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5 DISCUSSÃO E ANÁLISE DAS ENTREVISTAS

5.1 Trabalho docente com alunos adolescentes: o prazer-sofrimento

SOFRIMENTO

Este primeiro eixo de discussão está relacionado à maneira como os docentes abordam sua concepção sobre o trabalho docente, e acima de tudo as situações que ocorrem no cotidiano escolar no trabalho com adolescentes e que se relacionam com a sua subjetividade. Nas falas das professoras Leila e Maria, o trabalho docente aparece como um engajamento da personalidade e da forma como este mobiliza a própria subjetividade do professor.

A docência sempre foi o meu foco principal, a direção principal de trabalho na minha vida. E desde sempre eu tenho trabalhado com alunos de ensino fundamental e médio, desde o inicio de minha carreira na docência. (Prof.ª Leila).

Eu trabalho com Matemática, e a disciplina Matemática além de ser uma disciplina que os alunos têm muita dificuldade, então é um tabu quando você fala Matemática, o aluno já cria aquela distância. Então você tem que ter certo cuidado, ser maleável, conquistar, fazer com que eles gostem primeiramente de você como profissional para depois assim você conseguir passar algo pra eles que eles já têm aquela antipatia. É complicado, então são varias situações que te desafiam a todo o momento e você tem que saber lidar com elas. (Prof.ª Maria).

A profissão docente é investida de um importante poder simbólico, enquanto agentes do progresso na escola (Nóvoa, 1999), uma vez que ele é o representante do saber constituído, de modo que a implicação do professor com seu trabalho se torna fundamental para que este legitime o lugar que ocupa, sem perder de vista que a educação é um processo que envolve questões para além do cognitivo, como aponta a professora Maria, ao destacar o aspecto afetivo como algo relevante no processo ensino-aprendizagem, enfatizando o quanto o diálogo e a aproximação ao aluno contribuem para o aprendizado dos conteúdos de matemática.

Em relação ao trabalho docente com alunos adolescentes, os professores afirmaram a existência de um exigente desafio pessoal, pois na adolescência, a experiência subjetiva de passagem para a vida adulta envolve um processo de luto dos objetos de amor da infância e também do corpo infantil, exigindo do adolescente um trabalho psíquico de elaboração, pois segundo Aberastury (1981) o adolescente se vê obrigado a entrar no mundo adulto, o que evoca claramente este momento singular que está vivenciando, que nem sempre é fácil de ser conduzido. E os professores, no contato diário com os adolescentes, serão particularmente solicitados nesse momento de sua vida, caracterizando assim como uma das exigências do trabalho docente. As exigências do trabalho docente com adolescentes podem trazer sofrimentos relacionados ao modo como os professores serão mobilizados na realidade desse trabalho. Desse modo, esses profissionais terão que empreender estratégias para superar o sofrimento e transformá-lo em fonte de prazer, uma vez que no trabalho docente haverá o engajamento do corpo, a mobilização da inteligência e do saber-fazer.

Um dos desafios desse trabalho é o fato do adolescente resistir em tornar seus, tanto os valores de seus pais, como também dos professores, de modo que muitos se colocam em uma posição de resistência em aprender algo que o professor lhes propõe a ensinar. Aprender é uma tarefa que vai demandar do aluno adolescente um importante movimento de disponibilidade de receber algo do outro, o que significa que o professor precisará ser colocado em um lugar de saber por ele. Quando o professor é depositário desse lugar, seu trabalho pode ser fonte de prazer, como observado na fala a seguir:

Mas assim, eu sou professora de formação, eu gosto muito de lecionar eu gosto muito do contato com os alunos, eu gosto muito de transmitir conhecimento. então assim... é isso que me estimula. E o fato deles me procurarem e perguntarem: professora por que isso é assim e não assado. Isso me motiva. Isso me motiva por que eu de certa forma estou contribuindo um pouquinho para o crescimento deles. (Prof.ª Leila).

