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7.5 T ipografia D e E duardo S erafim (1875 – 19?)

No documento CAPÍTULO I INTRODUÇÃO (páginas 71-74)

A oficina tipográfica de Eduardo Serafim (v.) foi fundada em Dezembro de 1875, no Largo do Sol-Posto, n.os 10 e 12. Daí foi transferida para a rua do Colégio, n.º 12 e em Setembro de 1882, transferida para a rua de Santo António do Alto, n.º 20.

O proprietário aprendeu a arte tipográfica com o pai, João Serafim (v.), mais conhecido por João da Micaela, o qual tinha trabalhado na Tipografia de Eduardo Lamy (v.) e passou os conhecimentos ao seu filho, Eduardo Serafim, que herdou o negócio e o passou depois ao filho, Paulo Serafim, conduzindo-o até à sua extinção em meados do século XX (em 1968 ainda laborava). Foi seu aprendiz Manuel Caetano (v.), mais tarde proprietário da Tipografia M. Caetano & Moita, Lda. (v.).

71 MESQUITA, José Carlos Vilhena, História da imprensa do Algarve – I, Faro, Comissão de

Coordenação da Região do Algarve, 1988, p. 275.

72 Cf. BRANCO, Capitão [José] Vieira, Subsídios para a história da imprensa algarvia: de 1833 aos

A12/02/1877, fez publicar no jornal Comércio do Sul um extenso anúncio aos seus trabalhos, declarando que o estabelecimento se “acha hoje habilitado para desempenhar todos os trabalhos tipográficos por mais difíceis que sejam, do que tem dado sobejas provas.”73. A publicidade funcionava também como um bom catálogo dos

tipos disponíveis na Tipografia de Eduardo Serafim.

Em Janeiro de 1877, saíram do seu prelo os primeiros sete números de O

Académico Farense, cujo director e editor foi Eduardo Serafim, sendo posteriormente

substituído por José Joaquim da Costa Macedo que transferiu a composição e impressão do jornal para a Tipografia de O Comércio do Sul (v.). No âmbito das comemorações do primeiro centenário do Marquez de Pombal, imprimiu dois folhetos: um em 1882,

Primeiro Centenario / de / Sebastião José de Carvalho e Mello / Homenagem dos Académicos do Algarve, e, no ano seguinte, a Breve Noticia dos Festejos / em / Villa

Real de Santo Antonio / Por Occasião do Centenario / Do / Marquês de Pombal / Por J. F. G.. A 01/07/1889, deu à estampa o número único dedicado à chegada do caminho de

ferro a Faro, que se intitulou A Inauguração («Folha Unica Commemorativa do Inicio da Exploração do Caminho de Ferro do Algarve») e de 1901 a 1902 compôs e imprimiu

Ferroadas («Publicação de Inquérito à Vida Patusca do Algarve») (v. catálogo, n.º 68.),

dirigido e editado por Ludovico Caetano de Meneses (v.).

Esta oficina sobreviveu até à segunda metade do século XX, e, em 1956, ainda deu à estampa a Agenda Meteorológica Sísmica Patológica e Radiações Solares, editada por António Mário de Oliveira.

73 Comércio do Sul, n.º 28, 12/02/1877.

Ilustrações n.os 18, 19 e 20, respectivamente: Primeiro centenario de Sebastião José de Carvalho e Mello…; Breve Noticia dos Festejos em Villa Real de Santo Antonio…; A Inauguração…

Nos anos 20, a oficina estava instalada na rua de Santo António, n.os 73 e 75,

onde se manteve até à sua extinção e declarava-se preparada para “trabalhos tipográficos em todos os géneros, encadernações, artigos de escritório, desenho e pintura, postais ilustrados, vistas de Faro, carimbos e sinetes, papéis pintados, vitraux, etc., etc.”74. Na verdade, é ainda hoje famosa a colecção de postais sobre Faro, editados

pela Tipografia Serafim.

O parque gráfico da oficina foi sendo necessariamente reforçado e melhorado e na segunda metade da década de 10, adquiriu parte do parque da Tipografia Silvense (v.), o que incluiu duas máquinas de pedal: uma máquina Liberty n.º 5 e uma Diamant.

Em 1937, o parque gráfico era composto por um prelo, duas impressoras de pedal Weiler, uma impressora de pedal Diamont, uma impressora pequena manual, uma guilhotina Krause, uma máquina de coser a arame de pedal Krause e uma máquina de coser a arame Nebiolo com motor eléctrico acoplado 0,7 cv, que trabalhava também de pedal75.

A oficina foi um marco na vida comercial e estudantil da cidade de Faro e o seu proprietário era uma figura ainda hoje recordada com carinho. Luciano de Sousa, por exemplo, um olhanense radicado em Buenos Aires, mas com colaboração assídua n’ A

Voz de Olhão, há alguns anos recordava a relação dos jovens caloiros do Liceu de Faro

com a Tipografia Serafim, que não resisto a transcrever:

“O passo imediato para os açodados caloiros era correr à rua de Santo António, onde ficava a «Tipographia Seraphim» (assim rezava a ornamental tabuleta sobre a porta), para encomendarmos os nossos primeiros bilhetes de visita como estudantes liceais, que eram ali impressos em velino opalescente, com os nossos nomes e apelidos bem centrados num belo cursivo inglês e, logo abaixo deles, o novo e (para a nossa ingénua credulidade) deslumbrante título de… «Académico»!

No pequeno estabelecimento éramos sempre atendidos pelo dono em pessoa, um Serafim quarentão e de escassa estatura, tão pulcro atrás do mostrador que parecia – do cuidadoso penteado aos reluzentes sapatos, sempre fresco, rescendendo a colónia e fazendo gala de sóbria elegância – parecia, ia dizendo, que acabava de sair do alfaiate e da barbearia. Usava uns bonitos «papillons» - então de moda, preferentemente esverdinhados, de nó tão bem dado que as suas pontas pareciam rígidas palhetas horizontais de um aeroplano. Assim, pelo menos o víamos.

Era homem atencioso e delicado sem afectação. Na sua presença, aos 11 anos, chegávamos a sentir-nos homens feitos, tal a seriedade com que nos ouvia e respondia no trato da encomenda dos cartões. E se notava nos mais novos algum

74 Capas Negras, n.º 1, 01/12/1925.

enleio ou sombra de hesitação sobre a classe da cartolina desejada, ei-lo a explicar aos neófitos os pormenores do caso, redobrando a cordialidade e ajudando à eleição final, sem forçar o jovem cliente. Nunca se impacientava e raramente deixava de sorrir-lhes carinhosamente. Com as meninas tinha mimos de papá complacente, meiguices candorosas e reptos de galanteria que encantavam as mulherzinhas que havia nelas em floração. Às vezes até nos contava histórias do seu tempo de estudante…”76

No documento CAPÍTULO I INTRODUÇÃO (páginas 71-74)