de Estoque.
Reis (2006) complementa ainda que as grandes corporações realizam grandes investimentos em novas tecnologias, e a maioria das empresas de médio porte leva mais tempo para adotar os mesmos modelos de investimento em sistemas de informação e em obter os benefícios de produtividade que esta
tecnologia traz, mas isto não significa que as empresas brasileiras deste porte não necessitem de tecnologia de ponta, ao contrário, a pesquisa mostra que estão atentas ao uso e benefícios da tecnologia da informação. O autor complementa ainda a respeito da utilização da tecnologia da informação nas médias empresas (p. 6). “O principal motivador deste processo têm sido manter a capacidade competitiva utilizando tecnologias que permitam melhorar a performance por meio de automação de processos e de maior controle do negócio”.
Sobre novas tecnologias, Giovannini (2001) fala da importância de uma empresa média industrial adotar sistemas via internet, pois com o avanço de realização de negócios das grandes empresas na rede, as empresas menores que ainda não estão atuando na internet logo serão obrigadas a fazê-lo. As novas tecnologias de informação e comunicação criam alternativas para o relacionamento comercial, para a gestão e a organização. O EDI (Electronic Data Interchange) é ema dessas ferramentas que possui o caráter comercial, administrativo e de produção, pois consiste na transferência de pacotes de informação de forma assíncrona, por meio de um provedor intermediário que os acumula e disponibiliza via linha telefônica ou cabo de rede. Através do EDI clientes e fornecedores trocam informações sobre pedidos, programas de entrega, faturamento, cobrança e pagamentos e a reposição automática de estoques possibilitando assim a integração logística (ANEFALOS; CAIXETA FILHO, 2001). Por suas características o EDI é utilizado por empresas com relacionamentos comerciais constantes e com volumes de transações que justifiquem os custos de implantação e manutenção, é o caso, por exemplo, de grande parte dos fornecedores automotivos, no que se refere aos aspectos organizacionais, eles utilizam a lógica da produção enxuta, apresentam o formato firma-rede, utilizam o JIT, possuem rígidos sistemas de qualidade e plataformas mundiais (MEZA, 2003).
Conforme visto os sistemas de informação auxiliam a gestão das empresas desenvolvendo a interligação de informações em uma organização, é, portanto, uma ferramenta que pode facilitar o desenvolvimento e implementação de uma estratégia de manufatura.