A fala da professora Leila enuncia o reconhecimento do seu trabalho pelos alunos, o que sustenta seu trabalho e legitima-o. Esse reconhecimento do aluno em relação ao trabalho docente fortalece o professor e se constitui como um elemento de prazer.

No entanto, sustentar esse trabalho junto aos alunos adolescentes, nem sempre é uma tarefa fácil, como nos aponta a fala a seguir:

Hoje em dia o trabalho do docente está sendo um trabalho muito sacrificante, por que nós não fomos preparados para estar em situações que nos deparamos no dia-a- dia, como por exemplo, as drogas. Na nossa época, na época que a gente estudava não havia esta situação e se havia também a gente não tomava nem ciência disso. Hoje em dia não, a gente se depara quase que todos os momentos com alunos dependentes, problemas familiares que trazem também para a escola. Então é uma situação difícil na qual nós não tivemos preparação pra estarmos sobressaindo sobre esse assunto. (Prof.ª Maria). A professora Maria enuncia um saudosismo em relação à educação do passado, que certamente parece idealizada. A professora aponta os desafios da atualidade, que são colocados ao professor e a falta de suporte, já que cabe ao professor, muitas vezes sozinho, lidar com as dificuldades que se apresentam na sala de aula, situações estas que fazem emergir um sofrimento relacionado ao real do trabalho, já que frequentemente não se sabe como enfrentá-lo. O real é, na maior parte dos casos, uma prova inédita, inesperada, desconhecida. Assim, trabalhar implica precisamente a capacidade de lidar com o real, até encontrar a solução que permitirá superá-lo, caso contrário o sofrimento se instala e compromete o trabalho.

Segundo Dejours (2012), todo trabalho é marcado pela resistência do real e este se faz conhecer inicialmente pelo fracasso. O trabalho vivo consiste em desafiar o real, nesse sentido, o trabalho do professor junto a alunos adolescentes é lidar com desafios particulares, que nem sempre estão presente na educação com as crianças, por exemplo. Essa experiência é acima de tudo afetiva, pois gera um sentimento de surpresa, logo substituído pelo nervosismo e pela irritação, se não pela cólera ou pela decepção, a fadiga, a dúvida, o desalento, o sentimento de impotência.

A professora é convocada a lidar com o real para sustentar seu trabalho, no entanto, o sofrimento gerado pelos imprevistos é o que a move na busca de soluções para se libertar desse sofrimento que a aflige.

Assim, pensar o trabalho docente junto aos alunos pubertários e adolescentes, que é o objeto de estudo desta pesquisa, significa além de desenvolver a prática pedagógica, conviver

diariamente com sujeitos que estão em processo de mudança, apresentando comportamentos violentos, mas também vulnerabilidade e desamparo. Essas situações mobilizam a experiência subjetiva e afetiva do professor, que terá que transformar o sofrimento diante da resistência do real em prazer, como atesta a professora, com uma nostalgia romântica do período em que era aluna.

As professoras entrevistadas, na relação educativa com adolescentes, se confrontam com um sujeito que é capaz de realizar muitas provocações e, essas situações as conduzem a rever continuamente sua ação e as fazem sentirem-se cada vez mais implicadas pessoalmente com o aluno, tanto em relação aos aspectos técnicos quanto afetivos da profissão, o que se reflete nas falas das professoras Carla e Elaine.

No trabalho a gente fica ali com eles, às vezes a gente brinca um pouquinho pra descontrair. Eles são inteligentes né... da maneira deles, talvez não em relação à matéria, mas eles são eles têm um conhecimento bem grande. E a gente tá ali convivendo com eles, passa muita parte do tempo junto com eles, cria um afeto com eles, uma troca de afeto, uma relação... (Prof.ª Carla).

