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SOCIEDADES DE PESSOAS E SOCIEDADES DE CAPITAIS

1.2. SOCIEDADES

1.2.6. SOCIEDADES DE PESSOAS E SOCIEDADES DE CAPITAIS

Quer as sociedades comerciais (sociedades de capitais), quer as sociedades civis (ditas sociedades de pessoas), têm em comum a personalidade jurídica autónoma face aos seus sócios, a autonomia económica e um período de vida potencialmente ilimitado. O que as distingue é a separação entre propriedade e administração que existe nas primeiras, e não existe nas últimas, por nestas o elemento relevante ser a vontade dos sócios e não a da sociedade, que serve tão só como estrutura facilitadora do exercício da atividade dos sócios 57.

Assim, nas sociedades de capitais- sociedades anónimas e sociedades em comandita por ações -, os sócios, geralmente em número elevado e desconhecidos, não têm intervenção directa na sua administração, sendo a responsabilidade pelas dívidas sociais em primeira linha da sociedade e só subsidiariamente dos sócios, cuja responsabilidade é limitada ao valor das acções ou partes sociais que cada um subscreve (sendo solidária entre estes).

As sociedades por quotas são como que um terceiro género porquanto a responsabilidade dos sócios é solidária entre si mas limitada ao valor das partes

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Daí permitir-se nestas sociedades, sócios de mera indústria, isto é, sócios que só entram com serviços para a realização do capital social, quando tal não é permitido ou viável nas sociedades de capitais.

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sociais que cada sócio subscreve, se bem que, em regra, tenham mais carateristicas de sociedades de capitais que de sociedades de pessoas.

Quanto às sociedades de pessoas ou partnerships, sociedades a individualidade dos sócios não se apaga, configurando uma situação idêntica a uma contitularidade 58, sendo típico, serem compostas por poucas pessoas, existindo entre elas uma relação de confiança recíproca que permite que todos os sócios intervenham na sua administração e contribuam pessoalmente, através de bens e serviços para gerar o lucro da sociedade, sendo a responsabilidade pela gestão e dívidas sociais, responsabilidade que é ilimitada e solidária, dos sócios, termos em que teremos como exemplo de sociedades de pessoas as sociedades em nome colectivo e as sociedades em comandita simples.

Antes de prosseguir, importa afirmar que a designação “sociedade de pessoas” não tem suporte legal 59, pese embora o facto de ser usada na literatura da especialidade 60, na qual aparece frequentemente associada a partnership e pretende enfatizar a preponderância dos sócios na gestão e resultados da sociedade, até porque são os sócios que são conhecidas no Mercado e não a pessoa coletiva através da qual exercem a sua atividade.

Acompanhamos Ana Paula Palma, que nas conclusões da sua dissertação 61, escreve, a págs. 36-37, que importa definir um conceito fiscal de sociedades de pessoas, a quem o regime de transparência fiscal seria obrigatoriamente aplicável e adotamo-la nesta dissertação por, em nossa opinião, exprimir de forma adequada a

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J. L. SALDANHA SANCHES, in “Conceito de Rendimento no IRS”, Revista Fiscalidad, nºs 7/8 (2001), a págs. 45, escreve a este propósito que “as sociedades de pessoas que se reúnem para a prestação conjunta de serviços”, o que fundamenta o paralelismo que fazemos entre contitularidade e sociedades de pessoas, ressalvadas todas as dissemelhanças.

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Nem na lei civil comum (Código Civil), nem na lei comum das sociedades (Código das sociedades comerciais), se bem que, em nosso entender, se afigure importante que a lei assuma esta bipartição das sociedades, como o fazem outros ordenamentos jurídicos, porquanto daí adviria a possibilidade de repensar a tributação das sociedades com uma outra sustentação que não só o suporte doutrinal e de direito comparado.

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A designação é mesmo adotada por organizações internacionais como a OCDE de que é exemplo o Relatório “The Application of the OECD Model Tax Convention to Partnerships”.

61Estamos a referir-nos à dissertação intitulada “O regime de transparência fiscal – Análise

da eficácia do regime em Portugal e perspectivas de evolução”, que teve como orientador o então Professor (depois juiz conselheiro) Manuel Henrique Freitas Pereira, membro da Comissão da Reforma Fiscal da tributação dos Impostos sobre o rendimento dos anos 80, como melhor se refere no ponto dedicado a esta temática, pelo que esta é uma opinião a ter em conta.

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distinção entre sociedades civis puras e sociedades comerciais e por acentuar a especificidade das sociedades de civis puras, formadas e geridas pelos seus sócios, o que é relevante para o entendimento da opção do legislador fiscal do CIRC 62 em as incluir num regime especial, face ao regime geral das demais sociedades: o regime de transparência fiscal.

É a sua natureza de sociedades de pessoas que, na nossa perspectiva, justifica a forma particular de tributar certas sociedades como sociedades transparentes 63, porquanto são centros de imputação de custos e de reunião de capitais, mais eficazes que as pessoas singulares que as compõem seriam se desenvolvesse individualmente a mesma atividade, apesar de ser fulcral para o exercício dessa atividade económica o trabalho desenvolvido pelas pessoas que a compõem 64.

O próprio método de tributação, caracterizador do regime de transparência fiscal, assenta na constatação de as sociedades (e agrupamentos económicos) a ele subjetivamente sujeitas, serem sociedades de pessoas, que têm um substrato associativo, em que é mais relevante a pessoa dos sócios (e membros, no caso dos agrupamentos económicos) que a sociedade (ou que o agrupamento económico), sendo essa caraterística que justifica aplicar-se-lhes um regime tributário distinto das demais sociedades 65, regime que tenta-se tornar simultaneamente neutra e justa a

62A opção do legislador fiscal português, no final dos anos 80 do século XX, seguiu a pratica

de outras jurisdições fiscais, a que nos referiremos adiante na parte da dissertação que aborda o direito comparado, e, seguiu também a tradição do sistema fiscal português que no artigo 94.º do Código do Imposto Complementar – Secção B (aprovado pelo Decreto-Lei n.º 45399 de 30 de novembro de 1963), aplicável a pessoas coletivas, tinha taxas distintas para as sociedades comerciais e para outras pessoas coletivas, como fossem as sociedades de simples administração de bens e outras pessoas coletivas sem forma societária.

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Na verdade estas sociedades não são tributadas (cf. art.º 6.º, n.º 3 e 12.º do CIRC). Elas apuram a matéria coletável que depois imputam aos sócios (sendo esta matéria coletável requalificada como rendimento liquido no caso dos sócios pessoas singulares – cf. artigos 20.º e 31.º do CIRS). E são os sócios os sujeitos passivos da obrigação de pagamento do imposto, sendo tributados relativamente a essa matéria coletável, em sede de IRS (se forem pessoas singulares) ou de IRC (se forem pessoas coletivas).

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Em alguns casos, sem o trabalho dos sócios as sociedades transparentes/sociedades de pessoas perderiam o seu objeto e a sua razão de existir, não conseguindo gerar qualquer rendimento.

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Estamos a aludir as sociedades tributadas pelo regime geral de IRC, as quais apuram o lucro/prejuízo e são diretamente tributadas em sede de IRC, sendo os sócios, tributados apenas quanto ao lucro distribuído pela sociedade, no momento em que esta decidir distribui-lo, lucro que tem a natureza de rendimentos de capitais.

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tributação, independentemente da forma escolhida para o exercício das atividades económicas.