[...] tem hora que você perde a paciência... apesar que eu sou muito paciente (risos) mas a gente acaba perdendo a paciência, por que tem coisa que todo o dia, na maioria das vezes os mesmo alunos[...] Só que eu conquistei, eu tenho assim uma amizade. Eu consegui fazer uma amizade, de maneira que eles me respeitam muito, sabe. E esse respeito que é necessário e hoje em dia a gente não vê muito isso. Tá meio complicado, mas eu conquistei isso. ( Prof.ª Elaine)

As professoras Carla e Elaine buscam, por meio da afetividade, desenvolver no real do trabalho estratégias de ensino e aprendizagens significativas que permitem uma relação professor-aluno interativas e de boa convivência, para assim dar conta do desconforto sentido no trabalho docente com seus alunos. Ao buscar a descontração com seus alunos, procurando criar um espaço de comunicação, as professoras encontram soluções para o desafio no trabalho com os alunos adolescentes. Dejours (2012) enfatiza que a mobilização da inteligência no trabalho é justamente algo inventivo e criativo que revela as artimanhas da profissão que não lhe foram ensinado na formação, o que lhe permite enfrentar as situações novas, antes desconhecidas. Morgado (2013) chama atenção para o fato de que a sedução se sobrepõe à relação pedagógica, onde duas operações psíquicas se apresentam, a saber: a transferência inconsciente de afetos primordiais que o aluno deposita no professor e a contratransferência, que é a reação inconsciente do professor a esses afetos. Cabe ao professor

saber que a transferência faz parte da relação professor-aluno, mas esta deve ser permeada pela relação pedagógica, pois é a relação pedagógica que sustenta o trabalho docente.

Não há dúvida de que a tarefa de ensinar aos alunos adolescentes está imersa em vários dilemas e contradições que colocam os professores numa posição de insegurança em relação ao seu trabalho e que os faz buscarem meios para lidar com os desafios cotidianos dessa relação.

[...] eu sou única e tem tantos casos que você não sabe qual socorrer primeiro. Famílias não conhecem pai, problemas de agressão em casa, então ele é agredido, às vezes você leva uma resposta de um aluno que você não sabe nem por que. Mas se você for investigar, apanha todo dia... o pai... então se eu for encostar a mão nele ele vai achar que eu vou bater, e o primeiro pensamento que vem na cabeça dele: ela vai apertar o meu braço. (Prof.ª Gilda).

Na fala da professora Gilda se evidencia o lugar transferencial em que ela é colocada por seus alunos, o lugar de ameaçadora, que ocupa seu pai agressor. A transferência na psicanálise é compreendida como a operação psicológica em que os afetos protótipos da relação original serão revividos inconscientemente (FREUD, 1912/1996). Morgado (2013) nos lembra que a relação de autoridade é uma das muitas em que isso ocorre, pois evocam as identificações primitivas porque, de um modo ou de outro, envolvem dependência e submissão.

Dessa forma, o professor no trabalho com adolescentes, é convocado constantemente a estabelecer modos diferentes de investimentos para sustentar sua prática pedagógica, conforme a fala da professora Janete.

Por que ele às vezes, ele recua no canto da sala, ele não sabe socializar com os colegas. Questão assim... psicologicamente é uma pessoa revoltada, é uma pessoa bruta, responde a gente com brutalidade. Então às vezes, se colocando no que está magoando ele, o que está mexendo com o intimo dele, talvez a gente consiga tirar isso de dentro, pra que ele seja uma pessoa livre pra aprender. (Prof.ª Janete).

A professora Janete, ao perceber que o aluno possui algumas dificuldades que são mobilizadas no espaço escolar, procura ajudá-lo a lidar com elas, e isso se apresenta como um elemento de prazer para esta professora.

Além das tensões geradas a partir de um contexto de sala de aula que desafia o professor a cada instante, na relação com alunos adolescentes, encontramos outras limitações que interferem diretamente sobre a prática docente, limitando a ação do professor e constituindo-se como elementos que contribuem para o sentimento de mal-estar.

Entre eles, a falta de recursos nas escolas para o desenvolvimento de atividades mais interessantes, de maior qualidade, que envolvam mais os alunos, conforme esclarece a professora Leila.

Agora é claro que existem fatores que realmente desmotivam o nosso trabalho. Por exemplo, nós não temos boas condições pra trabalho. Então assim o ideal seria que cada professor tivesse um computador, um data-show, pra apresentar doenças sexualmente transmissíveis, apresentar alguma coisa que atraísse mais, pra tornar a aula mais atrativa. (Prof.ª Leila). A falta de material pode conduzir o professor a uma reação de aceitação à volta da rotina escolar, a um desencanto em relação a uma possível mudança. Porém, na medida em que a professora Leila solicita as ferramentas tecnológicas, a professora Elaine elucida o uso da tecnologia de informação e da comunicação aplicada ao trabalho docente, como algo que lhe traz sofrimento, na medida em que requer novos conhecimentos para os quais ela não está preparada, intensificando assim sua carga de trabalho e gerando ansiedade.

Mas o que tem me incomodado agora é a história da tecnologia em si, que a gente vai ter que aprender a fazer uso pra poder acompanhar o aluno, Esse negócio do celular a gente tem que tá a todo momento... já falei que vamos ter que buscar um meio de fazer uso disso pro nosso bem, pro nosso objetivo vamos dizer assim. Por que eles dão muita atenção. Descobrir como a gente vai utilizar isso na sala de aula. Isso me incomoda. (Prof.ª Elaine)

A narrativa da professora Elaine nos faz reportar acerca do trabalho docente na contemporaneidade, o qual é marcado por grandes demandas, as quais obrigam o professor a gerenciar, mesmo com as limitações que estas ferramentas lhe põem à frente, mas que se caracterizam como uma exigência do momento, que precisa ser enfrentado, além dos desafios da puberdade, que estão sempre presentes.

A puberdade traz mudanças corporais que vêm carregadas de inquietudes e de efervescência pulsional, características da sexualidade do jovem e que se manifestam na sala de aula, sendo que as professoras Elaine e Janete ressaltam o quanto as questões da sexualidade surgem neste período e como isso desperta elementos de sua própria subjetividade.

Conforme Dejours (2012) o trabalho mobiliza toda a subjetividade, sendo uma provação para a subjetividade do ser, na medida em que pode sair ampliada, engrandecida, ou reduzida, expressa em forma de sofrimento ou prazer, pois o trabalhar não é apenas produzir, é transformar-se a si próprio. Assim, quando os adolescentes trazem para a sala de aula aspectos de sua sexualidade, os professores se vêm mobilizados por seus próprios sentimentos

revividos a partir da convivência com seus alunos, e isso vem carregado de dúvidas em relação ao agir, o que pode gerar sofrimento.

Ai eu estou com Geografia no nono ano. É bem complicado por que o nono ano é aquela fase assim que eles estão numa idade de treze, quatorze anos. Então é bastante complicado neste sentido. As meninas chegam mais cedo, elas afloram mais cedo esta questão da sexualidade. (Prof.ª Elaine)

É, principalmente a complexidade, quando você tá modificando o corpo, as meninas, os rapazes a voz. Às vezes acontece assim, como diz na gíria deles, muita margação da cara deles! Que a voz engrossa, as meninas começam os seios, e tem umas que não... enfrentam isso de boa e tem outras que se retraem, por que ficam com vergonha, porque começa a aparecer as espinhas, então isso ai há um confronto com o mundo real, que as meninas, os rapazes começam a fazer gracinhas com a cara deles, e ai ele começa a retrair, ele começa a viver somente o mundo interior deles. (Prof.ª Janete)

A sexualidade evidenciada pelos adolescentes chega até o professor em forma de provocação, mas também como uma demanda dirigida ao professor, para que este dê importância para as transformações pubertárias. As professoras reconhecem que esse é um elemento que se interpõe no espaço pedagógico da sala de aula e que precisa ser considerado. O fato de identificar as transformações pubertárias como algo que comparece com intensidade no espaço da relação entre os alunos entre si, mas também entre as professoras e seus alunos, pode ser fonte de prazer, pois as professoras ao invés de negarem e se manterem atreladas ao prescrito do trabalho, irão levar em consideração o modo com as transformações corporais, psicológicas e sociais de seus alunos adolescentes invadem a cena educativa.

A puberdade aumenta significativamente o sentimento de insegurança do adolescente, levando-os a atitudes de confronto, fuga na direção do desconhecido ou a atos de evitação, que se manifestam através da inibição, medo, quando não em forma de violência. Isso tudo como forma de enfrentar a insegurança interna (MARTY, 2012).

Essa insegurança interna que o aluno adolescente apresenta, desafia também o professor, conforme evidenciaram as professoras Elaine e Janete, o quanto seus próprios sentimentos de adolescência as mobilizam, fazendo vir à tona as questões vividas neste período, que retornam ou não nos comportamentos dos alunos. Assim, mediante a especificidade da circunstância educativa, o professor procura uma forma de atuação equilibrada, que busque o entendimento do adolescente em sua diversidade de comportamentos e sustente o seu lugar no trabalho.

Muitas vezes a gente tem que procurar. Eu já vivi, eu já passei por isso na adolescência, mas hoje em dia é diferente. Da minha época pra agora. Antes a gente era mais tímido, não levava muita coisa pra escola, era mais retraído. E agora eles estão ai, dá pra falar que eles só pensam nisso... isso que eu quero dizer, é essa parte da sexualidade mesmo, questões banais da sexualidade. ( Prof.ª Elaine)

É uma fase que eu também tive problemas, não tive informação em casa, porque os meus pais não tiveram esta oportunidade a ai eu como venho de uma formação melhor, e ai eu vejo... eu me retrato, eu me ponho no lugar deles, eu me sinto no lugar deles. Então, às vezes posso não atender todos, mas aqueles que eu consigo chegar e ter aproximação, ai tudo bem, às vezes tem uns que realmente dificultam esta aproximação, este acesso. (Prof.ª Janete)

As professoras apontam como se sentem mobilizadas pelas transformações pubertárias de seus alunos, elas revelam que toda essa situação as faz lembrar e reviver sua própria adolescência. Morgado (2013) ressalta que a contratransferência é a reação psicológica inconsciente da pessoa que é alvo da transferência e se compreendemos que os adultos serão solicitados a ajudarem os adolescentes a lidarem com os desafios pubertários, esse lugar pode não ser tão fácil de ocupar. A autora chama atenção para o fato de que as relações de autoridade, como professor-aluno, intensificam o campo inconsciente e tendem a provocar revivescência ambivalente recíproca. Essa situação de reviver sua própria adolescência ao se confrontar com a adolescência de seus alunos pode ser fonte de sofrimento para os professores e a professora Janete aponta que o distanciamento entre ela e seus alunos adolescentes é um modo de defesa individual do sofrimento, pela mobilização da sua relação com os alunos.

Na adolescência, compreendida como um período de vulnerabilidade segundo Marty (2012), alguns de seus conflitos são trazidos para a sala de aula, o que significa um grande desafio ao professor, pois além de ter de cumprir com sua função docente, no que diz respeito à aprendizagem, precisa lidar com aspectos particulares de cada aluno.

Assim, mediante a circunstância educativa, o professor procura uma forma de atuação no trabalho, que busque o entendimento do adolescente em sua diversidade, considerando que as situações do cotidiano da sala de aula demandam do professor a mobilização da sua subjetividade, a partir do principio de que o trabalhar caracteriza-se como uma condição de manifestação da vida. ( DEJOURS, 2012)

Convém evidenciar as falas da professora Janete, que ao se referir à aproximação com seus alunos, percebe que esses precisam de seu apoio. A professora identifica que lhe é

demandado contribuir para que seus alunos adolescentes possam melhor lidar com as situações que convivem. Porém, aponta que existe a necessidade do limite em relação à aproximação com os alunos, o que não pode exceder, pois pode colocar em risco a sua própria integridade física, tendo em vista as situações em que o aluno se envolve, tais como drogas, por exemplo. Como afirma Aguiar e Almeida (2008) o contato direto com os problemas dos alunos pode ser fonte de mal-estar aos professores, pois estes se desgastam com as dificuldades de seus alunos. Porém, precisam saber que existe um limite entre a dimensão da vida privada e da vida pública e que interferir na vida privada do aluno pode muitas vezes